O funk, como o mosquito da dengue, está fazendo estragos

Se criticar o funk é ser preconceituoso, sinto muito, eu sou. Pensando bem, quando nossa opinião tem como base informações e conceitos analisados previamente, isso é, na verdade, um pós-conceito. E não posso considerar boas músicas que se limitam a exaltar os atributos físicos das mulheres, tratando-as como objeto sexual e usando palavras vulgares, gemidos e insinuações que promovem a carnalidade e o erotismo sem limites. As coreografias mais parecem atos sexuais animalescos, e a letra do último hit da atual cantora mais famosa do gênero é pura baixaria, com trechos em inglês num dos quais afirma que “todo o Brasil está sentindo isso”. Depois reclamam dos gringos assanhados que consideram as brasileiras mulheres “fáceis” e o Brasil um eterno sambódromo exalando feromônios pelo ar. É esse tipo de imagem que estamos vendendo. É esse tipo de conteúdo que está poluindo a vida desta geração.

O cantor Lulu Santos deixou escapar em seu Twitter uma crítica certeira a essa cultura pornomusical que se alastra pelo país: “Caramba! É tanta [e aqui ele se refere à exibição de traseiros e genitálias] que a impressão que dá é que a MPB regrediu pra fase anal.” Claro que os fãs do funk atacaram o cantor e disseram que finalmente a favela passou a ter voz. Mas duvido que essa seja a “voz da favela”, assim como não é certo afirmar que todo morador dessas comunidades é traficante ou mesmo que todo brasileiro gosta de carnaval. Eu não gosto, e sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amor.

Com uma frase freudiana, Lulu Santos, cuja carreira decolou nos anos 1980, descreveu a decadência musical que tomou conta do Brasil e que está sendo exportada como se fosse representante da nossa cultura.

Aliás, foi no fim dos anos 1980 que eu decidi me desfazer da minha coleção de fitas cassete. Eu era fã de bandas de rock como Legião Urbana, Capital Inicial, Paralamas do Sucesso, Engenheiros do Hawaii e outras. Quando aceitei Jesus como meu Salvador e passei a pautar minha vida pela Bíblia, entendi que meus gostos, minhas preferências e mesmo minhas predileções musicais deveriam refletir os altos padrões do cristianismo adventista que eu havia abraçado. Realmente não deveria haver comunhão entre a luz e as trevas na minha vida. Dali para a frente decidi que apenas ouviria músicas com conteúdo edificante e que, de alguma forma, me aproximassem de Deus e dos valores do reino dEle. E esse pensamento apliquei a todo tipo de produção cultural, de filmes a livros, passando por histórias em quadrinhos e séries televisivas. Filipenses 4:8 passou a ser minha baliza, meu aferidor daquilo que vale a pena ser consumido.

Só que o rock anos 1980 que eu ouvia na época é poesia requintada perto do que se ouve hoje. É com espanto que vejo cristãos curtindo o tal sertanejo universitário, rap e funk, sem peso na consciência. Sei que o mundo jaz no maligno e que a decadência cultural acompanha a corrida da humanidade ladeira abaixo, mas não tenho como evitar o espanto e a contrariedade. Se o Renato Russo estivesse vivo eu pediria desculpas a ele por ter jogado fora aqueles cassetes…

No alto de uma laje no meio da favela, a famosa funkeira gravou sua mais recente ode à objetificação feminina e ao erotismo vulgar. Nas fotos espalhadas pelas redes sociais e estampadas nos mais importantes jornais e nas mais conhecidas revistas, ela aparece praticamente nua com outras mulheres na mesma condição. A campanha de marketing foi pesada, de tal forma que ficou difícil não esbarrar nas manchetes e nas imagens. Mas sabe para o que a Secretaria de Saúde do Rio chamou atenção? Para a água parada na laje sob os pés da cantora. Sim, porque poças d’água como aquela ajudam a proliferar o temido mosquito da dengue.

Onde estão os órgãos de defesa das crianças numa hora dessas? Há muitas meninas rebolando por aí imitando suas ídolas e sonhando com o luxo ostentado por essas mulheres que venderam a honra em troca de sucesso. Onde estão as feministas para vociferar contra essa exploração indevida da figura da mulher? Não querem se indispor contra a “cultura do morro”? Muito pior do que o estrago causado pelo Aedes aegypti é a proliferação da baixaria, da pornografia, do sexo animalesco, do entretenimento obsceno. Muito pior do que a dengue é a perda da moral, o rebaixamento dos valores e o esquecimento dos bons costumes. Se tratada, a dengue tem cura, mas quem vai recuperar a mente desta geração que regrediu à fase anal?

Michelson Borges

Igreja Adventista têm escolas em todo o país, mesmo sendo só 3% dos evangélicos

colegio adventistaOs adventistas do sétimo dia respondem por 3% dos evangélicos no Brasil hoje, de acordo com a pesquisa “Perfil e opinião dos evangélicos no Brasil”, divulgada pelo Datafolha em dezembro de 2016. No mundo inteiro, são 20 milhões de pessoas – a título de comparação, os anglicanos são cerca de 80 milhões, bem como os luteranos. Mas mesmo relativamente diminutos, os adventistas respondem por uma das maiores redes educacionais do mundo, atendendo dois milhões de alunos em 7,8 mil escolas localizadas em 165 países. É a preocupação com o ser humano de forma integral que faz com que os adventistas estejam presentes em diversas áreas da sociedade, como a educação. Além da área de educação, a igreja atua na área da saúde, dirigindo cerca de 700 hospitais e clínicas, e na indústria de alimentos, com 18 empresas que fabricam produtos com características que contribuem para o bem-estar físico.

“A educação é percebida por nós como um fenômeno social que é diretamente relacionado ao desenvolvimento das pessoas e da sociedade”, diz Fabiana Retamero, coordenadora pedagógica da Rede Adventista de Educação. Por esse motivo há sempre o cuidado de formar o homem em suas múltiplas dimensões: intelectual, social, afetiva, física, estética e espiritual. “A proposta é integrar e não fracionar o homem”, completa Fabiana.

Para os adventistas do Sétimo Dia, a educação é um dos meios pelos quais Deus pode restaurar o ser humano, que se afastou dEle por causa do pecado. “O homem se assemelhava a Deus ao ser solidário, ao amar o próximo, ao ser cortês e ter compaixão. Ele perdeu isso com a entrada do pecado, mas por meio da educação pode voltar a se assemelhar ao Criador”, finaliza Fabiana. Esse pensamento dirige as unidades escolares e também as faculdades e Centro Universitário que integram a Rede Adventista de Educação.

