Por que governos de direita e a religião crescem no mundo

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Os governos de esquerda e de orientação marxista são, via de regra, ateus, não identificados com a filosofia judaico-cristã e promotores de causas e ideologias que, na verdade, vão de encontro a valores e instituições bíblicos como a família e o casamento, por exemplo. Nesse tipo de governo, assuntos religiosos têm pouco espaço na agenda e dificilmente um decreto como o dominical teria apoio (o que não significa que não pudesse acontecer). Em governos de direita, conservadores e alinhados com a religião dominante, o cumprimento das profecias é bem mais fácil e até esperado. Os trechos a seguir foram extraídos de uma entrevista com Carlos Gustavo Poggio, doutor em estudos internacionais e professor de relações internacionais na PUC de São Paulo, publicada no site Nexo, e explicam o crescimento da direita no mundo. Depois volto ao assunto do crescimento da religião.

“O Reino Unido, a França e a Alemanha são três exemplos recentes de países centrais na política europeia que viram a expressão eleitoral da extrema-direita crescer nos últimos meses. Primeiro, a retórica contra a imigração e contra a integração comunitária europeia levou a maioria dos eleitores ingleses a decidir, em junho de 2016, a favor do Brexit – termo que, em inglês, une as palavras ‘british’ (britânica) e ‘exit’ (saída), para se referir à decisão de deixar a União Europeia. Quase um ano depois, na França, em maio de 2017, a candidata de extrema-direita Marine Le Pen terminou a eleição presidencial em segundo lugar, com 34,5% dos votos. Apesar da derrota para o atual presidente, Emmanuel Macron, o desempenho do partido de Le Pen, a Frente Nacional, representou um marco para o conservadorismo europeu. Por fim, a Alemanha viu pela primeira vez desde o fim da Segunda Guerra Mundial, em 1945, um partido de extrema-direita conquistar o direito de ter representantes no parlamento. A AfD (Alternativa para a Alemanha) recebeu na eleição do dia 24 de setembro 12,6% dos votos, tornando-se a terceira força do parlamento, uma marca histórica. […] [Poggio fala também dos Estados Unidos e do Brasil, nesse contexto.]

“[Segundo Poggio,] se pensarmos as três importantes tradições políticas no Ocidente como sendo o liberalismo, o conservadorismo e o socialismo, todas elas possuem versões que se encaixam dentro da lógica democrática moderna. As variações extremistas dessas tradições tendem a se afastar das regras democráticas que conhecemos. No caso da extrema-direita, na forma como é usada no vocabulário político atual, podemos entender como uma versão extremada do conservadorismo, que pode ser mais bem classificada como reacionária. Os grupos que aderem a essa perspectiva demonstram um desconforto extremo com a modernidade. Dessa forma, buscam mobilizar o aparato estatal como forma de reação, visando a retornar a um passado nostálgico pelo uso da força, se necessário.

“[Ele também afirma que] é possível afirmar que movimentos reacionários de direita estão em crescimento no mundo de hoje. Podemos apontar três razões principais, uma reforçando a outra. A primeira é de ordem econômica, derivada das transformações na estrutura econômica dos países desenvolvidos que têm feito desaparecer os empregos que exigem menor grau de instrução. Isso tem aprofundado a distância não apenas econômica mas espacial e cultural entre o topo e a base da pirâmide social nesses países, o que ajuda a reforçar os impactos de uma segunda razão, que me parece a mais importante: o processo de transição demográfica em países desenvolvidos, derivado da baixa taxa de natalidade combinada com altos índices de imigração. Nesse processo, ‘maiorias’ vão gradualmente tornando-se ‘minorias’, o que gera um sentimento de deslocamento econômico-social e de perda de laços identitários, abrindo espaço para forças políticas que articulam uma narrativa nativista, construindo o estrangeiro como inimigo. Finalmente, uma terceira razão é a ascensão das redes sociais e de novas formas de consumo e de produção de informação, o que permitiu a difusão de ideias que de outra forma seriam bloqueadas pelos canais de comunicação tradicionais.

“[Como consequências desse crescimento, Poggio aponta] um aprofundamento no processo de polarização política, uma vez que, com o crescimento dos extremos, sobra pouco espaço para negociação entre forças centristas. O crescimento da extrema-direita tende a levar ao crescimento da extrema-esquerda, e vice-versa. [E há também] um declínio considerável na qualidade das democracias, uma vez que os espaços de consenso e negociação são gradualmente esvaziados. […] As novas gerações que chegarem ao poder nos próximos anos terão, portanto, uma grande responsabilidade no sentido de encontrar formas de proteger os valores democráticos num contexto de polarização política, fragmentação ideológica e transformações econômico-sociais. Não será tarefa fácil.”

