O testemunho de um jovem cristão viciado em pornografia

vicioBoa tarde, pastor Michelson. Não sei se você vai chegar a ler este meu e-mail, mas gostaria de contar um pouco da minha experiência com música e séries. Para começar, me chamo ……………, tenho 24 anos e sou adventista do sétimo dia desde os três anos de idade. Minha família é toda adventista, exceto minha irmã que se afastou. Desde pequeno sempre gostei muito de ver televisão, pois antigamente o acesso à internet no Brasil era coisa bastante rara. Via filmes e desenhos de todos os tipos. Daí, quando cheguei à fase da adolescência, as coisas pioraram. Como eu havia adquirido o hábito de ver muita TV na infância, na adolescência isso passou a ser uma coisa normal. Mas nem tudo era ruim nessa fase, pois gostava muito de ler; porém, lia livros que são contra os princípios de Deus. E as músicas eram sempre pop rock, rock não tão pesado, etc. As músicas da igreja não faziam sentido para mim, mesmo estando na igreja nos fins de semana.

Por essa época, tive acesso a DVDs e sites pornográficos. No primeiro momento, queria repudiar aquilo que estava vendo, mas como fui “domesticado” com filmes, desenhos e novelas, achava que um site pornográfico não faria tão mal assim à minha vida cristã. Só que, com o passar do tempo, isso foi se intensificando e virou um hábito muito forte, a ponto de eu praticar a masturbação. Daí, “a essa altura do campeonato”, já tinha mais dois vícios: pornografia e masturbação. Ao mesmo tempo continuava vendo filmes (sem conteúdo pornográfico, porém, em sua essência, tinham), ouvia todo tipo de música, e achava que esses dois passatempos não estavam me influenciando em nada.

Com o passar dos anos isso se tornou um vício enorme em todos os sentidos. Quando estava com 19 anos, queria largar todos esses vícios, mas era muito mais forte do que eu, principalmente a pornografia e a masturbação, pois eu via sexo em tudo. Sempre pensava em sexo, seja na igreja ou em qualquer outro ambiente. Tentei me apegar a Cristo, fazia muitas orações, bloqueava os sites pornográficos, mas sempre era vencido por esses meus vícios. Meu computador ficava no meu quarto. Tinha acesso à internet por mais de 12 horas, vendo séries e sites pornográficos todos os dias sem parar. Eu achava que era impossível vencer isso. Parecia que Deus não estava nem aí para minhas orações.

Como eu lia muito, comecei a comprar livros e DVDs do Harry Potter, comecei a fazer coleções de livros de ficção de várias histórias (vampirismo, lobisomem e espiritismo), coleções de CDs de bandas que admirava. Isso era a minha vida. Era mais forte do que eu, mesmo pedindo forças a Deus para abandonar.

Cheguei ao ponto de ter princípio de depressão. Ficava trancado no meu quarto sem comer nem beber. Perdi quase 8 kg devido ao começo de depressão e a esses vícios horríveis. Pensei várias vezes em tirar a vida, pois estava muito sufocado com essas coisas. Parecia que Deus havia me abandonado. Chorava muito. E para aumentar minha tristeza ainda ouvia músicas melancólicas. Parei de ir à igreja nesse período. Sempre ficava irritado com qualquer coisa que meus familiares perguntavam. Tinha semanas que eu só os via três vezes por semana, mesmo estando dentro da mesma casa.

Depois de alguns meses, não sei o que deu em mim, mas tive vontade de sair do quarto, me alimentar corretamente, sair de casa um pouco e ir à casa de uns amigos. Quero acreditar que foi o Espírito de Deus que me deu forças para isso (escrevo esta linha em lágrimas, pois fico impressionando com o poder de Deus na vida do ser humano). No mesmo dia que tomei essa atitude, quando cheguei da casa dos meus amigos – fazia meses que eu não os via –, entrei em meu quarto e rasguei todos os livros diabólicos que tinha, como também destruí todos os DVDs de mesmo conteúdo e os pornográficos. Joguei fora mais de mil reais desses conteúdos. Não estava me reconhecendo ao fazer isso. Depois me pus a chorar, pois sabia que ia ser difícil vencer os vícios, mesmo jogando tudo fora. Isso porque minha mente estava muito contaminada com pornografia, músicas inadequadas, etc. Mas estava disposto a vencer! Depois de alguns meses, entrei no curso preparatório para o vestibular, e depois de três anos tentando o vestibular, passei para o curso que tanto queria: Odontologia.

Quando entrei na faculdade, comecei a andar com pessoas que não eram cristãs, e aos poucos fui voltando a ser o que era antes. Minha mente ainda continuava afetada pelos hábitos que eu tinha, e isso aumentou com o convívio com pessoas que não compartilhavam dos mesmos princípios que os meus. Eu não estava percebendo como isso me conduzia aos poucos a fazer praticamente as mesmas coisas que fazia antes.