História – Foi com a abertura do Battle Creek School, em Michigan, no ano de 1875 – apenas 12 anos após a fundação da denominação –, que a Educação Adventista iniciou. “Ela nasceu para adventistas, em uma sala de estar, nos Estados Unidos, quando uma família decidiu se reunir e educar seus filhos e amigos, em casa”, conta Eunúbia Muriélli, diretora da Escola Adventista Vista Alegre, em Curitiba. De acordo com Eunúbia, foram esses alunos que depois se tornaram missionários e levaram a Educação Adventista para o mundo, inclusive para o Brasil, via porto de Itajaí, em Santa Catarina.

E foi no Sul do país que todo o trabalho na área de educação começou. Em 1896, nasceu em Curitiba o primeiro colégio particular do país, fundado por uma família adventista. Um ano depois, foi a vez de Gaspar Alto, em Santa Catarina, receber uma escola paroquial. As escolas paroquiais tinham como característica a proximidade com uma igreja adventista. Hoje poucas são as que mantêm essa característica, muito devido ao fato de que as diretrizes educacionais foram se transformando ao longo das décadas, principalmente na de 1990, e isso fez com que as escolas adventistas precisassem se adequar também, como todas as outras.

Hoje são 850 instituições de ensino em toda a América Latina, tendo 230 mil alunos distribuídos nos ensinos Fundamental, Médio e Superior. Todas mantêm um mesmo padrão de vestimenta, alimentação e material didático. O motivo para que haja essa padronização é para que tanto aqueles alunos que tenham melhor condição financeira quanto os que têm uma vida mais modesta tenham atenção igualitária e recebam educação de qualidade da mesma forma.

Por contar com 61 editoras e gráficas, todo o material didático utilizado na Educação Adventista é produzido por eles mesmos. Assim garante-se que os conteúdos estejam sempre de acordo com seus princípios. Seus livros e apostilas, inclusive, são utilizados por outras redes de ensino, incluindo algumas públicas. “São Paulo é um município que usa hoje o material didático produzido por nós”, conta Eunúbia. Agora, algumas unidades passarão por uma reformulação pedagógica, tornando-se bilíngues.

O sétimo dia – Assim como toda denominação evangélica, os adventistas têm a Bíblia como a luz maior em sua doutrina. Mas há alguns pontos que se constituem seus traços característicos. Um exemplo é o fato de que eles também creem no dom de profecia, em que pessoas são separadas por Deus para que possam orientar a população. Assim, eles acreditam que Ellen G. White seja uma importante mensageira para os últimos dias. “Acreditamos que a Ellen é uma profetisa levantada de 1800 para cá, para dar orientações sobre alguns pontos, entre eles educação e saúde, por exemplo, mas sempre tomando a voz da Bíblia”, explica Fabiana.

Outra característica que também os diferencia das demais denominações evangélicas é o fato de que eles guardam o sábado. Isso quer dizer que eles dedicam todas as suas tarefas naquele dia às coisas relacionadas a Deus, seguindo o que diz o mandamento bíblico: “Lembra-te do dia de sábado para o santificar.” Dessa forma, e por entenderem que a duração de um dia vai de um pôr do sol a outro, no fim da tarde de sexta-feira eles param suas atividades [corriqueiras].

A intenção é que dali em diante, até o fim do sábado, eles esqueçam seus interesses pessoais e se disponham a estar mais com a família, em igreja ou auxiliando outras pessoas que precisem deles. “No sábado eu me ocupo das coisas de Deus e tiro a preocupação de mim e coloco Deus e a família no centro de tudo”, comenta Fabiana.

(Conexão Política)

Cristãos devem celebrar o Natal? Jesus nasceu no dia 25? Quem é Papai Noel?

Existe muita especulação sobre isso. Um astrônomo identificou a conjunção dos planetas Vênus e Júpiter no ano 2 a.C., que teriam emitido uma forte luz que poderia ter sido confundida com uma estrela, como sendo a estrela de Belém mencionada nos evangelhos. Só que a escritora Ellen White afirma que a estrela de Belém, na verdade, era formada por anjos e não se tratava de uma “estrela” real ou cadente. Além disso, é dito que essa estrela guiou os sábios do Oriente. Portanto, por mais que alguns astrônomos se esforcem para identificar que astro era aquele, não poderão fazê-lo.

Mas, quanto ao nascimento de Jesus, de certa forma o astrônomo tem razão: Ele não nasceu a 25 de dezembro. Nessa época, dificilmente os pastores estariam ao ar livre, à noite, com seus rebanhos, pois faz muito frio naquela região.

Todas as tentativas sérias de determinar o dia em que Jesus Cristo nasceu passam longe do dia 25 de dezembro. O astrônomo Colin Humphreys, por exemplo, indicou, calculando eventos siderais, que Cristo deve ter nascido entre 9 de março e 4 de abril do ano 5 a.C.

Clemente de Alexandria, escritor cristão que viveu entre os anos 150 e 215, afirmou que o dia do nascimento de Jesus foi 20 de maio. Muitos suspeitam que Jesus Cristo tenha nascido entre os meses de setembro e outubro, já que teria completado trinta anos por ocasião de seu batismo, ocorrido provavelmente próximo ao início do outono no hemisfério norte.

As igrejas cristãs do Oriente celebram o Natal em 6 ou 7 de janeiro desde poucas gerações após a morte dos apóstolos.

Embora não seja possível precisar a data do nascimento de Jesus, Mateus 2:1 nos dá uma pista: Jesus nasceu antes da morte de Herodes. Assim, de acordo com os historiadores, o Filho de Deus deve ter nascido nos primeiros meses do ano, não em dezembro.

Como surgiu o Natal?

É interessante que os cristãos que viveram perto da era apostólica, segundo a Enciclopédia Barsa, comemoravam o Natal ora no dia 6 de janeiro, ora em 25 de março.

O dia 25 de dezembro foi fixado no ano 440, mas o primeiro Natal foi celebrado em 325, em Roma. O objetivo era “cristianizar grandes festas pagãs realizadas nesse dia: [como] a festa mitraica (religião persa que rivalizava com o cristianismo nos primeiros séculos); que celebrava o natalis invicti solis (nascimento vitorioso do sol)”.