Basta reler os trechos que grifei acima para perceber que esse novo cenário é extremamente favorável para a adoção de ideias extremistas e até antidemocráticas. É claro que esse estado de coisas é também um tipo de reação aos exageros esquerdistas produzidos no campo da moral (principalmente) em anos recentes. O avanço da ideologia de gênero, do abortismo e do multiculturalismo fizeram mover o pêndulo para o lado oposto, em uma busca por moralização. Aí chegamos ao outro ponto deste texto: o crescimento da religião.

Por mais que neoateístas como Richard Dawkins, Daniel Dennett, Christopher Hitchens, Sam Harris e outros tenham trabalhado ativamente na última década e meia, publicando e falando muito contra Deus e as religiões, o esforço deu em quase nada. O aumento do sentimento religioso é mais do que evidente em todo o mundo. Matéria publicada em 2015 pelo The Washington Post já apontava o crescimento das religiões (confira), e em agosto do ano passado o The Guardian comprovou isso, ao divulgar os dados de uma ampla pesquisa (confira).

No ano 2000, foi publicado no Brasil o livro Do Ateísmo ao Retorno da Religião, do filósofo francês Denis Lecompte (Editora Loyola). O título é autoexplicativo, e no prefácio, assinado pelo bispo Claude Dagens, é dito que “os pensadores ateus do mundo moderno, principalmente os do século 18, denunciam apaixonadamente as mentiras e as ilusões que atribuem à influência do cristianismo. Querem a todo custo libertar as mentes da influência esmagante, aos olhos deles, de uma religião opressiva e manipulada pelos exploradores que são os padres!” (p. 14). De fato foi assim (basta estudar um pouco as consequências da Revolução Francesa e de um de seus filhos: o marxismo), e por algum tempo parecia que o ateísmo ganharia mais e mais terreno. Só que não. Eis que em pleno século 21 a fé e a religião vão bem, obrigado (embora as religiões institucionalizadas lutem para se manter relevantes e respeitadas).

Dagens também escreveu: “O refluxo das formas mais duras ou mais ideológicas de ateísmo deixa lugar ao ressurgimento do sentimento religioso. Não é necessariamente Deus que está de volta, mas o sentido humano do sagrado ou do divino, o desejo sepultado de certa transcendência que vem à tona assumindo formas estranhas.”

Algumas dessas “formas estranhas” são as religiões ocultistas, o “ufologismo”, o orientalismo e até mesmo o cientificismo. E todas essas ideologias estão sendo unidas debaixo de um mesmo “guarda-chuva” (em breve postarei em meu canal no YouTube um vídeo explicando tudo isso).

O fato é que o cenário profético vai ficando cada vez mais claro com o crescimento do conservadorismo, do ECOmenismo e da religião. Em um ambiente assim será muito mais fácil serem aprovadas leis que digam respeito a aspectos religiosos majoritários, como a proteção da família e do meio ambiente, com propostas práticas, a exemplo da sugerida pelo papa Francisco em sua encíclica Laudato Si. Além disso, serão feitos maiores esforços na busca de uma união religiosa global sob a batuta de um líder poderoso e carismático. Quem viver verá…

Michelson Borges

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Expressões e vícios igrejeiros

igrejaÉ interessante notar como, com o tempo, certas expressões de linguagem e “vícios” de comportamento acabam sendo incorporados e cristalizados no meio religioso (no que diz respeito às expressões, isso é até normal, em qualquer língua falada). A lista abaixo é apenas uma sugestão para ajudar especialmente os líderes e comunicadores das igrejas a aprimorar o trabalho que desempenham e que é muito importante para Deus e para a comunidade:

1. “Vamos cantar o hino ……. para a entrada da plataforma.” A plataforma, sobre a qual ficam o púlpito e as cadeiras do pregador e dos oficiantes, nunca entra, a menos que tenha rodinhas e seja móvel. A plataforma sempre está lá. Quem entra são os oficiantes do culto ou componentes da plataforma. Alguns podem alegar que em “entrada da plataforma” há elipse e metonímia. Correto. Outros podem argumentar que o uso consagrou a expressão, apesar da incorreção. Igualmente correto. Então, para evitar maiores discussões, poderíamos simplesmente cantar para que entrem os oficiantes que compõem a plataforma, sem precisar chamá-los. Que tal?

2. Já que mencionamos a música, é bom lembrar que o ideal é anunciar os hinos pelo nome e depois informar o número deles. Assim, fica melhor: “Vamos cantar o hino ‘Jubilosos Te adoramos’, nº 14.” E nada de dizer “Vamos cantar o hino três, quatro, dois.” O correto é “trezentos e quarenta e dois”.

