ISIS tentará matar o papa Francisco no Egito

PapaFranciscoO papa sofre enorme risco de ser alvo de um atentado terrorista durante sua visita ao Egito, no fim do mês, e sua viagem deveria ser cancelada. O ISIS, também conhecido como Grupo Estado Islâmico ou Daesh, e outras organizações radicais presentes no território egípcio, certamente já têm planos para o ataque. Para complicar, o Egito, comandado pelo autocrata Sissi, aliado dos EUA, não tem a menor capacidade de proteger o papa. Basta ver o fiasco que seu governo tem sido para proteger os cristãos egípcios. […] Como sabemos, mais de 40 cristãos coptas foram mortos em atentados do ISIS contra uma igreja no delta do Nilo e uma catedral em Alexandria. O papa, no entanto, não tem medo e deve ir mesmo assim ao Egito mostrar solidariedade aos cristãos e ao papa copta Teodoro II, que quase foi morto em um dos ataques, e para dialogar com tradicionais autoridades islâmicas. E Francisco ainda tem o agravante de se recusar a adotar algumas medidas de segurança, como observamos na viagem dele ao Rio. É bonito e admirável ver um papa identificado com a população como ele, mas o risco dessa aproximação física é enorme e passa a ser gigantesca no Egito.

Não duvido e acho provável um atentado de baixa intensidade no Vaticano no padrão dos de Londres, Estocolmo e Berlim. É possível um de amplitude maior similar ao de Paris, mas o Vaticano e as forças de segurança italiana têm capacidade para tentar evitar uma ação dessas. O risco sempre existe. Mas não dá para comparar com o risco no Egito.

Caso matem o papa no Egito, será o golpe final em qualquer esperança de tolerância religiosa ao redor do mundo. O maior líder cristão morrer em um atentado cometido por jihadistas em uma nação majoritariamente islâmica terá reflexos por gerações na forma como católicos e cristãos em geral no Ocidente verão a comunidade muçulmana, ainda que um grupo terrorista, e não a religião, seja responsável. Francisco tem de cancelar essa viagem.

Infelizmente, o Vaticano já informou nesta segunda que “não há dúvida de que o Santo Padre viajará ao Egito em 28 e 29 de abril”. Guardem essas datas.

(Guga Chacra, Estadão)

Nota: Guga Chacra é blogueiro de política internacional do jornal O Estado de S. Paulo e comentarista do programa Globo News em Pauta em Nova York. Além disso, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em Nova York. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires, portanto, ele sabe bem do que está falando. O texto acima corrobora uma postagem que fiz aqui recentemente (confira). Guga está certo, também, porque o próprio Estado Islâmico já ameaçou o Vaticano e o papa. Mas discordo dele quando diz que a morte do papa seria um “golpe final em qualquer esperança de tolerância religiosa ao redor do mundo”. Na verdade, um evento desse teria o poder que mudar muita coisa rapidamente no planeta. Poderia ser o estopim detonador de uma perseguição em massa contra “fundamentalistas” religiosos e de uma busca maior pela união dos “moderados”. Lembremo-nos de que a Igreja Católica ainda conta com um papa “reserva” que bem poderia entrar em ação (ou ser ele o mártir da vez), caso haja mesmo um atentado contra o líder romano. Dias depois de um possível atentado dessa natureza, os católicos em todo o mundo celebrarão os cem anos das aparições da Virgem de Fátima, que, como eu já escrevi aqui, é venerada igualmente pelos muçulmanos. Imagine se ela resolve aparecer de novo, justamente em um momento em que o mundo poderá estar em profunda comoção e à beira de uma guerra? Lembre-se: são apenas especulações com base em probabilidades. Pode não acontecer nada disso nos próximos dias, mas que os eventos finais preditos na Bíblia e detalhados no livro O Grande Conflito (você já leu?) serão rápidos, isso serão. E o cenário está montado. [MB]

“O tempo de angústia, que há de aumentar até o fim, está muito próximo. Não temos tempo a perder. O mundo está agitado com o espírito de guerra. As profecias do capítulo onze de Daniel quase atingiram o seu cumprimento final” (Ellen G. White, Review and Herald, 24 de novembro de 1904).