Exibir como mercadoria é empoderar?

assedioA última edição do “Fantástico”, da TV Globo, apresentou reportagem de denúncia contra os sócios da revista Playboy no Brasil, marca que deixou o portfólio da Editora Abril em 2015 e atualmente é controlada pela PBB Editora, que relançou o título em 2016. Na matéria do dominical, pelo menos quatro modelos dão depoimentos alegando assédio por parte de André Sanseverino [foto ao lado] e Marcos de Abreu. O material revela depoimentos das modelos Nadya Ferreira, Samantha Ofsiany, Barbara Martins e Adriana Oliveira. As jovens participaram do lançamento da nova Playboy como Coelhinhas e alegaram que Sanseverino passou a assediá-las. Em mensagens de texto trocadas pelo WhatsApp, o empresário teria questionado a possibilidade de uma delas trair o namorado para se beneficiar no mercado de trabalho. Em outro caso, ele pede uma foto nua para a modelo e afirma que “transforma modelos em musas”. “Se for para tentar te ajudar, espero criar um vínculo de intimidade”, escreveu Sanseverino. Abreu também aparece nas acusações por ter assediado as profissionais no dia do evento de lançamento da revista.

De acordo com os relatos, Sanseverino deixou claro que não seria possível trabalhar com as garotas sem a contrapartida “sexual”. É por isso que o advogado Marcello Lombardi, representante das modelos no caso, abriu processo de danos morais e lucros cessante. “As propostas de cunho sexual eram todas assim: “Se você fizer sexo comigo, te coloco nas capas da Playboy. Esse tipo de proposta foi feita de forma ostensiva”, explicou o advogado.

A situação acabou em crise. A PBB Editora divulgou nota declarando que repudia o desrespeito contra a mulher e informou que decidiu pelo total afastamento do sócio André Sanseverino por prazo indeterminado. “Qualquer declaração dada por André Sanseverino não reflete em absolutamente nada os valores da Playboy. Ele se encontra afastado e não responde mais pela revista. Acreditamos de forma franca e honesta que ele deverá colaborar para elucidar os fatos até que as denúncias sejam apuradas. A Playboy, ao longo de sua história, vem coadjuvando em defesa e em busca da liberdade e empoderamento das mulheres, não somente no Brasil, mas em todo o mundo. E não será diferente neste momento”. […]

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Nota: Não é curioso o editor de uma revista que vive da exploração do corpo da mulher como objeto falar em “desrespeito”, “valores” e “empoderamento”? Cadê as feministas de plantão para vociferar contra esse absurdo? Afinal, onde está o “empoderamento” de mulheres que se exibem como mercadoria para um público masculino interessado apenas na “casca” delas em fotos provocantes? Que valor é esse que troca dinheiro por dignidade? Infelizmente, vivemos em um mundo sob total inversão de valores, onde o assédio é apenas mais um pecado/crime no pacote de males que assolam a sociedade, os relacionamentos, as instituições, os lares e o coração das pessoas. [MB]

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