Quando o futebol vira religião

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Exercício físico e esportes são bons hábitos e ninguém nega isso. Mas, quando se tornam uma obsessão (como outras coisa mais), o problema se instala. Há quem frequente academias apenas para postar selfies do corpo bombado, ficando a saúde física e o bem-estar emocional em segundo ou terceiro planos, em detrimento da vaidade. Há também aqueles que vivem para o futebol, por exemplo. Não apenas jogam por diversão ou acompanham um time como forma de entretenimento. Não. Para esses, o tema futebol absorve a maior parte do tempo e das atenções. Vivem falando sobre isso. Fazem do esporte uma verdadeira religião. Sabedores disso, os dirigentes do Corinthians resolveram escancarar o que já se sabia… Veja só a notícia veiculada no site do SportTV:

“O Corinthians lançou na noite desta segunda-feira, no programa ‘Bem, Amigos’, do SporTV, sua nova campanha de marketing, batizada de ‘Corinthianismo – Fiel até o fim’. Com a ação, o Corinthians pretende reforçar e resgatar alguns de seus valores, como o lado sofredor da torcida, que encara o clube como uma religião. […] Além do vídeo, ‘Corinthianismo – Fiel até o fim’ conta com dez mandamentos cravados em pedra instalada na Arena Corinthians, santinhos entregues à torcida, terço próprio e ações nas redes sociais. O Timão também lançará um site com uma vela que o torcedor pode acender para mandar energia positiva ao clube, um confessionário digital, no qual o fiel pode revelar o que já fez pelo Timão em texto, áudio ou vídeo, e um livro com a doutrina e história do corinthianismo (com milagres, peregrinações e cânticos).”

Veja o vídeo e constate a blasfêmia:

Vou deixar claro: não gosto de futebol. Quando muito, assisto às partidas da Seleção Brasileira em final de Copa do Mundo. Creio que esse desinteresse venha lá da infância. Meu pai foi jogador profissional. Jogou no Figueirense de Florianópolis e em outros times. Mesmo com mais de 70 anos, ainda joga com amigos e é considerado craque. O filho não. É um verdadeiro perna-de-pau. Mas reconheço que o futebol, como brincadeira, tem lá suas vantagens, tanto que muita gente acha que meu pai tem menos de 60. Acontece que minha mãe, minhas irmãs e eu sempre vimos a bola como uma concorrente, disputando conosco a atenção e o tempo do marido/pai. Será que reside nisso minha desmotivação pelo esporte que caracteriza meu país? Os psicólogos que me expliquem…

Bem, o que me levou a essas reflexões anos atrás (revividas agora pelo Corinthianismo) foi a reportagem que eu havia ouvido na rádio Band News, quando retornava de Florianópolis para Tatuí. Passando por Curitiba, sintonizei a emissora e ouvi o jogador Roberto Carlos dando entrevista sobre sua então recente contratação pelo Corinthians. O discurso foi o mesmo de sempre: promessas de amor eterno à camisa, etc., etc. Então, um dos dirigentes do time soltou a pérola: “Agora Roberto Carlos vai vestir o manto sagrado branco e preto.” Manto sagrado?! É essa devoção que me tira do sério e não o meu “trauma de infância”. Pode acreditar.

Fico triste quando ouço jovens cristãos falando com empolgação das conquistas do time para o qual torcem, mas sem entusiasmo pela missão da igreja. Podem mencionar a escalação completa da equipe esportiva, inclusive de anos passados, mas mal sabem o nome dos doze apóstolos. Gastam somas consideráveis em dinheiro na compra de camisetas oficiais e outros souvenires, mas relutam em dar ofertas. Parece que se esqueceram do que significa ser cristão; que cremos numa verdade capaz de abalar o mundo – afinal, nosso Mestre é Deus que Se fez homem, morreu numa cruz para nos salvar e prometeu voltar!