3. “Senhor, abençoa os que não puderam vir por motivo justo.” Esse tipo de súplica é comum em cultos de oração (às quartas-feiras), quando geralmente há menos pessoas na igreja. Infelizmente, é um tipo de oração legalista que procura excluir das bênçãos de Deus certas pessoas. Se alguém deixou de ir à igreja por “motivo injusto”, aí, sim, é que devemos orar por essa pessoa. O melhor mesmo é ser inclusivo e orar: “Senhor, abençoa aqueles que não puderam vir. Que Teu Espírito esteja com eles neste momento.” Outro detalhe: tem gente que parece ter fixação pelos que não vieram à igreja. O dirigente começa a reunião e já dispara: “Apesar de termos muitos bancos vazios…” ou “Mesmo sendo poucos…” Vamos valorizar os que estão presentes. Pra que ficar falando toda hora de quem não veio? Nenhum apresentador de TV fala sobre os que não estão assistindo ao seu programa… Quem não veio que ore em casa por si mesmo e vá à reunião seguinte, se for possível.

4. “Aqueles que puderem, vamos nos ajoelhar para orar.” Essa também já virou “vício”. É evidente que somente se ajoelharão aqueles que puderem. E os que não puderem por certo serão tão poucos que nem é preciso mencionar. Essa frase é dispensável.

5. Às vezes, quando alguém vai apresentar os oficiantes do culto, na plataforma, diz algo do tipo: “À minha direita, à esquerda dos irmãos…” Isso é quase como chamar a congregação de espacialmente desorientada. Que tal simplesmente dizer: “À direita do pregador…”, ou algo assim?

6. “Senhor, que Tuas bênçãos venham de encontro às nossas necessidades.” Tenho certeza de que quem ora dessa maneira não quer esbarrar nas bênçãos de Deus nem ser atingido por elas. Vir de encontro é se chocar contra. O correto, então, é pedir que as bênçãos de Deus venham ao encontro das nossas necessidades, ou seja, estejam de acordo com o que precisamos.

7. “Viemos aqui para celebrar…” Viemos é pretérito perfeito de “vir”. Talvez o mais adequado seja dizer “vimos”, presente do indicativo de “vir”. Mas dizer “Vimos aqui” fica muito formal, não é? Então, que tal mudar para algo do tipo: “Estamos aqui para celebrar…”? Na dúvida, saia pela tangente e busque sempre a maneira mais simples (porém correta) de falar.

8. “Senhor, abençoa esta semana que para nós é desconhecida”; “Não temos mérito algum, mas confiamos nos méritos do Teu filho Jesus Cristo”; etc. Não há nada de gramaticalmente errado nessas frases, mas será que quem as usa está pensando no que diz? Aqui quero chamar atenção para as “frases feitas” que povoam nossas orações. Oração, como bem definiu Ellen White, é abrir o coração a Deus como se faz com um amigo. Portanto, as orações, mesmo as feitas em público, deveriam ser dirigidas a Deus com palavras simples e sem modismos ou tradicionalismos ditos automaticamente.

9. “Quando a porta da graça for fechada”; “Depois do tempo da sacudidura”; “O povo remanescente da profecia”; “A pena inspirada registra que…”; “O povo laodiceano”; “Segunda hora”; “Vamos para o lava-pés”; “O departamento de Mordomia”, “Fazer o pôr do sol” (não precisa fazer, ele é automático!); “Devolução do pacto”; etc. Novamente, nada há de errado com essas frases e expressões. Mas imagine que você não é adventista ou não é cristão e está visitando uma igreja adventista pela primeira vez. Como interpretaria essas expressões? Entenderia alguma coisa? Portanto, os pregadores devem tanto quanto possível evitar o “adventistês”. Se tiverem que usar termos do jargão adventista, o melhor é explicá-los em seguida. Nossa mensagem tem que ser clara, simples e universal.

10. Devemos evitar também termos denominacionais (esse é um deles) que se referem à estrutura da igreja e que não têm muito sentido para quem não os conhece. Imagine a cena: alguém anuncia que naquela manhã de sábado falarão o pastor da União e o pastor da Divisão. Alguém pode pensar que um é bom, pois promove a união, e o outro é mau. Assim, o ideal é explicar os termos ou simplesmente dizer: “Hoje falarão o pastor fulano, diretor de Educação da Igreja no Estado de São Paulo, e o pastor cicrano, líder de Jovens para a América do Sul.” Por que “diretor” e “líder”? Porque é mais claro que “departamental”.

11. Que tal promover o culto jovem? Nos dois sentidos: promover a frequência ao culto e o nome dele desse jeito. “Culto JA” não tem sentido (no meu Estado de origem, JA é Jornal do Almoço). E “programa dos jovens” soa ainda pior. Culto jovem é mais bonito.

