A Bíblia e o espiritismo

espiritismoNeste ano os espíritas comemoram os 160 anos de publicação de O Livro dos Espíritos. O Brasil é o país com a maior quantidade de espíritas. Existem mais de mil autores espíritas e centenas de milhões de livros de conteúdo espírita já foram publicados. Entre eles, os mais vendidos são: Evangelho Segundo o EspiritismoO Livro dos MédiunsO Céu e o Inferno e o próprio O Livro dos Espíritos. Espiritismo é o termo criado por Allan Kardec para identificar a doutrina que ele codificou sob a orientação de diversos espíritos, na segunda metade do século 19. No Brasil, Chico Xavier foi o maior representante do grupo. Esses dados acima mostram que a filosofia espírita tem conquistado cada vez mais força e destaque, principalmente pela mídia brasileira. Novelas, filmes, literatura e até desenhos animados são usados para disseminar a filosofia espírita. E existe toda uma roupagem de amor, paz e caridade por trás do espiritismo.

São cinco os pilares fundamentais que servem de base para a doutrina espírita:

1. A possibilidade de os espíritos voltarem a nascer (reencarnação).

2. A sobrevivência da alma após a morte física (imortalidade da alma).

3. A comunicação entre as almas dos desencarnados e dos encarnados. Intermediários entre o plano material e o espiritual (médiuns).

4. Tudo o que uma pessoa faz fica registrado numa espécie de “ficha espiritual”. Toda vez que a pessoa reencarnar, vai resgatar os feitos bons e ruins do passado (Lei do Karma).

5. Os espíritos evoluem com o tempo, passando pelas fases mineral, vegetal, animal e humana (evolução).

Mas o que a Palavra de Deus, a Bíblia Sagrada, afirma sobre cada um desses pilares? Vejamos:

Gênesis 2:16, 17: “E ordenou o Senhor Deus ao homem, dizendo: De toda a árvore do jardim comerás livremente. Mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dela não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás.”

Aqui o próprio Deus, o Criador de todo o Universo, em uma conversa com Adão e Eva os instruiu sobre o perigo que corriam se desobedecessem Sua ordem. O resultado da desobediência seria a morte certa.

Gênesis 3:4, 5: “Então a serpente disse à mulher: Certamente não morrereis. Porque Deus sabe que no dia em que dele comerdes se abrirão os vossos olhos, e sereis como Deus, sabendo o bem e o mal.”

Naquele momento, a serpente foi usada como instrumento de Satanás para seduzir e enganar Eva. A afirmação que ele fez foi totalmente contrária ao que Deus havia dito. Constitui-se, a partir daí, o conflito entre Deus e Satanás sobre o assunto: mortalidade vs. imortalidade da alma.

Alguns podem questionar afirmando que esses textos tratam da morte física do corpo, e não da alma. Mas veja o que a Bíblia diz sobre isso:

Ezequiel 18:4: “Deus diz: Eis que todas as almas são Minhas; como o é a alma do pai, assim também a alma do filho é Minha: a alma que pecar, essa morrerá.”

Deus afirma que toda alma que pecar morrerá. Logo a alma é mortal. Não há menção alguma que sequer sugira que almas possam estar vagando em algum lugar ou encarnando em outro corpo.

1 Timóteo 6:16: “Aquele que tem, Ele só, a imortalidade, e habita na luz inacessível; a quem nenhum dos homens viu nem pode ver, ao qual seja honra e poder sempiterno.”

O texto faz menção a Deus, o único que possui imortalidade inerente.

João 6:54: “Quem come a Minha carne e bebe o Meu sangue tem a vida eterna, e Eu o ressuscitarei no último dia.”

Aqui Jesus fala sobre ressurreição, algo totalmente diferente de reencarnação.

Na Bíblia não há menção alguma à reencarnação, muito pelo contrário: a Palavra afirma que se morre apenas uma vez, vindo depois disso o juízo (Hebreus 9:27), e que Deus é o único que possui imortalidade inerente.