Comecei a ouvir músicas dos anos 80, voltei a navegar em sites pornográficos, praticava com mais intensidade a masturbação, voltei a assistir a muitas séries, minhas notas na faculdade estavam caindo, comecei a faltar às aulas e chorava muito no meu quarto, querendo um sentido para a vida. Até que decidi procurar ajuda. Na própria faculdade em que estudo me dirigi ao bloco do curso de psicologia em busca de socorro. Chegando lá fiz a triagem para o atendimento e me derramei em lágrimas para a psicóloga que estava ali. Queria uma solução para a minha vida, não estava mais enxergando Deus, não fazia mais sentido continuar vivendo.

Depois desse dia continuei a terapia. Foram várias sessões que me ajudaram muito. Os primeiros dias foram difíceis, mas continuei o tratamento. Cheguei a fazer cinco provas finais em um só período devido às consequências de faltar às aulas e tirar notas baixas. Mas pedi forças a Deus, para que Ele me ajudasse a recuperar as notas e passasse nas provas finais. E Ele atendeu minha oração. Passei nas provas finais. Ao final daquele período fui convidado para participar da Missão Calebe em outra cidade. Aceitei o convite e fui. Iria passar um mês fora de casa. Iria fazer algo de útil para o meu Deus – como também iria ficar longe das coisas que estavam me fazendo mal.

Nessa Missão Calebe tive acesso a uma série de palestras que um amigo me recomendou assistir, de um palestrante adventista dos Estados Unidos, intituladas “O dilema da distração”. São dez episódios. Assisti tudo em dois dias e vi com riqueza de detalhes o poder da música na mente do ser humano e como isso está ligado à pornografia e à nossa adoração a Deus. Essas palestras me abriram os olhos, e quando cheguei em casa depois de um mês queria fazer diferente. Ser diferente. Não queria voltar a fazer as mesmas coisas.

Logo comecei a excluir as séries que ainda tinha no meu PC, mesmo aquelas “inofensivas”. Excluí as músicas mundanas que ainda tinha no celular, migrei o PC do meu quarto para a sala, decidi fazer jejum por três meses das redes sociais (excluí definitivamente o Facebook, Instagram e WhatsApp); nesses três meses de jejum lia um capítulo por dia do livro O Desejado de todas as Nações (87 capítulos) e meditava na vida de Cristo. Além disso, comecei a estudar alguns assuntos da Bíblia que antes considerava chatos, por exemplo: o santuário, a Trindade, etc. São temas muito importantes que todos, jovens e adultos, precisam conhecer, pois o inimigo de Deus tem desviado pessoas de nosso povo usando e distorcendo esses assuntos.

Passei a orar mais. Meus amigos não entendiam essas minhas atitudes, mas como estava viciado nas redes sociais, precisei dar um tempo. Só tinha acesso ao e-mail por conta da faculdade e das programações da igreja. Foi um período enriquecedor para mim e ainda continua sendo. Minha vida melhorou muito. Estou dando estudos bíblicos para o meu cunhado e para a irmã que estava afastada da igreja. Meu gosto musical não mais é o mesmo, pois comecei a gostar dos Arautos do Rei (principalmente as músicas antigas deles), retirei das minhas preferências toda música muito ritmada, que, infelizmente, tem também em nossa igreja. Logo, basta ser seletivos em tudo o que ouvimos.

Adotei a reforma de saúde para a qual antes não dava muita importância. Era de um tempo assim que eu estava precisando. Depois que acabaram os três meses de jejum não voltei para as minhas redes sociais, pois sabia das minhas limitações. Hoje estou só acessível ou por ligações no celular ou por e-mail. Alguns podem achar que é         extremismo da minha parte, mas, para mim, não, pois conheço minhas limitações. O diabo não precisa de uma porta escancarada, ele só quer uma pequena brecha. E para não abrir essa brecha prefiro não arriscar.

Minhas notas na faculdade voltaram a subir. Nunca precisei trancar a faculdade desde que comecei a cursá-la, e nunca reprovei em uma disciplina, pois até aqui o Senhor tem me ajudado. Faltam dois de cinco anos para eu concluir o curso, e pretendo usar minha profissão a serviço do Mestre com projetos, por exemplo, de um ano em missão, ações sociais, etc. Tenho tempo para sair com meus amigos da igreja, tempo para ir à igreja, tempo para estudar, tempo para orar, etc. E o fato de gostar de ler muito me ajudou bastante a ler muitos livros do espírito de profecia e outros da CPB. Desde que começou o ano de 2017 já li quase 20 livros. E quanto mais aprendo de Jesus, mais vejo o quanto sou imperfeito e preciso de Sua graça.

Ainda está sendo uma luta para mim, pois estou nesse mundo, mas as práticas de antes não mais chegam até mim, pois vigio e oro, e procuro sempre olhar para a cruz de Cristo, e essa luta só irá acabar quando Ele voltar.

Deixo aqui o meu versículo preferido da Bíblia que me ajudou e ainda tem me ajudado, e espero que ajude a muitos jovens e adultos que passam pelo mesmo problema que o meu ou por algo semelhante: “Tendo por certo isto mesmo, que aquele que em vós começou a boa obra a aperfeiçoará até ao dia de Jesus Cristo” (Filipenses 1:6).

(Nome preservado a pedido do autor.)

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