Jovens querem religião mais consistente e conservadora

gospelÉ um erro pensar que os jovens só gostam de festa e entretenimento, e que se não dermos isso para eles numa versão “cristianizada” eles acabarão buscando essas coisas “lá fora”. Pelo menos é o que mostra uma tendência interessante observada em pesquisas no Brasil e no mundo. Veja o que escreveram duas pessoas a respeito de certa migração irrefletida para o conservadorismo (e os perigos que isso envolve):

“Amo os católicos, sobretudo os muitos amigos católicos que tenho. O que direi não se refere a eles, mas ao fenômeno cada vez maior de evangélicos, sobretudo jovens, voltando-se ao catolicismo. Em geral, eles não demonstram fazê-lo, por exemplo, em virtude de haverem examinado as Escrituras e, a partir disso, alterado suas convicções teológicas (o que seria algo honesto), mas por culto ao tradicionalismo, à ideologia conservadora e aos seus ícones, muito abundantes no meio católico. Tal comportamento, além de demonstrar infantilidade e personalidade fraca, aponta para o fato do quanto qualquer ideologia pode nos fazer abrir mão do que nos é caro como oferta de sacrifício no altar da idolatria. O sujeito acha que a redenção se encontra no tradicionalismo, conservadorismo, progressismo, esquerdismo… e sai à procura de bandeiras que prometam a redenção que jamais poderão dar” (Vanedja Cândido).

“Quando o conservadorismo deixa de ser uma postura e passa a ser uma ideologia, o efeito espiritual é tão devastador quanto comunismo, feminismo, etc. Afinal, toda ideologia se propõe ser uma panaceia e usurpar a prerrogativa divina de redenção (seja de modo parcial ou total)” (Davi Caldas).

O conservadorismo não é um mal em si (qualquer hora escrevo sobre isso), mas o ato de abraçar ideologias de maneira irrefletida, isso é. Só que quero me deter aqui no fenômeno da busca de um sentido na religião. Matéria publicada no New York Times revelou uma tendência que guarda certa semelhança com esse fenômeno brasileiro: jovens evangélicos migrando para religiões calvinistas. E parte dessa atração pelo calvinismo certamente se deve ao fato de que ele representa uma alternativa à teologia superficial e feita para agradar o consumidor que predomina em muitas igrejas. A doutrina é descartada como irrelevante, a Bíblia é utilizada como um manual de autoajuda e a adoração é substituída por várias formas de entretenimento (liberais ou conservadores).

Veja o que Ellen White escreveu há mais de um século: “Deus nos chama a um reavivamento e uma reforma. As palavras da Bíblia, e da Bíblia somente, deveriam ser ouvidas do púlpito. Mas a Bíblia tem sido despida de seu poder, e o resultado é ausência de vigor espiritual. Em muitos sermões de hoje não existe aquela manifestação divina que desperta a consciência e traz vida à alma. Os ouvintes não podem dizer: ‘Não estava queimando o nosso coração, enquanto Ele nos falava no caminho e nos expunha as Escrituras?’ (Lc 24:32). Muitos estão clamando pelo Deus vivo, ansiando pela presença divina. Permitam que a Palavra de Deus fale ao coração deles. Deixem que os que têm ouvido apenas tradições, teorias e ensinos humanos ouçam a voz dAquele que pode renová-los para a vida eterna” (Profetas e Reis, p. 626; itálicos acrescentados)

Temos a advertência inspirada do passado e o exemplo de fenômenos presentes. Por que esperar que o profetizado e o já experimentado ocorram entre nós? Menos show e mais Bíblia! Menos espetáculo e mais missão! O conteúdo bíblico sólido estudado, pregado e cantado alimenta a mente e o coração, e a missão exercita a fé e solidifica a experiência com Deus. O entretenimento ocupa os sentidos por algumas horas, mas depois se dissipa deixando um vazio que clama pelo próximo evento, e pelo próximo, e pelo próximo.

Como adventistas, temos a “faca e o queijo” na mão – temos o conteúdo e o propósito. Nascemos como um movimento profético que deve anunciar as três mensagens angélicas ao mundo. Façamos isso e salvaremos esta geração carente de identidade. Sem contar que o “efeito colateral” disso será o abalo do mundo com a mensagem de salvação proclamada por um povo cheio do Espírito Santo.

Michelson Borges

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