Direito à vingança

jose-mariaAntigamente roupa suja era lavada em casa. Esse tempo (saudoso!) passou. Hoje há lavanderias públicas que, à semelhança da internet, permitem terceirizar (e publicizar) a lavagem daquelas partes de nossas vidas que não costumam ser as mais limpas. Os reality shows, que há duas décadas arrancavam suspiros de horror de quem achava baixaria expor na TV certos dramas familiares, são fichinha diante dos absurdos que circulam atualmente nas redes sociais, sem pudor, limite ou censura. Já não nos importamos tanto, exceto quando é a reputação de alguém próximo a nós que está em jogo. Às vezes nem assim.

Como se estivéssemos numa grande aldeia sem cacique nem pajé, ou seja, sem ter que prestar contas a nenhuma autoridade civil ou religiosa, com frequência levamos à praça pública, instintivamente, nossas querelas e desafetos. Ali acabamos com nossos inimigos à queima-roupa, ainda que isso, de alguma forma, represente também nossa própria destruição moral. A “ágora digital” é rápida no gatilho e sumária em seus julgamentos. Ela, alegando transparência e democracia, limita-se a “expor os fatos” (será?), deixando que cada um julgue por si mesmo, que junte as peças do quebra-cabeça, se for capaz. Lembro-me, por exemplo, do caso da adolescente que detonou o ex, publicando o impublicável na internet. Ela ainda gostava dele e só fez isso quando soube que havia “outra” no pedaço (bem, essa parte da história não foi divulgada, claro). Também me recordo dos artistas e desportistas cujos excessos do fim de semana não costumam escapar ao olhar atento dos paparazzi de plantão nem ao instinto de CSI dos fãs casualmente munidos de celulares inteligentes que, “ingenuamente”, gravam áudios e vídeos que vão parar na web.

Bisbilhotice à parte, há algo bem mais importante aqui. Fazer justiça e se vingar: duas coisas difíceis de distinguir e nas quais não gostamos de pensar. Quando você está ferido e casualmente está com a razão, por que ficar calado? Por que não veicular sua própria versão dos acontecimentos? Por que levar fama sem proveito? Por que não se defender e limpar sua barra? Por que deixar que um(a) espertinho(a) ou um poderosão acabe com você assim, “na boa”? Afinal, passividade, sangue de barata, silêncio, resignação… são “virtudes cristãs”? Certamente parte dessas questões, para lá de complexas, passou pela cabeça daquele provável marido traído chamado José. Coberto de razão, protegido por uma cultura que prezava pela honra e que, de certa forma, favorecia o homem, ele poderia ter invocado a lei que previa para sua noiva grávida uma dura penalidade. O “problema” é que ele a amava, algo que nem sequer as evidências de uma traição puderam desfazer. O segundo, digamos, “problema” é que ele tinha princípios dos quais não quis se desvencilhar, nem mesmo sob a forte pressão do ressentimento, da decepção e da iminência dos boatos maldosos de que ele certamente seria alvo. O texto bíblico diz que José, noivo de Maria, “como era justo, e a não queria infamar, intentou deixá-la secretamente” (Mt 1:19).

Em alguns casos, o segredo é um item obrigatório da ética profissional. No caso específico de José, porém, o segredo – que não haveria de durar muito, dada a gestação de Maria – era, para ele, uma questão de princípio moral; não visava apenas à proteção de um ofício, comunidade ou círculo profissional. Era parte de sua identidade, de suas convicções e de sua fé. Ele preferia lavar a roupa suja em casa mesmo, não na lavanderia da esquina. Holofotes e outdoors ficariam só para coisas que valessem a pena! Devido à sua hombridade, ele decidiu que não a exporia. Recusou-se a ser portador e difusor de más notícias, muito embora fosse um dos principais envolvidos e, certamente, o maior afetado. Mesmo ferido, ele ainda era capaz de manifestar ternura, compaixão, simpatia (creia!), coisas que normalmente sentimos apenas pelos pecadores que nos feriram pouco ou que não nos ameaçam nem nos enfrentam abertamente. Se formos bem sinceros, veremos que nossos reclamos de justiça muitas vezes não passam de boas escusas para extravasar nossa necessidade de autodefesa. José preferiu não se defender, não se explicar nem acusar Maria, uma atitude que nos deixa… simplesmente sem palavras!

Seria certo ele agir diferente? Talvez. Há situações diante das quais não podemos nos omitir; perguntas que não podem ser devidamente respondidas com o silêncio. Dar de ombros pode ser às vezes um ato de covardia, dos mais cruéis. Por isso, a ressalva que Ellen White faz é bastante oportuna:

“É verdade que há uma indignação justificável, mesmo nos seguidores de Cristo. Quando veem que Deus é desonrado e Seu serviço, exposto ao descrédito; quando veem o inocente opresso, uma justa indignação agita a alma. Tal ira, nascida da sensibilidade moral, não é pecado. Mas os que, ante qualquer suposta provocação, se sentem em liberdade de condescender com a zanga ou o ressentimento estão abrindo o coração a Satanás. Amargura e animosidade devem ser banidas da alma, se quisermos estar em harmonia com o Céu” (O Desejado de Todas as Nações, p. 213).

