Macron propõe restaurar relações entre Igreja Católica e a França

macronO presidente francês Emmanuel Macron disse, durante a Conferência Episcopal Francesa, realizada no Collège des Bernardins de Paris, que deseja restaurar as relações entre a Igreja Católica e o Estado. Dirigindo-se aos cerca de 400 participantes, Macron afirmou: “Compartilhamos um sentimento confuso de que o vínculo entre Igreja e Estado se deteriorou e que é importante para vocês e para mim consertá-lo.” Macron acrescentou que “não há outra solução que não seja um diálogo de verdade. Essa conversa é imprescindível, porque uma Igreja que não pretende se interessar por questões temporais não está cumprindo sua vocação. Assim como um presidente que pretende se afastar da Igreja e dos católicos está faltando com seus deveres”. Finalmente, o presidente francês convidou os católicos a “trabalharem politicamente”, pois a política “precisa” do “compromisso da fé”.

Essas afirmações devem ser historicamente contextualizadas para melhor percebermos a relevância delas. Não estaremos exagerando se dissermos que a França é a autora do secularismo moderno. Os princípios da Revolução Francesa de mais de dois séculos trouxeram uma enorme onda de ateísmo, arreligiosidade e até antirreligiosidade. Macron fez um pouco esse reconhecimento ao dizer que a França “não poupa a sua desconfiança de religiões”.

Recordemos uma breve descrição que Ellen White faz desses acontecimentos históricos, utilizando registros históricos da época:

“Durante a Revolução, em 1793, ‘o mundo pela primeira vez ouviu uma assembleia de homens, nascidos e educados na civilização, e assumindo o direito de governar uma das maiores nações europeias, levantar a voz em coro para negar a mais solene verdade que a alma do homem recebe, e renunciar unanimemente à crença na Divindade e culto à mesma’ (Vida de Napoleão Bonaparte, de Sir Walter Scott). ‘A França é a única nação do mundo relativamente à qual se conserva registo autêntico de que, como nação, se levantou em aberta rebelião contra o Autor do Universo. Profusão de blasfemos, profusão de incrédulos, tem havido e ainda continua a haver, na Inglaterra, Alemanha, Espanha e em outras terras; mas a França fica à parte, na história universal, como o único Estado que, por decreto da Assembleia Legislativa, declarou não haver Deus, e em cuja capital a população inteira, e vasta maioria em toda parte, mulheres assim como homens, dançaram e cantaram com alegria ao ouvirem a declaração’ (Blackwood’s Magazine, de novembro de 1870” (O Grande Conflito, p. 269).

Não é por isso coincidência ter sido justamente o braço armado dessa nação quem retirou ao papa o seu poder temporal (em 1798, executando a “ferida de morte” profetizada em Apocalipse 13:3).

Desde então, e como é normal, a França tornou-se um símbolo da oposição e negação de tudo quanto é religioso, principalmente cristão. Claro que isso não impediu que existissem, como até hoje, comunidades religiosas no país. Contudo, é claro para qualquer historiador ou até sociólogo a especial preponderância de valores e princípios secularistas nesse país.

Assim sendo, assume particular destaque o convite do presidente francês para que a Igreja Católica se interesse por assuntos temporais (sendo que, como já foi mencionado, foi justamente a França que em 1798 retirou a voz temporal da Igreja!) e a ter uma parte ativa no trabalho político.

Enquanto os católicos em particular e os cristãos de forma geral podem ter ficado satisfeitos com essa posição do presidente francês, talvez os progressistas fiquem incomodados e entendam que Macron está fazendo a França voltar atrás no tempo – afinal, pensarão eles, a separação entre Estado e Igreja deveria impedir que a Igreja se envolvesse assim tanto em questões políticas. Por isso, logo classificaram as palavras de Macron como “indignas de um presidente de uma república laica” e “uma afronta perigosa à laicidade”.

Se pensaram assim, Macron esclareceu que a função da laicidade, princípio fundamental do Estado francês, “não é erradicar da sociedade a espiritualidade que nutrem tantos dos nossos compatriotas”, acrescentando mesmo que o mundo político precisa da fé. O presidente francês foi mais nítido quando pediu aos católicos para reinvestirem na “cena política nacional e também europeia”. Imagino que essas palavras foram recebidas no Vaticano como uma bela e harmoniosa música…

Em resumo do essencial que mais interessa, dois aspetos proféticos parecem estar implicados nessa questão:

a) O papado romano dá mais uma evidência de estar se recuperando da ferida de morte, incluindo, agora de forma específica, na nação que lhe provocou essa ferida (Apocalipse 13:3).

b) Simultaneamente, o mesmo papado ganha um novo fôlego e ímpeto para se vingar do ateísmo e do secularismo que o derrubou.

(O Tempo Final)

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