Macron, O Belo da Tarde (me perdoe, Catherine Deneuve…)

paris[Em julho deste ano, fui convidado a apresentar palestras e pregar em duas igrejas de Paris. Foi a primeira vez que estive na charmosa capital francesa. Obviamente que fiquei encantado ao visitar seus principais pontos turísticos, especialmente o Museu do Louvre e – numa “esticadinha” estratégica até Versalhes – o famoso palácio homônimo. De fato, Paris é linda, mas é impossível deixar de notar os efeitos da presença de milhares de pessoas oriundas de países em crise, o mal cheiro dos metrôs, a sujeira em alguns bairros e a crescente falta de liberdade religiosa. Sim, o simples ato de carregar uma Bíblia em público pode causar problemas. O pastor de lá me explicou que a polícia estava tendo problemas com mulheres muçulmanas ao volante. Como usam burca, emprestavam suas carteiras de habilitação para amigas e os oficiais não podiam fazer nada a esse respeito. Pois “baixaram” uma lei proibindo que condutoras de veículos usem burca, e, para ser “justos”, proibiram que qualquer símbolo religioso seja exibido em público. Assim, Bíblias só na bolsa; e orações só nas igrejas, em casa ou em pensamento. O Ocidente cristão se curva aos novos costumes e se vê invadido por pessoas que até poderiam conhecer Jesus, se Ele fosse conhecido dos cristãos nominais de hoje… A Europa e a França, particularmente, vivem um momento complicado. Para ajudar você a compreender o que se passa por lá, pedi ao amigo analista de sistemas Marco Dourado, de Curitiba, que escrevesse uma análise da situação, a qual você pode ler a seguir. – Michelson Borges]

A cada ano, numa estimativa conservadora, vêm entrando na França uma média de 100 mil refugiados, um lumpemproletariado pra Marx nenhum botar defeito. Aí os franceses vão e elegem Emannuel Macron, na tentativa de evitar armadilhas de um extremo e outro do espectro político. Qual o resultado? Macron dá mostras cotidianas (e acintosas) de que não será pautado pelos interesses de seus eleitores, mas pelo politicamente correto, pelos chamados “acordos internacionais” recomendados pela ONU e pelo IPCC (o Painel Climático Internacional). Para “salvar o planeta” ele não titubeia em afundar seu país, talvez até tenha buscado o poder justamente para isso.

Somente nos subúrbios de Paris existem 400 mil imigrantes, sendo que 28% vivem abaixo da linha da pobreza, com o inevitável cortejo de violência, criminalidade, contrabando e sujeira. Paris fede como um gigantesco banheiro de rodoviária abandonada pelas autoridades. Pois vem Macron advogar em favor dos imigrantes ao mesmo tempo em que debocha publicamente da população francesa, como foi o caso de um jovem horticultor graduado que reclamou com ele da impossibilidade de arrumar emprego – o presidente lhe disse que bastava atravessar a rua para arranjar trabalho (aqui no Brasil soaria como dizer ao rapaz para procurar um Posto Ipiranga). Tal escárnio gerou comoção nacional.

Para seguir a agenda ECOmênica, Macron aumentou, desde o início do ano, o preço dos combustíveis (diesel e gasolina) em 23%. E quanto mais se aumenta a carga tributária, mais diminui, de forma sensível, o poder aquisitivo da população, especialmente as pessoas majoritariamente pobres, que não estão organizadas em sindicatos e associações, mas que se unem por meio das redes sociais. Daí se percebe a semelhança dos protestos naquele país com a greve de caminhoneiros do Brasil neste ano.

Os revoltosos franceses, que adotaram como símbolo o colete amarelo (gilets jaunes), são estimados entre 75 mil e 280 mil (cifras aproximadas, mas, com toda evidência, crescentes). Sua ação obrigou Macron a decretar Estado de Emergência. Sua popularidade no início do governo era de 69% – um índice expressivo, que indicava grande otimismo. Hoje, encontra-se – com firme viés de queda – na casa de 29%, patamar de governos impopulares em fim de mandato.

