Cristãos devem celebrar o Natal? Jesus nasceu no dia 25? Quem é Papai Noel?

Existe muita especulação sobre isso. Um astrônomo identificou a conjunção dos planetas Vênus e Júpiter no ano 2 a.C., que teriam emitido uma forte luz que poderia ter sido confundida com uma estrela, como sendo a estrela de Belém mencionada nos evangelhos. Só que a escritora Ellen White afirma que a estrela de Belém, na verdade, era formada por anjos e não se tratava de uma “estrela” real ou cadente. Além disso, é dito que essa estrela guiou os sábios do Oriente. Portanto, por mais que alguns astrônomos se esforcem para identificar que astro era aquele, não poderão fazê-lo.

Mas, quanto ao nascimento de Jesus, de certa forma o astrônomo tem razão: Ele não nasceu a 25 de dezembro. Nessa época, dificilmente os pastores estariam ao ar livre, à noite, com seus rebanhos, pois faz muito frio naquela região.

Todas as tentativas sérias de determinar o dia em que Jesus Cristo nasceu passam longe do dia 25 de dezembro. O astrônomo Colin Humphreys, por exemplo, indicou, calculando eventos siderais, que Cristo deve ter nascido entre 9 de março e 4 de abril do ano 5 a.C.

Clemente de Alexandria, escritor cristão que viveu entre os anos 150 e 215, afirmou que o dia do nascimento de Jesus foi 20 de maio. Muitos suspeitam que Jesus Cristo tenha nascido entre os meses de setembro e outubro, já que teria completado trinta anos por ocasião de seu batismo, ocorrido provavelmente próximo ao início do outono no hemisfério norte.

As igrejas cristãs do Oriente celebram o Natal em 6 ou 7 de janeiro desde poucas gerações após a morte dos apóstolos.

Embora não seja possível precisar a data do nascimento de Jesus, Mateus 2:1 nos dá uma pista: Jesus nasceu antes da morte de Herodes. Assim, de acordo com os historiadores, o Filho de Deus deve ter nascido nos primeiros meses do ano, não em dezembro.

Como surgiu o Natal?

É interessante que os cristãos que viveram perto da era apostólica, segundo a Enciclopédia Barsa, comemoravam o Natal ora no dia 6 de janeiro, ora em 25 de março.

O dia 25 de dezembro foi fixado no ano 440, mas o primeiro Natal foi celebrado em 325, em Roma. O objetivo era “cristianizar grandes festas pagãs realizadas nesse dia: [como] a festa mitraica (religião persa que rivalizava com o cristianismo nos primeiros séculos); que celebrava o natalis invicti solis (nascimento vitorioso do sol)”.

A alusão de Cristo simbolizado como o Sol da justiça (Ml 4:2) e a luz do mundo (Jo 8:12), e as primeiras celebrações da festa na colina vaticana – onde os pagãos tributavam homenagem às divindades do Oriente – expressa, na verdade, o sincretismo das festividades pagãs adotadas por Constantino e absorvidas pelos cristãos.

Outras fontes dão conta de que o bispo Romano Libério foi quem instituiu oficialmente a celebração do Natal, no ano 354 d.C. Tempos depois, especialmente no Ocidente, a data se estabeleceu como uma tradição religiosa e não religiosa.

No mundo romano, a Saturnália, que no passado era comemorada em 17 de dezembro, era um período de alegria e troca de presentes, costume que também passou a integrar as festas natalinas.

Devemos celebrar o Natal?

Não é imperativo celebrar o Natal. Afinal, não se trata de uma celebração preceituada na Bíblia. Mas, em função da sociedade em que vivemos, a época do Natal é culturalmente muito favorável para se divulgar a mensagem de Cristo para pessoas que normalmente passam o ano sem pensar muito nele.

Não há sentido em temer uma possível herança politeísta dos enfeites de Natal, pois não estão de nenhuma forma relacionados hoje com a adoração aos ídolos. Muito ao contrário, cristãos que reverenciam o único Deus têm adornado seus lares ao longo dos séculos por ocasião do Natal sem reconhecer nos enfeites qualquer simbolismo ocultista. Afinal, as coisas só têm um significado místico para os que creem nesse significado.

O Natal tem hoje um sentido social e pode ser aproveitado para o bem. Além de ser um ponto de contato e uma oportunidade de testemunho, não faz o menor sentido nos fecharmos num casulo e apontarmos o dedo contra o mundo desnecessariamente. Em vez de anular o Natal, podemos aproveitá-lo como uma oportunidade de fazer as pessoas pensarem em Cristo, em vez de em Papai Noel, presentes e comida.

Ao longo da história religiosa, encontramos símbolos e costumes que adquiriram novos significados como, por exemplo, a circuncisão. Ela já existia entre povos gentios, mas Deus a tomou e deu um novo significado para a descendência de Abraão. Da mesma forma, por mais que o Natal tenha tido essa origem pagã, adquiriu novo significado com o tempo, e o bom senso cristão nos ajuda a usar essa data para o bem.

O único dia que Deus estabeleceu para ser celebrado exatamente na data apontada é o sábado do sétimo dia.

Como se originou a figura do Papai Noel?

No tempo em que os bárbaros tomavam conta do Velho Mundo, existia uma série de celebrações que tentavam amenizar as rigorosas temperaturas e a falta de comida que tomavam a Europa nos fins de dezembro. Foi nessa situação em que apareceu a lenda do “Velho Inverno”, um senhor que batia na casa das pessoas pedindo comida e bebida. Segundo o mito, quem o atendesse com generosidade desfrutaria de um inverno mais ameno.

A associação entre o Velho Inverno e São Nicolau apareceu muitas décadas depois. De acordo com os relatos históricos, São Nicolau foi um monge turco que viveu durante o século 4º. Conta a tradição cristã que esse clérigo teria ajudado uma jovem a não ser vendida pelo pai, jogando um saco cheio de moedas de ouro que poderiam pagar o dote de casamento da garota. Somente cinco séculos mais tarde São Nicolau foi reconhecido como santo pela Igreja Católica.

A partir dali o dia 6 de dezembro passou a ser celebrado como o dia de São Nicolau. Nessa data, as crianças aguardavam ansiosamente os presentes distribuídos por um homem velho que usava os trajes de um bispo. Foi a partir de então que a ideia do “bom velhinho” começou a ganhar terreno.

No fim do século 19, o desenhista alemão Thomas Nast teve a ideia de incorporar novos elementos à imagem do bom velhinho. Ele publicou na revista norte-americana Harper’s Weekly o desenho de um Papai Noel que mais se assemelhava a um gnomo. Com o passar do tempo, ele foi melhorando seu projeto original até que o velhinho ganhou uma barriga protuberante, boa estatura e abundante barba branca.

Em 1931 Haddon Sundblom, contratado pela empresa de refrigerantes Coca-Cola, bolou o padrão vermelho das vestimentas do bom velhinho. Com o passar do tempo a popularização das campanhas publicitárias da marca acabou definindo o padrão. [MB]

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