12. As pessoas oram, cantam alguns hinos e depois o dirigente diz: “Para começarmos o culto, cantemos o hino …….” A oração e os hinos anteriores não eram parte do culto? Eram o que, então?

13. Outro “vício” envolve a palavra “possa” (e suas variantes) e até lança dúvida sobre o poder de Deus. Quer um exemplo? “Senhor, que Tu possas nos perdoar os pecados. Que Tu possas conceder a cura ao irmão fulano e que nós possamos ser fieis a Ti.” Além de ficar sonoramente feio, quando repetido, o “possa” aplicado a Deus relativiza o poder dEle. É claro que Deus pode! Talvez Ele não queira algumas coisas, mas que pode, pode. Assim, melhor seria orar: “Senhor, perdoa nossos pecados. Se Tu quiseres, cura o irmão fulano e ajuda-nos a ser fieis a Ti.”

14. Imperativos são outro problema. Errado: “Senhor, cure”, “Senhor, ouça”, “Senhor, atenda”, “Senhor, faça”. Correto: “Senhor, cura”, “Senhor, ouve”, “Senhor, atende”, “Senhor, faze”. Ok, essa é um pouco mais complicada, mas, com o tempo, um pouco de estudo e atenção, é possível orar direitinho sem perder a espontaneidade. Devemos sempre oferecer o melhor a Deus, inclusive nosso melhor português possível.

15. Como mais ninguém (a não ser os mais antigos e alguns preciosistas) usa a palavra “genuflexos”, basta dizer “ajoelhados”. Sim, porque “de joelhos” (desde que tenhamos pernas completas) sempre estaremos, mesmo quando ajoelhados. O mesmo vale para “de pé”. O certo é “em pé”. (Porém, fica aqui o registro de que o Dicionário Houaiss já aceita a expressão “de joelhos”.)

16. Devemos evitar o uso abusivo da palavra “alma”. Exemplos: “Foram batizadas mais de quinhentas almas”; “Sair para a conquista de almas”; “Ganhador de almas”; etc. Para os que entendem “alma” como uma entidade separada do corpo e que sai dele quando a pessoa morre, falar em “conquista de almas” talvez possa configurar a intenção de proceder a essa separação, ou seja, praticar assassinato! Melhor substituir a palavra “alma” por “pessoa”, que é exatamente o sentido bíblico.

17. Para encerrar esta lista (mas não o assunto e a preocupação que ele levanta), não poderíamos deixar de fora expressões exclusivistas, como, por exemplo, “não adventistas”. Você conhece alguém que gosta de ser chamado “não”? “Apresento-lhes este meu não parente.” Horrível, né? Então, evitemos termos que dão a impressão de que somos um clube fechado, exclusivo. Nada de “não adventista”, “mundanos”, etc. Podemos nos referir a “amigos visitantes”, “irmãos evangélicos”, etc. É mais simpático.

Resumindo: temos que descomplicar nossa linguagem e liturgia a fim de que não criemos barreiras para a compreensão da mensagem que é simples e clara: Deus nos ama e quer nos salvar.

Michelson Borges

Beijar várias bocas no carnaval pode trazer doenças

beijoO beijo na boca pode transmitir desde uma simples gripe ou resfriado, até doenças mais graves como hepatite B e tuberculose. O alerta para o período do carnaval, época em que as pessoas beijam vários parceiros desconhecidos, é do clínico geral e professor do departamento de medicina da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) Bernardino Geraldo Alves Souto. “Se estiver com sangramento, o risco aumenta ainda mais”, afirmou. Segundo Souto, as doenças podem ser transmitidas pela cavidade oral ou nasal. “As viroses respiratórias podem ser transmitidas pelo beijo na boca. Gripe, meningite, tuberculose, herpes são muito frequentes e também a mononucleose, uma doença que começa com febre, ínguas pelo corpo, e pode evoluir para hepatite ou inflamação no baço”, explicou o professor.

O ambiente escuro e úmido é propício para o desenvolvimento de várias bactérias. De acordo com o cirurgião dentista Silvio Segnini, só na boca há mil bactérias diferentes. “Sem contar as que são desconhecidas. E o mau hálito pode ser um indicativo dessas bactérias ou de alguma afecção na garganta”, falou Segnini. A má conservação dentária é outro fator que amplia a probabilidade de transmissão.

Entretanto, observar o aspecto da pessoa a ser beijada nem sempre é suficiente para evitar o risco. “Isso porque algumas doenças podem ser transmitidas mesmo se não estiverem na fase aguda. Claro que se for na fase aguda, a transmissibilidade é maior, mas, por exemplo, se o vírus da gripe estiver na pessoa um dia antes do beijo, ela não vai ter sintoma e pode transmiti-lo”, afirmou.

