Adventismo relativista e o ataque aos testemunhos

ellen-whiteRecentemente um professor disse em um vídeo que não há problema algum o adventista tomar café, afinal, o que Ellen White escreveu sobre saúde são “apenas conselhos”; segue quem quer. Se um profeta inspirado lhe dá um conselho da parte de Deus, como você considera esse conselho? Se um anjo viesse orientá-lo sobre alguma coisa, você desprezaria a recomendação? Infelizmente, nota-se que a influência do relativismo pós-moderno tem feito estragos no meio cristão de modo geral, e no adventismo não é diferente. Verdades bíblicas vêm sendo relativizadas e questionadas à luz do falível, limitado e transitório conhecimento humano, e os textos inspirados de Ellen White igualmente têm sido alvo de ataques dessa natureza. Os que leem os livros que ela escreveu no século 19 ficam maravilhados com as antecipações científicas contidas neles. Por exemplo: mesmo pessoas religiosas costumavam justificar o consumo de álcool afirmando que em pequenas quantidades ele não faria mal. Ellen já havia dito que nem uma gota da substância deve entrar em nosso corpo. E mais uma vez a verdadeira ciência confirmou a revelação (confira aqui). Mas e quanto ao café, do exemplo citado acima? Tem problema ou não? Trata-se apenas de um conselho do tipo segue quem quer? Veja o que Ellen escreveu sobre o assunto:

“Tomar chá e café é pecado, condescendência prejudicial, que, como outros males, causa dano à alma” (Conselhos Sobre o Regime Alimentar, p. 425).

“Chá, café, fumo e álcool precisam ser apresentados como condescendências pecaminosas. Não podemos pôr a carne, os ovos, a manteiga e o queijo em pé de igualdade com esses artigos colocados sobre a mesa. Estes não devem ser postos na frente, como o tema principal de nossa obra. Os primeiros – chá [os que contêm cafeína, como o preto], café, fumo, cerveja, vinho e todas as bebidas alcoólicas – não devem ser ingeridos moderadamente, mas rejeitados” (Mensagens Escolhidas, v. 3, p. 287).

Como relativizar textos tão claros como esses sem incorrer no erro de simplesmente descartar a inspiração profética? E esse é apenas um entre muitos exemplos…

Em Apocalipse 12:17, Satanás é apresentado na forma de um dragão que persegue a mulher, símbolo da igreja verdadeira. O motivo da perseguição é bastante claro: porque a igreja guarda os mandamentos de Deus e tem o testemunho de Jesus. E de acordo com o próprio Apocalipse (19:10) o testemunho de Jesus é o “espírito de profecia”. Satanás perseguiu, persegue e continuará perseguindo a igreja, especialmente por causa desses dois pilares fundamentais. Ele tenta convencer as pessoas de que a lei de Deus é inadequada aos dias de hoje, que ela foi abolida, ou mesmo que a graça dispensa a lei. Mas, se permanecemos firmes nos princípios da santa lei, Satanás intensifica seus ataques em outra direção: contra o testemunho de Jesus.

Quando não consegue destruir a fé na lei de Deus, o inimigo tenta com todas as forças e formas destruir a fé no espírito de profecia, nos escritos de Ellen G. White. Isso funciona mais ou menos assim: o inimigo ajuda alguns a terem uma interpretação diferente da igreja. Faz com que eles tenham certeza de que estão certos. Quando ele acha que atingiu o objetivo, faz o arremate: mostra à pessoa uma citação do espírito de profecia que diga exatamente o oposto do que ela está pensando. Nesse momento, ou a pessoa se humilha diante de Deus e estuda a Bíblia em oração, ou mantém seu posicionamento, desacreditando o espírito de profecia. Esse é um processo gradual que leva a pessoa a não querer nem mesmo ouvir alguém pregar ou falar sobre Ellen White. Cria-se uma aversão infundada.