A alusão de Cristo simbolizado como o Sol da justiça (Ml 4:2) e a luz do mundo (Jo 8:12), e as primeiras celebrações da festa na colina vaticana – onde os pagãos tributavam homenagem às divindades do Oriente – expressa, na verdade, o sincretismo das festividades pagãs adotadas por Constantino e absorvidas pelos cristãos.

Outras fontes dão conta de que o bispo Romano Libério foi quem instituiu oficialmente a celebração do Natal, no ano 354 d.C. Tempos depois, especialmente no Ocidente, a data se estabeleceu como uma tradição religiosa e não religiosa.

No mundo romano, a Saturnália, que no passado era comemorada em 17 de dezembro, era um período de alegria e troca de presentes, costume que também passou a integrar as festas natalinas.

Devemos celebrar o Natal?

Não é imperativo celebrar o Natal. Afinal, não se trata de uma celebração preceituada na Bíblia. Mas, em função da sociedade em que vivemos, a época do Natal é culturalmente muito favorável para se divulgar a mensagem de Cristo para pessoas que normalmente passam o ano sem pensar muito nele.

Não há sentido em temer uma possível herança politeísta dos enfeites de Natal, pois não estão de nenhuma forma relacionados hoje com a adoração aos ídolos. Muito ao contrário, cristãos que reverenciam o único Deus têm adornado seus lares ao longo dos séculos por ocasião do Natal sem reconhecer nos enfeites qualquer simbolismo ocultista. Afinal, as coisas só têm um significado místico para os que creem nesse significado.

O Natal tem hoje um sentido social e pode ser aproveitado para o bem. Além de ser um ponto de contato e uma oportunidade de testemunho, não faz o menor sentido nos fecharmos num casulo e apontarmos o dedo contra o mundo desnecessariamente. Em vez de anular o Natal, podemos aproveitá-lo como uma oportunidade de fazer as pessoas pensarem em Cristo, em vez de em Papai Noel, presentes e comida.

Ao longo da história religiosa, encontramos símbolos e costumes que adquiriram novos significados como, por exemplo, a circuncisão. Ela já existia entre povos gentios, mas Deus a tomou e deu um novo significado para a descendência de Abraão. Da mesma forma, por mais que o Natal tenha tido essa origem pagã, adquiriu novo significado com o tempo, e o bom senso cristão nos ajuda a usar essa data para o bem.

O único dia que Deus estabeleceu para ser celebrado exatamente na data apontada é o sábado do sétimo dia.

Como se originou a figura do Papai Noel?

No tempo em que os bárbaros tomavam conta do Velho Mundo, existia uma série de celebrações que tentavam amenizar as rigorosas temperaturas e a falta de comida que tomavam a Europa nos fins de dezembro. Foi nessa situação em que apareceu a lenda do “Velho Inverno”, um senhor que batia na casa das pessoas pedindo comida e bebida. Segundo o mito, quem o atendesse com generosidade desfrutaria de um inverno mais ameno.

A associação entre o Velho Inverno e São Nicolau apareceu muitas décadas depois. De acordo com os relatos históricos, São Nicolau foi um monge turco que viveu durante o século 4º. Conta a tradição cristã que esse clérigo teria ajudado uma jovem a não ser vendida pelo pai, jogando um saco cheio de moedas de ouro que poderiam pagar o dote de casamento da garota. Somente cinco séculos mais tarde São Nicolau foi reconhecido como santo pela Igreja Católica.

A partir dali o dia 6 de dezembro passou a ser celebrado como o dia de São Nicolau. Nessa data, as crianças aguardavam ansiosamente os presentes distribuídos por um homem velho que usava os trajes de um bispo. Foi a partir de então que a ideia do “bom velhinho” começou a ganhar terreno.

No fim do século 19, o desenhista alemão Thomas Nast teve a ideia de incorporar novos elementos à imagem do bom velhinho. Ele publicou na revista norte-americana Harper’s Weekly o desenho de um Papai Noel que mais se assemelhava a um gnomo. Com o passar do tempo, ele foi melhorando seu projeto original até que o velhinho ganhou uma barriga protuberante, boa estatura e abundante barba branca.

Em 1931 Haddon Sundblom, contratado pela empresa de refrigerantes Coca-Cola, bolou o padrão vermelho das vestimentas do bom velhinho. Com o passar do tempo a popularização das campanhas publicitárias da marca acabou definindo o padrão. [MB]

Sou uma pediatra. Isso é o que fiz quando um paciente me disse que ele era uma menina

gender-sexual-identity-iconsO gênero biológico não é atribuído, mas determinado na nossa concepção pelo nosso DNA e replicado em todas as células do nosso corpo. E é binário – ou você tem um cromossomo Y e será um macho ou você não tem e será uma fêmea. Existem pelo menos 6,5 mil diferenças genéticas entre homens e mulheres. Hormônios e cirurgias não podem mudar isso. Mas a identidade não é biológica, é psicológica. Tem relação com o que se pensa e o que se sente. Pensamentos e sentimentos não têm uma conexão biológica. Nossos pensamentos e sentimentos podem estar factualmente certos ou errados. Se eu entrar no consultório do meu médico e falar “Oi, eu sou a Margaret Thatcher”, meu médico vai dizer que estou com problemas psicológicos e me dar remédios para isso. Se, por outro lado, eu entrar e afirmar que sou um homem, ele diria “Parabéns, você é transgênero”.

[Continue lendo esse artigo tremendamente esclarecedor do jornal Gazeta do Povo, um dos poucos neste país que se atreve a falar dos dois lados de uma questão, como manda o bom jornalismo.]

Papa volta a enfatizar o descanso dominical

[Meus comentários seguem entre colchetes. – MB] Quarta-feira, dia de audiência geral na Sala Paulo VI. Cerca de sete mil pessoas participaram do encontro semanal com o papa. Retomando o caminho de reflexões sobre a Missa, Francisco questionou: “Por que ir à missa aos domingos?”

Foi no primeiro dia que Ele ressuscitou – Desde os primeiros tempos, os discípulos de Jesus celebravam o encontro eucarístico com o Senhor no dia que os judeus chamavam “o primeiro da semana” e os romanos “o dia do sol”. Depois da Páscoa, os discípulos de Jesus acostumaram-se a esperar a visita do seu divino Mestre no primeiro dia da semana; foi nesse dia que Ele ressuscitou e veio encontrar-Se com eles no Cenáculo, falando e comendo com eles e dando-lhes o Espírito Santo. Esse encontro se repetiria oito dias depois, já com a presença de Tomé. [Essa alegada primeira reunião em um domingo definitivamente não tinha o objetivo de celebrar ou prestar culto. Basta ler o relato bíblico para constatar isso: “Ao cair da tarde daquele primeiro dia da semana, estando os discípulos reunidos a portas trancadas, por medo dos judeus, Jesus entrou, pôs-se no meio deles e disse: ‘Paz seja com vocês!’” (João 20:19). Percebeu? Os discípulos estavam reunidos a portas trancadas porque estavam se escondendo e não celebrando a “missa”. Ademais, eles se reuniam todos os dias, conforme Atos 2:46, 47. Portanto, não é a reunião que torna o dia santo.]