Note aí as duas faces dessa moeda: justa indignação de um lado e amargura do outro. Sensibilidade moral de um lado e ressentimento do outro. Defesa da honra de um lado e animosidade do outro. Quando estamos nessa saia justa, andando pelo fio da navalha, sangrando e sofrendo, há um risco real de perdermos a harmonia com o Céu. No calor da emoção, podemos não ser capazes de tomar as melhores decisões. A passividade não é uma virtude, a paciência sim, e é preciso não confundi-las. A linha tênue e cinzenta que separa a justiça da vingança não justifica uma atitude impulsiva ou displicente, muito menos se coisas importantes estão em jogo. Cirurgias delicadas não se fazem com um facão, mas com um bisturi. É preciso clamar por sabedoria quando falta clarividência.

Abrir mão de direitos adquiridos não é uma obrigação. Perdoar também não é. É dom. É dádiva. É sinal de generosidade, de bondade. Crer que essa forma “abobalhada”, pacifista e aparentemente passiva de agir favorece a justiça, num mundo cheio de pecado e corrupção, é um ato de fé. E fé do tipo incomum. Ninguém garante que terá o efeito desejado. Talvez não tenha. Não dá para saber. José não sabia. A ética que se baseia no cálculo de probabilidades não é a ética dos princípios bíblicos, e sim a das contingências, a ética situacional. Uma vive pela fé; a outra, pela vista. E nós todos, em nossos dilemas, caímos numa dessas duas redes e assim vamos. José fez a escolha dele. Todos nós, sempre que nos decepcionarmos ou formos injustiçados, teremos que decidir também. O pano de fundo é esse. O que fizermos dirá não só daquilo que cremos, mas também de quem somos.

(Júlio Leal é editor na Casa Publicadora Brasileira)

Câmara aprova direito de aluno se ausentar de prova por crença religiosa

sabadoProjeto de relevância para o respeito à crença religiosa teve importante avanço na tarde de terça-feira, 27. Integrantes da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) da Câmara dos Deputados aprovaram Substitutivo do Senado ao Projeto de Lei da Câmara 130, de 2009 (originalmente Projeto de Lei número 2.171, de 2003, de autoria do deputado federal Rubens Otoni). O texto aprovado trata da aplicação de provas e atribuição de frequência a alunos impossibilitados de comparecer à escola por motivos de liberdade de consciência e de crença religiosa. O teor será incorporado, portanto, à legislação por meio da inserção do artigo 7-A na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional.

Na prática, alunos da rede pública ou privada ganham um instrumento de respeito em função da sua consciência e crença. O texto prevê que seja assegurado o direito a estudantes em qualquer nível (exceto os de ensino militar) de se ausentar de prova ou aula marcada para um dia que, segundo seus preceitos religiosos, seja proibido o exercício desse tipo de atividade. Na aprovação da CCJ, estão previstas prestações alternativas como: prova ou aula de reposição, conforme o caso, realizada em data alternativa, no turno do estudo do aluno ou em outro horário agendado e trabalho escrito ou outra modalidade de atividade de pesquisa, com tema, objetivo e data de entrega definidos pela instituição de ensino.

Em 1997, o então deputado federal Marcos Vinícius de Campos já havia encaminhado um projeto com o mesmo teor, porém, segundo registros da Câmara Federal, o documento havia sido arquivado em fevereiro de 1999.

A relatora do projeto na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania, deputada federal Maria do Rosário, ressaltou, então, o caráter de respeito à liberdade de expressão religiosa. Ela lembrou que a Constituição Federal, no seu artigo 5º, garante que esse tipo de liberdade é inviolável e precisa ser garantido. Acrescentou, ainda, que “ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política”.

O diretor de Assuntos Públicos da Igreja Adventista do Sétimo Dia na América do Sul, pastor Helio Carnassale, ressaltou que essa foi uma importante vitória para a liberdade religiosa, especialmente no caso de milhares de estudantes que observam dias religiosos. “Muitos contribuíram para chegarmos até aqui. Quero ressaltar o empenho e apoio dos deputados Rubens Otoni, senador Pedro Chaves, deputada Maria do Rosário, além de Uziel Santana, presidente da Anajure, deputado Leonardo Quintão e de apoios recentes do deputado federal Aguinaldo Ribeiro e da senadora Daniela Ribeiro”, disse. Carnassale lembrou, ainda, o “papel do consultor parlamentar Adiel Lopes, além do advogado Vanderlei Viana e da administração adventista na América do Sul”.

A aprovação na CCJ teve caráter conclusivo, portanto não seguirá para o Plenário da Câmara, mas diretamente para ser ou não sancionada pelo presidente da República. É difícil precisar quantos alunos, por motivo de crença religiosa, serão beneficiados no Brasil com essa medida. Para se ter uma ideia, último levantamento realizado pelo Ministério da Educação apontou que, somente alunos guardadores do sábado, que prestavam o Exame Nacional de Ensino Médio, representavam em torno de 100 mil no País.

(Felipe Lemos, Notícias Adventistas)

Mãe e pai brigam na justiça por mudança de sexo em filho de seis anos

gender2Um pai iniciou uma batalha na Justiça dos Estados Unidos para impedir que sua ex-mulher mude o sexo do filho James, de seis anos. O processo tramita em Dallas, no Texas. De acordo com os autos, a mãe veste o menino com roupas de menina desde quando ele tinha três anos de idade. Ela também o matriculou na escola com nome de menina, como “Luna”. O pai, por outro lado, afirma que, quando está com ele, o menino se nega a usar roupas de mulher e se identifica como menino. No processo de divórcio, a mãe, que é pediatra, acusou o pai de abuso infantil por não “admitir que James era transgênero” e tenta que o ex-marido perca a guarda compartilhada. Ela quer também que ele seja condenado a pagar as consultas do filho para a mudança de sexo o que inclui, além de um terapeuta, a esterilização hormonal a partir dos oito anos.