A situação política da França marca o contraste entre governos preocupados com seus cidadãos – caso dos EUA, Áustria, Itália, Polônia, Hungria e, felizmente, o Brasil – e vigaristas a mando de organizações globalistas presididas por burocratas sem alma – anônimos, não eleitos e pragmaticamente indiferentes à soberania dos países.

Por falar em Trump, o cinismo e a cara-de-pau de Macron são tamanhos que ele tentou lacrar o presidente norte-americano durante as comemorações do fim da Primeira Guerra, provocando o ianque ao afirmar que “nacionalismo é diferente de patriotismo”. Levou uma invertida de Trump, que lhe lembrou que, não fosse o “nacionalismo norte-americano”, os franceses estariam hoje falando alemão (nas entrelinhas, entenda-se que a França pode vir a adotar o árabe como idioma oficial). Sim, o bom e velho nacionalismo americano. Afinal, a maior motivação de um soldado em arriscar sua vida não é exatamente conquistar aquilo que ele não tem mas preservar, CONSERVAR o que já possui: sua família, sua propriedade, seus valores, suas tradições, sua cultura, sua história, sua religião, seu estilo de vida – coisas que o sabujismo de Macron está pondo em risco.

Note-se que Macron criticou Bolsonaro por ter, a exemplo de Trump, rechaçado que o Brasil venha a sediar uma dessas conferências para acordo climático. Usou, inclusive, de chantagem, condicionando um acordo comercial União Europeia/Mercosul com a realização do ecoevento. Ótima oportunidade para o Brasil não só pular fora da canoa ideológica furada do Mercosul e focar em acordos bilaterais, como também repudiar uma agenda ecológica intencionalmente vaga, baseada em argumentos não só temerários, mas despudoradamente mentirosos (a esse respeito, leia-se O Império EcológicoOu A Subversão da Ecologia pelo Globalismo, de Pascal Bernadin – 600 páginas altamente documentadas demonstrando que a tal da agenda climática favorece exclusivamente o globalismo em prejuízo da soberania dos países e do bem-estar de suas populações).

Em suma, ou Macron é um absoluto idiota ou um perfeito canalha. Não tem interesse ou capacidade de governar seu país, e ainda se dá o desfrute de querer ensinar a outros governantes o caminho para o desastre. Não é à toa que os franceses, a exemplo dos brasileiros em 2016, só têm uma palavra para o imbecil apátrida: “Fora!” – e olha que os recentes confrontos com a polícia até que estão saindo barato. Por quê? Vejamos.

Pouca gente associa os massacres da Noite de São Bartomeu ao Terror, dois séculos mais tarde – uma safra de sangue que teve engenheiros agrônomos de peso: Rousseau, De Sade, Marat e Robespierre. Não é de admirar que o flagelo do esquerdismo já nasceu extremo naquela mistura de hospício com matadouro. Luciano Ayan lembra que Kurt van Middelaar, em Politicídio, explica como a filosofia francesa se transformou numa forma de justificar o terror: “E da turma do marxismo ocidental, os que mais chutaram o balde vieram de que país? Adivinhe. Maurice Merleau-Ponty, Jean-Paul Sartre e Michel Foucault elogiaram formalmente os genocídios da Rússia. No resto do mundo, esse comportamento era exceção, e muitos questionavam. No meio acadêmico francês, era o padrão. Desde Rousseau é assim.”

Muito provavelmente Macron não perderá a cabeça, não literalmente. Três gerações sob o Estado de Bem-Estar Social amoleceram os carbonários franceses, aquela turma escolada em partir pro quebra-pau. Mas, como diz um ditado aqui no Sul, cachorro que comeu carne de carneiro, ainda que só uma vez, nunca mais esquece do gosto. E isso pode insuflar as matilhas dispersas do resto do Velho Continente.

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