Domingo, dia do Senhor: é Ele que nos encontra – E assim, aos poucos, o primeiro dia da semana passou a ser chamado pelos cristãos “o dia do Senhor”, ou seja, o domingo. “A celebração dominical da Eucaristia está no centro da vida da Igreja: nós vamos à missa para encontrarmos o Senhor ressuscitado, ou melhor, para nos deixarmos encontrar por Ele”, disse o Papa, explicando: “Ouvir a sua palavra, alimentar-nos à sua mesa e, assim, nos tornarmos Igreja, o seu corpo místico vivo hoje no mundo. Por isso, o domingo é para nós um dia santo: santificado pela celebração eucarística, presença viva do Senhor para nós e entre nós. É a Missa que faz cristão o domingo.” [Na verdade, quem torna um dia santo é o Deus santo. E ele dez isso com o sétimo dia, não com o primeiro, que é um dia comum de trabalho, segundo a Bíblia. “No sétimo dia Deus já havia concluído a obra que realizara, e nesse dia descansou. Abençoou Deus o sétimo dia e o santificou, porque nele descansou de toda a obra que realizara na criação” (Gênesis 2:2, 3).]

[…] “Sem Cristo, estamos condenados a ser dominados pelo cansaço do dia a dia com as suas preocupações e pelo medo do futuro. O encontro dominical com Jesus dá-nos a força de que necessitamos para viver com coragem e esperança os nossos dias. […] Nós cristãos precisamos participar da missa dominical porque somente com a graça de Jesus, com a sua presença viva em nós e entre nós, podemos colocar em prática o seu mandamento e sermos testemunhas críveis. Mais ainda, a comunhão eucarística com Jesus ressuscitado antecipa aquele domingo sem ocaso em que toda a humanidade entrará no repouso de Deus.” [Já que o papa falou em mandamento, vamos lá: “Lembra-te do dia de sábado, para santificá-lo. Trabalharás seis dias e neles farás todos os teus trabalhos, mas o sétimo dia é o sábado dedicado ao Senhor teu Deus. Nesse dia não farás trabalho algum, nem tu, nem teus filhos ou filhas, nem teus servos ou servas, nem teus animais, nem os estrangeiros que morarem em tuas cidades. Pois em seis dias o Senhor fez os céus e a terra, o mar e tudo o que neles existe, mas no sétimo dia descansou. Portanto, o Senhor abençoou o sétimo dia e o santificou” (Êxodo 20:8-11). Esse é o mandamento bíblico, inclusive em qualquer Bíblia católica. Tudo o que o papa fala sobre o domingo – encontro especial com Jesus, repouso semanal, antecipação do descanso pós volta de Jesus – se aplica, na verdade, ao sábado. Se tem dúvida, leia a Bíblia e você perceberá que é assim. Após a Sua ressurreição, Jesus previu que Seus seguidores ainda estariam guardando o sábado, mesmo quatro décadas depois (Mt 24:20). Além disso, Maria, Paulo e os demais discípulos continuaram guardando o sábado. E João disse ter recebido pero do ano 100 d.C. sua visão do Apocalipse no dia do Senhor (Ap 1:10). Que dia era esse? Basta ler Mateus 12:8, Marcos 2:28 e Lucas 6:5 para saber. O domingo foi instituído como dia de guarda oficial pelo imperador Constantino, no ano 321 d.C., algo que foi aceito pela Igreja Católica, contrariando o mandamento bíblico. Recomendo que você assista ao vídeo abaixo para ter mais informações sobre esse assunto.]

(Rádio Vaticano)

Leia também: “Igreja Católica diz que abertura de supermercados aos domingos escraviza funcionários e convoca audiência pública” e “Quem mudou a santa e eterna lei de Deus?”

Quem mudou a santa e eterna lei de Deus?

mosesMeu nome é Vanderlei Ricken, sou bibliotecário do Instituto Adventista Cruzeiro do Sul (Iacs), situado em Taquara, RS. Amo livros! O valor que damos a um livro é proporcional ao sentido que ele tem em nossa vida. Um livro pode até ter sido obtido de forma gratuita, mas ter um grande significado para você. Uma das razões para atribuirmos valor a um livro é a confiança que temos no autor. Por exemplo, se acreditamos em Deus, a Bíblia será revestida de uma autoridade e significância incomparáveis. Afinal, cremos que homens santos escreveram inspirados por Deus. A única parte da Bíblia que foi escrita por Deus mesmo, com Seu próprio dedo, foram os dez mandamentos. Nesse sentido, podemos dizer que a Bíblia é Sagrada, mesmo não tendo sido escrita diretamente por Deus. Os dez mandamentos, porém, são a essência do que há de mais sagrado, pois retratam o caráter divino. E o próprio Deus os redigiu (confira em Êxodo 24:12; 31:18; 32:15, 16; 34:1, 28; Deuteronômio 4:13; 5:22; 9:10; 10:2, 4).

Fui ensinado a ter muita reverência pela Bíblia Sagrada. Jamais permito que outro livro esteja sobre ela. É sempre a Bíblia Sagrada sobre os demais livros. Minha mãe guardava dinheiro dentro da Bíblia: roubar já seria terrível; roubar algo dentro da Bíblia seria inimaginável! Até meus irmãos “se aproveitavam” para me forçar a confessar algum mal feito, ao me forçar a colocar a mão sobre uma Bíblia, em juramento solene.

Quando aos 12 anos de idade fui confrontado pelo Volnei, meu irmão, a ler os dez mandamentos na Bíblia Sagrada, um desencanto pela Igreja Católica nasceu no meu coração. Havia feito a Primeira Comunhão pouco tempo antes e aprendido os dez mandamentos pelo Catecismo. E, agora, estava conhecendo os verdadeiros dez mandamentos.

dez mandamentos

Ao contemplar e comparar os dois conjuntos de Dez Mandamentos, pude perceber omissões, adulterações e manipulações na santa Lei de Deus. Pelo Catecismo eu havia aprendido uma “versão Frankenstein” dos Dez Mandamentos. Eles estavam total e tristemente mutilados.