E a mulher já conseguiu algumas vitórias. O pai foi legalmente impedido de falar com seu filho sobre sexualidade e gênero, tanto do ponto de vista científico quanto religioso, e obrigado a oferecer roupas unissex para o filho. O menino foi diagnosticado com disforia de gênero por especialista escolhido pela mãe. O terapeuta confirmou que quando está só com a mãe o menino prefere roupas de menina e quer ser chamado de Luna; quando está com o pai, só atende por James e escolhe roupas de menino.

O pai reuniu testemunhos de amigos para tentar convencer a Justiça de que o filho é um menino e evitar uma castração química aos oito anos. Pessoas preocupadas com a decisão final e a repercussão do caso criaram um site para tentar persuadir a corte de que é preciso esperar e não seguir perigosamente o diagnóstico precoce.

(Gazeta do Povo)

A sombra do suicídio entre os jovens

suicideDados da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que o suicídio é a segunda causa de morte entre os jovens no mundo. Julio Jacobo Waiselfisz, sociólogo e coordenador do Mapa da Violência no Brasil, endossou esses dados ao apresentar em um de seus estudos que o número de suicídios aumentou em 65% na faixa etária dos 10 aos 14 anos, e em 45% dos 15 aos 19 anos, no período entre os anos 2000 e 2015. Os números são alarmantes e a situação exige atenção da sociedade. Os motivos desse aumento de suicídios são multifatoriais: um cérebro adolescente em formação, com as incertezas próprias dessa idade, aliado a uma criação superprotetora. Soma-se a isso a obrigatoriedade de ser feliz a qualquer custo em um mundo onde a mesma tecnologia que une também afasta as pessoas. Difícil administrar, certo?

Diante de tantas incertezas, a ansiedade e a depressão podem bater à porta e, para muitos deles, o suicídio é a saída na ânsia de exterminar o sofrimento e o desespero. Cabe aos pais lembrar da importância de transmitir segurança aos filhos durante a vida. Felizes deles também se puderem contar com o limite, com o modelo dos pais diante das ameaças do mundo.

O suicídio entre os jovens é uma forma de fugir do mundo, resultado da ausência de objetivos. A vida perde o sentido e eles deixam de acreditar. Se um adolescente se suicida por desesperança, a sociedade na qual ele vive certamente também está adoecida.

Caso a depressão já esteja instalada, torna-se indispensável procurar um profissional para o tratamento de transtorno da personalidade instalada no psiquismo desse adolescente. Aos educadores, cabe a contribuição de fazer com que os alunos desviem temporariamente o olhar da tela do celular, contemplem a natureza e entusiasmem-se por ela, criando assim uma visão sistêmica da vida que apresenta desafios, mas que também traz oportunidades de crescimento.

Acima de tudo é necessário desenvolver a consciência de que todo desejo pede realização, mas que nem todo desejo poderá ser realizado. Pois é nesse ponto que surge a frustração.

E não para por aí. É preciso ensinar os princípios da Inteligência Emocional, para adiar a necessidade de satisfação e aumentar a tolerância quando as frustrações surgirem. E neste âmbito, dois instintos devem ser levados em consideração: de vida e o de morte. Quando o instinto de morte prevalece a vida corre perigo. Devemos cuidar dos nossos jovens para não lhes faltar o principal: amor. Suicídio é a falência do amor.

(Ivo Carraro é psicólogo e professor do Centro Universitário Internacional Uninter)

Capa6peqNota: Caso você ainda não tenha lido, quero lhe recomendar o livro O Poder da Esperança, o qual escrevi em co-autoria com o psicólogo espanhol Julián Melgosa e foi publicado em dezenas de países. Nele abordamos problemas como depressão, baixa autoestima, estresse, ansiedade, suicídio e outras. Você precisa ler, ainda que seja para encontrar recursos para ajudar alguém que esteja sofrendo. Clique aqui e adquira o livro por apenas R$ 2,80.

Três perguntas que “matam” o antitrinitarianismo

Todos esses movimento novidadeiros de suspostos reavivalistas da fé na verdade não reavivam é coisa nenhuma. Dirigi certa vez três perguntas a um adepto dessas novas ideias de descrença na Trindade:

1. Em que essas noções antitrinitarianas o ajudaram a crescer espiritualmente, tornando-o um cristão melhor?

2. Em que essas noções antitrinitarianas têm ajudado a Igreja a ser mais unida e a refletir mais amor de uns para com os outros?

3. Em que essas noções antitrinitarianas podem contribuir para apressar a pregação mundial do evangelho, que é o grande desafio para a Igreja – cumprir Mateus 24:14?

Ele admitiu candidamente que não saberia dizer em que tais noções o ajudaram a tornar-se um cristão melhor, a unir mais a Igreja e levar os membros a terem mais amor uns pelos outros, nem como contribuiria para apressar a terminação da obra de evangelização mundial e a volta de Cristo.

Então, uma pergunta final: Para que esse empenho todo, que a nada leva de construtivo?

