Paralelos entre a apostasia de Salomão e o 666

666Um dos temas de estudo desta semana da Lição da Escola Sabatina é a marca da besta e o famoso número 666 de Apocalipse 13. Por pertencerem a um movimento profético nascido do estudo dos livros de Daniel e Apocalipse, é natural que os adventistas se debrucem mais sobre assuntos como esse do que os membros de outras religiões cristãs. Algumas propostas de interpretação foram apresentadas ao longo dos anos (como a indevida aplicação do 666 ao título Vicarius Filii Dei, por exemplo), mas o que fica mesmo claro é que Apocalipse 13 tem relação direta com Daniel 3. Em ambos os capítulos a questão em foco é a adoração forçada: ou as pessoas adoram o Deus verdadeiro ou os falsos deuses. Se optar pela fidelidade ao Criador e à Sua lei (o sábado incluído), o povo de Deus sofrerá perseguição e ameaça de morte, como aconteceu com os três jovens hebreus fieis. No Apocalipse, o número da besta representa o poder humano (o 6 em oposição ao 7, que é o número de Deus). Em Daniel, as medidas da estátua que representava o panteão babilônico eram 60 por 6 côvados. Paralelos inegáveis. Mas há outro possível paralelo, esse entre Apocalipse 13 e 1 Reis 10. O pastor e editor da CPB Fernando Dias Souza me falou a respeito disso e achei muito interessante. Veja a explicação dele: [MB]

O livro de 1 Reis 10:14 e 15 fala que o peso do ouro trazido a Salomão era de “seiscentos e sessenta e seis talentos de ouro, além do que entrava dos vendedores, e do tráfico dos negociantes, e de todos os reis da Arábia, e dos governantes da terra” (ver também 2Cr 9:13, 14). Note-se que as alianças políticas de Salomão, que deveria ser o líder do povo de Deus na terra (ele era “filho de Davi”, e, portanto, um tipo ou modelo de Jesus Cristo, o “Filho de Davi”), levaram-no à apostasia, à luxúria e a sincretizar a religião de Israel com o paganismo (1Rs 11:1-8), exatamente o mesmo caminho que seguiu o ramo da igreja cristã que formou a Babilônia espiritual profética (ver Ap 18:2-24).

Assim como Salomão recebia 666 talentos de ouro dos “negociantes”, dos “reis” e dos “governantes”, e se prostituiu com centenas de mulheres princesas, filhas dos reis de todas as nações da terra, que lhe perverteram o coração para seguir seus deuses (2Rs 11:2, 4), a besta apocalíptica, cujo número é 666 (Ap 13:18), prostituiu-se com “os reis da terra” (Ap 17:2), corrompendo-se espiritualmente com “os mercadores da terra” (Ap 18:3). É interessante ler 1 Reis 10, 2 Crônicas 9 e comparar com Apocalipse 18. Vários dos itens trazidos pelos comerciantes e como presentes dos reis a Salomão também são mencionados no Apocalipse.

Para mim, a menção do número 666 no Apocalipse nos remete à experiência desastrosa do rei Salomão como o líder maior do povo de Deus, que construiu um santuário de Deus na terra (1Rs 7, 8), mas que deixou-se corromper moral e espiritualmente por causa de associações indevidas com os pagãos. Da mesma forma, o Apocalipse 13 fala de duas potências que estão em posição de liderança sobre o mundo cristão, mas que se corromperam moral e espiritualmente da mesma maneira que Salomão. Não vejo razão para o significado do número 666 estar fora da Bíblia, já que entendo que a Bíblia se interpreta a si mesma.

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