“A Chegada”: os aliens chegam e levam o ecumenismo ao ápice

a chegada“A Chegada” (“The Arrival”) é um filme de ficção científica baseado em um conto do escritor Ted Chiang intitulado História da Sua Vida. A produção dirigida por Denis Villeneuve trata do primeiro contato da humanidade com seres extraterrestres, mostra o senso desconfortante de nossa pequenez diante de uma raça superior, evidencia o poder que um evento grandioso tem de unir a humanidade e trabalha também o conceito de tempo (não linear para os recém-chegados). “A Chegada” inevitavelmente nos faz lembrar do clássico de Steven Spielberg “Contatos Imediatos”, de 1978 (assim como também lembra “2001, Uma Odisseia no Espaço” e outros). Desde que Spielberg levou às telas o problema da comunicação com uma raça alienígena que eventualmente aportasse por aqui, várias outras produções com temática semelhante foram sucesso de bilheteria. Desde “E.T.”, do mesmo produtor, passando por “Contato”, “Independence Day”, “O Predador”, “Guerra dos Mundos” e outros. Via de regra, os ETs são hostis e os terráqueos têm que se unir para salvar a Terra. Mas há também os filmes em que os alienígenas não têm pretensões colonizadoras e desejam apenas estabelecer contato ou até mesmo ajudar a humanidade, como é o caso do recente “A Chegada”.

Faz tempo que Hollywood tem dado sua contribuição para alimentar a ideia de que em algum momento faremos contato com seres que chegarão aqui em naves espaciais ou de alguma outra forma. No meio ufológico cresce a ideia de que os “ETs” possam até se tratar de seres espirituais que dispensariam aparatos tecnológicos e nos ajudariam em nossa “evolução espiritual”, numa interessante junção de enganos criados e orquestrados pela mesma mente.

A despeito das interessantes discussões sobre linguística que “A Chegada” propõe, o que fica mesmo evidente para quem estuda as profecias bíblicas é a ideia de que ETs poderiam salvar a humanidade de si mesma promovendo a união dos povos. Sim, a Bíblia antecipa a chegada de falsos Cristos e a operação de milagres e sinais impressionantes, sobrenaturais. Não é à toa que Jesus nos tenha advertido de que esses enganos seriam tão poderosos que, se possível, enganariam até mesmo o povo de Deus. Afinal, pense bem: No momento em que você vir um ser majestoso se dirigindo à humanidade com palavras mansas e cheias de sabedoria, você dará mais atenção aos seus sentidos ou à Palavra de Deus? Se unirá à maioria estupefata e inebriada ou permanecerá fiel a Jesus Cristo, a despeito do fato de que você será visto como louco, cego e inimigo da paz?

Em um artigo para a Folha de S. Paulo, o físico Marcelo Gleiser escreveu algumas coisas interessantes sobre o filme “A Chegada”: “O contato com alienígenas inteligentes seria, talvez, a experiência coletiva mais profundamente transformadora para nossa espécie. Especialmente o contato direto, se viessem aqui usando meios misteriosos, com objetivo desconhecido.” Gleiser tem razão. Um evento dessa natureza teria um tremendo poder de transformação social e de convencimento ideológico. Imagine que ideias poderiam ser facilmente aceitas pelas pessoas, caso os tais “ETs” trouxessem, digamos, revelações teológicas e filosóficas. Até mesmo ateus se convenceriam da existência de um deus, caso extraterrestres superiores declarassem isso. Gleiser, que é ateu, chega a dizer que “os alienígenas seriam como deuses. E, como todos os deuses, seriam adorados ou temidos”. E não é verdade?

Gleiser prossegue: “Os extraterrestres vieram dividir sua tecnologia conosco, […] vieram elevar nosso nível moral, criar uma aliança cósmica, demonstrando uma generosidade que ilustra a futilidade dos nossos conflitos e comportamento destrutivos. O que é necessário é um jogo de ‘soma maior do que zero’, onde ambas as partes ganhem na interação.”

Atualmente, grandes esforços vêm sendo feitos para unir os povos. O Vaticano (que também tem interesse na busca do chamado “irmão extraterrestre”) liderado pelo papa Francisco, vem promovendo o ECOmenismo, a salvação da família, etc. São bandeiras que têm o poder de unir as pessoas. Mas um evento como a chegada dos “extraterrestres” ou mesmo uma grande crise motivada por alguma catástrofe ambiental, um superterremoto, a queda de um meteorito, uma forte tempestade solar ou fome e epidemias – ou tudo isso junto – sem dúvida catalisaria a união da humanidade e os eventos finais.

