Exposição de arte pornográfica e a “cura gay”

exposicao-santanderO cancelamento da exposição de arte pornográfica do banco Santander deu o que falar na semana passada. De um lado, os defensores da liberdade de expressão irrestrita e o pessoal da comunidade LGBT consideraram um erro a instituição ter cancelado a exposição. De outro, pessoas mais conservadoras e que ainda levam em conta os valores judaico-cristãos consideraram um grande erro do banco ter promovido a mostra e do governo em permitir a utilização de recursos públicos para financiar a exibição de quadros com pedofilia, zoofilia/bestialismo e até desrespeito a símbolos religiosos, como no caso das hóstias nas quais foram escritas palavras de baixo calão. Isso é promoção da “diversidade”? Isso é cultura? O repúdio à mostra ficou bem evidente: milhares de correntistas cancelaram suas contas no banco.

Foram interessantes alguns comentários no Twitter. Veja alguns exemplos:

“Repúdio à Duracell pela propaganda de dia dos pais: democracia. Repúdio à mostra de arte do Santander Cultural: fascismo. Ué!?” [Obs.: A propaganda da Duracell destacava alguns atributos masculinos dos pais.]

“Exposição bizarra e imoral apoiada pelo Santander foi cancelada e o dinheiro captado da Lei Rouanet [cerca de um milhão de reais], quem vai devolver aos cofres públicos?”

“Vamos convocar o Santander e os defensores da pedofilia pra depor na CPI dos maus-tratos infantis.” [Tweet do senador Magno Malta.]

“Sabe aquele banco que demitiu a Sinara Polycarpo em 2014 por ordem do Lula? Continua aprontando.”

“Vivi até aqui só pra ver certas figurinhas da esquerda anticapitalista defendendo uma poderosa instituição bancária!”

E em uma petição pública: “Aprendam uma lição básica: o movimento LGBT usa a bandeira da tolerância para escarnecer, atacar e vilipendiar aquilo que outros consideram sagrado, e ao mesmo tempo não toleram nenhum tipo de crítica!”

criancas santanderMais uma vez fica evidente a defesa de certos direitos em detrimento de outros. No caso da exposição, o direito de ter respeitados símbolos e a consciência religiosa foi sobreposto pelo direito de vilipendiar esses mesmos símbolos e valores. Mas isso ainda não é o pior. A mostra esteve aberta ao público de qualquer idade, crianças estiveram lá, e isso acabou violando outro direito, além de ilustrar bem o que esta sociedade libertina tem feito com os pequenos. Veja o que escreveu meu amigo psicólogo Hélio Martins Furtado de Oliveira:

“A infância é um período muito precioso na constituição biopsicossocial do ser humano. Tudo que acontece entre 0 e 12 anos de vida de uma pessoa impacta decisivamente todos os demais, potencialmente mais do que qualquer coisa que venha a acontecer em outros momentos de sua trajetória. A criança em formação precisa ter preservada uma série de inocências para que se desenvolva de maneira saudável. Todos teremos muito tempo para viver a fase adulta e, inevitavelmente, entraremos em contato com muitas manifestações deturpadas e patológicas da sociedade em que estamos inseridos. No entanto, especialmente no caso das crianças, quebrar inocências saudáveis para um desenvolvimento adequado e considerado normal, vivendo cada fase a seu tempo e sem exposições desnecessárias é algo que deveria ser tratado de forma mais cuidadosa pelos pais, pelos educadores, pela sociedade como um todo.

“Quando essas inocências são quebradas o efeito sobre toda a sexualidade de uma criança é especialmente percebido no trabalho clínico em forma dos mais variados conflitos e traumas. Uma coisa é certa: criança precisa ser criança, plenamente criança, apenas criança. Preservar a inocência nessa fase (0 a 12 anos) é fundamental para um desenvolvimento saudável, uma vez que os primeiros 12 anos de vida passarão rápido, mas os efeitos da preservação dessa inocência serão quebrados inevitavelmente pelo convívio em sociedade.

“A inocência no que diz respeito à sexualidade é a mais importante dessas inocências, o que não quer dizer que pais, educadores, psicólogos e a sociedade organizada não possam tocar no assunto, sempre respeitando e preservando limites saudáveis entre curiosidade e exposição (que na maior parte das vezes é desnecessária e muitos pensam ser saudável). Criança não entende tudo, não importa o quanto haja de diálogo ou explicação. Criança é criança porque o que ela tem de mais valioso se chama inocência! O tempo se encarregará de quebrar naturalmente essas inocências.