É como diz o texto de C. S. Lewis, que li no Devocionário de Bolso Um Ano Com C. S. Lewis, da Editora Ultimato, página 11: “Acreditar em um ‘Deus impessoal’ – tudo bem. Em um Deus subjetivo, fonte de toda a beleza, verdade e bondade, que vive na mente das pessoas – melhor ainda. Em alguma energia gerada pela interação entre as pessoas, em algum poder avassalador que podemos deixar fluir – o ideal. Mas sentir o próprio Deus, vivo, puxando do outro lado da corda, aproximando-se em uma velocidade infinita, o caçador, rei, marido – é outra coisa.”

Se os cristãos mantivessem comunhão com esse Deus real, que fala, guia, ilumina e ama, não teriam mais tempo nem disposição para se envolver com futilidades e, pior, idolatrias. Enquanto a Verdade liberta (João 8:32), o vício (de qualquer espécie) escraviza.

Marx dizia que a religião é o ópio do povo. Discordo, pois a verdadeira religião tem a capacidade de libertar. Mas que há muitos opiáceos disfarçados por aí, isso há. E o “futebolópio” pode muito bem ser um desses. E olha que narcotiza multidões!

O manto sagrado é a justiça que Cristo quer colocar sobre nós, não a alienação promovida por um esporte que poderia ser saudável, se não tivesse sido transformado em pão, circo e culto religioso.

Michelson Borges

Leia também: “Para CBF, futebol serve à ‘desinformação do povo’” e “Diga não ao futebol, sim à família”

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Eu tava quieto no meu canto, aí a Cia. me provocou

moedaEm janeiro, eu postei em meu Twitter o seguinte: “O darwinismo é um problema e um desafio que nossos filhos enfrentam nas universidades (especialmente as públicas), mas não é o perigo mais sutil. Esse se chama marxismo. Temos que preparar nossas crianças, adolescentes e jovens para enfrentar essas ideologias.” Aí, nesta semana, o Twitter oficial da editora Cia. das Lestras emendou o comentário marketeiro: “Oi, Michelson, tudo bem? Você não acha que os jovens deveriam conhecer todos os pontos de vista? Neste caso, recomendamos este livro do @RichardDawkins com 70% de desconto [e colocaram o link, divulgando assim o livro para meus quase 40 mil seguidores].”

Eu tava quieto no meu canto. Mas, com essa provocação (simpática, até), não dava para ficar calado. Então tuitei de volta:

“Sem dúvida [os jovens devem conhecer os dois pontos de vista], e era exatamente assim que eu ministrava minhas aulas [quando fui professor de História em Florianópolis]: expondo os dois lados. Agora, uma curiosidade: Por que vocês não publicam um livro de cunho criacionista?”

“Aliás, sempre considerei este questionamento do Kamel bem pertinente [e pus o link].”

“E isto uma incoerência [link].”

“Como jornalista, valorizo a discussão aberta, honesta e inteligente do contraditório. Que se analisem os ‘dois lados da moeda’. Por isso, fica aqui minha sugestão de que publiquem um livro criacionista. Hó bons autores por aí e tenho certeza de que a obra venderia bem. Um abraço.”

Um dia depois, nada de tréplica da parte deles…

 

As designações “mãe” e “pai” serão banidas nas escolas francesas

familiaA notícia está dividindo o parlamento francês, e é esperado que divida também o país: uma emenda aprovada a 12 de fevereiro dita que as escolas francesas terão que banir a utilização dos termos “mãe” e “pai”, substituindo-os pelas designações “parente 1” e “parente 2”. Os apoiadores da emenda salientam que essa alteração será importante para acabar com a discriminação dos pais do mesmo sexo. No entanto, os críticos afirmam que tal atitude “desumaniza” a parentalidade, sendo as novas designações “feias”, podendo ainda gerar conflitos na decisão sobre quem é o “parente 1” e o “parente 2”. A emenda faz parte de uma lei mais abrangente que, entre outras coisas, dita que a assiduidade deve ser obrigatória nas creches, a partir dos três anos.

Tal como é descrito pelo The Telegraph, Valéire Petit, membro do parlamento francês do partido do presidente Emmanuel Macron, afirmou que as palavras “mãe” e “pai” em documentos relacionados com a escola, desde autorizações para visitas de estudo ou recados para a cantina, não levam em consideração a existência de pais do mesmo sexo, ou mesmo a alteração à lei do casamento aprovada recentemente, que permite a união entre pessoas do mesmo gênero.

