Editores da CPB participam de fórum sobre “pós-verdade”

IMG_6852“As pessoas consomem aquilo que vai ao encontro da sua visão de mundo.” A frase dita pelo filósofo Luiz Felipe Pondé [na foto ao lado, com os editores da CPB Márcio Tonetti, Agatha Lemos e Michelson Borges], durante o fórum denominado “O papel da Mídia Brasileira na Era da Pós-Verdade”, promovido pela Associação Nacional de Editores de Revistas (ANER), na manhã da última terça-feira, 4 de abril, em São Paulo, ilustra parte das reflexões e adaptações sobre as quais se debruçam, atualmente, os veículos de comunicação. Com o objetivo de destacar a importância do momento para o fortalecimento da democracia e a oportunidade de garantir à sociedade o direito de informações críveis, apuradas com técnica, rigor e ética profissional, o evento, voltado a profissionais de comunicação, apresentou a necessidade premente de se resistir à propagação de notícias falsas e alternativas que circulam nas redes sociais e têm impacto nas decisões em âmbitos político, econômico e social.

“Mentiras e verdades não podem ter o mesmo valor. E a pós-verdade pode ser sinônimo de mentira, na medida em que fatos objetivos parecem ter menor influência sobre crenças populares”, frisou o presidente da ANER, Fábio Gallo, durante a abertura do encontro, destacando a velocidade com que as “fake news” são compartilhadas. Ele ainda lembrou casos como o ocorrido em 2014, quando uma mulher foi espancada até a morte por populares no Guarujá, litoral de São Paulo, acusada de praticar magia negra, e o boato – inverídico – espalhou-se nas redes sociais.

Para o jornalista, colunista da rádio USP e professor universitário Carlos Eduardo Lins da Silva, a definição de verdade já se mostra algo bastante complicado. “Fico com o conceito de pós-fato. É preciso separar o fato do não fato”, destacou. Ele frisou que o momento atual é bastante delicado, pois lideranças hierárquicas mundiais estão usando do artificio de divulgar falsas notícias para fins escusos. […]

Durante sua explanação, o filósofo Luiz Felipe Pondé fez uma análise acerca dos motivos que levam o cidadão a consumir as notícias falsas como verdade, muitas vezes sabendo que não estão de acordo com a realidade dos fatos. “Consumimos mentiras porque gostamos de consumir o que nos diverte. Só relativizamos aquilo que não concordamos”, elencou.

A lógica do desejo e gostos pessoais como critério de consumo de notícias também foi apresentada pelo jornalista Eugênio Bucci, que mencionou a paixão e o prazer como fatores decisórios nesse processo de escolha, em detrimento da razão. Ele também frisou a checagem e a necessidade de disponibilização, cada vez maior, de fatos acessíveis para garantir a entrega de uma informação de qualidade – matéria prima do “bom jornalismo”.

O último painel reuniu, em um talk show mediado pela jornalista Monica Waldvogel, o presidente da ANER, Fábio Gallo; Marcelo Rech, da Associação Nacional de Jornais (ANJ), e Paulo Tonet, presidente da Associação Brasileira das Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), e tratou de democracia e os mecanismos de combate às falsas notícias.

Para Tonet, da Abert, a arma da imprensa contra a prática nociva passa pelo exercício da credibilidade, com a certificação do bom jornalismo e da informação crível, “a técnica do jornalismo sério é perene”. “A grande imprensa erra, mas busca a correção dos seus erros. Tem que ser constante a busca pela clareza e a checagem jornalística. Não estamos nesta área para fazer amigos, mas para prover a pluralidade das informações com responsabilidade”, abordou o presidente da ANJ, Marcelo Rech.

Segundo Rech, já estão surgindo campanhas publicitárias, sobretudo nos Estados Unidos, para explicitar a diferença entre a produção profissional da informação e a elaboração de informações por meio das redes sociais.

(Márcio Santos, ML&A Comunicações)

 Nota: Na era “pós-fato”, divulgar informações mentirosas é um problema que pode levar, inclusive, à limitação das liberdades digitais que acabaram sendo mal exploradas. Pior é quando esse hábito pernicioso de espalhar inverdades acaba sendo adotado por cristãos, em suas redes sociais. Os jornalistas Agatha Lemos, Marcio Tonetti e Michelson Borges vão preparar uma reportagem exatamente sobre esse assunto (aguarde). Afinal, mentir é tão pecado quanto transgredir o sábado ou roubar. [MB]

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