“Em nossos dias a quebra tem acontecido de forma deliberada, com objetivos e ideias equivocados. Precisamos cuidar para que essas inocências sejam ‘quebradas’ em momento oportuno, de forma o mais natural possível, dentro de contextos saudáveis (sim, é possível!), com a devida orientação dos pais em primeiro lugar e dos educadores como apoiadores e, por que não, do compromisso da sociedade em entender o valor dessa inocência. Respeitar o valor dessa inocência tão valiosa é peça-chave para o ensino e a consolidação do conceito correto de respeito ao próximo e de si mesmo na formação biopsicossocial de um cidadão. Expor crianças a coisas que não são saudáveis nem para adultos jamais vai contribuir para um desenvolvimento biopsicossocial saudável.”

Por causa de certos prazeres, preferências sexuais ou mesmo gostos estéticos, adultos não têm o direito de violar a inocência das crianças, comprometendo o futuro emocional delas.

Quanto à tal “cura gay”, assunto que tomou conta dos debates nesta semana, fica evidenciado outro direito violado. Não quero discutir aqui se homossexualismo é ou não doença. Nem sequer tenho competência para isso. Igualmente não estou aqui para condenar homossexuais pelo simples fato de discordar do estilo de vida deles. Não tenho esse direito. Cada pessoa vive a vida que quer (desde que isso não atente contra a vida alheia, evidentemente), e o próprio Deus respeita nossas escolhas. Mas quero chamar atenção para um aspecto da discussão: os muitos homens e as muitas mulheres que sofrem por causa de tendências homossexuais e que lutam contra isso (por uma série de fatores, entre os quais religiosos) e poderiam ter ajuda profissional para lidar com a situação. Por que privar do direito a um tratamento psicológico um homossexual que esteja descontente com sua condição? Por que não dar a essa pessoa o direito de não querer ser como é, como tantos outros com tantas outras tendências também não querem?

A pastora evangélica Sarah Sheeva disse em um vídeo no Instagram que o verdadeiro preconceito está sendo dirigido contra a psicologia e a psicoterapia. Que o brasileiro, manipulado pela mídia, volta a deixar claro que, no fundo, pensa que quem procura um profissional da área psicológica é porque está maluco. Se alguém procurar um terapeuta porque quer assumir sua homossexualidade, tudo bem. Mas se fizer isso porque não quer ser homossexual, aí não. Isso é inadmissível! Sarah afirma que existe uma ditadura gay em nosso país.

Quem está gritando que transformaram a homossexualidade em doença com certeza não leu a decisão do juiz Waldemar Cláudio de Carvalho, da 14ª Vara do Distrito Federal. Nesses momentos, a gente percebe o estrago que a desinformação faz nas redes sociais e o desserviço que prestam certos setores da mídia. É mais uma evidência de que vivemos mesmo na era da pós-verdade ou do pós-fato.

Para quem não se deu ao trabalho de saber o que o juiz decidiu, aqui vai: ele simplesmente permitiu que aqueles que desejarem possam ser atendidos por psicólogos, pois o Conselho Federal de Psicologia havia proibido que seus profissionais acompanhassem homossexuais em busca de auxílio em relação à orientação sexual. Ou seja, o juiz restituiu a liberdade individual do cidadão em procurar ajuda e a dos profissionais de psicologia em ajudar.

A decisão foi tomada com base em uma ação popular, proposta por dois psicólogos contra o Conselho Federal de Psicologia, com fundamentos no Artigo 5º da Constituição Federal. A ação busca a suspensão dos efeitos da Resolução 001/1999, que estabeleceu normas de atuação para os psicólogos em relação às questões voltadas à orientação sexual. Os autores afirmam que constitui ato de censura a negativa quanto ao desenvolvimento de estudos, atendimentos e pesquisas sobre tal comportamento, resultando em ato lesivo ao patrimônio cultural e científico do País, pela restrição da liberdade de pesquisa científica dos profissionais.

O juiz mesmo deixa claro que não se trata de “cura gay”, mas simplesmente a promoção da qualidade de vida das pessoas que buscam a Psicologia por terem dúvidas quanto à sua orientação sexual. Conflitos todos têm e merecem ser ajudados.

A reação ao cancelamento da exposição de “arte” do Santander e a celeuma criada em torno da “cura gay” evidenciam uma coisa: a sociedade está doente. Nós estamos doentes. E em lugar da hashtag #curagay deveríamos promover outra: #curahumana. Mas isso somente o Criador do ser humano poderá fazer. Até lá viveremos de polêmica em polêmica, de desrespeito em desrespeito, de sofrimento em sofrimento. [MB]

Leia mais sobre homossexualismo. Clique aqui e aqui.

Anúncios