Assim também é com o herpes e com a mononucleose, conhecida popularmente como doença do beijo. “A pessoa que transmite essas doenças pode não estar com sintoma naquele momento. A mononucleose pode levar de uma semana a seis meses para ser curada, a resposta ao tratamento é variável”, disse Souto.

Para o professor da UFSCar, o ideal é evitar locais fechados. “Se a aglomeração tiver que acontecer, é bom que seja em lugares ventilados, porque quanto mais fechado o local,  maior é o risco de transmissão de doenças”, orientou Souto.

Outra atitude que pode ajudar a evitar a transmissão de doenças é fugir dos excessos. “Beijar qualquer um o tempo todo facilita a transmissão, há que se evitar o excesso”, recomendou. “Aliás, qualquer tipo dele, inclusive o de bebida, até porque o fator agravante do carnaval é que com muita bebida ou droga a pessoa perde a capacidade de administrar o próprio comportamento e extrapola, então isso deve ser evitado”, completou o professor.

Entre as doenças que podem ser transmitidas pelo beijo na boca estão gripe, resfriado, faringite, amigdalite, hepatite B, mononucleose, herpes labial, tuberculose e meningite.

(G1 Notícias)

Nota: Melhor mesmo é ir acampar com a família e beijar muito seu cônjuge. [MB]

Leia também: “Sexo, a verdade nua e crua”“Beijar o mesmo homem protege contra doença”“Curiosidades sobre o beijo”

Quando o adventista prega o que não deve e dá um tiro no pé

tiroCerta vez, depois de eu apresentar uma palestra, um garoto de cerca de 15 ou 16 anos se aproximou de mim e disse: “Você sabia que o homem não foi à Lua?” Respirei fundo e perguntei: “Ah, é? Onde você viu isso?” “Em alguns vídeos na internet”, foi a resposta dele. Convidei-o para nos sentarmos e conversar um pouco mais. Expus-lhe os argumentos contidos neste post e concluí: “Tive o privilégio de batizar uma moça que estuda Engenharia Aeroespacial na Rússia. A Roscosmos [agência espacial russa] fica perto da universidade em que ela estuda, e de vez em quando cosmonautas vão até lá fazer palestras ou dar aulas. Numa dessas palestras um aluno perguntou se os norte-americanos realmente haviam ido à Lua, ao que o cosmonauta respondeu: ‘Gostaríamos que não tivessem ido.’” Disse para o garoto que se há pessoas que queriam muito que o pouso humano em nosso satélite natural fosse mentira, essas são os russos, mas eles admitem o feito dos norte-americanos. Ou seja: se eles acreditam, será um brasileiro, com base em vídeos conspiracionistas e fontes duvidosas, que vai duvidar?!

Outro tema constrangedor que tem conquistado adeptos mesmo no meio adventista é o tal modelo da Terra plana. Pessoas que valorizam a verdadeira ciência, a correta interpretação da Bíblia e o bom senso não têm como ser terraplanistas, e adventistas defenderem essa ideia é um absurdo maior ainda. Isso porque Ellen White menciona o globo terrestre em vários de seus escritos (confira aqui). Convido você a assistir com atenção ao vídeo abaixo, no qual exponho com certo detalhamento esse assunto no mínimo bizarro:

Para mencionar apenas mais um dos tiros que certos adventistas dão no pé, cito a nova “revolta da vacina”. Fazendo coro com outros adeptos de teorias da conspiração oriundas de sites obscuros, fake news e vídeos no YouTube (sempre eles), alguns crentes têm defendido a ideia de que nos bastam os chamados oito remédios naturais, que as vacinas são desnecessárias e que fariam parte de um plano malévolo das autoridades mundiais de reduzir a população global. Com isso, esses adeptos da campanha antivacinação têm dado sua contribuição para o ressurgimento de doenças que já haviam sido erradicadas. Uma tremenda irresponsabilidade! Convido você a assistir ao vídeo abaixo e ler os textos indicados na descrição dele.

Depois de ter lido o que eu escrevi até aqui, conferido os links que eu indiquei e assistido aos vídeos acima, você ainda quiser acreditar que o homem não foi à Lua, a Terra é plana e as vacinas não devem ser tomadas, só me resta lhe pedir um favor: não pregue, não escreva e não fale sobre isso em público. Já é difícil ser adventista pelo fato de guardarmos o sábado, crermos na volta de Jesus e não utilizarmos certos tipos de alimentos. Para que adicionar elementos de escárnio e deboche totalmente desnecessários? Se for para ser perseguidos, que seja por razões legítimas e verdadeiras, não por causa de teorias de conspiração que definitivamente não constituem a mensagem que devemos dar ao mundo. (Pior que alguns passam a pregar essas coisas com o entusiasmo que não dedicavam à pregação legítima.)