Quase todas as pessoas aguardam a chegada de alguém ou algo que nos salvará, nos ajudará. E é justamente essa esperança e esse anseio que serão usados para manipular e enganar. Aquele que prometeu voltar, aquele que protagonizará a verdadeira e grande chegada nos advertiu claramente quanto aos enganos dos últimos dias. Você já leu sua Bíblia hoje?

Michelson Borges

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Um novo coração, uma nova data de nascimento

coraçãoGostaria de falar sobre o Daniel. Daniel (nome fictício) é um paciente real que está internado desde julho no Instituto do Coração. Tem os seus 40 e poucos anos. Aparentemente, quem o conhece de primeira vez, até leva um tempo para entender o que está acontecendo. Daniel não parece doente. Fala muito bem. Tem boa aparência. É empresário. Mas Daniel nasceu com uma doença incurável no coração, a despeito de todos os remédios humanos. Os médicos chegaram à conclusão de que a única saída para Daniel seria um transplante de coração. Senão ele estaria fatalmente condenado e morreria. Durante estes quase cinco meses Daniel ficou em um leito de hospital, recebendo dia e noite medicamentos para manter sua pressão e bombeamento do coração. Em alguns momentos pensamos que ele não suportaria, fosse por alguma infecção oportunista, fosse pelo desânimo ou pela depressão.

Nesta madrugada, de todos os 132 dias, tive a honra de avisá-lo de que ele vai finalmente ter um novo coração, neste caso, o de um jovem de 24 anos. Esse coração virá de outro estado. Daniel terá substituído seu antigo e doente coração, com o qual a morte seria certa, por um novo coração. E é nesse ponto que eu gostaria de traçar um paralelo com a lição da Escola Sabatina de hoje.

Para Daniel receber o tão almejado coração, para que ele tenha uma nova vida, alguém morreu. Jesus também morreu pelos nossos pecados para que tenhamos novidade de vida. Daniel passará por uma cirurgia para receber seu novo coração. Costumamos dizer que o transplantado do coração tem duas datas de nascimento: a natural e a da cirurgia.  Da mesma forma, o batismo simboliza morte para o pecado e novidade de vida, em uma nova caminhada na vida cristã.

O transplantado do coração tem uma caminhada a seguir para que não haja rejeição do transplante. É uma nova rotina de vida, que inclui tanto remédios quanto não fumar nem beber, ou se abster de coisas que sejam prejudiciais para o corpo. Na caminhada cristã, devemos confirmar nossa decisão e escolha de que temos um novo coração. Deus nos deu a graça de nos resgatar da condenação do pecado. Por meio da novidade de propósito devemos demonstrar que Jesus é o Senhor da nossa vida.

Dei um abraço no Daniel e na esposa dele, e em seguida saí do hospital. Estávamos todos emocionados e conscientes de que a maior libertação estava diante dele. Mas esse é apenas o começo de sua caminhada.

(Everton Padilha Gomes é médico cardiologista e diretor do Estudo Advento)

A escolha mais importante da sua vida, de acordo com um neurocientista

coupleDe acordo com o neurocientista Moran Cerf, da Universidade Northwestern (EUA), a maneira mais fácil de maximizar a sua felicidade não tem nada a ver com experiências, bens materiais ou filosofia pessoal. Cerf estuda o processo de tomada de decisões há mais de uma década. De acordo com o pesquisador, a chave para fazer boas escolhas, e consequentemente ser feliz, é eleger com sabedoria com quem você passa mais tempo. Existem duas premissas que levam Cerf a acreditar que esse é o fator mais importante para a satisfação a longo prazo. A primeira é que a tomada de decisões é muito cansativa. Diversas pesquisas descobriram, por exemplo, que os seres humanos têm uma quantidade limitada de energia mental para dedicar ao ato de fazer escolhas.

Todos os dias precisamos fazer diversas deliberações: que roupa vestir, onde comer, o que comer quando chegamos lá, que música ouvir, entre milhões de outras coisas simples ou complexas que precisamos ponderar. Sim, é exaustivo.