Azenilto Brito

Uma vida de louvor

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Com mais de três décadas de uma carreira premiada e consolidada, o cantor filho de missionários fala de seu desejo de exaltar o Criador por meio da música

Há 20 anos o Centro Universitário Adventista (Unasp) celebrava os 15 anos de seu campus em Engenheiro Coelho. Para abrilhantar o evento, foi convidado o cantor cristão mundialmente famoso Steve Green. O campus ainda não tinha um grande auditório nem templo para uma programação dessa natureza, então um palco foi montado ao ar livre, em um amplo gramado, e ali milhares de pessoas se reuniram para louvar a Deus. Vinte anos depois, a administração do Unasp resolveu trazer novamente Steve Green para juntos celebrar os 35 anos da instituição. E mais uma vez o espírito que tomou conta de todos foi de gratidão. Agora o campus dispõe de um amplo templo com capacidade para mais de três mil pessoas, mesmo assim foram necessárias duas sessões nas quais o espaço esteve complemente cheio. Em 1998 a Revista Adventista publicou uma entrevista exclusiva com o cantor, feita pelo jornalista Michelson Borges. Duas décadas depois, ele o entrevistou novamente.

Como foi o seu chamado para o ministério musical?

Cresci na Argentina e meus pais eram missionários lá. Na época eu não sabia que podia cantar. Voltei aos Estados Unidos para cursar uma faculdade. Meu plano era ser advogado, mas alguém me ouviu cantar certa vez e me disse que eu deveria fazer um curso de música. Então comecei a estudar música. Inicialmente, meu coração não era inteiramente do Senhor, portanto, eu tinha apenas uma voz. Anos depois, Deus me atraiu para Si, mudou meu coração e me fez ver que todo dom vem Dele. Meu chamado foi para dar-Lhe glória por onde eu for.

Como é ser usado por Deus para tocar vidas?

É maravilhoso! Deus pode chamar qualquer um de nós para trabalhar para Ele, mas é preciso ser humilde para falar em nome Dele, para agir de acordo com a vontade Dele e tocar a vida das pessoas. Sinto-me muito pequeno, mas muito abençoado por poder fazer isso.

Música é como um sermão, certo?

Sim, pois ela tem uma mensagem muito importante; afinal, comunicamos a verdade. É meu prazer e também minha responsabilidade ser um proclamador da Palavra de Deus.

Que conselho você daria aos cantores cristãos?

Trabalhem muito, busquem a excelência naquilo que fazem, trabalhem fundamentados em sua relação com Deus, e deixem que Ele cuide de sua carreira. Geralmente, os cantores fazem o oposto: desejam ser grandes diante das pessoas, mas são muito pequenos. Devemos permitir que Deus mude nosso coração e nos coloque onde Ele quer. Não copie as maneiras do mundo. Busque o Senhor, humilhe-se e deixe que Ele o exalte.

Uma experiência marcante em seu ministério.

Voltei ao local onde cresci: Tartagal, Argentina. Nunca mais tinha estado lá desde os meus nove anos de idade. Convidaram-me para cantar e eu fiquei muito empolgado, afinal, poderia levar uma mensagem para a minha terra. Quando iniciei o concerto, começou a chover forte e, devido ao barulho no telhado, eu não conseguia me ouvir e ninguém me ouvia. A água começou a subir e inundar tudo. Meu irmão me disse que tínhamos que cancelar o concerto, que eu poderia ser eletrocutado, mas eu disse “não”. Tinha voltado à minha terra para dar uma mensagem para o meu povo. Mais tarde, alguém me enviou uma carta e disse que naquele concerto havia três ou quatro diferentes grupos indígenas que não gostavam um do outro; que tinham tensões raciais baseadas em quão escura era a pele de cada um. Mas ali estavam eles, juntos. Enquanto chovia, eles tiveram que ficar juntos por quase três horas; e começaram a conversar, fizeram amizade. Percebi que naquela ocasião minha música não era importante. Minha mensagem não era importante. O concerto não aconteceu, mas tudo bem. Deus agiu.

Se pudesse escolher uma música que mais marcou seu ministério, qual seria e por quê?

Provavelmente, “God, and God Alone”, porque às vezes pensamos que somos grandes, mas não somos. Às vezes pensamos que controlamos as coisas, mas não. Às vezes pensamos que se tivéssemos o presidente ou o líder correto tudo daria certo, mas não. Deus está conduzindo tudo. Ele é o governante de tudo. Ele está no controle.

Em 20 anos, o que mudou em seu ministério?

Muita coisa, especialmente em minha compreensão da graça de Deus. Eu pensava que Deus havia me salvado e o resto era por minha conta, mas descobri que não é esse o caso. A graça de Deus está presente em todo o caminho. É Deus trabalhando em nós para fazermos Sua vontade prazerosamente. Aprendi a descansar mais no que Ele fez por mim.

Leia também: A capsula do tempo foi aberta vinte anos depois

Estudo mostra que transgêneros sofrem pressão social

transgenderLisa Littman, professora da Universidade Brown, Providence, EUA, desenvolveu um estudo com dezenas de menores que se identificam como “transgênero” (uma identidade de gênero ou expressão de gênero diferente do sexo atribuído). A conclusão foi que significativa percentagem – cerca de 21% – dessas crianças torna-se ou assume-se como transgênero por “pressão social” e não porque nasceu assim. De acordo com as conclusões do estudo, esse “transtorno de identidade de gênero” (caraterizado psicologicamente por disforia de gênero, um desconforto persistente com o sexo de nascimento) “parece ocorrer no contexto de pertencimento a um grupo comum no qual um, vários ou mesmo todos os amigos assumiram transtorno de gênero ou se identificaram como transgênero durante o mesmo período de tempo”. Dito de outra forma, esses menores identificaram-se como transgênero porque os amigos também o fizeram.