Nossa pregação essencial são as três mensagens angélicas do Apocalipse, diz Ellen White (3TS, p. 288); e a ordem de Cristo é que preguemos o evangelho da salvação a todas as pessoas (Mt 28:19, 20). Que construamos pontes, não muros. Que nos destaquemos por nossa coerência e bom senso, e não pela defesa de bandeiras que, além de não serem nossas, são falsas, polêmicas e inúteis.

Michelson Borges é pastor, jornalista e editor da revista Vida e Saúde

A notoriedade de Ellen White e suas contribuições para a ciência

White-EllenEnquanto eu ainda estava deitado pela manhã, me veio à mente a ideia de escrever sobre um assunto um tanto quanto polêmico: a famigerada escritora norte-americana Ellen G. White (EGW). Quem acompanha meu trabalho sabe que eu nunca me interessei em escrever especificamente acerca dessa ilustre mulher. Aliás, vou abrir meu coração para você: eu não sou exatamente um “estudioso” das obras de Ellen tanto quanto devem ser os outros colunistas deste blog; não sei muito de sua biografia, conheço pontualmente assuntos tratados por ela em apenas alguns campos. Por isso acredito que eu seja a pessoa ideal, pelo menos entre os colunistas deste blog, para analisar o tema a ser discutido neste artigo.

Exemplos de preconceito ao se mencionar Ellen

Tenho observado de perto o preconceito gerado quando se menciona o nome de Ellen White em grupos e comunidades criacionistas nas redes sociais. Só para citar alguns poucos exemplos, são frequentes comentários do tipo: “Ellen White, é sério isso? Nem pretendo ler”, “Ellen White falou um monte de baboseira”, “Você acha que vou usá-la como base científica? Nunca!”, ou: “Usar Ellen White como base científica é forçar a barra.” E por aí vai.

[Continue lendo.]

Jesus era bruxo? A Bíblia é um livro de magia? Bruxos cristãos?!

jesus bruxoA primeira convenção anual de bruxos cristãos será realizada em abril, em Salem, Massachusetts, e contará com o internacionalmente reconhecido “profeta” Calvin Witcher, que concorda com o anfitrião da convenção que Jesus era um feiticeiro e que a Bíblia é um “livro de magia”. A reverenda Valerie Love, a força por trás do evento, que se descreve como uma bruxa cristã e ministra da consciência espiritual, lançou recentemente a Escola de Mistérios da Aliança Cristã para ajudar os cristãos a usar a magia, condenada como “perigosa”. Ela insiste que não há nada errado com a ideia de cristãos praticarem magia, apesar das advertências bíblicas contra ela.

Em uma longa discussão com Witcher cerca de dois meses atrás, sobre a conciliação entre a prática de bruxaria e o cristianismo, ele, cujo website diz que “traz mensagens de Deus para a humanidade através do poderoso ensino e da formação, permitindo que os seguidores não tradicionais ouçam a voz divina de esperança”. “A Bíblia é um grande livro de feitiçaria. Você literalmente não pode contornar isso. Você não pode contornar Jesus sendo um mago. Não tem jeito”, disse Witcher. […]

Witcher [para quem os milagres de Jesus são, na verdade, bruxaria], que se descreve como um crente em Cristo que ainda fala em línguas de sua formação na igreja pentecostal, disse […]: “Minha formação no pentecostalismo realmente me colocou em uma boa base. Nós tínhamos ferramentas. Fizemos óleos de unção, xales de oração, demonologia foi ensinada muito regularmente, pelo menos nos meus círculos. Então essas conversas não eram estranhas. Conversamos sobre os dons do espírito… entrar em magia era uma sequência muito fácil. […] A única coisa que fiz foi expandir esse poder específico fora dessa prática em particular”, disse ele sobre sua entrada total no reino da magia. […]

No último dia do [encontro de bruxos “cristãos”], o domingo de Páscoa, as bruxas também se reunirão para o primeiro culto na igreja. […]

 (Portalpadom)

Nota: Como se não bastassem aqueles que reinterpretam e distorcem a Bíblia para fazer com que ela concorde, por exemplo, com a nefasta teologia da prosperidade (como o pastor que afirmou que Jesus tinha uma mansão à beira-mar) ou com práticas homossexuais (algo claramente condenado no Livro que narra a criação do homem e da mulher e a instituição do casamento entre os dois), agora num cúmulo de relativismo e de distorção, há os que querem unir o imiscível: bruxaria e cristianismo. Tanto o Antigo quanto o Novo Testamentos são muito claros quanto a essa prática:

“Entre ti não se achará quem faça passar pelo fogo a seu filho ou a sua filha, nem adivinhador, nem prognosticador, nem agoureiro, nem feiticeiro; nem encantador, nem quem consulte a um espírito adivinhador, nem mágico, nem quem consulte os mortos; pois todo aquele que faz tal coisa é abominação ao Senhor; e por estas abominações o Senhor teu Deus os lança fora de diante de ti” (Deuteronômio 18:0-12).