“Essa emenda apela à diversidade da família nos formulários administrativos submetidos nas escolas”, declarou Valérie Petit, que ainda acrescentou que, atualmente, “existem famílias que se deparam com papéis e modelos familiares desatualizados. Para nós, esta medida tem a ver com a igualdade social”.

Do outro lado da “barricada”, os partidos republicanos mais conservadores, bem como os encostados à direita, estão contra a emenda. Xavier Breton, membro parlamentar do partido conservador, afirmou: “Quando ouço pessoas dizer que os documentos ou modelos que consideram a existência de um pai e de uma mãe estão desatualizados, gostaria de lhes relembrar que, atualmente, entre as uniões civis e conjugais celebradas, cerca de 95% são de casais compostos por um homem e uma mulher.”

(Magg)

Nota: A ditadura das minorias avança em alguns lugares, trazendo como duas de suas consequências a destruição da família tradicional e a confusão dos papeis tradicionalmente atribuídos ao homem e à mulher. Não é de se estranhar que essa ideia absurda esteja sendo considerada justamente na França, berço da Revolução que inspirou o ateísmo, o anticristianismo e as ideias marxistas que servem de sustentação para estilos de vida que vão de encontro à cosmovisão judaico-cristã-bíblica. [MB]

Testemunho de uma jovem “Daniela” fiel na Rússia

ohanaMuitas vezes somos tentados a pensar que os milagres realizados por Deus em resposta à oração e à fidelidade de Seus filhos são coisas do passado, limitados aos tempos bíblicos. Mas eles se repetem ainda hoje, pois Deus não muda. Hoje recebi uma mensagem da Ohana Berger, que estuda Engenharia Aeroespacial na Rússia e a quem tive a alegria de batizar no ano passado (saiba mais aqui). O milagre que Deus realizou em favor dela me fez lembrar de Daniel na corte babilônica. O jovem hebreu decidiu firmemente se manter íntegro e fiel à religião de seu povo, ao Deus Criador. E o Senhor o abençoou de muitas formas. Ohana tem sido uma “Daniela” moderna, testemunhando de sua fé no coração de um país que por muitos anos disse não para Deus. Veja o que ela me escreveu, inspire-se no exemplo dela e se alegre comigo:

“Michelson, bom dia. Quero compartilhar com você um milagre que aconteceu comigo. Há duas semanas eu recebi meu horário deste semestre, e vi que eu teria aula no sábado. Isso eu já esperava, mas geralmente as mesmas aulas do sábado são oferecidas a outras turmas durante a semana. Mas me dei conta de que neste semestre não seria assim. A professora só estaria dando aulas aos sábados, para todas as turmas. Ou seja, eu não teria como assistir às aulas com outra turma, e ia acabar perdendo todas as aulas do semestre. Na hora fiquei muito triste; cheguei até a chorar. Pensei: ‘Por que Deus me mandou para a Rússia se era para passar por isso? Por que Deus não me ajudou e me fez ter aulas só durante a semana?’ Durante uns 15 minutos fiquei muito mal.

“Não queria perder as aulas e estava com medo de conversar com a professora, porque às vezes os russos são bem rudes e eles não entendem essa questão religiosa. Então, aparentemente, não tinha saída. Pensei até em falar com você sobre ir às aulas aos sábados. Mas, no fundo, eu sabia que não era o correto. Depois de um tempo, fiz uma oração e decidi que não iria ferir meus princípios. Que, se fosse preciso, voltaria para o Brasil. Que eu preferia ficar mal com os homens, mas ter minha consciência tranquila com Deus. Orei por essa situação, pedi oração à minha família e continuei, decidida a não ir às aulas aos sábados.

“Estava me preparando para falar com a professora, dizer que eu não poderia ir aos sábados, mas sem imaginar qual seria a resposta dela, porque, como eu disse, ela só estaria na faculdade aos sábados, e aparentemente não havia solução para o meu caso.