A segunda premissa é que os humanos acreditam falsamente que estão no controle de sua felicidade ao fazer essas escolhas. Em outras palavras, nós pensamos que, se fizermos as escolhas corretas, ficaremos bem. Cerf não crê nisso. A verdade é que a tomada de decisões é repleta de preconceitos que atrapalham nosso julgamento. As pessoas confundem experiências ruins como boas, e vice-versa. Elas também deixam suas emoções transformarem uma escolha racional em uma irracional. Por fim, usam pistas sociais, mesmo inconscientemente, para fazer escolhas que de outra forma evitariam. Como escapar de todos esses obstáculos, e fazer boas escolhas inconscientemente?

A pesquisa de Cerf revelou que, quando duas pessoas estão na companhia uma da outra, suas ondas cerebrais começam a parecer quase idênticas. Um estudo em particular, com espectadores de cinema, mostrou que os trailers mais envolventes produziram padrões semelhantes no cérebro das pessoas. Ou seja, apenas estar ao lado de certas pessoas, realizando alguma atividade juntos, já pode alinhar seu cérebro com os delas. “Isso significa que as pessoas com quem você anda realmente têm um impacto no seu envolvimento com o cotidiano além do que você pode explicar”, afirma Cerf.

Você pode reparar nesse efeito por conta própria: quando um mal-humorado chega em um ambiente, o humor de todas as pessoas em volta piora; quando alguém que fala rápido entra em uma conversa, o ritmo da conversa aumenta; um comediante consegue fazer com que as pessoas ao seu redor se sintam mais leves ou engraçadas, e etc.

A partir dessas premissas, a conclusão de Cerf é que, se as pessoas querem maximizar sua felicidade e minimizar o estresse, elas devem fazer menos decisões ao se cercarem de pessoas que possuem as características que elas preferem. Ao longo do tempo, naturalmente, elas passarão a ter atitudes e comportamentos parecidos com os de suas companhias, que são os desejáveis. Ao mesmo tempo, podem evitar decisões triviais que prejudicam a energia necessária para escolhas mais importantes.

Em outras palavras, se você deseja se exercitar mais, aprender um instrumento musical ou tornar-se mais sociável, encontre pessoas que fazem o que você quer fazer e comece a andar com elas.

(Hypescience)

Nota: Em termos humanos, essa pesquisa nos faz pensar na importância da escolha do cônjuge e dos amigos mais chegados, já que essas pessoas próximas têm grande influência sobre nós. Em termos transcendentais, faz pensar na importância da escolha de andar com Jesus diariamente a fim de sermos mais semelhantes a Ele. [MB]

Entre o liberalismo e o perfeccionismo: um desabafo

confusedA tensão entre liberais e conservadores é antiga entre os cristãos em geral e os adventistas, em específico. Por ser uma denominação que valoriza a lei de Deus e que leva a sério a revelação inspirada dEle, ou seja, a Bíblia Sagrada, a Igreja Adventista do Sétimo Dia sempre foi conhecida pelos ideais elevados que cultiva e defende, levando a sério aspectos como alimentação saudável, entretenimentos sadios, vestuário apropriado, discrição em termos de adornos, relacionamentos, e por aí vai. Obviamente que uma ênfase exagerada no que alguns chamam de “usos e costumes” em detrimento da cristocentricidade e do valor da graça salvífica gera distorções objetáveis e, infelizmente, já bem conhecidas, como o legalismo, o perfeccionismo e a aridez religiosa que mais afasta do que atrai as pessoas. Como já disse em outras ocasiões, é comum na história o movimento pendular de ação e reação na mesma intensidade, mas em sentido oposto. E esse fenômeno parece estar sendo reproduzido também nos arraiais cristãos e adventistas.

No afã de deixar para trás todo ranço legalista de certas fases da história, alguns têm movido o pêndulo comportamental para o outro extremo. Com receio de repelir, estão atraindo toda gente com iscas apetecíveis e com “táticas evangelísticas” duvidosas. Na intenção de ganhar o “mundo” (quando essa intenção ainda existe), há quem esteja imergindo no mundo. E para não perder o melhor de dois mundos, numa atitude de pé lá pé cá, tentam “batizar” hábitos, procedimentos, práticas, produtos que não têm qualquer relação com a religião que professam ter.

Recentemente recebi de um amigo líder na igreja (uma pessoa inteligente, cristã e bastante equilibrada) o seguinte desabafo que considero sintomático de uma época em que estão sendo corroídos os valores, os princípios, as normas e o respeito às autoridades eclesiásticas legitimamente constituídas:

“Sinceramente me sinto com medo e coagido. Na medicina existe um pensamento famoso do médico do século XVI, Paracelso, que diz: ‘A diferença entre o remédio e o veneno é a dose.’ Entendo que no começo dos anos 2000, por conta de grupos extremistas, a igreja necessitava dar uma resposta imediata e efetiva contra diversos pensamentos díspares e espúrios que a ameaçavam. Só que no afã dessa resposta, um efeito colateral aconteceu: o ‘antiperfeccionismo’ está se tornando em exaltação ao imperfeccionismo.