E quanto a tal “imortalidade da alma”? Note o que diz Eclesiastes 9:5, 6: “Porque os vivos sabem que hão de morrer, mas os mortos não sabem coisa nenhuma, nem tampouco terão eles recompensa, mas a sua memória fica entregue ao esquecimento. Também o seu amor, o seu ódio, e a sua inveja já pereceram, e já não têm parte alguma para sempre, em coisa alguma do que se faz debaixo do sol.”

Salomão, inspirado por Deus, deixa claro que os mortos não sabem de nada, não veem nada, não sentem nada. Não têm mais parte em nada do que se faz neste mundo. Segundo o texto, é impossível que uma pessoa que tenha morrido interaja de alguma forma com os vivos. No Salmo 146:4, é dito que quando a pessoa morre, naquele momento “perecem todos os seus desígnios”.

Eclesiastes 12:7: “E o pó volte à terra, como o era, e o espírito volte a Deus, que o deu.”

Segundo a Bíblia, espírito é o ruach, ou simplesmente fôlego. No ato da criação do ser humano, Deus promoveu a união de dois elementos para formar um terceiro: “Então, formou o Senhor Deus ao homem do pó da terra e lhe soprou nas narinas o fôlego de vida, e o homem passou a ser alma vivente.” Pó da terra (carbono, enxofre, hidrogênio, oxigênio, ferro…) + fôlego de vida (respiração, fôlego…) = alma vivente (nephesh, ser humano). Note que o texto diz que Adão se tornou alma vivente e não que teria recebido uma alma. Na morte, segundo a Bíblia, o processo é inverso: o pó volta ao pó, o fôlego (espírito) – que não se trata, portanto, de uma entidade consciente – volta a Deus e a alma (pessoa) deixa de existir (até a ressurreição).

Hebreus 9:27: “E, como aos homens está ordenado morrerem uma vez, vindo depois disso o juízo.”

O ser humano nasce, cresce e morre apenas uma vez.

A ideia de imortalidade da alma teve início quando Satanás disse a Eva que ela não morreria se comesse do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal. Essa ideia, segundo a Bíblia, surgiu na mente de Satanás, ideia essa totalmente contrária ao que Deus revelou. Depois, outras culturas trataram de dar formas e contornos diferenciados à mesma ideia, como ocorreu no caso do dualismo grego, que ensinava ser o corpo uma espécie de mero “envoltório” da alma (que para eles se tratava de uma entidade imaterial).

A vantagem do inimigo com essa ideologia é que, crendo assim, o ser humano passa a não depender mais daquele que é “o caminho, a verdade e a vida”, Jesus Cristo. (Aliás, para o espiritismo, Jesus não é Deus, mas um “espírito evoluído” à semelhança de quem podemos nos tornar. O anjo caído queria ser como Deus. Não conseguiu e agora tenta rebaixar o Deus Filho à posição de simples “espírito”.)

Outro pilar do espiritismo é conhecido como Lei do Karma. Mas a Bíblia repele frontalmente também essa ideia. Note o que escreveu o apóstolo João: “E, passando Jesus, viu um homem cego de nascença. E os Seus discípulos lhe perguntaram, dizendo: Rabi, quem pecou, este ou seus pais, para que nascesse cego? Jesus respondeu: Nem ele pecou nem seus pais; mas foi assim para que se manifestem nele as obras de Deus.”

Quando Jesus disse: “Nem ele pecou nem seus pais”, não precisaria dizer mais nada. Acabou aí com qualquer ideia sobre karma. Como é possível crer que Jesus, que é o próprio Deus, tradução maior do amor, poderia consentir com algo assim? Deus seria realmente capaz de fazer com que Seus filhos nascessem com alguma deficiência porque em “outra vida”, da qual nem se lembram, não praticaram o bem? Deus não foi, não é e nunca será autor de nada que é mal.

Gálatas 6:7: “Não erreis: Deus não Se deixa escarnecer; porque tudo o que o homem semear, isso também ceifará.”