“As obras da carne são manifestas, as quais são: adultério, fornicação, impureza, lascívia, idolatria, feitiçaria, inimizades, porfias, emulações, iras, pelejas, dissensões, heresias, invejas, homicídios, bebedices, glutonarias, e coisas semelhantes a estas, acerca das quais vos declaro, como já antes vos disse, que os que cometem tais coisas não herdarão o reino de Deus” (Gálatas 5:19-21).

É preciso haver muita desonestidade intelectual para ler textos como esses e afirmar justamente o contrário do que eles dizem. Deus respeita a decisão dos seres que Ele criou. Quer extorquir os fiéis da sua igreja dando um péssimo testemunho do que é cristianismo? Ok, faça, mas lembre-se de que um dia o juízo vem. Quer fazer sexo com pessoas do mesmo gênero, você é livre para ir adiante. Quer praticar a bruxaria, idem. Mas Deus não nos dá o direito de adulterar Sua Palavra para tentar fazer com que ela afirme o que condena. Isso não! [MB]

Apocalipse: Satanás, um inimigo derrotado

mulherO capítulo 12 do Apocalipse apresenta uma vista panorâmica do grande conflito entre Cristo e Satanás. Ali vemos o motivo da feroz perseguição contra a igreja cristã desde sua origem e por que ela deve permanecer firme até o fim. O capítulo termina com Satanás irado contra os “restantes” (ou, “remanescentes”) da Igreja, os quais ainda mantêm as doutrinas originais da igreja primitiva. E as características de tal povo são distintas: eles guardam os Dez Mandamentos e têm o Testemunho de Jesus, que é a Palavra de Deus, incluindo o verdadeiro dom profético (2Tm 1:8; Ap 1:9; 12:17; 19:10).

Perguntas para discussão e aplicação:

1. Veja o significado de “mulher” em 2 Coríntios 11:2 e de “dragão” em Apocalipse 12:9. O que significa o quadro apresentado em Apocalipse 12:1-6?

2. Qual a relação de Gênesis 3:15 com o fato de Satanás ser chamado de “serpente” em Apocalipse 12:9? De que forma a serpente “feriu o calcanhar” da “Semente” (ou “Descendente”) da “mulher”? E em que sentido a “cabeça” da “serpente” será “esmagada” pelo “Descendente” da “mulher”?

3. Ao ver que não pôde destruir Jesus enquanto Ele estava na Terra em forma humana, como Satanás tem tentado destruir a igreja ao longo dos séculos? Contudo, em que sentido “as portas do inferno não prevalecerão ela” (Mt 16:18)?

4. Que pistas existem em Apocalipse 12:10 indicando que satanás foi expulso do Céu pela segunda vez na ocasião da morte de Jesus? (R.: “Agora chegou a salvação…”;  “…e a autoridade do Seu Cristo”).

5. Se o diabo já havia sido expulso quatro mil anos antes, o que ele continuava fazendo ao visitar o céu? (R.: acusando o povo de Deus na Terra, conforme vemos em Jó 1:6-11; 2:1-5 e Apocalipse 12:10. Porém, após a morte de Jesus, o adversário nunca mais teve acesso ao Céu para acusar os humanos que são fiéis a Deus.)

6. Analise em Apocalipse 12:11 as três características daqueles que, ao final, terão vencido o “acusador”. Como essas três características ainda se aplicam hoje, na prática?

7. Conforme Apocalipse 12:17, por que Satanás está especialmente irado com a igreja remanescente? O que significam as duas características que a identificam? Por que os fiéis dessa igreja são chamados de “os restantes da descendência” da mulher que era perseguida ao princípio? Por que o arqui-inimigo de Deus não está irado com as igrejas identificadas em Apocalipse 17:5 como “Babilônia” e “suas filhas”? Que atitudes devemos tomar ao saber dessas coisas? (Ap 18:4)?

8. Quais são as estratégias do inimigo de Deus para destruir a igreja que restou (remanescente), e como podemos estar protegidos contra esses ataques? Ver Ap 13:13, 14; 2Ts 2:9, 10; Gl 1:8, 9.

9. O fato de fazer parte do povo remanescente é um grande privilégio, mas não é uma garantia de salvação, pois apenas “quem tem o Filho tem a vida; quem não tem o Filho de Deus não tem a vida” (1Jo 5:12). Como podemos nos proteger contra o grande perigo de pensar que estamos salvos só pelo fato de ser “membros” da igreja remanescente? Por outro lado, como aqueles que serão salvos se portarão em relação às verdades da Bíblia e à igreja?

