Uma vida de louvor

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Com mais de três décadas de uma carreira premiada e consolidada, o cantor filho de missionários fala de seu desejo de exaltar o Criador por meio da música

Há 20 anos o Centro Universitário Adventista (Unasp) celebrava os 15 anos de seu campus em Engenheiro Coelho. Para abrilhantar o evento, foi convidado o cantor cristão mundialmente famoso Steve Green. O campus ainda não tinha um grande auditório nem templo para uma programação dessa natureza, então um palco foi montado ao ar livre, em um amplo gramado, e ali milhares de pessoas se reuniram para louvar a Deus. Vinte anos depois, a administração do Unasp resolveu trazer novamente Steve Green para juntos celebrar os 35 anos da instituição. E mais uma vez o espírito que tomou conta de todos foi de gratidão. Agora o campus dispõe de um amplo templo com capacidade para mais de três mil pessoas, mesmo assim foram necessárias duas sessões nas quais o espaço esteve complemente cheio. Em 1998 a Revista Adventista publicou uma entrevista exclusiva com o cantor, feita pelo jornalista Michelson Borges. Duas décadas depois, ele o entrevistou novamente.

Como foi o seu chamado para o ministério musical?

Cresci na Argentina e meus pais eram missionários lá. Na época eu não sabia que podia cantar. Voltei aos Estados Unidos para cursar uma faculdade. Meu plano era ser advogado, mas alguém me ouviu cantar certa vez e me disse que eu deveria fazer um curso de música. Então comecei a estudar música. Inicialmente, meu coração não era inteiramente do Senhor, portanto, eu tinha apenas uma voz. Anos depois, Deus me atraiu para Si, mudou meu coração e me fez ver que todo dom vem Dele. Meu chamado foi para dar-Lhe glória por onde eu for.

Como é ser usado por Deus para tocar vidas?

É maravilhoso! Deus pode chamar qualquer um de nós para trabalhar para Ele, mas é preciso ser humilde para falar em nome Dele, para agir de acordo com a vontade Dele e tocar a vida das pessoas. Sinto-me muito pequeno, mas muito abençoado por poder fazer isso.

Música é como um sermão, certo?

Sim, pois ela tem uma mensagem muito importante; afinal, comunicamos a verdade. É meu prazer e também minha responsabilidade ser um proclamador da Palavra de Deus.

Que conselho você daria aos cantores cristãos?

Trabalhem muito, busquem a excelência naquilo que fazem, trabalhem fundamentados em sua relação com Deus, e deixem que Ele cuide de sua carreira. Geralmente, os cantores fazem o oposto: desejam ser grandes diante das pessoas, mas são muito pequenos. Devemos permitir que Deus mude nosso coração e nos coloque onde Ele quer. Não copie as maneiras do mundo. Busque o Senhor, humilhe-se e deixe que Ele o exalte.

Uma experiência marcante em seu ministério.

Voltei ao local onde cresci: Tartagal, Argentina. Nunca mais tinha estado lá desde os meus nove anos de idade. Convidaram-me para cantar e eu fiquei muito empolgado, afinal, poderia levar uma mensagem para a minha terra. Quando iniciei o concerto, começou a chover forte e, devido ao barulho no telhado, eu não conseguia me ouvir e ninguém me ouvia. A água começou a subir e inundar tudo. Meu irmão me disse que tínhamos que cancelar o concerto, que eu poderia ser eletrocutado, mas eu disse “não”. Tinha voltado à minha terra para dar uma mensagem para o meu povo. Mais tarde, alguém me enviou uma carta e disse que naquele concerto havia três ou quatro diferentes grupos indígenas que não gostavam um do outro; que tinham tensões raciais baseadas em quão escura era a pele de cada um. Mas ali estavam eles, juntos. Enquanto chovia, eles tiveram que ficar juntos por quase três horas; e começaram a conversar, fizeram amizade. Percebi que naquela ocasião minha música não era importante. Minha mensagem não era importante. O concerto não aconteceu, mas tudo bem. Deus agiu.

Se pudesse escolher uma música que mais marcou seu ministério, qual seria e por quê?

Provavelmente, “God, and God Alone”, porque às vezes pensamos que somos grandes, mas não somos. Às vezes pensamos que controlamos as coisas, mas não. Às vezes pensamos que se tivéssemos o presidente ou o líder correto tudo daria certo, mas não. Deus está conduzindo tudo. Ele é o governante de tudo. Ele está no controle.

Em 20 anos, o que mudou em seu ministério?

Muita coisa, especialmente em minha compreensão da graça de Deus. Eu pensava que Deus havia me salvado e o resto era por minha conta, mas descobri que não é esse o caso. A graça de Deus está presente em todo o caminho. É Deus trabalhando em nós para fazermos Sua vontade prazerosamente. Aprendi a descansar mais no que Ele fez por mim.

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