Videogames podem até ajudar em algumas coisas, mas viciam

video-gameExistem milhares de estudos sobre como os videogames podem afetar nosso comportamento e, eventualmente, nosso cérebro, por meio da plasticidade cerebral. Para tentar resumir esse corpo de conhecimento, já que os diversos estudos nem sempre são diretamente comparáveis, uma equipe da Universidade Aberta da Catalunha (Espanha) decidiu fazer uma meta-análise, buscando similares e selecionando os estudos de melhor qualidade. Eles se concentraram nas pesquisas que estudaram as regiões cerebrais responsáveis pela atenção e pelas habilidades visuoespaciais, bem como aquelas associadas ao sistema de recompensas e como elas estão relacionadas ao vício de videogames. “Os jogos eletrônicos têm sido elogiados ou demonizados, muitas vezes sem dados reais apoiando essas alegações. Além disso, jogar é uma atividade popular, então todos parecem ter opiniões fortes sobre o tema”, ponderou o professor Marc Palaus, coordenador da análise.

Para checar se existe realmente alguma tendência sobre como os videogames afetam a estrutura e a atividade do cérebro humano, a equipe selecionou 116 estudos científicos, 22 dos quais analisaram as mudanças estruturais no cérebro e 100 dos quais analisaram mudanças na funcionalidade cerebral e/ou no comportamento. A conclusão geral é que jogar videogame pode de fato mudar nosso comportamento, a forma como nosso cérebro funciona e até mesmo sua estrutura.

Por exemplo, jogar videogame afeta nossa atenção, e alguns estudos constataram que os jogadores apresentam melhorias em vários tipos de atenção, como a atenção sustentada ou a atenção seletiva. As regiões cerebrais envolvidas na atenção também se tornam mais eficientes nos jogadores e exigem menos ativação para manter a atenção em tarefas mais exigentes.

Também há evidências de que os videogames podem aumentar o tamanho e a eficiência das regiões cerebrais relacionadas às habilidades visuoespaciais. Por exemplo, o hipocampo direito mostrou-se ampliado entre os gamers e voluntários que seguiram um programa de treinamento em videogames de longo prazo.

Por outro lado, os videojogos também podem ser viciantes. Os pesquisadores encontraram mudanças funcionais e estruturais no sistema neural de recompensas das pessoas viciados em jogos. Essas mudanças neurais são basicamente as mesmas que as observadas em outros transtornos de vícios.

“Nós nos concentramos em como o cérebro reage à exposição aos videogames, mas esses efeitos nem sempre se traduzem em mudanças na vida real”, analisou Palaus. “É provável que os videojogos tenham tanto efeitos positivos (na atenção e habilidades visuais e motoras) quanto aspectos negativos (risco de dependência), e é essencial que assimilemos essa complexidade.”

Os resultados da meta-análise foram publicados na revista Frontiers in Human Neuroscience.

(Diário da Saúde)

Nota: É como o café e o vinho: ambos contêm elementos que fazem bem à saúde, como os flavonoides, por exemplo. Mas os malefícios (sendo o pior deles o vício devido ao álcool e à cafeína) não compensam os eventuais benefícios. Além disso, é possível obter esses benefícios em outras bebidas e outras atividades que não ofereçam riscos para a saúde. As substâncias benéficas do vinho, por exemplo, podem ser encontradas no suco puro da uva. E a capacidade de concentração também pode ser exercitada de outras formas. É tudo uma questão de escolha. [MB]

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