“Em um encontro de anciãos, é o professor de Teologia falando que não tem nada de mais no uso da Coca-Cola. No meu Facebook e WhatsApp, vários dos meus colegas anciãos mandam fotos em família na fila dos cinemas do shopping como algo habitual.  Nem vou falar de usos e costumes (uso de joias, brincos, adereços), pois variam entre regiões.

“Sinceramente, me sinto tenso quando vou falar de saúde ou nutrição em alguma igreja, pelo receio que alguém vá me interromper no meio da minha fala e dizer que sou ‘perfeccionista’ (e quão longe e quanta abjeção essa ideia me causa)…

“Vivemos na era das rotulações. É paradoxal, mas é cada vez mais comum. Homofóbico, racista, facista… perfeccionista. O problema dos rótulos é que bloqueiam automaticamente qualquer tentativa de diálogo. Quem quer dialogar com um homofóbico? Ou um racista? Perfeccionsta? Isso parece que vira lepra. Contamina? Pega?

“Veja bem: existem pessoas extremistas, existem os que distorcem nossa sã doutrina. Mas pelo fato de não haver limites claros, de não se dizer o que não é perfeccionismo, criou-se uma fronteira sem bordas definidas. Antigamente se falava de legalismo, mas com o ‘perfeccionismo’ já são questões completamente diferentes. Ideologicamente, a igreja se permitia promover a lei de Deus, mas sob a égide da graça. Hoje até isso parece que ficou meio fora da ‘agenda’.

“No fim das contas, o que se perde? A meu ver, a identidade. Fica cada vez mais difícil explicar para os meus filhos por que os coleguinhas do Ministério da Criança, filhos de anciãos, vão no sábado à noite ver o novo filme do Pokémon, e nós não vamos. ‘Mas eles não são de Jesus?’, pergunta meu filho mais novo. ‘Sim, são, meu filho’, respondo. ‘E eles estão fazendo algo errado?’ Expliquei que isso é um assunto que cada família decide, mas que o nosso entendimento é que não é adequado. Entendeu a angústia?”

Sim, meu amigo, entendi perfeitamente sua angústia. Também tenho filhos tentados e assediados por filmes, séries, músicas impróprias… E só não me desespero porque creio que o Deus da minha família e o Deus da minha igreja está cuidando de tudo e vai colocar todas as coisas em ordem, no devido tempo. Este é o barco que vai chegar ao porto final. Até lá, ele vai enfrentar muitos tsunamis, icebergs, vai chacoalhar pra valer, parecerá até afundar enquanto muitos serão lançados às águas da incredulidade, do liberalismo desmedido, do fanatismo louco e da desconsideração pelos Testemunhos.

Parecerá afundar, mas não vai.

Michelson Borges

O que três médicos acreditam que deve ser feito com crianças que pensam ser transgênero

kidsTrês médicos, especialistas em pediatria, biologia e psiquiatria, estão criticando o que dizem ser uma confiança em emoções acima de fatos ao estudar e tratar crianças que pensam ser transgênero. Em um painel de discussão na The Heritage Foundation, os médicos defenderam que a ideologia transgênero que cerca a sociedade atualmente está prejudicando as crianças e minando a pesquisa científica. Ryan Anderson, pesquisador sênior em princípios americanos e políticas públicas na The Heritage Foundation, mediou em 11 de outubro o painel de discussão com Michelle Cretella, Paul Hruz e Allan Josephson. Cretella, presidente do American College of Pediatricians, com sede na cidade de Gainesville, na Flórida, destacou a sua definição do que determina o sexo de uma criança.

[Continue lendo esta interessantíssima matéria publicada no jornal Gazeta do Povo.]