“Eu ia falar com ela hoje [segunda-feira]. Sábado fui à igreja e continuei orando por isso. Depois do pôr do sol, entrei no site da faculdade para ver quais aulas eu teria hoje. Você acredita que ‘do nada’, pela primeira vez na minha vida na Rússia, o horário oficial do site mudou?! E as aulas que eu teria aos sábados ‘magicamente’ foram para as segundas-feiras?! E só para a minha turma! As outras turmas continuarão tendo aulas aos sábados. Mas a minha não! Já vi professor conversando com os alunos sobre mudar aula, mas isso combinado entre aluno e professor. Agora, mudar o site oficial, no horário oficial, foi a primeira vez!

“Como Deus é bom! Basta sermos fiéis a Ele. Foi um verdadeiro milagre. Eu estava orando para Deus fazer a professora entender a situação, mas Ele fez melhor. Ele sempre faz mais! Deus poderia ter feito essa aula ser em um dia da semana desde o início. Mas essa situação toda me aproximou mais dEle.

“Ultimamente estou com o pensamento de que tudo o que fazemos prova algo para alguém: ou provamos para Deus que estamos com Ele, ou para Satanás que ele tem influência sobre nós. Esse aparente ‘problema’ me deu a oportunidade de provar para ambos de que lado estou. Fiquei muito, MUITO feliz!”

Cuidado! Seu filho pode estar viciado em Fortnite

fortnite-1O vício é um problema sério que pode afetar pessoas e famílias inteiras. Mas ele não aparece só em situações mais óbvias, como no caso do uso de drogas (lícitas ou ilícitas) – alguns pais estão precisando enviar seus filhos para clínicas de reabilitação para que consigam se livrar da necessidade extrema de jogar, o tempo todo, o game Fortnite. Conforme contou a publicação Bloomberg, aumentou vertiginosamente a quantidade de pessoas buscando terapia ou outros métodos para tentar acabar com o vício de seus filhos no game, que é um sucesso absoluto incontestável. Alguns até enviam seus pequenos para clínicas mais isoladas para que fiquem um tempo se desintoxicando não só do Fortnite, mas de tecnologia como um todo.

Um experiente conselheiro de clínicas para crianças, que já trabalhou nos estados da Califórnia e da Carolina do Norte, afirmou que metade dos pacientes com os quais lidou nessas ocasiões estavam lá pelo mesmo motivo: vício em Fortnite. Uma das mães que precisou levar o filho para tratamento afirmou que nunca havia visto um jogo que tivesse tanto controle sobre a mente das crianças. […]

(Tecmundo)

Nota: O assunto é sério e os pais precisam estar atentos. Os videogames viciam e estão tomando cada vez mais o tempo que poderia e deveria ser dedicado à leitura e a outras atividades edificantes. No caso do Fortnite, em menos de um ano o game faturou mais de 1,3 bilhão de dólares e ganhou versões em todas as plataformas, inclusive para celular. Em junho do ano passado, a Epic Games, a empresa desenvolvedora, informou que o jogo havia ultrapassado a marca de 125 milhões de jogadores. O design estilo cartoon ajuda a atrair a atenção de um público mais novo, apesar de também ser popular entre adolescentes e jovens adultos. O vício em videogames já é considerado pela Organização Mundial da Saúde como um distúrbio mental que pode originar várias consequências, como a exaustão gerada pela falta de sono, agressividade, depressão e isolamento. Em meu livro Nos Bastidores da Mídia dedico um capítulo ao estudo do fenômeno dos videogames. [MB]

Leia mais sobre videogames aqui.

Zombicide e o fascínio por zumbis

zombicideA última moda agora entre jovens e adolescentes é Zombicide, um jogo de miniaturas cooperativo para um a seis jogadores com idade de 14 anos ou mais. Em um dos sites sobre o jogo está escrito: “Escolha quem será seu sobrevivente implacável do apocalipse zumbi! Encontre armas, mate zumbis, ganhe experiência e personalize seus heróis. Quanto mais zumbis você matar, mais infectados aparecerão. Cumpra os objetivos da missão e vença o jogo!” Há muitos cristãos que brincam com essas coisas e mal sabem o que está por trás delas. Quando li sobre essa nova “onda”, lembrei-me de uma reportagem de anos atrás, publicada no site da BBC Brasil:

