Quase 60 anos depois, uma grande surpresa para minha sogra

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Quando minha família e meus sogros decidimos passear na pequena cidade de São Pedro de Alcântara, a primeira colônia alemã de Santa Catarina, onde minha sogra nasceu, não imaginávamos a surpresa que nos esperava ali 58 anos depois de ela ter deixado a localidade. Lúcia Edith Schmitt Martins nasceu em São Pedro, mas, com apenas seis anos, teve que se mudar para Florianópolis. A mãe era da família Hoffmann, o pai, da família Schmitt (ambas pioneiras da cidade). Como cresceu na capital, Lúcia acabou perdendo contato com quase todas as pessoas da antiga colônia. Até aquele dia.

São Pedro de Alcântara foi fundada (como colônia) em 1829 e fica a 34 km de Florianópolis. Ela possui um dos mais belos templos católicos do estado de Santa Catarina, inaugurado em 1o de março de 1929, com um altar esculpido em madeira trazido da Alemanha. Subimos as escadarias da igreja, que fica no alto de um morro, a fim de contemplar a vista lá de cima e tirar algumas fotos. Foi quando encontramos uma senhora cuidando do jardim que rodeia as sepulturas de quatro padres. Aproximamo-nos dela e começamos a conversar. Maria Felizita Frim tem 79 anos e é muito simpática e falante. Há 57 anos trabalha voluntariamente como zeladora do templo, o que faz com muita dedicação e alegria.

Conversa vai, conversa vem, acabamos descobrindo que a avó dela era irmã do avô da minha sogra, portanto, da família Hoffmann. As duas são parentes e não sabiam.

Maria abriu a igreja para que pudéssemos contemplar a arquitetura interna e nos contou detalhes interessantes da cidade e das famílias fundadoras. Tirei uma foto dos parentes, dei a ela dois exemplares do meu livro O Poder da Esperança e nos despedimos impressionados com o vigor, a alegria e a fé daquela senhora.

Sem dúvida, aquela foi uma tarde de surpresas e descobertas.

Michelson Borges