De forma fantástica já havia uma profecia anunciado que haveria, de fato, uma tentativa de mudança na santa lei de Deus. Está em Daniel 7:25, que menciona um poder contrário ao Reino de Deus. O mais incrível é que essa alteração na lei seria feita por um sistema religioso dominante. Quando descobri isso, decidi ficar com a Bíblia Sagrada.

Sei que alguns podem duvidar e questionar, e é até bom desenvolver um senso crítico que exija evidências mais comprobatórias para o que afirmamos. Felizmente, existe ampla variedade de livros católicos que comprovam a autoria da mudança na santa Lei de Deus. Dentre os vários livros católicos a que podemos recorrer, quero apresentar um de fácil aquisição, mesmo nos dias atuais: o Catecismo Romano de Frei Leopoldo Pires Martins, publicado pela Editora Vozes em 1951 (versão fiel da edição autêntica de 1566). Na página 440, está escrito: “Escolha do domingo: A igreja de Deus, porém, achou conveniente transferir para o domingo a solene celebração do sábado.”

Imagine chegar ao ápice de presunção religiosa a ponto de tentar mudar os Dez Mandamentos, por conveniência! Uma espécie de religião de conveniência.

catecismoEu gostaria muito que você tivesse esse Catecismo Romano em suas mãos, para você mesmo poder comprovar com os próprios olhos o que estou dizendo. Ler esse texto diretamente na fonte e poder mostrar aos outros no documento primário é fundamental para dar credibilidade ao que você estiver falando.

A notícia boa é que você pode adquirir esse Catecismo Romano com a Ângela Britto pelo e-mail: angelabio_es@hotmail.com ou pelo WhatsApp 27 99987-6668. Não perca a oportunidade de ter um documento católico que confirma a autoria católica da mudança na santa Lei de Deus.

Diante do que você leu até aqui, gostaria ainda de lembrar Apocalipse 12:17 que apresenta duas posições. Apenas duas. Nada além de duas posições. De um lado um dragão irado contra quem guarda os mandamentos de Deus. De outro lado os fiéis observadores dos Dez Mandamentos. A pergunta que vale uma vida eterna é: De qual lado você está? Do lado do dragão, irado contra quem guarda os mandamentos de Deus, ou do lado dos fiéis? Em qual lado você está? Em qual lado você deveria estar?

Como diz a música do padre Zezinho: “A decisão é tua. A decisão é tua.”

Palestrante

A Terra está travando. Será que isso vai provocar mais terremotos?

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Um novo estudo norte-americano diz que o próximo ano pode ser especialmente marcado por sismos de grande magnitude porque a velocidade de rotação do planeta Terra está diminuindo. De acordo com o documento apresentado no encontro anual da Geological Society of America, os cientistas investigaram a incidência de sismos de magnitude igual ou superior a 7 na escala de Richter desde 1900 até agora. Descobriram que há, em média, 15 terremotos com essas magnitudes num ano mas que esse valor tem aumentado para entre 25 e 30 terremotos. Esse aumento, concluíram os geólogos, coincide com momentos em que a Terra trava – isto é, a velocidade de rotação diminui.

Isso é explicado por Roger Bilham (Universidade do Colorado) e Rebecca Bendick (Universidade de Montana) no resumo do estudo. Segundo o documento, embora os sismos continuem a ser eventos impossíveis de prever por ocorrerem aleatoriamente, a equipe encontrou sinais de que “os terremotos em nível mundial mostram evidências de uma sincronização”. Essa sincronização, sugerem os geólogos, pode estar relacionada com a desaceleração da rotação terrestre: de décadas em décadas, descobriram eles, a travagem na rotação da Terra pode acumular mais energia nas falhas litosféricas e desencadear sismos de grande magnitude.

A velocidade a que a Terra gira em torno do próprio eixo depende do que acontece nas profundezas do planeta, pensam (mas não têm a certeza) os geofísicos. O núcleo externo da Terra é uma camada com 2.200 km de espessura composta por ferro e níquel em estado líquido: esse material derretido se mexe num padrão mais ou menos previsível. Esse movimento, além de ser responsável por criar o campo magnético terrestre, é suficientemente grande para alterar o movimento de rotação da Terra, acelerando-o ou desacelerando-o por apenas um milissegundo – algo mínimo para os nossos relógios, mas detectável por relógios atómicos. É aí que entra a 1ª Lei de Newton, que afirma que “um corpo em repouso tende a permanecer em repouso e um corpo em movimento tende a permanecer em movimento”: apesar de a Terra desacelerar, o material no interior do planeta tende a continuar o mesmo movimento, acumulando energia nas falhas que compõem a camada mais superficial. É aqui que surge o problema, garantem os cientistas envolvidos neste estudo: a energia libertada pelo núcleo externo viaja em todas as direções pelo planeta e, ao fim de cinco a sete anos, acumula-se nas falhas litosféricas até se soltar sob a forma de ondas sísmicas.

Isso significa que Roger Bilham e Rebecca Bendick sugerem ter encontrado um modo de prever a probabilidade da existência de grandes sismos: depois de um relógio atómico captar uma desaceleração na rotação terrestre, é de esperar que cinco a sete anos mais tarde esses terremotos aconteçam. Na atualidade, os sismos que fustigaram a Cidade do México (magnitude 7.1 na escala de Richter, em 19 de setembro), a fronteira entre o Irã e o Iraque (magnitude 7.3 na escala de Richter, em 12 de novembro) ou Nova Caledônia (magnitude 7 na escala de Richter, em 19 de novembro) podem ter tido origem numa desaceleração na rotação da Terra que ocorreu em 2011, precisamente há seis anos. Mais do que isso: todos esses sismos ocorrem perto da latitude 30º norte ou sul, precisamente na “zona de perigo” encontrada pelos cientistas. É que, nas latitudes mais próximas do Equador, qualquer desaceleração da rotação vai ter efeitos mais poderosos do que perto dos polos porque a Terra é 1.600 km/h mais veloz nessa região.

No encontro em que Roger Bilham e Rebecca Bendick apresentaram o estudo, diz o The Guardian, os autores afirmaram que “a inferência é clara. No próximo ano deveremos ver um aumento considerável no número de sismos de grande magnitude. Já os tivemos neste ano. Até agora só tivemos seis deles. Podemos facilmente chegar aos 20 em 2018”. Mas em conversa com o The Washington Post, Rebecca Bendick foi muito mais cautelosa: sublinhou que “correlação não é causalidade”, que o estudo “é sobre probabilidades, não previsões”, e que os resultados que a equipe obteve ainda não foram testados em laboratório nem seguidos por outros estudos que pudessem confirmar esse documento.