Adicionalmente, a professora Littman também relatou que os pais indicaram que os menores aumentaram o uso de redes sociais e internet antes de se assumirem como transgênero.

Qual o problema aqui? É que a propaganda ativista das liberdades de expressão sexual apregoa que o gênero (eles não usam a palavra “sexo”) atribuído é uma “construção social” que resulta da “histórica pressão normativa heteromonopatriarcal” (a união de um homem com uma só mulher, para toda a vida, liderada pelo homem) que o tradicionalismo religioso impingiu, obrigou a sociedade a aceitar. Pois bem, o estudo vem apontar que existe boa parcela de casos em que o transgenderismo é que é o resultado de pressão e construção social.

O tiro começa a sair pela culatra, a contra-natureza começa a ser desmascarada: é evidente que, excetuando os raríssimos casos tratados, e bem, como doença, o sexo da pessoa é aquele que é observado na gravidez (nas últimas décadas) ou no nascimento (como foi durante milênios). Não pode ser mais simples do que isto: se nasce com pênis é homem, se nasce com vagina é mulher! Não é preciso ser um cientista muito experiente para saber isso; qualquer criança entenderá facilmente essa distinção.

As alternativas que têm surgido, e que agora se começam a perceber como sendo as verdadeiras “construções sociais”, não passam de tentativas para destruir: (a) a definição de macho e fêmea que Deus estabeleceu no Éden; (b) o casamento apenas entre um homem e uma mulher; (c) a heterossexualidade, conforme o plano original. Ou seja, tudo isso faz parte da revolta e insurreição da criatura contra o Criador, um reflexo de uma outra luta, muito lá atrás no tempo, antes de haver humanidade.

No fundo, o plano de Deus é sempre melhor; o que o homem altera é sempre deturpação.

Ah, faltou dizer que pouquíssimos ou quase nenhuns meios de comunicação noticiaram o estudo. Devem estar ocupados com os (supostos) estudos sempre bem enviesados que os ideólogos fazem e trocam entre si mesmos para suportar a ideologia.

(O Tempo Final)

Há esperança para a igreja?

woman“Não carregue nas costas o peso da igreja, que não é sua, pois ela pertence a Cristo”

Há mais de vinte anos, quando eu era um jovem diretor de grupo em Santa Catarina, fui visitar nosso pastor distrital para pedir alguns conselhos relacionados com a comunidade adventista que eu liderava. Ademar Paim é um homem de Deus que, inclusive, realizou meu casamento. Contei-lhe das dificuldades que eu estava enfrentando na igreja e ele me disse algo de que nunca me esqueci: “Já me angustiei muito com os problemas e os desafios da igreja, e olhe que, como distrital, cuido de dez congregações. Perdi noites de sono, fiquei estressado, chorei, quase adoeci. Um dia abri o coração para Deus e disse que a carga estava pesada demais. Então Ele me disse que eu não precisava carregar nas costas uma igreja que é Dele. Entendi o recado. Ainda me sinto responsável pelas igrejas das quais sou pastor? Claro. Ainda sofro com algumas situações? Sim, é inevitável. Mas compreendi que não sou dono da igreja. Que o dono dela é Jesus, e Ele tem ombros infinitamente mais fortes que os meus.”

Abracei o adventismo no início dos anos 1990, quando era um estudante pré-universitário, evolucionista e adepto da Teologia da Libertação. Foram dois anos e meio de estudos bíblicos para me convencer de que a Igreja Adventista do Sétimo Dia realmente tem suas doutrinas embasadas nas Sagradas Escrituras e tem cumprido um papel profético especial no mundo. Dois anos e meio para purificar minha mente das ideologias antibíblicas que a dominavam. De lá para cá, tenho feito o que posso para ajudar a propagar a mensagem da volta de Jesus e edificar a igreja Dele na Terra. Prometi ao meu Deus que usaria tudo o que tenho e sou nessa missão. Procurei florescer onde fosse plantado: como estudante, professor, depois como editor da Casa Publicadora Brasileira (CPB) e, finalmente, como pastor adventista, ordenação que recebi há três anos com muita alegria e reverência – sempre levando em conta as palavras do pastor Paim: a igreja é Dele, você é apenas uma pequena engrenagem no todo.

Como repórter da CPB, tive o privilégio de conhecer histórias maravilhosas de conversão e missão. Histórias que me fazem acreditar que o Espírito Santo está agindo entre nós. Mas também acompanhei histórias tristes de intrigas, casamentos desfeitos, naufrágios espirituais, etc. Exatamente como acontecia entre o povo de Deus nos tempos bíblicos, afinal, eles e nós somos apenas seres humanos. Mas há um jeito de não ser dominado pelos maus sentimentos que essas coisas nos trazem.

Minha esposa e eu somos uma dupla missionária desde quando ainda éramos namorados. Entendi desde cedo que, como diz Ellen White, o verdadeiro converso nasce para o reino de Deus como missionário. É levando a Palavra às pessoas que nossa fé se fortalece. Por causa disso, precisamos estar sempre conectados à Fonte, porque ninguém dá o que não tem. Ver pessoas sendo convertidas pelo poder do Espírito Santo reafirma em nós a convicção de que a Palavra de Deus tem poder, e de que o Deus da Palavra guia Sua igreja. Ao ver o que o Senhor tem feito por meio de vasos de barro como nós encho-me de esperança.