Aliás, quero aproveitar para parabenizar o Gazeta por ter a coragem de ir contra certas tendências e marés, publicando de quando em quando boas reportagens que têm servido de contraponto ao mainstream dominante na grande mídia, especialmente quando o assunto é a ideologia de gênero. [MB]

Novas certidões criam brecha para legalização da poligamia

babyA partir desta terça-feira (21) começaram a valer as novas regras para as certidões de nascimento, casamento e óbito no Brasil. Entre as novas medidas está a inclusão obrigatória do número de CPF nos documentos e a autorização para o registro de maternidade e paternidade socioafetiva, que antes só era permitido em poucos estados que possuíam normas específicas para isso ou por meio de decisões judiciais. As mudanças constam no Provimento nº 63/2017, editado pela Corregedoria Nacional de Justiça, órgão do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Outra alteração é que os documentos não deverão conter quadros preestabelecidos para o preenchimento dos genitores. Ou seja, isso permite que um recém-nascido tenha duas mães, dois pais ou até mesmo uma filiação entre três pessoas, como dois pais e uma mãe.

[Continue lendo.]

Como entender a palavra “impecaminosidade” no comentário da lição da Escola Sabatina desta semana

liçãoNos Comentários de Ellen White sobre a Lição da Escola Sabatina desta semana (neste trimestre focalizando o livro de Romanos), há a seguinte citação: “Todo aquele que, pela fé, obedece aos mandamentos, alcançará o estado de impecaminosidade no qual Adão viveu antes de sua transgressão” (Nos Lugares Celestiais [MM 1968], p. 148).

O texto não diz quando será esse estado de “impecaminosidade”. E ainda que dissesse, “impecaminosidade” é diferente de “impecabilidade”. O primeiro se refere a um estado não absoluto de falta de pecado; o segundo se refere à não possibilidade de pecar. Além disso, a passagem deve ser comparada com outras da Bíblia e de Ellen White sobre o tema (veja dois desses textos no fim desta postagem). A ênfase está no tema da santificação. Ellen White enfatizou essa necessidade com uma figura de linguagem, algo como uma hipérbole.

Ocorre que, na verdade, a palavra traduzida por “impecaminosidade” (sinlessness) pode ser traduzida também como “inocência”. De fato, na edição de 1968 da Meditação estava assim. O dicionário Webster, do tempo de Ellen White, define o termo como “liberdade do pecado e da culpa”. Isso tem que ver com o aspecto prático do pecado, ou seja, o pecado como atos, e não como natureza. Não é tão difícil entender a declaração de Ellen White: quem obedece aos mandamentos não os está transgredindo, portanto não está vivendo em pecado. Isso não significa, porém, que o indivíduo deixou de ser pecador, de ter a natureza pecaminosa, a qual virá à tona se ele não vigiar e será eliminada por ocasião da glorificação na volta de Jesus. Seria menos problemático se a palavra tivesse sido traduzida como “inocência”. A palavra inocência remete a pureza e até ingenuidade, como de uma criança. Uma criança é inocente, porém não deixa de ser pecadora por natureza.

Agora analisemos detalhadamente o texto no original em inglês:

Título: “Freedom Through Christ” [Seja qual for a mensagem e o que vai acontecer na vida do cristão, isso será realizado por Cristo e em Cristo. Isso já indica que, sem a ligação com Cristo, continuamos sob o controle da natureza pecaminosa. Possivelmente ênfase da autora seja o controle sobre a natureza pecaminosa enquanto o cristão permanece justificado. Outro ponto: aparentemente o contexto não tem a ver com condição do pecador após o fechamento da porta da graça.]

“Stand fast therefore in the liberty wherewith Christ hath made us free, and be not entangled again with the yoke of bondage (Galatians 5:1)” (HP 146.1). [Ênfase em permanecer na Liberdade em Cristo.]

“In the beginning God placed man under law as an indispensable condition of his very existence. He was a subject of the divine government, and there can be no government without law…” (HP 146.2). [Ênfase no fato de que o governo divino tem uma lei; essa lei é condição para a existência; portanto, Cristo nos liberta para a vida, ou seja, para viver de acordo com a lei da liberdade; mas só podemos ser aprovados pela lei em Cristo, pois o nosso passado e a nossa natureza nos colocam em desarmonia com a lei.]

“God is omnipotent, omniscient, immutable. He always pursues a straightforward course. His law is truth – immutable, eternal truth. His precepts are consistent with His attributes. But Satan makes them appear in a false light. By perverting them, he seeks to give human beings an unfavorable impression of the Lawgiver. Throughout his rebellion he has sought to represent God as an unjust, tyrannical being…” (HP 146.3).

