Apocalipse – “Digno é o Cordeiro”

cordeiro-de-deusOs capítulos 4 e 5 do Apocalipse apresentam a entronização de Jesus ao ser recebido no Céu logo após Sua ascensão e a garantia de que Ele nos dará um destino feliz e eterno. O capítulo 4 é ambientado ao redor do trono do Universo, onde milhões de anjos e criaturas redimidas adoram a Deus e ao Cordeiro por causa da criação e da redenção. Esse ambiente prepara o cenário para o capítulo 5, no qual se dá a cena do Cordeiro sendo destacado como o único digno de abrir um livro simbólico que diz respeito ao futuro dos seres humanos.

Notas importantes

 Os números referentes aos “24 anciãos” ou aos “quatro seres viventes” devem ser considerados apenas simbolicamente, pois no Apocalipse muito raramente os números são literais (ex.: sete Espíritos, sete olhos, 144 mil, etc.). Portanto, não sabemos quantas pessoas foram ressuscitadas e estão no Céu com Jesus, ou qual é o número real dos poderosos seres angelicais que estão na presença imediata de Deus. Esses números podem ser exatos, como também podem ser mais ou até menos. O importante é a mensagem que eles transmitem.

Sobre as misteriosas criaturas chamadas “seres viventes”, esses quatro são os seres angelicais mais próximos do trono de Deus e mais magníficos em poder. Os detalhes da descrição desses anjos não devem ser considerados de modo literal. Uma evidência disso é o fato de que em Ezequiel 1:6 e 10 cada um dos quatro seres tem quatro rostos (um de humano, um de leão, outro de boi e outro de águia), ao passo que em Apocalipse 4 cada um deles tem apenas um rosto (ou de homem, ou leão, ou boi ou águia). Isso é uma evidência de que não se trata de uma descrição literal, mas que os símbolos são importantes para transmitir uma mesma mensagem (talvez a de que esses anjos especiais possuem as principais características dos seres representados pelos “rostos” ou “caras”).

Há outras semelhanças e diferenças interessantes a respeito desses seres angelicais vistos por Ezequiel, Isaías e João. Em Ezequiel, os quatro seres viventes vistos no capítulo 1 são depois chamados de “querubins” (Ez 10:15, 20), mas em Isaías 6:2 eles são “serafins”. Em Apocalipse 4:8 e Isaías 6:2 esses seres são representados com “seis asas”, mas em Ezequiel 1:6 com apenas “quatro asas”. Portanto, é um equívoco fazer diferenciações entre querubins e serafins, ou considerar como literal apenas um ou outro aspecto das descrições e ignorar as outras. Por exemplo, quando alguém afirma que querubins ou serafins têm seis asas e usam literalmente duas delas para cobrir os pés, duas para cobrir o rosto e duas para voar, é porque não leu os outros textos, pois nesse caso eles também teriam que ter, necessariamente, “dois pés direitos” (Ez 1:7), com “solas como de bezerra” (Ez 1:7), teriam que ser “cheios de olhos, por dentro e por fora” (Ap 4:6, 8) e cada um deles teria “quatro rostos”, sendo um de humano, outro de leão, outro de águia e outro de touro (Ez 1:6, 10)! Ou seria cada um com apenas um desses quatro rostos (Ap 4:7)? Assim vemos que se trata de símbolos e não de uma descrição literal.

Portanto, diferentemente do pensamento religioso popular, as palavras “querubim” e “serafim” não descrevem dois tipos diferentes de anjos, mas, sim, duas características dos mesmos seres. No hebraico, “querub” significa “cobrir” (por estarem mais próximos da glória de Deus, “cobrindo-a”); e “seraf” significa “[fogo] ardente” (uma provável referência à sua radiante luz). O “im” no final das palavras em hebraico é a marca do plural, assim como o nosso “s” em português. Assim, a palavra “querubim” descreve a função desses anjos específicos (“cobridores”), e “serafim” descreve a aparência deles (de fogo).

Perguntas para discussão e aplicação

1. Os eventos dos capítulos 4 e 5 do Apocalipse acontecem na “sala do trono” de Deus. Baseando-se nos detalhes da Bíblia, como você imagina esse lugar e o que acontece ali? O que mais impressiona você ao imaginar esse lugar e por quê? Em sua opinião, o que será diferente lá após a segunda vinda de Jesus?

2. Leia Apocalipse 4:11 e 5:12. Por que os temas da criação e da redenção são motivos suficientes para todas as criaturas adorarem a Deus com tanta alegria e devoção? Para você, por que a redenção dos seres humanos causa tanta admiração nos seres angelicais, os quais mencionam isso em sua adoração?

3. Na adoração das criaturas no Céu, os atos da criação e da redenção de Deus são narrados e celebrados. Por que isso deve acontecer na verdadeira adoração?

4. Os “24 anciãos” são uma figura simbólica para se referir aos seres humanos que foram ressuscitados e subiram ao Céu junto com Jesus (Mt 27:50-53; 1Co 15:22, 23). Em sua opinião, de que forma Jesus transmite ao Universo a ideia de imparcialidade e justiça ao ter seres humanos junto a Ele participando do tribunal celestial? Por que é tão importante saber que já há pessoas no Céu (as “primícias”) representando todos os que estarão lá um dia?

5. Os “quatro seres viventes” representam anjos do mais alto “escalão” – os querubins ou serafins (não existe a categoria de “arcanjos”). A descrição desses anjos no Apocalipse (bem como em Ezequiel 1 e Isaías 6) é obviamente simbólica, pois, caso contrário, eles seriam uma incrível aberração! Contudo, quais lições poderosas são transmitidas ao eles serem representados como “cheios de olhos, na frente e atrás” e “por fora e por dentro” (Ap 4:6, 8), ou com “dois pés direitos” (Ez 1:7), e ainda com características de humanos, touros, leões e águias (Ez 1:10; Ap 4:7)?

6. O capítulo 4 descreve o cenário (o salão do trono de Deus) para o que ocorre no capítulo 5: a abertura do misterioso rolo/livrinho que contém o destino de toda a humanidade ou seu veredito. Leia Apocalipse 5:9. Por que somente Jesus foi “digno” de abrir esse misterioso rolo? Como você reage em gratidão a Jesus e ao Pai pelo preço que Ele pagou para nos resgatar? Como podemos viver naturalmente em gratidão e adoração, como os seres angelicais no salão do trono, “de dia e de noite, sem descanso” (Ap 4:8)?

7. Em resumo, que lições podemos aprender sobre a verdadeira adoração em Apocalipse 4 e 5? Como nosso estilo de vida revela “a quem” adoramos ou “se” adoramos?

8. De que forma a guarda do sábado traz à memória os dois principais motivos para a adoração a Deus (criação e redenção)? Tendo isso em mente, como podemos aproveitar melhor as horas sagradas do sábado para comunhão e adoração?

Natal Gardino é doutor em Ministério pela Andrews University e pastor distrital em Jardim Iguaçu, Maringá, PR

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