“[Especula-se que a palavra ‘zumbi’] venha de línguas da África Ocidental –ndzumbi significa ‘cadáver’ no idioma mitsogo, do Gabão, enquanto nzambi quer dizer ‘espírito de um morto’ em quicongo, falada no antigo Reino do Kongo e hoje uma língua nacional em Angola. Era desses lugares que os traficantes de escravos europeus traziam enorme quantidade de africanos para trabalhar nas plantações de açúcar das Índias Ocidentais, gerando lucros que alimentaram a ascensão da França e da Inglaterra como potências mundiais.

“Os escravos levaram sua religião para o outro lado do Atlântico, mas a lei francesa os obrigava a se converterem ao catolicismo. O que surgiu, então, foi uma série de elaboradas religiões artificiais, que misturam com criatividade os elementos de diversas tradições, como o vodu do Haiti, o obeah da Jamaica e a santeria, de Cuba.

“E o que é o zumbi? Na Martinica e no Haiti, ele poderia ser um termo geral para descrever um espírito ou um fantasma – qualquer presença perturbadora que assumiria uma miríade de formas à noite. Mas gradualmente foi se espalhando a crença de que feiticeiros poderiam fazer suas vítimas parecerem mortas – através de magia, hipnose ou até uma poção secreta – e aí reavivá-los para servir como seus escravos particulares.

“O zumbi, de fato, é o resultado lógico de ser um escravo: alguém sem vontade própria, sem nome e preso em uma espécie de morte em vida. […]

“O Haiti foi sempre demonizado como um lugar violento, cheio de superstições e morte porque sua própria existência era uma ofensa aos impérios. E durante todo o século 19, relatos de canibalismo, sacrifício humano e perigosos rituais místicos no Haiti eram constantes.

“Foi apenas no século 20, depois que os Estados Unidos ocuparam o Haiti, em 1915, que essas histórias e rumores começaram a rondar a figura do ‘zumbi’. Forças americanas tentaram fazer uma destruição sistemática da religião local, o vodu, o que acabou por reforçar seu poder.

“[…] Os Estados Unidos foram ao país para ‘modernizá-lo’, mas, em vez disso, voltaram para casa carregando essa superstição ‘primitiva’. As revistas americanas de pulp fiction das décadas de 20 e 30 se encheram cada vez mais de contos sobre mortos-vivos vingativos, que saíam de suas covas em busca de seus assassinos. Se antes eles não passavam de espectros imateriais, agora tinham a forma de corpos apodrecidos que cambaleavam nos arredores dos cemitérios.

“Mas não foram as revistas as principais responsáveis por trazer a figura do zumbi para o mundo sobrenatural americano. Dois importantes autores do fim dos anos 20 viajaram para o Haiti e disseram ter encontrado verdadeiros mortos-vivos. Um deles foi o escritor, jornalista e ocultista William Seabrook, que visitou o país em 1927 e produziu A Ilha da Magia contando a viagem. Seabrook era um famoso entusiasta do ‘primitivismo’, tendo tentado participar de um culto canibal na África e se iniciado nas cerimônias vodus haitianas.

“Em um dos capítulos do livro, ele relata seu encontro com zumbis que trabalhavam nas plantações de cana-de-açúcar durante a noite. O autor é até hoje creditado como o responsável por levar o termo ‘zumbi’ para o vernáculo americano.

“Outra que visitou o Haiti naquela época foi Zora Naele Hurston, venerada autora negra americana que se formou em antropologia e passou vários meses no país caribenho para se tornar sacerdotisa do vodu. Em seu diário de viagem informal, que depois foi publicado com o título de Tell My Horse (1937), Hurston não só afirma que os zumbis existem como relata seu encontro com um deles, com uma foto para ‘provar’. A autora sofreu gozações por causa de sua credulidade, mas hoje acredita-se que se a mulher que ela capturou com sua câmera não era uma verdadeira zumbi, era ao menos alguém que tinha sofrido uma morte social, isolada de sua comunidade e sofrendo de uma grave doença mental. […]”

