Jesus não era gay, nem trans, nem negro, nem europeu…

johnny-hookerÉ claro que Jesus não tinha a aparência retratada nas pinturas renascentistas, com traços europeus, pele clara e olhos azuis. Jesus também não poderia ser negro, já que nasceu com a genética judaica da palestina do primeiro século. Assim como Ele também não poderia ter sido japonês nem esquimó. Na verdade, debater esse tipo de coisa é uma bobagem! Jesus era um ser humano e ponto final. Ou existiria diferença entre humanos só por que varia o formato dos olhos ou a quantidade de melanina na pele? Na verdade, Jesus era Deus em carne humana, o que O coloca junto conosco, mas infinitamente acima de nós e de nossas diferenças bobas e artificialmente criadas. Jesus veio justamente para quebrar os muros que separavam a humanidade de Deus e os povos uns dos outros. Deus está acima das questões étnicas e de gênero. Ele era e é Deus-homem, e como tal Se identifica com toda a humanidade. Mas Ele poderia ter sido gay também?

Para o cantor pernambucano Johnny Hooker, sim. Em um show polêmico durante o Festival de Inverno de Garanhuns, ele disse que Jesus era travesti e “bicha”. Hooker manifestou sua contrariedade à tentativa de se proibir a peça teatral que apresenta Jesus como um transexual. O cantor vociferou ao microfone: “E eu estou aqui hoje pra dizer pra vocês que Jesus é travesti, sim, Jesus é transexual, sim, Jesus é bicha, sim, p*! Pode vaiar à vontade [e o resto da frase prefiro não reproduzir aqui].” Interessante… Chamar um homossexual de “bicha”, no Brasil, é homofobia. Mas chamar Jesus de “bicha” é arte?!

O advogado Jethro Ferreira levou o caso à Polícia Civil, por considerar uma ofensa à fé cristã. Ele se apoia no artigo 20 da Lei Federal nº 7.716, que diz que quem “pratica, induz ou incita a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional” está sujeito a uma pena de reclusão de um a três anos e multa. A notícia-crime também apresenta o artigo 280 do Código Penal, que afirma que “escarnecer de alguém publicamente por motivo de crença ou função religiosa, impedir ou perturbar cerimônia ou prática de culto religioso, vilipendiar publicamente ato ou objeto de culto religioso” pode resultar uma detenção de um mês a um ano ou multa.

É óbvio que Hooker passou dos limites e ofendeu a sensibilidade religiosa de muita gente, o que pode no futuro ter desdobramentos ainda piores. Volto a esse ponto mais adiante. Por agora quero dizer que Jesus não seria homossexual. E por quê? Seria porque não ama os homossexuais? Teria preconceito contra eles? Não. Obviamente que não. E quem conhece o Jesus dos evangelhos sabe que Ele jamais manifestaria ódio contra qualquer pessoa. Vamos analisar um exemplo bíblico.

Certa vez, trouxeram a Jesus uma mulher surpreendida em adultério. Tratava-se de uma situação “armada” para emboscar Jesus. Se os adúlteros foram pegos em flagrante, onde estava o homem? Por que somente ela havia sido levada até o Mestre? Jesus serenamente lidou com a situação deixando claro que todos ali eram pecadores, ainda mais porque a motivação no coração deles era a pior possível. Quando aqueles homens se afastaram da cena, Jesus disse à mulher: “Não te condeno. Vá e não peques mais.” Note: Jesus perdoou a mulher, mas não deixou de reconhecer que o que ela havia feito é pecado. Hoje há muitas pessoas que não mais consideram pecado a fornicação e o adultério. Se as pessoas traídas e as envolvidas no ato concordarem, tudo bem. Mas isso muda a definição do ato? Para Deus, não. Sexo antes e fora do casamento heterossexual e monogâmico é pecado e ponto final. Jesus foi “tolerante” com a mulher adúltera? Não, Ele a perdoou, ao mesmo tempo em que foi intolerante para com o pecado. E por que Deus odeia o pecado? Porque o pecado machuca o pecador e o afasta de Deus. E o Criador não pode tolerar uma coisa dessas.

Jesus poderia ter vindo como homossexual? Não, porque Ele veio como o segundo Adão, e Adão, obviamente, era homem – se não fosse não estaríamos aqui agora… Além disso, à semelhança do que ocorreu com a mulher adúltera, Jesus ama os homossexuais, mas condena claramente na Bíblia a prática do sexo homossexual, assim como condena o adultério. E são vários os textos no Antigo e no Novo Testamentos que tratam disso. Assim, a maior prova de amor que podemos dar a um amigo ou amiga homossexual é, além de respeitá-lo(a), falar de Jesus e de Seu plano para a vida dele/dela. Assim como a maior prova de amor que Jesus deu à mulher adúltera foi recebê-la como estava para transformá-la no que Ele queria.

O ponto que deixei em suspenso lá atrás é o seguinte: segundo o Código Penal, escarnecer de alguém publicamente por motivo de crença ou função religiosa é crime. As atitudes e palavras profanas de alguns artistas e mesmo de militantes LGBT que têm vilipendiado símbolos religiosos estão acirrando os ânimos de tal forma que daqui a pouco qualquer crítica à religião alheia poderá ser vista como intolerância, e todos sairão perdendo; a liberdade religiosa sairá perdendo. Vi algo parecido com isso em Paris, recentemente.

Algumas mulheres muçulmanas, com o anonimato protegido pela burca, estavam compartilhando a carteira de motorista com amigas não habilitadas, e os policiais não sabiam como lidar com isso. Resultado? Obrigaram as islâmicas a mostrar o rosto para poder dirigir. E para ser politicamente corretos, os franceses acabaram por proibir a exibição de qualquer símbolo religioso em público. Por isso, tive que carregar minha Bíblia na mochila e, se orasse com alguém em público, poderia ser denunciado e ter problemas com as autoridades.

As barbaridades cometidas por algumas pessoas blasfemas, irreverentes e mal-educadas são a força que está retesando o arco que vai lançar a flecha que causará os verdadeiros estragos (conforme escrevi neste texto). O mundo está sendo polarizado, e no meio dessas tensões está um povo que ama a Deus, ama os pecadores e quer ser fiel à Palavra e à lei do Criador.

Michelson Borges

Assista aqui ao testemunho de um ex-homossexual (em inglês):

 

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