De acordo com a entrevista ao The Washington Post, Roger Bilham e Rebecca Bendick tentaram encontrar sinais de que os tremores de terra pelo mundo estivessem ou não relacionados. Descobriram então que os sismos de magnitude 7 ou mais parecem acontecer com maior probabilidade num intervalo de entre 20 e 70 anos: “A cada três décadas, mais ou menos, o planeta parece passar por um monte deles – uns 20 por ano, em vez dos típicos oito a dez. Era como se algo estivesse fazendo com que esses terremotos se sincronizassem, apesar de ocorrerem em locais distribuídos pelo planeta.” Rebecca Bendick explicou que “basicamente podemos pensar nos terremotos como uma bateria: tem determinada quantidade de tempo em que precisa ser carregada”. “Eventos com um intervalo de renovação como este acontecem juntos mais frequentemente do que de modo aleatório e esse padrão é significativo do ponto de vista estatístico.” Trocado em miúdos: o fato de a Terra ter desacelerado a rotação não significa que um grande sismo vá ocorrer no próximo ano; significa apenas que a probabilidade de acontecer pode aumentar. […]

(Observador)

O que a decisão de Trump sobre Jerusalém tem que ver com as profecias?

trumpNuma tomada de posição que contraria a quase totalidade do espectro diplomático mundial, Nações Unidas incluídas, e em cumprimento de uma promessa feita durante a campanha eleitoral, o presidente norte-americano Donald Trump fez uma declaração reconhecendo formalmente Jerusalém como a capital do Estado de Israel. Dessa forma, os Estados Unidos serão o único país do mundo a fazer tal reconhecimento. Essa é uma medida que podemos abordar não apenas no âmbito político mas também profético.

Em primeiro lugar, tratemos brevemente da questão política. Salvo exceções pontuais no passado, a comunidade internacional não reconhece Jerusalém como capital de Israel, país que considera a cidade santa como sua legítima, eterna e reunificada capital. Alguns anos atrás, houve tentativas de entregar a parte ocidental da cidade a Israel e a parte oriental à Palestina, mas nunca surgiu o mínimo entendimento para que isso acontecesse, até porque Israel reclama a cidade toda de Jerusalém, algo que os árabes não aceitam.

Todos os países com representação diplomática em Israel têm suas respectivas embaixadas em Tel Aviv, de acordo com o princípio consagrado em resoluções das Nações Unidas de que o estatuto de Jerusalém deve ser definido em negociações entre israelitas e palestinos.

Essa não é a primeira vez que esse assunto surge. Uma lei norte-americana de 1995 solicitava a Washington a mudança da embaixada para Jerusalém, mas essa medida nunca foi aplicada, porque os presidentes Bill Clinton, George W. Bush e Barack Obama adiaram sua implementação, a cada seis meses, com base em “interesses nacionais”.

Ainda antes de o anúncio ter sido feito, os principais líderes das nações do Oriente Médio já se tinham posicionado criticando qualquer tentativa de indicar ou reconhecer Jerusalém como a capital do Estado judaico. Durante uma reunião de emergência da Liga Árabe, no dia anterior à declaração de Trump, o secretário-geral Ahmed Abdul Gheit afirmou que a decisão dos Estados Unidos seria “perigosa”.

O presidente da Palestina, Mahmoud Abbas, exortou vários líderes mundiais a intervirem contra a eventual posição americana. Abbas encontrou-se pessoalmente com o papa Francisco, a quem pediu ajuda nessa questão. O líder católico foi receptivo ao apelo de Abbas, dizendo que não pode “calar sua profunda preocupação” com essa medida da administração norte-americana.

Mais incisivo foi o representante dos palestinos na Grã-Bretanha. Manuel Hassassian afirmou, em uma entrevista à rádio BBC, que o reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel “significa o beijo da morte na solução de dois Estados”, acrescentando que Trump “está declarando uma guerra no Oriente Médio, uma guerra contra 1,5 bilhão de muçulmanos e centenas de milhões de cristãos que não vão aceitar que a Terra Santa esteja sob a hegemonia única de Israel”.

Mas foi depois do anúncio oficial do presidente norte-americano que as mais fortes reações surgiram. O presidente palestino voltou a se manifestar, dizendo frontalmente que “Jerusalém é a eterna capital da Palestina”. Ali Khamenei, líder supremo do Irã, considerou que essa iniciativa mostra “incapacidade” dos Estados Unidos e garantiu que “o povo palestino sairá vitorioso”. O presidente da Turquia, Recep Erdogan, agendou de imediato uma cimeira com os principais países muçulmanos, afirmando que a decisão de Trump irá lançar a região para um “círculo de fogo”. O Hamas, organização considerada por vários países como terrorista, apelou a uma nova intifada, ou revolta contra Israel, definindo a decisão de Trump como “declaração de guerra”. Em mensagens de grupos radicais em uma rede social, alguns apoiadores da Al-Qaeda e do Estado Islâmico apelaram à morte de “todos os cruzados [ou seja, cristãos] que encontremos no nosso território”, prometendo matar até que os Estados Unidos da América deixem de apoiar Israel. António Guterres, secretário-geral das Nações Unidas, disse que “não há alternativa” a uma solução com dois Estados a viverem pacificamente na cidade de Jerusalém.

Portanto, sob um ponto de vista geopolítico e diplomático, parece não haver dúvida de que Donald Trump acaba de lançar um possível barril de pólvora para cima da fogueira. No entanto, o que poderá surpreender muitas pessoas são as implicações de ordem escatológica, ou seja, relacionadas ao fim dos tempos, que essa medida provoca. Para perceber isso temos que começar por definir um termo teológico conhecido por dispensacionalismo.

O que é dispensacionalismo?

Dispensacionalismo é uma doutrina teológica e escatológica cristã que defende que o regresso, ou segunda vinda de Jesus Cristo à Terra será um acontecimento no mundo físico, envolvendo primeiramente um arrebatamento secreto, seguido de um período de sete anos de tribulação após o qual se dará a famosa batalha do Armagedom e o estabelecimento do reino de Deus na Terra.

A palavra “dispensação” tem origem em um termo latino que significa “administração” ou “gerência”, referindo-se ao método divino de lidar com a humanidade e de administrar a verdade em diferentes períodos de tempo ao longo da história.

