“A Chegada”: os aliens chegam e levam o ecumenismo ao ápice

a chegada“A Chegada” (“The Arrival”) é um filme de ficção científica baseado em um conto do escritor Ted Chiang intitulado História da Sua Vida. A produção dirigida por Denis Villeneuve trata do primeiro contato da humanidade com seres extraterrestres, mostra o senso desconfortante de nossa pequenez diante de uma raça superior, evidencia o poder que um evento grandioso tem de unir a humanidade e trabalha também o conceito de tempo (não linear para os recém-chegados). “A Chegada” inevitavelmente nos faz lembrar do clássico de Steven Spielberg “Contatos Imediatos”, de 1978 (assim como também lembra “2001, Uma Odisseia no Espaço” e outros). Desde que Spielberg levou às telas o problema da comunicação com uma raça alienígena que eventualmente aportasse por aqui, várias outras produções com temática semelhante foram sucesso de bilheteria. Desde “E.T.”, do mesmo produtor, passando por “Contato”, “Independence Day”, “O Predador”, “Guerra dos Mundos” e outros. Via de regra, os ETs são hostis e os terráqueos têm que se unir para salvar a Terra. Mas há também os filmes em que os alienígenas não têm pretensões colonizadoras e desejam apenas estabelecer contato ou até mesmo ajudar a humanidade, como é o caso do recente “A Chegada”.

Faz tempo que Hollywood tem dado sua contribuição para alimentar a ideia de que em algum momento faremos contato com seres que chegarão aqui em naves espaciais ou de alguma outra forma. No meio ufológico cresce a ideia de que os “ETs” possam até se tratar de seres espirituais que dispensariam aparatos tecnológicos e nos ajudariam em nossa “evolução espiritual”, numa interessante junção de enganos criados e orquestrados pela mesma mente.

A despeito das interessantes discussões sobre linguística que “A Chegada” propõe, o que fica mesmo evidente para quem estuda as profecias bíblicas é a ideia de que ETs poderiam salvar a humanidade de si mesma promovendo a união dos povos. Sim, a Bíblia antecipa a chegada de falsos Cristos e a operação de milagres e sinais impressionantes, sobrenaturais. Não é à toa que Jesus nos tenha advertido de que esses enganos seriam tão poderosos que, se possível, enganariam até mesmo o povo de Deus. Afinal, pense bem: No momento em que você vir um ser majestoso se dirigindo à humanidade com palavras mansas e cheias de sabedoria, você dará mais atenção aos seus sentidos ou à Palavra de Deus? Se unirá à maioria estupefata e inebriada ou permanecerá fiel a Jesus Cristo, a despeito do fato de que você será visto como louco, cego e inimigo da paz?

Em um artigo para a Folha de S. Paulo, o físico Marcelo Gleiser escreveu algumas coisas interessantes sobre o filme “A Chegada”: “O contato com alienígenas inteligentes seria, talvez, a experiência coletiva mais profundamente transformadora para nossa espécie. Especialmente o contato direto, se viessem aqui usando meios misteriosos, com objetivo desconhecido.” Gleiser tem razão. Um evento dessa natureza teria um tremendo poder de transformação social e de convencimento ideológico. Imagine que ideias poderiam ser facilmente aceitas pelas pessoas, caso os tais “ETs” trouxessem, digamos, revelações teológicas e filosóficas. Até mesmo ateus se convenceriam da existência de um deus, caso extraterrestres superiores declarassem isso. Gleiser, que é ateu, chega a dizer que “os alienígenas seriam como deuses. E, como todos os deuses, seriam adorados ou temidos”. E não é verdade?

Gleiser prossegue: “Os extraterrestres vieram dividir sua tecnologia conosco, […] vieram elevar nosso nível moral, criar uma aliança cósmica, demonstrando uma generosidade que ilustra a futilidade dos nossos conflitos e comportamento destrutivos. O que é necessário é um jogo de ‘soma maior do que zero’, onde ambas as partes ganhem na interação.”

Atualmente, grandes esforços vêm sendo feitos para unir os povos. O Vaticano (que também tem interesse na busca do chamado “irmão extraterrestre”) liderado pelo papa Francisco, vem promovendo o ECOmenismo, a salvação da família, etc. São bandeiras que têm o poder de unir as pessoas. Mas um evento como a chegada dos “extraterrestres” ou mesmo uma grande crise motivada por alguma catástrofe ambiental, um superterremoto, a queda de um meteorito, uma forte tempestade solar ou fome e epidemias – ou tudo isso junto – sem dúvida catalisaria a união da humanidade e os eventos finais.

Quase todas as pessoas aguardam a chegada de alguém ou algo que nos salvará, nos ajudará. E é justamente essa esperança e esse anseio que serão usados para manipular e enganar. Aquele que prometeu voltar, aquele que protagonizará a verdadeira e grande chegada nos advertiu claramente quanto aos enganos dos últimos dias. Você já leu sua Bíblia hoje?

Michelson Borges

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