Não é não, só que não

nãoTodo ano é a mesma coisa: o país para quatro ou mais dias para celebrar a imoralidade, o erotismo elevado à décima potência, o consumo liberado e incentivado de bebidas alcoólicas e o sexo sem compromisso, cujo resultado é elevar significativamente o número de partos cerca de nove meses depois e promover ainda mais o alastramento de doenças sexualmente transmissíveis. Mas o Carnaval deste ano teve uma novidade: a campanha “Não é não”, que, como parece óbvio, tem o objetivo de conscientizar os homens de que, se a mulher não está a fim de ser beijada ou tocada, ele a deve respeitar. Mas será que isso funciona? A julgar pela opinião de um “folião” entrevistado pelo Portal UOL, não: “Murilo Ferreira, 28, diz que beijou ‘só’ cinco meninas por enquanto. Exaltado com a pergunta sobre o ‘não é não’, ele diz que ‘mulher é tudo vagabunda’ e que, em suma, a campanha é uma besteira. ‘As minas ajeitadas estão com os caras com dinheiro. E as feias só têm o Carnaval para transar. Então não tem esse papo de não é não.’”

É claro que nada justifica o assédio e o desrespeito. Ponto. Nenhum homem tem o direito de tocar uma mulher sem o consentimento dela. Ponto. Mas o ambiente de “folia” promovido pelo Carnaval é um convite a todo tipo de indiscrição e desrespeito – aliás, o número de estupros também aumenta nessa época. Promover a aglomeração de homens e mulheres seminus, com os hormônios nas alturas e o cérebro banhado em álcool, e depois dizer não toque, “não avance o sinal”, é como colocar um copo de cerveja gelada na frente de um ébrio sedento e dizer: não beba. Tremendo contrassenso. Aliás, o Carnaval em si é um contrassenso, haja vista que vivemos em um país que se considera cristão, com mais de 80% da população professando alguma religião. Se fosse mesmo, não seria necessário criar campanhas como “não é não” nem parar quatro dias para celebrar os prazeres libidinosos da carne, para, depois, no caso dos católicos, pedir perdão na quarta-feira de cinzas por pecados premeditados, como se Deus tapasse os olhos para Seus filhos hipócritas amantes da “pegação”, da bebedeira e da libertinagem.

Os verdadeiros cristãos, aqueles que se pautam pelo livro dos cristãos, a Bíblia Sagrada, sabem que devem evitar os lugares em que se celebra o pecado. Sabem também que intimidades sexuais devem ser reservadas para o contexto matrimonial. Ali, sob as bênçãos de Deus, não é preciso dizer “não”; vale o “sim”, que, na verdade, foi declarado antes do ato sexual, no altar, diante do Criador e de testemunhas. Dessa forma, o “sim” para o prazer é sinônimo de bênção, união e alegria verdadeira.

A Bíblia orienta as mulheres a se trajarem de modo recatado e modesto. Orienta os homens a terem pensamentos puros e nos apresenta os exemplos de Jó, que não olhava para moças com olhos cobiçosos, e de José, que se recusou a ceder à sedução da esposa de seu senhor, no Egito. Homens e mulheres cristãos e responsáveis devem se ajudar nesse sentido: eles, buscando a pureza de pensamento alimentada pela comunhão com Deus; elas, que naturalmente atraem os olhares deles, evitando despertar indevidamente pensamentos inadequados na mente masculina.

As Escrituras também condenam o consumo de álcool e o sexo pré-matrimonial e fora do casamento. Logo, é mais do que óbvio que ela condena festas como o Carnaval, a Oktoberfest, a de São Firmino e a maioria das outras festividades mundanas, nas quais os princípios divinos que devem reger a vida humana são abertamente violados.

O absurdo da hipocrisia contraditória fica evidente quando, antes da “festa da carne”, em programas de TV, reportagens e entrevistas em rádios e jornais, especialistas dão conselhos sobre como curtir a “folia” com segurança. Use camisinha, beba bastante líquido e coma alimentos leves para, com isso, enfrentar melhor as noites sem sono, as doenças decorrentes de beijar muitas bocas, e a ressaca dos dias seguintes. Ou seja: cuide da saúde para depois destruí-la! O mundo está perdido e faz de conta que não. Tenta normalizar o anormal, tornar sã a insanidade. Promove o “sim” para a transgressão e o pecado e depois tem que dizer que “não é não”. Os seres humanos continuam cavando o fundo do poço; vivem na escuridão moral desse buraco em que se colocaram e fingem que nada e nada. Depois resta apenas o gosto amargo por ter dito “sim” quando devia ter dito “não” e vice-versa, dependendo do contexto.

Paradoxo mesmo é o das feministas militantes. Em outra matéria, também publicada pelo Portal UOL, é dito que “nos blocos de rua pelo Brasil, mulheres deixam seus seios gritarem pela liberdade. Sejam eles pequenos, grandes, firmes ou não. Bonitos ou feios? Quem os define? Aliás, elas também querem se livrar do padrão de beleza imposto pela sociedade. ‘Nossa luta abrange várias demandas. Uma das motivações é o protagonismo feminino no cenário musical, onde não temos a mesma visibilidade que os homens’, diz Nara Torres, idealizadora da fanfarra Sagrada Profana, de Profana, de Belo Horizonte, onde muitas mulheres saem com os seios à mostra.”

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Entre outras sandices desse discurso pronto alicerçado nos fundamentos profanos do marxismo, é interessante ela falar de protagonismo musical… Uma das “cantoras” destaque neste país bagunçado foi justamente um homem: Pabllo Vittar. Aliás, segundo a revista Época desta semana, eles são as novas “divas do Carnaval”. Nos últimos anos, de fato, as mulheres fizeram grandes conquistas (nem sempre protagonizadas pelas feministas, diga-se de passagem) que compensaram em parte as injustiças promovidas pelo pensamento e pela prática machistas. Mas a que ponto chegamos? Uma das melhores “cantoras” do ano é homem. A melhor atleta de vôlei é homem. No futebol feminino tem homem. Até a capa da revista Playboy da Alemanha traz um homem! E onde estão as feministas para vociferar contra tudo isso? Mostrando os peitos na avenida. Quebrando os “padrões de beleza” por causa dos quais homens travestidos têm-se destacado e lhes roubado o lugar, exatamente no campo que historicamente sempre foi delas: o da beleza, da sensualidade, da delicadeza e da feminilidade.

Como me disse o amigo Marco Dourado, “a fase da perversão, antecedida pela fase de subversão, já passou – estamos agora na fase da inversão, quando a psiquê do homem comum é destruída ao ser ele coagido midiática e legalmente a apreender a realidade não pelo que percebe, mas pelo que o obrigam a aceitar como normal. Nem mesmo os escravos da Antiguidade foram submetidos a tamanha crueldade”.

Diga-me se este mundo não está uma bagunça! Precisamos urgentemente da intervenção do Alto! Para Deus eu digo “sim”!

Michelson Borges

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