Nota: Levando em conta o contexto do grande conflito entre o bem e o mal, e recordando que a mentira original pregada por Satanás (usando uma serpente como médium), lá no Éden, teve a ver com a imortalidade incondicional, fica fácil perceber que essa onda de apologia à vida após a morte e ao satanismo não se trata apenas de um fenômeno com origens e implicações sociológicas. É interessante notar que os EUA (uma nação nominalmente cristã) foram ao Haiti para “resolver um problema” e acabaram levando o problema para o seu território. Hoje a “onda zumbi” gestada naqueles países animistas está ganhando o mundo em grande medida por meio das produções hollywoodianas de um país que se dizia cristão! Cavalo de Troia! Outra jogada do mestre (das trevas). [MB]

Leia mais sobre zumbis aquiaqui e aqui.

Deus matou Boechat?

BoechatDesculpem, amigos, mas não creio que Deus derrubou o helicóptero e matou o Boechat e seu piloto. Isso mais parece uma atitude de cristãos que desejam se vingar de quem não crê como eles. Recentemente uma van capotou e matou um grupo de irmãos que voltavam de um culto especial. Não ficou ninguém vivo. Pergunto: Nesse caso, Deus Se vingou do quê? Acredito que se Deus fosse punir todo mundo que não crê nEle ou zomba do evangelho, pouca gente ficaria viva, inclusive, ou principalmente, nas igrejas.

O Deus que mata para punir anula a própria graça que Ele mesmo oferece à humanidade. Não foi o Boechat que morreu por causa de Cristo, foi Cristo quem morreu por causa do Boechat. Morreu por quem crê e por quem não crê. Morreu também pelo piloto que nem teve câmeras para divulgar sua fé ou seu ateísmo. A Bíblia é bem clara: o Julgamento é final. Esse julgamento que muitos crentes antecipam nas redes sociais, acusando Deus de matar o jornalista, ofende ao Senhor gravemente! É ofensa, zombaria e blasfêmia contra o nosso Deus. Desqualifica Seu amor, Sua Graça e Seu perdão. Estamos colando em Deus nossa raiva! Colocamos nosso coração irado para pulsar no peito de Deus.

Prefiro não questionar se Boechat está salvo ou não. Não cabe a mim especular tal coisa. Desejo, francamente, encontrá-lo no Céu um dia. E se não encontrá-lo, que não seja por sentença minha. Não posso condená-lo ao inferno que tanto rejeito, nem posso agregá-lo ao Céu que tanto desejo. Mas não nos preocupemos: todos nós teremos essa confirmação mais cedo ou mais tarde… em um endereço ou em outro.

Nota: O texto acima, escrito por Edvaldo Almeida Júnior, faz pensar e evidencia a atitude absurda de cristãos que se atrevem a julgar o destino das pessoas. Se Boechat foi punido por seu ateísmo, por que o ateu militante estridente Richard Dawkins continua vivo? Por que os blasfemos do Porta dos Fundos também ainda não bateram as botas? E o que dizer dos atores do Projaquistão que debocharam do nascimento virginal de Jesus? O problema é que, como escreveu o autor do texto, muitos sedizentes cristãos afirmam esse tipo de conjectura com uma satisfação sádica escondida sob zelo religioso. Talvez se tivessem poder pra justiçar supostos ímpios promoveriam massacres e tragédias a torto e a direito.

Por outro lado, é evidente que Deus faz punições. Lembre-se do dilúvio, de Sodoma, do faraó e seu exército, de Jezabel e Ananias e Safira. O problema é que muitos cristãos viram no jornalista ateu essa ação e julgaram que foi Deus quem puniu. Como sabem disso? O autor exalta o amor (o que está certo) e se esquece da justiça (o que está errado).

Como não somos oniscientes e não podemos sondar os pensamentos, as emoções e intenções de ninguém, é temerário portar-se como um meirinho que assessora as decisões divinas e compartilha com os outros seus pretensos oráculos.

Em momentos como esse, se não tiverem algo positivo e edificante a dizer, a melhor coisa que cristãos ou não cristãos podem fazer é ficar calados.

Leia também: Um Deus sanguinário?