Precisa-se de valdenses modernos

jeffEm minha última viagem missionária (a Criciúma, SC), tive a alegria de conhecer alguns familiares do pastor Michelson Borges. Na foto ao lado, estão uma de suas irmãs e sua mãe. Ao finalizar o culto, enquanto cumprimentava os irmãos da igreja, uma senhora introvertida, mas com um sorrido bastante simpático, me saudou e permaneceu perto do local onde eu estava. Nesse momento, alguns membros da igreja se aproximaram e disseram que o nome dela é Enedina dos Santos Borges, a mãe do pastor Michelson. Fiquei muito contente em conhecer a mãe de alguém que admiro muito. Mas o melhor ainda estava por vir…

Um dos irmãos que estavam no mesmo local me contou que a dona Enedina estava concluindo pela terceira vez um plano de leitura bíblica muito diferente e mais desafiador do que aquele que conhecemos. Junto com a leitura bíblica ela copia as Escrituras manualmente. Confesso que fiquei impressionado!

Naquele momento, meus pensamentos foram rapidamente desviados daquela cena e lembrei dos Valdenses: “De seus pastores recebiam os jovens instrução. Conquanto se desse atenção aos ramos dos conhecimentos gerais, fazia-se da Escritura Sagrada o estudo principal. Os evangelhos de Mateus e João eram confiados à memória, juntamente com muitas das epístolas. Também se ocupavam em copiar as Escrituras. Alguns manuscritos continham a Bíblia toda, outros apenas breves porções, a que algumas simples explicações do texto eram acrescentadas por aqueles que eram capazes de comentar as Escrituras” (O Grande Conflito, p. 68).

Além dos Valdenses, comecei a pensar no trabalho ardoroso de alguns servos de Deus que se propuseram a traduzir toda a Bíblia, em uma época obscura, para seus idiomas maternos: John Wycliffe e Tyndalle (ingleses), Martinho Lutero (alemão), Lefèvre (francês), Olavo e Lourenço Petri (suecos) e outros.

Em questão de segundos tudo isso passou pela minha cabeça, até que com os lábios louvei a Deus porque ainda existem pessoas comprometidas com Sua Palavra e dispostas a gastar tempo com ela.

Posteriormente, já em meu leito e refletindo um pouco mais sobre essa experiência, surgiu a preocupação ao pensar na próxima geração de cristãos/adventistas. Não consigo ver o mesmo comprometimento com a Palavra de Deus, ou melhor, estamos bem longe da realidade cristã protestante reformada. Talvez por isso o Dr. Alberto Timm tenha escrito em 2001 um artigo clássico que ficou na memória dos adventistas mais antigos: “Podemos ainda ser considerados o povo da Bíblia?”

Sugiro a você a leitura desse artigo. Basta clicar aqui, buscar a Revista Adventista de junho de 2001 e ler o artigo mencionado.

No mais, fica o apelo de Deus através de Ellen White para que haja mais Valdenses, mais Tyndalles, mais Luteros, mais Lefèvres, mais Petris e mais Enedinas nas próximas gerações: “O Senhor deseja que estudeis a Bíblia” (Mensagens Escolhidas, v. 3, p. 29).

(Jefferson Araújo é orador do canal Última Verdade Presente)

Nota: Obrigado, Jefferson, por essa homenagem à minha querida mãe. De fato, ela é uma inspiração para nós. Sabe por que três cópias da Bíblia? Ela tem três filhos… [MB]

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