Como diz um provérbio popular, ninguém joga pedra em cachorro morto. O diabo está irado contra a igreja, contra o povo que guarda os mandamentos de Deus e tem o Espírito de Profecia. O inimigo está atacando ferozmente esse povo, levantando heresias, mentiras, trazendo sofrimento e perdas, e tentando até às últimas consequências os soldados do evangelho. De vez em quando alguns desses soldados são atingidos e caem. Nessas horas, especialmente, merecem nossas orações e nossa compaixão, afinal, estamos todos na mesma guerra e um verdadeiro exército nunca abandona os seus feridos. Esse cenário de lutas e dor me mostra que o fim está próximo; que logo a sacudidura se intensificará (se não sabe o que é isso, estude) e me faz pensar uma vez mais que quem pensa estar em pé deve cuidar para não cair. E se cair deve olhar para cima e ver as mãos estendidas em sua direção.

Seguremos firmemente as mãos de Jesus e sigamos sempre o exemplo Dele, o autor e consumador da nossa fé. Só assim venceremos com Sua amada igreja, hoje militante, amanhã triunfante.

De vez em quando releio os textos abaixo, de Ellen White. Eles me trazem alento:

“A igreja, débil e defeituosa, precisando ser repreendida, advertida e aconselhada, é o único objeto na terra ao qual Cristo confere Sua suprema consideração” (Testemunhos Seletos, v. 2, p. 355).

“Deus tem na Terra uma igreja que é Seu povo escolhido, que guarda os Seus mandamentos. Ele está guiando, não ramificações transviadas, não um aqui e outro ali, mas um povo” (Testemunhos Seletos, v. 2, p. 362).

“Jesus amou a igreja, e por ela Se deu a Si próprio, e Ele a há de aperfeiçoar, refinar, enobrecer e elevar, de maneira que fique firme em meio das corruptoras influências deste mundo” (Testemunhos Seletos, v. 2, p. 356).

“Como o Capitão do exército do Senhor derribou os muros de Jericó, assim triunfará o povo que guarda os mandamentos do Senhor e serão derrotados todos os elementos oponentes” (Eventos Finais, p. 47).

“Não necessitamos duvidar nem temer de que a obra não avançará. Deus está à frente […] e porá tudo em ordem. […] Tenhamos fé de que o Senhor guiará com segurança ao porto a nobre embarcação que conduz Seu povo” (Review and Herald, 20 de setembro de 1892).

“Embora existam males na igreja e tenham de existir até o fim do mundo, a igreja destes últimos dias há de ser a luz do mundo poluído e desmoralizado pelo pecado” (Testemunhos Seletos, v. 2, p. 355).

“Quando alguém se afasta do corpo organizado do povo que observa os mandamentos de Deus, quando começa a pesar a Igreja em suas balanças humanas e a acusá-la, podeis saber que Deus não o está dirigindo. Ele se encontra no caminho errado” (Mensagens Escolhidas, vol. 3, pág. 18).

Em momentos de crise, gosto de pensar também na atitude de Josué e Calebe, de Moisés e dos profetas. Josué e Calebe foram espias fieis, mereciam entrar na terra prometida, mas decidiram permanecer com a “igreja” e sofrer com ela no deserto. Moisés teve a chance de ser o pai de uma nova nação e se livrar da “igreja” murmuradora e complicada, mas preferiu ficar com ela até o fim. Os profetas denunciaram os erros da “igreja”, muitas vezes foram perseguidos por aqueles a quem procuravam salvar, mas, mesmo assim, não abandonaram o povo de Deus. Quero estar com esse povo até o fim, dentro desse barco que levará a igreja até o porto seguro, e fazer o meu melhor para tornar essa viagem a melhor possível, apesar dos muitos obstáculos pelo caminho.

Vamos nos unir, orar e trabalhar. Navegar é preciso, e quem está remando não tem tempo para o que não é prioritário.

Michelson Borges

Leia também: “Atitude correta: três opções seguras para lidar com os escândalos”

Site vegano destaca Ellen White como defensora dos animais e do vegetarianismo

ellen[Veja que interessante este artigo escrito pelo jornalista, historiador e especialista em jornalismo cultural, histórico e literário David Arioch:]

Uma das fundadoras da Igreja Adventista do Sétimo Dia, Ellen Gould White, se tornou uma das personalidades mais controversas de seu tempo, inclusive pela sua defesa do vegetarianismo, o promovendo em escolas, hospitais e centros médicos. Entre as suas obras mais conhecidas, que também versam contra o consumo de animais, está o livro The Ministry of Healing, publicado em 1905. No entanto, Healthful Living, de 1896, foi uma das primeiras obras em que Ellen G. White abordou o vegetarianismo. Na página 97, ela declara que a dieta de muitos animais é baseada simplesmente em vegetais e grãos, e que o ser humano deveria seguir esse exemplo, já que não temos o direito de nos alimentarmos de criaturas mortas. Segundo Ellen, um animal que não seja essencialmente carnívoro não tem necessidade de destruir outro animal para se alimentar. No livro Counsels on Diet and Foods, de 1903, a autora diz que vegetais, frutas e grãos são o suficiente para uma alimentação saudável e bem completa. “Nem uma onça [28 gramas] de carne deve ser enfiada em nosso estômago. Devemos voltar ao propósito original de Deus na criação do homem”, defende na página 380.