Levar as pessoas a extremos também é uma tática amplamente utilizada por Satanás. Se há os que esposam ideias legalistas e radicais a respeito dos escritos do espírito de profecia, há também os que os ignoram por completo. Os segundos às vezes até fazem isso em função dos primeiros. Mas uma leitura cuidadosa e sem preconceitos mostra que Ellen White foi uma mulher equilibrada em tudo o que escreveu. Portanto, os que usam seus escritos de forma inadequada e sem a devida consideração para com o contexto e a época da profetisa apenas lançam sombras sobre seu ministério. Para “ajustar o foco” a respeito da vida e obra dessa mulher singular, vale a pena ler o livro Mensageira do Senhor, de Herbert E. Douglass, e mesmo o livreto Histórias de Minha Avó, de Ella M. Robinson, neta da Sra. White (ambos da CPB).

Embora saibamos que a Bíblia é nossa única regra de fé e prática, e que os escritos de Ellen White são, como ela mesma diz, uma luz menor que conduz à luz maior, a negação da inspiração de tais escritos é algo muito sério. No livro Mensagens Escolhidas, volume 1, página 48, está escrito que “será ateado contra os testemunhos um ódio satânico. […] Satanás não pode achar caminho tão fácil para introduzir seus enganos e prender almas em seus embustes se as advertências e repreensões e conselhos do espírito de profecia forem atendidos”.

No mesmo livro, à página 84, é dito que “uma coisa é certa: os adventistas do sétimo dia que tomarem sua posição sob o estandarte de Satanás, primeiramente renunciarão à sua fé nas advertências e reprovações contidas nos testemunhos do Espírito de Deus”.

É curioso notar como há pessoas que vivem à caça de ideias especulativas que invariavelmente tendem a desviar a atenção do que realmente é essencial. Encontram as mais esdrúxulas “revelações”, tanto na Bíblia quanto no espírito de profecia. Quanto a isso, também, a mensageira do Senhor é bem clara: “Não devem ser promovidas ideias especulativas, pois há mentes singulares que gostam de apegar-se a um ponto que outros não aceitam, e argumentar e atrair tudo para aquele único ponto, insistindo nele, ampliando-o, quando ele na verdade não é de importância vital e será entendido de maneira discordante. Duas vezes me foi mostrado que se deve conservar em segundo plano tudo o que for de natureza a levar nossos pastores a divergirem dos pontos que são agora essenciais para este tempo” (Ellen G. White, Carta 37, 1887 [Manuscript Releases, v. 15, p. 20-22]).

É de extrema importância, pois, que saibamos dar a “razão [de nossa] esperança” (1 Pedro 3:15), alicerçada em profundo conhecimento bíblico, pois, “ao vir a sacudidura, pela introdução de falsas teorias, esses leitores superficiais não ancorados em parte alguma, são como areia movediça” (Ellen G. White, Testemunhos para Ministros, p. 112).

Mais ainda: não basta um conhecimento meramente racional da verdade. É preciso experiência. A verdadeira religião desce da mente para o coração e impregna toda a vida, pois está baseada numa relação de íntima comunhão com Jesus. Ellen White diz que “estão rapidamente se aproximando dias quando haverá grande perplexidade e confusão. Satanás, trajado com vestes angelicais, enganará, se possível, os próprios escolhidos. […] Soprará todo vento de doutrina. […] Os que confiaram no intelecto, no gênio ou talento, não permanecerão à testa das fileiras e colunas. Eles não mantiveram seu passo com a luz” (Ellen G. White, Testemunhos Para a Igreja, v. 5, p. 80).

A Bíblia nos adverte a estar bem firmados na Rocha e a ser cuidadosos em nossas interpretações para não perdermos a coroa da vitória (Efésios 4:14; Mateus 7:24, 25; 2 Pedro 3:15-18; Apocalipse 3:11). Devemos, acima de tudo, reconhecer o inestimável presente que nos foi legado por Deus por meio dos escritos inspirados de Ellen White, e utilizá-los em nossa edificação e na edificação do próximo. “Crede no Senhor, vosso Deus, e estareis seguros; crede nos Seus profetas e prosperareis” (2 Crônicas 20:20).

(Vanderlei Ricken é bibliotecário no Instituto Adventista Cruzeiro do Sul; Michelson Borges é pastor, jornalista e editor na Casa Publicadora Brasileira)

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