Notas importantes:

Sobre a importância do capítulo 12. Os capítulos 12, 13 e 14 formam o centro da estrutura literária do Apocalipse. Esse núcleo especial é como um pano de fundo para se entender todo o conteúdo do livro. É nesse ponto central que são descritos: a origem e o desenrolar do Grande Conflito (capítulo 12); os agentes usados pelo inimigo nessa luta (capítulo 13); a identidade, o caráter e a vitória final do povo remanescente de Deus no fim dos tempos, e sua missão de pregar o Evangelho Eterno até a volta de Jesus (capítulo 14). Neste estudo trataremos apenas do conteúdo do capítulo 12 para não ir além do que foi estudado durante a semana.

Sobre o núcleo ou centro do Apocalipse (capítulos 12, 13, 14). O centro literário do Apocalipse divide o livro em duas partes. Os capítulos anteriores a esse núcleo são chamados de “porção histórica” do livro (sete igrejas, sete selos, sete trombetas). Os capítulos posteriores ao núcleo são a “porção escatológica”, pois se concentram nos eventos finais (sete pragas; Armagedom; volta de Jesus; milênio; juízo final [executivo]; e nova Terra). Nesse estilo literário, o centro, entre essas duas partes, é considerado “o mais importante”, como “o recheio do bolo”.

Sobre a sequência não linear da narrativa no capítulo 12. É necessário salientar que o capítulo 12 (e vários outros trechos do Apocalipse, como o capítulo 20, por exemplo) não deve ser lido de forma linear com início, meio e fim. Ao invés disso, ele deve ser lido considerando-se vários “flashbacks” na narrativa. Como exemplo, imagine um filme que já começa em plena ação, com correria e perseguição, e depois de uns instantes retrocede algumas horas no tempo para dar a entender ao telespectador como se deu aquela confusão. Logo depois ele volta à ação mostrada no início, e continua dali, para logo depois fazer outro flashback, mas agora para muitos anos antes, para que se entenda a própria origem do problema. Depois ele continua a partir do ponto de onde havia parado e continua até chegar à conclusão. De modo parecido, o capítulo 12 apresenta a igreja perseguida como a cena inicial (v. 1-6) e então volta muito no tempo até a guerra no Céu para apresentar o grande conflito entre Cristo e Satanás como a causa de tudo (v. 7-12). Depois a narrativa retoma a história onde havia parado e dá continuidade até o tempo do fim (v. 13-17). Se você tentar ler de modo linear vai fazer grande confusão!

Sobre as duas vezes em que Satanás foi expulso do Céu. Satanás foi expulso do Céu duas vezes. A primeira vez foi na “guerra no Céu” (12:7-9), antes da criação da vida na Terra. Após esse evento, porém, mesmo sem ser convidado ou desejado, ele continuou “frequentando” a corte celestial, como “acusador” dos irmãos (conforme vemos em Jó 1:6-11; 2:1-5 e Apocalipse 12:10). Entretanto, na ocasião da morte de Jesus na cruz, cerca de quatro mil anos após a primeira expulsão (ou talvez muito mais), o arqui-inimigo de Deus foi expulso novamente do Céu, e de modo definitivo. Isso é evidente nas palavras dos seres celestiais: “agora chegou a salvação… e a autoridade do Seu Cristo” (12:10). Portanto, assim como vimos acima que há flashbacks ou retrocessos temporais nas narrativas, há também avanços temporais. Nesse caso, a narrativa faz um salto temporal de cerca de quatro mil anos entre o verso 9 (primeira expulsão, antes da criação) e o verso 10 (segunda expulsão, definitiva, com a morte de Jesus). Por que Deus permitia que Satanás ainda tivesse acesso ao Céu, mesmo após ter sido expulso de lá? Para Ellen White, é porque “até a morte de Jesus, o caráter de Satanás ainda não havia sido claramente revelado aos anjos e aos mundos não caídos. “O arquiapóstata se revestira por tal forma de engano, que mesmo os santos seres não lhe compreenderam os princípios. Não viam claramente a natureza de sua rebelião” (O Desejado de Todas as Nações, p. 537). Porém, a morte de Jesus mudou esse quadro: “Derramando o sangue do Filho de Deus, desarraigou-se Satanás das simpatias dos seres celestiais. Daí em diante sua obra seria restrita. Qualquer que fosse a atitude que tomasse, não mais podia esperar os anjos ao virem das cortes celestiais, nem perante eles acusar os irmãos de Cristo de terem vestes de trevas e contaminação de pecado” (ibidem, 539).

Natal Gardino é doutor em Ministério pela Andrews University e pastor distrital em Jardim Iguaçu, Maringá, PR