Atirador do Texas: cristão ou ateu?

5a005f827e288.imageUma conhecida associação de ateus militantes brasileiros aproveitou a matéria mau apurada do jornal O Globo para destilar nas redes sociais um pouco mais do seu ódio contra os religiosos e explorou uma vez mais um acontecimento trágico, em outra demonstração de insensibilidade e oportunismo. Segundo a matéria publicada pelo O Globo, Devin Patrick Kelley, o atirador que matou 26 pessoas em uma igreja no Texas, depois de expulso da Força Aérea em 2014, teria sido professor de Bíblia voluntário. De onde tiraram essa informação? O jornal mesmo admite: de um perfil no Linkedin “atribuído a ele”. Ocorre que, segundo outro jornal, o Daily Mail, Devin, na verdade, era ateu. O jornal cita Nina Rose Nava, colega de escola do assassino. Ela escreveu o seguinte no Facebook: “Ele estava sempre falando sobre como as pessoas que acreditam em Deus são estúpidas e tentava pregar seu ateísmo.” Outras pessoas que o conheceram confirmaram a informação e disseram que ele era um homem complicado, amedrontador, maluco e alienado. Aliás, Devin foi expulso da Força Aérea depois de ter sido condenado por um tribunal militar por agredir a própria família.

Afinal, o atirador do Texas era cristão ou ateu? E isso importa agora? O que se sabe é que ele se tornou assassino e era violento com a família. Isso faz dele não um religioso ou um ateu, mas um indivíduo mau e perigoso. E ponto final. A imprensa, em seu afã de buscar explicações, às vezes força a barra e deixa claro seu preconceito. O que fica nas entrelinhas da matéria do O Globo e de outros jornais que destacaram a mesma informação é que os estudantes da Bíblia, os ditos “fundamentalistas” podem ser perigosos. Antigamente até se dizia que ler a Bíblia deixava as pessoas loucas. Se Devin realmente estudava a Bíblia, tentar associar isso com sua atitude assassina é, no mínimo, reforçar um preconceito ao tomar o todo por uma parte mínima. Afinal, quantos cristãos verdadeiros andam por aí atirando nas pessoas e agindo violentamente? Na verdade, existem bilhões de cristãos que são pessoas de bem e pacíficas.

Ok. Devin não era cristão, era ateu. E isso justificaria suas atitudes violentas? Apesar de essa informação ser um verdadeiro cala-boca na associação de ateus militantes, associar o comportamento do norte-americano ao seu ateísmo seria algo tão injusto quanto chamar de fanáticos fundamentalistas aqueles que estudam a Bíblia e pautam a vida por ela. Existem muitos ateus honestos, tolerantes, fraternos, pessoas de bem que jamais pensariam em tirar a vida de alguém por qualquer motivo que seja.

Em lugar de se aproveitarem desse momento triste e trágico para tripudiar nas redes sociais sobre os cristãos e defender sua bandeira, os militantes ateus deveriam é ficar envergonhados com tamanha insensibilidade e pelo menos expressar pensamentos solidários às famílias das vítimas do massacre, já que orar por elas eles certamente não farão.

O atirador do Texas era cristão ou ateu? Eu diria que nem uma coisa nem outra. Ele é apenas mais uma vítima deste mundo de pecado, uma pessoa que perdeu a sanidade, se permitiu dominar pelo mal e deixou um rastro de sangue e dor em seu caminho. Mais um que nos lembra de que este mundo não é um lugar seguro e que, infelizmente, o ódio espreita em cada esquina, em cada casa, em cada igreja e, também, em cada rede social.

Michelson Borges

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