Aqui fica claro que muitos dos males deste mundo são consequência dos atos que as próprias pessoas cometem em vida. Como, por exemplo, uma pessoa que fuma a vida inteira e adquire câncer, ou alguém que bebe o tempo todo e é acometido de cirrose. Pode demorar anos, ou até ocorrer imediatamente, mas as consequências dos nossos atos certamente virão. É a lei da causa e efeito.

Eclesiastes 9:2: “Tudo sucede igualmente a todos: o mesmo sucede ao justo e ao ímpio, ao bom e ao mau, ao puro e ao impuro; assim ao que sacrifica como ao que não sacrifica; assim ao bom como ao pecador; ao que jura como ao que teme o juramento.”

O mal é consequência do pecado. O pecado entrou no mundo por meio de um só, mas contaminou todos os seres humanos. Se todos somos pecadores, todos também sofremos. O sofrimento vem para todos, não faz distinção.

Às vezes atribuímos a Deus características e ações que mesmo nós, seres humanos com tendência ao mal, jamais faríamos, como condenar alguém que ignora os fatos sobre Ele. João diz que “Deus é amor” (1 João 4:8). E essa revelação deve sempre nortear nossos pensamentos e conclusões sobre o Pai celestial.

E quanto ao conceito espírita de evolução? Eclesiastes 3:19, 20 responde: “Porque o que sucede aos filhos dos homens, isso mesmo também sucede aos animais, e lhes sucede a mesma coisa; como morre um, assim morre o outro; e todos têm o mesmo fôlego, e a vantagem dos homens sobre os animais não é nenhuma, porque tudo é vaidade. Todos vão para um lugar; todos foram feitos do pó, e todos voltarão ao pó.”

Salomão afirma que, do ponto de vista da morte, não existe vantagem alguma do homem sobre o animal. Os dois foram criados por Deus, que lhes deu vida. Após a morte, ambos – animal e ser humano, que foram feitos do pó – ao pó retornam.

Gênesis 2:7, 21, 22: “E formou o Senhor Deus o homem do pó da terra, e soprou-lhe nas narinas o fôlego da vida; e o homem tornou-se alma vivente. […] Então o Senhor Deus fez cair um sono pesado sobre o homem, e este adormeceu; tomou-lhe, então, uma das costelas, e fechou a carne em seu lugar; e da costela que o senhor Deus lhe tomara, formou a mulher e a trouxe ao homem.”

Gênesis 1:27: “Criou, pois, Deus o homem à Sua imagem; à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou.”

Deus criou o ser humano à Sua imagem e semelhança. Eram obras perfeitas até a entrada do pecado no Éden. A raça humana e a vida em geral neste planeta começou a “involuir” praticamente em todos os sentidos, inclusive geneticamente falando. É no mínimo contraditório falar em evolução quando se vê que a raça humana, comparada com o que Deus criou originalmente, tem degenerado em vários aspectos.

Acreditar que o próprio ser humano pode pagar por seus pecados, retornando em outras vidas cada vez mais evoluído e perfeito é tirar o mérito de Jesus, que deu a vida para salvar os pecadores. O sacrifício foi dEle; só o filho de Deus poderia pagar; o próprio Criador e nenhuma criatura.

Jesus disse que as Escrituras constituem a Palavra de Deus. A Bíblia, com suas inúmeras passagens, derruba os cinco principais pilares do espiritismo. A Bíblia é clara quanto à criação do ser humano, feito pelas próprias mãos de Deus, que soprou o fôlego de vida nas narinas de Sua criatura perfeita.

Sabemos que Deus deu livre arbítrio para todos os filhos escolherem o próprio caminho. Porém, por meio de Sua palavra, Ele nos instrui na verdade. Seguir a filosofia espírita é uma decisão (e deve ser respeitada), porém, é importante saber que os principais pilares defendidos por esse grupo não têm e nunca tiveram embasamento bíblico. Portanto, dizer que o espiritismo está de acordo com as Escrituras Sagradas é um grande equívoco.

Graciela Rodrigues e Michelson Borges, jornalistas

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