Cuidemos das nossas crianças

Group Of Children Lying On Grass Together In ParkA Bíblia descreve filhos como uma bênção (Sl 127 e 128), independentemente do sexo. O infanticídio e o abandono de bebês (especialmente meninas) era coisa normal entre os vizinhos, mas não em Israel. O sacrifício de crianças em honra aos deuses era comum entre muitos povos (como os cananeus e seu deus Moloque). A Bíblia chama Moloque de “repugnante deus dos amonitas” (1Rs 11:7), e sacrificar crianças a Moloque em Israel era um crime grave, punido com apedrejamento (Lv 20:2).

Nem todos os bebês eram bem-vindos na Grécia Antiga. Havia critérios para garantir a sobrevivência, como mostrava a prática espartana de eliminar os mais fracos. Um conselho de anciãos decidia sobre o direito à vida da criança, com base num critério físico. Um bebê que fosse “indesejado e deficiente” estava automaticamente condenado a morrer.

Numa carta de 1 a.C., um certo Hilarion (provavelmente egípcio) diz sem medo à esposa prestes a dar à luz: “Se for menino, deixe que viva; se for menina, jogue fora.” Abandono de bebês era prática disseminada também entre os romanos. Sêneca afirma que os romanos afogavam os bebês fracos ou malformados, e que esse não era um ato de ira, mas de “razão”.

Nessa mesma época, o judeu Fílon de Alexandria escreve contra essa prática romana absurda. O romano Tácito afirma, com ar de curiosidade, que os judeus consideravam crime matar um bebê. O judeu Flávio Josefo conta que a lei proibia as mulheres de “causar aborto do que é gerado, ou destruí-lo depois”, e chama quem faz isso de “assassino”.

Não havia em Israel o costume pagão de abandonar bebês. Abandonar bebês era algo grave (Ez 16:4-5 refere-se a isso). Filho ou filha, o bebê israelita era sempre assumido, cuidado e amamentado até os dois ou três anos (ou mais). Raramente as mulheres de Israel contratavam amas; eram excelentes mães, devotas. A criança, menino ou menina, já era considerada membro da comunidade religiosa, a quem a história nacional e a religião deveriam ser ensinadas.

Entre os primeiros cristãos, o Didaquê, a epístola de Barnabé, Justino Mártir, Atenágoras de Atenas, e outros, se posicionam firmemente em defesa das crianças (inclusive as não nascidas). A influência do Cristianismo deu um sentido sagrado à vida das crianças, fazendo com que o infanticídio fosse legalmente banido do Império Romano.

O argumento cristão é teológico, não meramente humanista. Deus conhece e se envolve com a criança que cresce ainda no ventre, é o que ensinam textos como o Salmo 139 e o livro de Jó.

Neste Dia das Crianças, ouça mais quem tem histórico a favor delas. E pense se vale a pena dar crédito aos pensadores e “especialistas” que se dedicam à desconstrução de tudo, que acham que “família é invenção capitalista”, que já decidiram que a moral judaico-cristã é a culpada de quase tudo de ruim que existe.

O altar de Moloque tem recebido discurso respeitável, embasamento teórico e bolsa de pesquisa, mas continua sendo “repugnante”.

Isaac Malheiros, via Facebook

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