Não sou vegano, sou vegetariano

vegetablesNão como carne faz mais de 25 anos. Brinco que minha filosofia é a seguinte: não como nada que tenha tido mãe. Duas coisas, principalmente, me levaram a essa decisão na época: (1) o cuidado com a minha saúde e (2) o respeito pelos animais. Ao longo desse quarto de século minha decisão tem sido confirmada por trabalhos científicos. Inúmeras pesquisas têm comprovado as vantagens da dieta vegetariana, e não devemos nos esquecer da necessidade de uma vida ativa e do descanso apropriado, enfim, de levar em conta e praticar os chamados oito remédios naturais.

Ocorre que muitas pessoas pensam que veganismo é sinônimo de vegetarianismo, só que não é. Algumas definições de veganismo são as seguintes:

“Veganismo é uma filosofia de vida motivada por convicções éticas com base nos direitos animais, que procura evitar exploração ou abuso deles por meio do boicote a atividades e produtos considerados especistas.”

“‘Vegan’ denomina um modo de vida que procura reduzir ao máximo a exploração de animais e, por consequência, adota uma dieta vegetariana estrita – eliminando carnes, ovos, leite e derivados da alimentação; eliminando o uso de artigos de couro do vestuário; evitando comprar produtos que envolvam testes desnecessários em animais, etc. A pessoa que adota esse modo de vida também é chamada de ‘vegan’.”

Veganismo é também uma filosofia evolucionista que iguala humanos a “animais não humanos”. Há veganos que bebem substâncias nocivas à saúde, como a cafeína, mas não consomem mel, isso porque a primeira é “natural” e o segundo “estressa” as abelhas, quando é recolhido nas colmeias. Evito o termo “vegan” ou “vegano” justamente para não ser confundido com os adeptos dessa filosofia extremista.

Historicamente, os adventistas têm promovido o vegetarianismo e o estilo de vida saudável, que envolve muito mais do que dieta. E por quê? Porque a saúde física tem reflexos na saúde mental e espiritual. Uma mente saudável tem melhores condições de se “conectar” com Deus e entender Sua mensagem. Longevidade e melhor saúde geral são consequência da adoção desse estilo de vida recomendado por Deus. E o cuidado dos animais deriva de nosso amor cristão pela criação e de nossa consciência de que somos administradores da natureza (princípio da mordomia). Nosso estilo de vida está fundamentado na Bíblia, não em modismos dietéticos, filosofias esotéricas, espiritualistas ou darwinistas.

Portanto, o foco dos veganos está mais nos animais do que necessariamente na saúde. São ativistas pelos direitos dos animais, chegando alguns deles a extremos como boicotes e manifestações violentas, algumas envolvendo até nudismo.

Há pesquisas na área de saúde, por exemplo, que só podem ser levadas adiante com testes em animais. Vamos permitir que milhões de pessoas deixem de ser salvas com um novo procedimento cirúrgico ou um novo medicamento para evitar que algumas vidas animais sejam sacrificadas por um bem maior? Além disso, será que se eu não usar sapatos e cintos de couro estarei deixando de promover a indústria da carne? Esse couro seria jogado fora, pois as pessoas não estão dispostas a abrir mão do churrasco. Em lugar de usar artigos feitos com as sobras dos matadouros, usar produtos sintéticos como plástico não acaba sendo pior para a natureza?

Ao identificarmos nossa dieta como “vegan” podemos ser confundidos com ativistas mais preocupados com a vida animal do que com o bem-estar humano ou com a saúde. Alguns ativistas veganos chegam ao ponto de manifestar ódio às pessoas enquanto são carinhosos com os animais. Há algo de errado aí…

Algumas palavras vão adquirindo uma carga de significado ao longo dos anos. Alguns desses significados depõem contra nossa cosmovisão bíblica. Evito o termo “vegano” justamente por isso. Também evito a palavra “holismo” ou “holístico” pelo mesmo motivo. Para evitar ambiguidades e mal-entendidos, devemos conhecer o sentido das palavras e, na dúvida, adotar aquelas que expressem bem nossa fé e nossa filosofia. No caso da palavra “holístico”, prefiro a palavra “integral”, que é bem “nossa”. Tenho evitado até a palavra “gênero”, quando quero me referir a “homem” e “mulher”. Uso a boa e velha palavra “sexo”, e fujo do risco de ser confundido com certos ideólogos…

Os verdadeiros cristãos se preocupam, sim, com o cuidado do corpo e da mente. Fazendo isso, estão glorificando a Deus e prestando a Ele um serviço muito melhor. É muito importante defender o estilo de vida saudável e o bem-estar dos animais, mas que se faça isso pelo motivo certo e da forma correta.

Michelson Borges

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