Séries estão trazendo podridão para dentro de casa

gameDesde seu primeiro episódio, em 2011, a série Game of Thrones, da HBO, levou ao ar cenas de sexo de uma forma jamais vista na TV americana: incesto, sexo oral, orgias, bordeis, seios, seios e mais seios. No ano seguinte, outro novo seriado na mesma HBO, Girls, ganhou a mídia por um motivo parecido: a inclinação de suas jovens estrelas de tirar a roupa para protagonizar cenas de sexo de alta voltagem. Ao raiar de 2013, depois de tanta nudez e tantos encontros picantes, uma série inteira sobre sexo já parecia algo quase corriqueiro. Mesmo assim, Masters of Sex – drama sobre o trabalho inusitado dos sexólogos William Masters e Virginia Johnson nos anos 50 – estreou no canal Showtime e, agora [2015], está em sua terceira temporada, sendo exibida no Brasil pela HBO. Na época em que Masters of Sex se passa, o sexo era um tema tão tabu que até casais unidos pelo santo matrimônio em seriados como I Love Lucy tinham que ser mostrados dormindo em camas separadas. Mas nos anos 70, marido e mulher já podiam dividir a mesma cama, e falar sobre sexo não era algo tão proibitivo. Tanto que Maude, da série de mesmo nome, acaba fazendo um aborto, enquanto Mary do The Mary Tyler Moore Show dá a entender que toma anticoncepcionais.

Hoje, as cenas explícitas na telinha viraram lugar comum: simplesmente assumimos que elas acontecem em qualquer seriado de drama para adultos, como The AmericansThe AffairHouse of CardsScandalHow to Get Away with MurderOrphan BlackTransparent e Outlander. A “era dourada dos dramas na TV” também marca o início de uma era dourada do sexo na TV.

Certamente, as mídias sociais incentivaram as emissoras a ousar, compensando qualquer cena mais chocante com hashtags que logo disparam entre as mais comentadas. […]

A nova safra de seriados pode ser a prova do velho conceito de que sexo vende. Mas eles o fazem de uma forma inovadora, artística e provocadora, desafiando as normas sociais. A explosiva inovação trazida pela roteirista e produtora Shonda Rhimes para Grey’s Anatomy em 2005 deu início a essa ebulição da TV americana, com seu enorme elenco de médicos e médicas bonitões transando em salinhas entre uma cirurgia e outra.

A série não explorou apenas o sexo – ela tornou o sexo na TV mais feminista, com suas cenas de mulheres recebendo sexo oral, casais de lésbicas e a palavra “vagina” sendo sugerida o tempo todo. Rhimes manteve sua marca registrada em outras de suas criações, como Private PracticeScandal e How to Get Away With Murder. Seus programas também foram pioneiros em mostrar cenas de sexo entre homossexuais fora dos domínios da TV pay-per-view.

Ao mesmo tempo, Orange Is the New Black, do Netflix, resgatou cenas de sexo entre mulheres que até então só se via em filmes pornográficos. Afinal, não há nada mais clichê nesse gênero do que duas garotas bonitas transando na cadeia. Mas o seriado humanizou essas relações, tornando-as tão peculiares quanto as personagens que protagonizam a série. Algumas cenas de sexo são dóceis, outras aventureiras, outras românticas e outras até embaraçosas. Muitas das atrizes não têm aquele corpo idealizado tradicional. E o que se vê, no fim, é que o sexo entre mulheres na prisão vira algo corriqueiro. Nós torcemos por alguns dos casais e odiamos outros, da mesma forma que fazemos pelos pares heterossexuais das novelas.

A série Grace and Frankie, também do Netflix, faz o mesmo pela sexualidade dos idosos. A história começa quando os maridos das duas personagens do título as abandonam para ficarem juntos – uma admissão óbvia de que o sexo ainda é importante para quem tem 70 e poucos anos.

As esposas abandonadas não perdem tempo em encontrar novos potenciais parceiros, principalmente Grace, vivida por Jane Fonda, que dá a seu amante uma lição clara de uma boa preliminar.

(BBC Brasil)

Nota: Recentemente, líderes de jovens de uma grande igreja do interior do estado de São Paulo me pediram para apresentar uma palestra sobre cinema. Relutei, mas acabei aceitando o desafio. Ainda estou pesquisando tudo o que posso sobre o assunto, ouvindo várias opiniões e produzindo um texto e uma apresentação. Em breve postarei aqui esse conteúdo. Ocorre que me dei conta de que, embora ainda seja um tema que gera certa polêmica, a frequência ao cinema não é o pior dos males do nosso tempo, e talvez estejamos “coçando no lugar errado” quando batemos apenas nesse ponto. Hoje em dia conteúdos que seriam de se esperar em filmes pornográficos estão sendo assistidos no conforto do lar, graças à expansão da Netflix, dos canais pagos e da internet banda larga. Jovens estão assistindo na TV, em computadores e até em seus tablets ou smartphones a séries que exibem pessoas nuas, cenas de sexo explícito hétero e homossexual, estupro, violência extrema e até incesto. Dias atrás, vi no Facebook adventistas declarando seu “amor” à série “Game of Thrones”, uma das mais pornográficas de todos os tempos, que tem contratado atrizes do mundo pornô, pois as atrizes “normais” se recusam a fazer certas cenas! O que está acontecendo com alguns ditos cristãos? Será que se esqueceram de tudo o que leram (espero que tenham lido) na Bíblia e ouviram na igreja? Será que podem conceber a ideia de que os anjos de Deus estariam com elas enquanto assistem a esse tipo de lixo televisivo? Nossa mente é preciosa demais e os tempos em que vivemos solenes demais para poluirmos nossos pensamentos a ponto de não mais perceber a diferença entre o sagrado e o profano; a ponto de anestesiarmos tanto os sentidos e a nossa moral que consideremos passatempo um tipo de conteúdo que faria corar um devasso no século passado. Deus nos livre dessa cegueira e dessa indiferença! [MB]