Com livros publicados em mais de 140 línguas, Ellen Gould White se tornou bastante influente à sua época, tanto que há quem diga que ela também contribuiu para que o famoso médico John Harvey Kellogg, também adventista, criasse um dos mais famosos cereais matinais de todos os tempos – Corn Flakes. Sua influência também se deve ao fato de ela ter sido uma escritora prolífica, chegando a escrever mais de cinco mil artigos e a publicar 40 livros. Suas obras somam mais de 50 mil páginas manuscritas, conforme o artigo “Ellen G. White: A Brief Biography”, de Arthur L. White, publicado no The Official Ellen G. White Website, em agosto de 2000.

Em The Ministry of Healing, lançado em 1905, a escritora afirma que a dieta indicada ao ser humano no princípio não incluía alimento de origem animal. “Não foi senão depois do dilúvio, quando tudo quanto era verde na Terra havia sido destruído, que o homem recebeu permissão para comer carne”, escreveu. Porém, a escritora defendia que foi uma permissão temporária. Segundo Ellen, Deus escolheu a comida dos seres humanos quando os levou para viverem no Éden, o que não compreendia nada de origem animal.

Porém, na perspectiva da autora adventista, o ser humano insistiu no consumo de carne, e em decorrência disso teve de amargar inúmeras doenças e muitas mortes relacionadas a esse hábito: “Os que se alimentam de carne não estão senão comendo cereais e verduras, pois o animal recebe a partir desses alimentos a nutrição que garante o seu crescimento. A vida que havia no cereal e na verdura passa aos que os ingerem. Nós a recebemos comendo a carne do animal. Melhor é obtê-la diretamente, comendo aquilo que Deus proveu para o nosso uso.”

Outro ponto que, segundo a escritora, deveria ser o suficiente para desconsiderar a carne como alimento é o surgimento de doenças que só existem em decorrência da criação de animais para consumo. “A população come ininterruptamente carne cheia de germes de tuberculose e câncer. Assim são transmitidas essas e outras doenças. Muitas vezes são vendidas a carne de animais que estavam tão doentes que os donos receavam mantê-los vivos por mais tempo. E o processo de engorda para a venda produz enfermidades”, critica.

No final do século 19, Ellen G. White percebeu que já era comum os animais serem privados da luz do dia e do ar puro, respirando somente a atmosfera de estábulos imundos, e talvez sendo alimentados com comida deteriorada, o que facilitava a contaminação e proliferação de doenças:

“Animais são frequentemente transportados por longas distâncias e sujeitos a grande sofrimento até chegarem ao mercado. Privados dos campos verdes para viajar por longas milhas em estradas quentes e empoeiradas, dentro de veículos imundos e lotados, eles ficam febris e exaustos, e passam muitas horas em privação de água e comida. Essas criaturas são guiadas para a morte, para que os seres humanos se banqueteiem com as suas carcaças.”

Para Ellen G. White, a situação dos peixes não é diferente, levando em conta a contaminação das águas e a ausência de boa matéria orgânica como fonte de alimento. Além de sofrerem pela má intervenção humana, quando morrem tornam-se alimentos; um alimento que também ocasiona enfermidades. “Muitos [seres humanos] morrem de doenças devido ao uso da carne, e essa causa não é suspeitada por eles nem pelos outros”, enfatiza.

Além das questões envolvendo saúde e religião, a escritora também apontava como igualmente importante as implicações morais do consumo de carne. Quando discursava sobre o tema, ela pedia que os espectadores pensassem na crueldade por trás do consumo de carne, e os efeitos que isso desencadeia na vida em sociedade, onde a ternura para com as outras criaturas é majoritariamente desconsiderada.

No livro The Ministry of Healing, Ellen defende que a inteligência de muitos animais é tão semelhante à inteligência humana que chega a ser um mistério. Observa que os animais veem, ouvem, amam, temem e sofrem. Se servem de suas capacidades melhor do que os seres humanos. Manifestam simpatia e ternura em relação aos seus companheiros de sofrimento:

“Muitos animais demonstram aos seus uma afeição muito superior àquela manifestada por alguns seres humanos. Que homem, dotado de um coração humano, havendo já cuidado de animais domesticados, poderia fitá-los nos olhos tão cheios de confiança e afeição, e entregá-los voluntariamente à faca do açougueiro? Como lhes poderia devorar a carne como algo delicioso?”

No início do século 20, a autora já considerava um equívoco crer que a força muscular depende do uso de alimento de origem animal, já que podemos recorrer a cereais, frutas e oleaginosas, alimentos que contêm tudo o que é necessário à nossa nutrição. “Quando se deixa o uso de carne, há muitas vezes uma sensação de fraqueza ou falta de vigor. Muitos alegam isso como prova de que a carne é essencial. Mas é devido a esse alimento ser estimulante, deixar o sangue febril e os nervos estimulados, que assim lhes parece ser algo que faz falta. Alguns acham tão difícil deixar de comer carne o quanto é para um bêbado deixar o álcool. Mas logo se sentirão muito melhor com a mudança”, garante.