“As a result of Adam’s disobedience every human being is a transgressor of the law, sold under sin. Unless he repents and is converted, he is under bondage to the law, serving Satan, falling into the deceptions of the enemy, and bearing witness against the precepts of Jehovah. But by perfect obedience to the requirements of the law, man is justified.” [Talvez a mensagem aqui seja que a justificação em Cristo se torna evidente pela atitude de obediência à lei; outra possibilidade seria incluir a obediência de Cristo, creditada a nós, o que nos torna justos; talvez esses dois aspectos estejam implícitos aqui.] “Only through faith in Christ is such obedience possible.” [Obediência só é possível em Cristo, por meio do perdão e por meio da justiça comunicada.] “Men may comprehend the spirituality of the law, they may realize its power as a detector of sin, but they are helpless to withstand Satan’s power and deceptions, unless they accept the atonement provided for them in the remedial sacrifice of Christ, who is our Atonement – our At-one-ment – with God” (HP 146.4). [Ênfase na expiação provida em Cristo.]

“Those who believe on Christ and obey His commandments are not under bondage to God’s law; for to those who believe and obey, His law is not a law of bondage, but of liberty.” [Ênfase em crer primeiro, e depois obedecer.] “Everyone who believes on Christ, everyone who relies on the keeping power of a risen Saviour that has suffered the penalty pronounced upon the transgressor, everyone who resists temptation and in the midst of evil copies the pattern given in the Christ life, will through faith in the atoning sacrifice of Christ become a partaker of the divine nature, having escaped the corruption that is in the world through lust. Everyone who by faith obeys God’s commandments will reach the condition of sinlessness in which Adam lived before his transgression” (HP 146.5). [Ênfase clara na santificação: obedecer e crer; lei da liberdade; Salvador crucificado, penalizado por nossas transgressões; resistir às tentações e imitar o exemplo de Cristo; participar da natureza de Cristo mesmo sem perder a natureza pecaminosa, o que só ocorrerá por ocasião da volta de Cristo. A condição de impecaminosidade, em Cristo, antes da volta de Cristo, tem o sentido apenas de justificação e santificação. Portanto é uma vitória sobre o pecado enquanto se convive com a natureza pecaminosa. Agora, impecabilidade absoluta, apenas quando Cristo libertar os salvos da presença do pecado, na Sua volta.]

Dois textos para equalizar a questão:

“Era possível a Adão, antes da queda, formar um caráter justo pela obediência à lei de Deus. Mas deixou de fazê-lo e, devido ao seu pecado, nossa natureza se acha decaída, e não podemos tornar-nos justos. Visto como somos pecaminosos, profanos, não podemos obedecer perfeitamente a uma lei santa. Não possuímos justiça em nós mesmos com a qual pudéssemos satisfazer às exigências da lei de Deus. Mas Cristo nos proveu um meio de escape. Viveu na Terra em meio de provas e tentações como as que nos sobrevêm a nós. Viveu uma vida sem pecado. Morreu por nós, e agora Se oferece para nos tirar os pecados e dar-nos Sua justiça. Se vos entregardes a Ele e O aceitardes como vosso Salvador, sereis então, por pecaminosa que tenha sido vossa vida, considerados justos por Sua causa. O caráter de Cristo substituirá o vosso caráter, e sereis aceitos diante de Deus exatamente como se não houvésseis pecado” (Ellen White, Caminho a Cristo, p. 62).

“Os serviços religiosos, as orações, o louvor, a penitente confissão do pecado, sobem dos crentes fiéis, qual incenso ao santuário celestial, mas passando através dos corruptos canais da humanidade, ficam tão maculados que, a menos que sejam purificados por sangue, jamais podem ser de valor perante Deus. Não ascendem em imaculada pureza, e a menos que o Intercessor, que está à mão direita de Deus, apresente e purifique tudo por Sua justiça, não será aceitável a Deus. Todo o incenso dos tabernáculos terrestres tem de umedecer-se com as purificadoras gotas do sangue de Cristo. Ele segura perante o Pai o incensário de Seus próprios méritos, nos quais não há mancha de corrupção terrestre. Nesse incensário reúne Ele as orações, o louvor e as confissões de Seu povo, juntando-lhes Sua própria justiça imaculada. Então, perfumado com os méritos da propiciação de Cristo, o incenso ascende perante Deus completa e inteiramente aceitável” (Ellen White, Mensagens Escolhidas, v. 1, p. 344).

“Digno é o Cordeiro, que foi morto, de receber o poder, e riquezas, e sabedoria, e força, e honra, e glória, e ações de graças” (Apocalipse 5:12). Só Ele é digno!