As femimiministas não gostaram mesmo da Mulher Maravilha

mulher maravilhaHá queixas nas redes sociais e na Comissão de Direitos Humanos de Nova York: numa exibição do novo filme da Mulher Maravilha foi proibida a entrada de homens. O debate veio recuperar dúvidas antigas: Pode uma heroína “branca, de proporções impossíveis”, ser feminista – e pode esse filme polêmico ser “o melhor filme baseado em histórias em quadrinhos de sempre”? “Entrada não permitida a homens.” O aviso constava do anúncio sobre uma exibição do filme “Mulher-Maravilha”, numa sala da cadeia de cinemas Alamo Drafthouse, nesse caso em Austin, Texas. “Estamos falando sério: todo o pessoal que trabalhar nessa sessão – staff do cinema, projecionista, equipe de cozinha – vai ser mulher.” Não foi preciso mais para uma série de reclamações disparar nas redes sociais e chegar, [na] quinta-feira, a uma reclamação oficial que deu entrada na Comissão de Direitos Humanos de Nova York, cidade onde a cadeia de cinemas decidiu fazer mais exibições para mulheres depois de a primeira ter esgotado. […]

Muito antes da polêmica sessão em Austin e das que se seguiram em várias partes do país, discutia-se o feminismo da heroína e a importância de esse filme chegar finalmente à tela, depois de décadas de histórias em papel da Mulher-Maravilha e de projetos abortados nos estúdios cinematográficos. Afinal, escreve-se no The Telegraph, “os estúdios querem sucessos, não querem causas, e a Mulher-Maravilha é uma causa em espera”.

O filme pode representar uma causa, mas ela é muito mais abrangente – tem que ver com a representação das mulheres no cinema e no mundo das histórias em quadrinhos, em particular, onde se fazem contas para se descobrir que há poucas garotas crescendo com a ideia de que também elas podem ser fortes e salvar o mundo. Segundo as contas do “Gizmodo”, desde 1920 houve cerca de 130 filmes adaptados de HQs ou que giram em torno de histórias de super-heróis, mas só oito destes contaram com protagonistas femininas. No The Telegraph, o problema é resumido assim: “Das 55 HQs adaptadas por Hollywood na última década, zero centraram-se numa personagem feminina sozinha; para pôr essa estatística em perspectiva, são menos dois do que os que se centraram em cães.” […]

Para percebermos o feminismo da Mulher-Maravilha – e as suas contradições – é preciso recuarmos à tal apresentação e à sua criação, em 1941. Foi durante a Segunda Guerra Mundial, na época em que o Batman e o Super-Homem se tornavam símbolos das HQs, que surgiu a ideia de contrariar a masculinidade que parecia dominar o meio e criar uma personagem diferente. A proposta foi feita pelo psicólogo de Harvard William Moulton Marston, que se haveria de tornar conselheiro da DC.

Foi Marston que imaginou a história de Diana, a princesa amazona que encontra um piloto do Exército americano, Steve Trevor, na sua ilha de guerreiras femininas e o leva de volta ao “mundo dos homens” – um mundo cujas regras desconhece e cujas guerras não compreende. A ideia foi apresentada assim por Marston, segundo cita o The Washington Post: “A Mulher-Maravilha é propaganda psicológica para o novo tipo de mulher que deve, acredito, dominar o mundo.” O criador da ideia decidiu que ela deveria ser acorrentada ou presa de alguma forma em todas as edições, justificando ao seu editor que “as mulheres gostam de submissão” e acreditando que a destruição das correntes seria um símbolo de libertação. […]

A categoria de símbolo feminista voltou a ser atribuída à Mulher-Maravilha em 1972, quando fez capa da revista Ms., de Gloria Steinem, ou mais recentemente, quando no ano passado foi escolhida para ser embaixadora honorária da ONU para a igualdade de gênero. Por pouco tempo: dois meses depois de ter sido escolhida, em dezembro passado, a ONU concordou com a petição de funcionários que apontava para a “imagem abertamente sexualizada, de peito grande, uma mulher branca com proporções impossíveis” que veste a bandeira dos Estados Unidos e dificilmente representa todas as mulheres.

Mais consensual parece ser a escolha de Gal Gadot, a atriz israelita que na grande tela dá vida à Mulher-Maravilha e que o The Guardian considera poder ser “o melhor casting para super-heróis desde Christopher Reeve”, uma atriz que “melhora a atuação de todos os que a rodeiam”. Vestida com as tradicionais botas e tiara, Diana – que se transforma em Mulher-Maravilha quando pisa a Londres da Primeira Guerra Mundial, onde a narrativa do filme se desenrola – vai tentar contrariar o mal, lutando ao mesmo tempo contra o deus da guerra, Ares, e a guerra em si. […]

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(Expresso)

Nota: Após ler essa matéria, o amigo Marco Dourado comentou: “Um blockbuster faturando horrores nas bilheterias de todo o mundo, dirigido por uma mulher pra lá de talentosa, narrando a saga heroica de uma heroína pagã linda e que adotou um macho-beta. Pensei: ‘Desta vez não vai ter como elas [as feministas] ficarem de mimimi…” Ledo e Ivo engano. Pelo visto, a continuação de Mulher Maravilha deverá ser estrelada por uma cafuza soropositiva, com uma peruca em cada axila, fedendo a peixe podre e sofrendo de obesidade mórbida. E que pratique um sincretismo de vodu com islamismo. Ah, sim, e o mocinho, Steve Trevor, tem de ser um transgênero que milita pela adoção de gambás albinos. Mas vai ter mimimi, mesmo assim. Lembrando que teve femimiminista reclamando que Gal Gadot é israelense, portanto, racista e genocida.”

Ao que outro amigo, o Alexsander Silva, respondeu: “Por que ‘de proporções impossíveis?’ Gal Gadot, como atriz, não é menos maravilha do que a personagem dela. Ela era militar do exército de Israel e dava aulas de artes marciais para os marmanjos de lá. É casada e muito realizada nessa condição. Não passou a vida em academia nem na bola de Pilates (sejamos justos, também não passou em frente à TV vendo novela e comendo brigadeiro de colher).”

Pelo visto, a Gal Gadot fez uso do lema “meu corpo, minhas regras”. Só que, nesse caso, a oposição é mais ferrenha…

Leia também “Líbano bane ‘Mulher Maravilha’ em protesto contra a atriz israelense Gal Gadot”. Segundo Dourado, feminazismo e islamofascismo têm os mesmos fundamentos e o mesmo patrono angelical. “Aí você faz uma turnê pelas livrarias do mundo islâmico e pergunta se tem Os Protocolo dos Sábios de Sião. Leva uma bacia cheia ao custo de U$ 0,10 – incluindo a bacia.”

Leia também: “Mulher Maravilha faz sucesso entre conservadores”

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