Embora existam três principais correntes dispensacionalistas, duas delas são consideradas minimalistas. A corrente mais divulgada e defendida propõe sete diferentes dispensações ao longo da História, como segue resumidamente:

  1. Inocência – Adão no Éden, antes da queda.
  2. Consciência – da queda até o dilúvio.
  3. Governo humano – após o dilúvio até a Torre de Babel.
  4. Promessa – de Abraão até Moisés.
  5. Lei – de Moisés até a morte de Cristo.
  6. Graça – da morte de Cristo até o arrebatamento da igreja.
  7. Milênio – um período de mil anos de reinado de Cristo na Terra (cuja capital do reino é, adivinhe só… Jerusalém!). Após esse milénio, acontecerá o Juízo Final e a construção do “novo céu” e da “nova Terra”, cuja cidade capital será chamada, adivinhe novamente… Nova Jerusalém.

De acordo com essa leitura escatológica, estamos atualmente na dispensação número seis, o tempo da graça, aguardando para breve a concretização do arrebatamento secreto.

Aqui convém saber o que é esse arrebatamento secreto. Trata-se de um acontecimento no qual Jesus levaria os escolhidos, os salvos para a Nova Jerusalém (ainda no céu), deixando na Terra os demais seres humanos que não O aceitaram como Salvador.

Após o arrebatamento, haveria uma grande desordem na Terra durante sete anos (três anos e meio de falsa paz e três anos e meio de guerras), sob o governo conjunto do Anticristo (que essa teoria entende ser um líder político mundial), do falso profeta (um líder religioso ecumênico) e da besta (um deus de uma religião que surgirá), período esse chamado de Grande Tribulação. No fim desses sete anos, Jesus voltaria novamente, agora juntamente com os salvos para, então, reinar na Terra por mil anos.

Na visão dispensacionalista, a “última semana” profética da profecia das 70 semanas de Daniel 9:24 a 27 ainda está no futuro – no tempo de Jesus foram cumpridas 69 das setenta semanas determinadas sobre o povo judeu; com o surgimento da igreja cristã, houve uma interrupção temporária da profecia; no futuro, quando os últimos eventos estiverem para acontecer, essa última semana se cumprirá nos tais sete anos da Grande Tribulação.

É devido a essa visão equivocada sobre as profecias bíblicas que os evangélicos americanos olham sempre para os conflitos envolvendo a nação de Israel como prenúncios escatológicos ou até de cumprimento profético.

Reação dos evangélicos

Mencionamos anteriormente as reações negativas que a maioria da comunidade internacional teve para com a medida de Donald Trump; convém neste momento mencionar que houve um setor que ficou muito contente com a posição do presidente norte-americano: justamente os evangélicos dos Estados Unidos.

A agência Reuters diz que “o impulso dos evangélicos ajudou a preparar a decisão de Trump”. O jornal Los Angeles Times faz mesmo uma pergunta à qual responde de imediato: “Quem realmente quer que Trump reconheça Jerusalém? Seus apoiadores evangélicos.” O editor de religião da CNN destaca que os evangélicos estão “radiantes” com a decisão do presidente. No passado, a mesma estação de televisão já tinha dito que “Trump e a direita religiosa” eram um “casamento feito no céu”.

Após o anúncio de Trump, Mike Evans, um renomado pastor cristão sionista com grande influência em Israel, recuperou uma comparação que anteriormente tinha sido feita pelo empresário evangélico Lance Wallnau, colocando Trump em paralelo com o rei Ciro, o monarca persa dos tempos de Daniel. Assim que Trump assumiu o poder, Wallnau esteve em uma cerimônia oficial em que afirmou que Deus usaria o novo presidente como um “Ciro moderno”, e que Trump traria grande transformação ao mundo. O pastor Evans revelou ao The Jerusalem Post que no próximo encontro de conselheiros espirituais do presidente norte-americano ele irá repetir a Trump: “Tu és Ciro”, acrescentando ainda que Trump está fazendo “o que Israel precisa que ele faça”.

Diante do cenário profético dispensancionalista, fica bem evidente a importância que assume para os evangélicos que defendem essa teoria o domínio ou controle da cidade real de Jerusalém, em Israel. Tudo isso se torna ainda mais relevante quando relembramos qual foi a principal e maior base de apoio que conduziu Trump até à presidência norte-americana: os cristãos evangélicos, a direita religiosa americana, um setor profundamente dispensacionalista.

Interpretação literal

Todo o pensamento dispensacionalista está baseado em uma interpretação literal da profecia bíblica. Concretamente: o Israel da Bíblia, em particular o do Antigo Testamento, é ainda hoje a nação atual e literal de Israel; o povo escolhido de Deus na Bíblia é ainda hoje os judeus literais, étnicos; a cidade santa na Bíblia é ainda hoje a cidade literal de Jerusalém, em Israel; e o Armagedom será uma luta literal em algum lugar no território de Israel.

Diante disso, são criadas leituras proféticas que se encaixem e não contrariem esta base fundamental, como é o caso da identificação do anticristo, das bestas, do falso profeta, etc., e surge o histórico apoio dos Estados Unidos a Israel. No entanto, basta uma simples leitura atenta de alguns textos das Sagradas Escritura para perceber que entender o Israel escatológico como sendo a nação literal de Israel não encontra fundamento bíblico.

Vejamos:

Gálatas 3:29: “E, se sois de Cristo, então sois descendência de Abraão, e herdeiros conforme a promessa”, indicando que qualquer cristão pode ser herdeiro e descendente espiritual de Abraão.

Romanos 9:8: “Não são os filhos da carne que são filhos de Deus, mas os filhos da promessa são contados como descendência.” Ou seja, os verdadeiros filhos de Deus não são aqueles ligados por laços de sangue, mas os que recebam Suas promessas.

Efésios 3:6: “Os gentios são co-herdeiros, e de um mesmo corpo, e participantes da promessa em Cristo pelo evangelho.” Até os gentios, normalmente renegados pelos judeus, são participantes da herança do evangelho de Cristo.

Finalmente, Romanos 2:28 e 29: “Porque não é judeu o que o é exteriormente, nem é circuncisão a que o é exteriormente na carne. Mas é judeu o que o é no interior, e circuncisão a que é do coração, no espírito, não na letra.”