Na defesa da abstenção de alimentos de origem animal, Ellen Gould White jamais viu o vegetarianismo como uma impossibilidade. Ela acreditava que mesmo em países com maiores índices de pobreza é possível implementar hábitos vegetarianos na população mais carente. Ela sugeria a realização de pesquisas e a discussão sobre meios de incentivar a produção de alimentos de origem vegetal mais baratos. “Com cuidado e habilidade, é possível preparar pratos nutritivos e saborosos, substituindo a carne. Em todos os casos, educai a consciência, aliciai a vontade, mostrai o caminho do bom e saudável alimento e a mudança acontecerá rapidamente, fazendo desaparecer a necessidade de carne. Já não é tempo de todos dispensarem a carne da alimentação?”, questionou no capítulo “A carne como alimento”, do livro The Ministry of Healing, publicado em 1905.

(Vegazeta)

Os livros de Ellen White podem ser adquiridos em língua portuguesa no site www.cpb.com.br.

Leia também: Amigo animal

As mulheres ignoradas

janainaDuas mulheres tiveram votação tremendamente expressiva para a Câmara dos Deputados: a jornalista Joice Hasselmann (demitida da revista Veja por pressão do ex-presidente Lula), que recebeu mais de um milhão de votos, e sua correligionária, a jurista Janaína Paschoal [foto ao lado], autora do impeachment contra Dilma. Janaína recebeu mais de dois milhões de votos. Curiosamente, nenhuma delas ganhou sequer um parabéns dos movimentos feministas. Será que é por que ambas se alinham à direita no espectro político e defendem uma posição mais conservadora? Acho que não, né? Deve ter sido esquecimento por parte das feministas de enaltecer a eleição dessas duas empoderadas. A propósito, quem ficou no lugar do juiz Sérgio Moro (escolhido para ministro da Defesa do novo governo) à frente da Operação Lava-Jato é também uma mulher: a juíza federal Gabriela Hardt, que mandou prender José Dirceu. Novamente pergunto: Cadê as feministas para comemorar o fato de que outra empoderada assume grande protagonismo em nosso país, em uma função-chave, para a execução da qual é preciso muito pulso? Onde estão as feministas para comemorar a imposição de autoridade da juíza sobre um famoso presidiário que tentou intimidá-la recentemente em uma audiência? Que grande exemplo e motivação Gabriela dá às mulheres e aos homens do nosso país. Mas novamente a resposta é o silêncio daquelas que acham que lutar pelas mulheres significa levantar cartazes por aí e ficar brigando com homens no Facebook…

Será que movimentos feministas estão contaminados por alguma ideologia específica? Acho que não… Deve ser coisa da minha cabeça.

Quero aproveitar este post para falar de outras mulheres injustamente esquecidas. Mulheres cuja missão é infinitamente mais importante que a de uma senadora ou juíza, mas que, por atuar nos bastidores, são ainda mais invisíveis. Vou deixar que a Carla Carolina fale delas:

Quando fomos criadas, Deus concedeu a nós a tarefa mais importante, de maior valor e mais significativa que pode haver sobre a Terra. Foi-nos dada a missão de moldar o caráter da humanidade. Nas palavras de Ellen G. White: “No moldar devidamente o espírito de seus filhos, é confiada às mães a maior missão dada a mortais” (Fundamentos da Educação Cristã, p. 252).

Só existem grandes líderes, pessoas que realmente fizeram a diferença e marcaram a História, porque antes existiram grandes mães e esposas. Mulheres que conduziram seus filhos em caminhos honrados, que ensinaram valores como altruísmo e bondade. Mulheres que apoiaram seus maridos e cumpriram o papel de equilibrar o instinto, muitas vezes irrefreável e ansioso, masculino.

“Foi Joquebede, a hebreia que, fervorosa na fé, não temeu “o mandamento do rei” (Hebreus 11:23), a mãe de Moisés, libertador de Israel. Foi Ana, a mulher de oração e espírito abnegado, inspirada pelo Céu, que deu à luz Samuel, a criança divinamente instruída, juiz incorruptível, fundador das escolas sagradas de Israel. Foi Isabel, a parenta e especial amiga de Maria de Nazaré, que gerou o precursor do Messias (A Ciência do Bom Viver, p. 372).

Nós nunca precisamos de empoderamento. Somos naturalmente poderosas, capazes de mudanças gigantescas. Anjos dariam suas asas para poder desempenhar um papel tão digno quanto o nosso. Sabendo da importância do papel da mulher, Satanás levanta contra nós artimanhas como o feminismo que nada faz além de nos tornar cada vez mais vítimas do desejo sexual masculino, nada faz além de nos sobrecarregar com cada vez mais responsabilidades, nada faz além de nos colocar constantemente no limite emocional e físico, nos levando ao esgotamento.

O feminismo nos tirou da segurança de nossos lares e nos colocou vulneráveis no mercado de trabalho (que não, não é ruim, mas hoje gira para satisfazer o egoísmo e a ganância), nos tirou o amor dos homens e nos transformou em meros objetos que permanecem no desejo masculino por apenas uma noite; nos tirou do foco e de nossa tão maravilhosa missão. E agora exige que sejamos “supermulheres”, que consigamos ser boas profissionais, boas mães e boas esposas e, quando não damos conta de tudo isso, o feminismo diz-nos que escolher ser boa mãe e esposa é indigno.

O feminismo nos fatigou. O feminismo ignora tudo aquilo que somos e nos obriga a ser aquilo que eles querem que sejamos. Nós fomos criadas para ser a beleza e a doçura em um mundo tão cheio de amargura e feiura. Fomos criadas para ser amadas, mas, mais do que isso, fomos criadas para completar uma obra que ecoa na eternidade.

Mulheres, não troquem isso por empregos, altos salários ou notoriedade no mundo dos homens. Nada disso será levado conosco para o túmulo.