Podemos perceber que, na Bíblia e em seu sentido mais amplo e histórico-profético, judeu não é entendido racial ou etnicamente, mas, sim, simbólica e espiritualmente. Assim, o dispensacionalismo começa a cair por terra à primeira prova.

Na prática, tudo isto concorre para retirar, afastar de cena os verdadeiros agentes que no fim dos tempos agirão no sentido de precipitar os últimos acontecimentos da História da Terra, enganando e desviando as pessoas da verdadeira essência da profecia bíblica.

O inimigo da verdade é muito astuto e sagaz: facilmente coloca o mundo inteiro perturbado com um assunto, que para alguns é política e diplomacia, para outros é cumprimento profético; na verdade, todos eles correm o sério risco de estar muito atentos, interessados e envolvidos na questão, mas com o foco completamente errado.

Diante disso, perguntamos: Se Donald Trump assumiu o extremo risco e a coragem de uma medida como declarar Jerusalém a capital de Israel, que mais estará ele disposto a fazer para agradar às pretensões religiosas do principal grupo que contribuiu para colocá-lo na presidência?

Fiquemos atentos às cenas dos próximos capítulos.

(Filipe Reis, de Portugal)

Leia também: “Crença no fim do mundo pesou na decisão de Trump sobre Jerusalém”

Crença no fim do mundo pesou na decisão de Trump sobre Jerusalém

trumpPode parecer pouco usual em termos de decisão histórica de política internacional, mas o fim do mundo contou para a decisão de Donald Trump de reconhecer Jerusalém como capital de Israel. O presidente americano pagou uma promessa a seu eleitorado evangélico, que tem razões diversas para defender a existência de Israel, mas no centro de sua teologia está uma crença ligada aos dias finais da humanidade, segundo uma leitura bem literal do texto bíblico. Nada indica que Trump, presbiteriano, compartilhe das ideias, mas o financiamento e apoio desse segmento foi vital em sua campanha.

Para várias denominações evangélicas americanas, e também no Brasil e em outros lugares, o Estado judeu precisa estar plenamente estabelecido para dar curso à volta de Jesus Cristo à Terra. A ideia da volta dos judeus, o povo eleito de Deus segundo o Velho Testamento, é central na crença de que o Messias retornará para protagonizar episódios narrados no livro do Apocalipse.

Entre eles está, de forma não pouco controversa para os judeus, a ideia de que eles serão convertidos à fé cristã quando os eventos do fim do mundo estiverem em marcha. Entre eles, a ascensão de um líder político, o Anticristo, que com o Falso Profeta irá semear a guerra e a discórdia no mundo.

A batalha decisiva entre as forças do bem e do mal, segundo a tradição, ocorrerá no lugar chamado Armagedom, uma corruptela da atual cidade de Megido, no norte israelense. Historiadores apontam a abundância de batalhas na região durante a antiguidade como o motivo da eleição do lugar, mas para esses fiéis a coisa é ao pé da letra.

Segundo a Bíblia, toda essa narrativa acaba com a destruição de boa parte do mundo, a destruição do Anticristo e do Falso Profeta e a prisão de Satã, o chefe deles, em um abismo. Mil anos de reino de Deus sobre a Terra ocorrerão, creem os fiéis, quando então o Diabo será solto novamente para uma derrota final – e o estabelecimento de uma nova cosmogonia na qual a Nova Jerusalém celeste pontifica.

Trump foi muito bem votado no chamado “Bible Belt”, o famoso “cinturão da bíblia” de Estados do interior americano. Uma grande pesquisa de boca de urna realizada pelo National Election Pool em 2016 apontou que 80% dos evangélicos que foram às urnas votaram em Trump, mas os dados não são considerados precisos – outros analistas falam talvez em 45%.

As mais variadas denominações protestantes dominam o cenário religioso americano. O censo oficial do país não pergunta qual a fé de seus pesquisados, mas uma série de institutos coloca os evangélicos como força dominante do país – girando em torno de 50% daqueles que dizem crer em Deus.

Nem todos os aderentes da defesa cristã de Israel acreditam nessa leitura apocalíptica, contudo, baseando sua posição numa simples questão de reparação histórica ao “povo de Deus” original. De uma forma ou de outra, além de convicções políticas e conveniências eleitorais, a fé segue temperando o debate acerca da paz no Oriente Médio.

(Folha de S. Paulo)

Nota: Análise interessante de um jornal secular em relação à situação em Jerusalém, causada pelo presidente norte-americano Donald Trump, que contrariou a ONU e os interesses dos palestinos para mexer em um verdadeiro vespeiro, o que terá grandes desdobramentos ainda. Conforme noticiou a BBC Brasil, lideranças evangélicas aqui também querem que o país apoie a iniciativa de Trump e transfira sua embaixada para Jerusalém. Segundo a matéria da BBC, “lideranças evangélicas argumentam que a Bíblia estabelece que os judeus são o povo prometido e que Jerusalém é a capital de Israel. Segundo sua crença, isso deve ser cumprido para que se concretize a esperada volta de Jesus Cristo”.

A decisão de Trump cria um cenário interessante justamente pelos aspectos religiosos contidos nela. O dispensacionalismo evangélico (com o qual obviamente os teólogos adventistas não concordam), tanto nos Estados Unidos quanto em outros países como o Brasil, começa a exercer forte influência política, o que, na prática, enfraquece a salutar separação entre igreja e Estado. Outros analistas das profecias bíblicas pensam que tudo isso não passa de uma jogada para desviar o foco do verdadeiro anticristo, afinal, quase todos os cristãos hoje abraçam a visão profética antibíblica dispensacionalista e vão considerar os últimos acontecimentos como os passos para o cumprimento dessa falsa visão. Inclusive pensam que a batalha do Armagedom será algo literal e que o Israel literal terá papel preponderante nesse processo, contrariando o correto entendimento das profecias do Apocalipse.

“Jesuítas criaram o preterismo e o futurismo e trabalham fabricando falsos cumprimentos proféticos, para prender a atenção fora de quem realmente as profecias indicam como o anticristo”, escreveu um amigo astrônomo. Detalhe, logo após a decisão de Trump, o líder palestino pediu ajuda ao papa Francisco.

“Os evangélicos estão em êxtase, pois Israel é para nós um lugar sagrado e o povo judeu são os nossos amigos mais queridos”, disse à CNN Paula White, pastora de uma megaigreja da Flórida e próxima de Trump. Sim, os evangélicos estão em êxtase. Então imagine como deve estar em êxtase o originador dessas falsas profecias e que finalmente vai simular uma falsa vinda de Cristo… [MB]

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