Apocalipse: Os Sete Selos

cavalosAssim como as sete igrejas representam sete períodos da história do Cristianismo até a volta de Jesus, o mesmo também é verdade em relação aos sete selos de Apocalipse 6 e 8:1. Porém, a revelação dos selos se dá a partir de outro ponto de vista: ela se refere à pregação do Evangelho e às consequências de rejeitá-lo. Na perspectiva historicista, vivemos hoje no período do sexto selo, o qual se iniciou com os famosos eventos naturais e astronômicos a partir de 1755 e será concluído quando a atmosfera da Terra se abrir diante do aparecimento glorioso de Jesus. O sétimo selo (Ap 8:1) se refere ao silêncio no Céu devido ao fato de que todos os anjos estarão fora dali, acompanhando Jesus em Sua vinda à Terra e ajuntando Seu povo para a viagem de volta para lá (Mt 24:30, 31; 25:31, etc.).

Perguntas para discussão e aplicação

1. A abertura dos primeiros quatro selos – representados por quatro cavalos e seus cavaleiros – corresponde a quatro períodos da história da igreja. Usando Zacarias 1:8-10 como pano de fundo e referência, como podemos entender melhor o significado desses quatro selos?

2. Compare Apocalipse 6:2 com 19:11-16. Qual o significado de o próprio Jesus Cristo ser o cavaleiro conduzindo o primeiro cavalo simbólico? Em que sentido o texto diz que Ele “saiu vencendo e para vencer”?

3. Leia a descrição do segundo cavalo (segundo selo; segundo período) em Apocalipse 6:3, 4 e compare com Mateus 10:34, 35. Como essas palavras de Jesus dão significado aos símbolos do segundo cavalo? Por que a pregação do Evangelho resulta em “espada” (perseguições e guerras)? Por outro lado, que tipo de “paz” é essa que o Evangelho perturba tanto? Por que vale mais a perseguição (“espada”) com o Evangelho do que uma suposta “paz” sem o Evangelho?

4. Leia a descrição do terceiro cavalo, o preto, em 6:5, 6. Depois compare com Lucas 8:11; Ezequiel 4:16, 17; Amós 8:11 e responda: O que significa o “pão” escasso no terceiro período da história da igreja? Se a cor do primeiro cavalo (branco) é significativa para representar a pregação do Evangelho no primeiro século, o que a cor preta deste cavalo representa em contraste? Pense no conceito de “azeite” e “vinho” na Bíblia. Qual o significado de o cavaleiro desse período ordenar que não sejam danificados o “azeite” nem o “vinho”?

5. Leia a cena do quarto selo em Apocalipse 6:7, 8. Como essas descrições simbólicas equivalem exatamente ao período da Igreja durante a maior parte da Idade Média? Compare os detalhes deste selo com os “quatro terríveis juízos de Deus” relatados em Ezequiel 14:21 (os quais eram usados contra o povo de Deus no Antigo Testamento para tentar despertá-lo e trazê-lo de volta à razão e à comunhão). Em sua avaliação, por que João emprega esse contexto de Ezequiel para se referir a esse período da igreja?

6. Leia a cena do quinto selo em Apocalipse 6:9-11. Ao contrário do que muitas pessoas pensam, por que essa cena não pode ser literal? Compare o pedido de justiça dos mártires com o pedido de justiça do sangue de Abel em Gênesis 4:10; Lucas 11:51; Hebreus 12:24. De que forma o sangue de Abel e o dos outros mártires “fala” pedindo justiça? Leia Levítico 17:14. Como essa passagem nos ajuda a entender melhor o símbolo de “almas debaixo do altar”? Por que a resposta de Jesus a esse clamor de justiça é totalmente satisfatória?

7. O sexto selo (período em que vivemos agora) conclui com a volta de Jesus nas nuvens do Céu. Leia Apocalipse 6:14-17 e compare com Isaías 2:19-21, Malaquias 3:2 e Hebreus 12:29. Por que os ímpios dizem que Jesus está “irado” e querem se esconder dEle? Como você responderia biblicamente à pergunta deles: “Quem pode subsistir diante da glória de Jesus?” (dicas: Mt 5:8; Is 33:14,15; Ml. 4:1,2; etc.). Como o capítulo 7 do Apocalipse responde essa pergunta?

8. Considerando que o sexto selo é concluído com a volta de Jesus à Terra, por que o sétimo selo diz que haverá “silêncio no Céu” (Ap 8:1)? Como você está se preparando para esse grande dia?

Notas importantes

Sobre as “almas debaixo do altar” (Ap 6:9, 10). Esta cena não pode ser literal por pelo menos três motivos.

1. Primeiro, isso entraria em contradição com um fundamento da Bíblia, a qual ensina várias vezes que não há consciência durante a morte (Ec 9:5, 6, 10; Sl 6:5; 146:4; Is 38:18, 19, etc.).

2. Segundo, o texto está fazendo referência ao primeiro mártir, Abel, cujo sangue, metaforicamente, “clamava desde a terra” por justiça (ver Gn 4:10; Lc 11:51 e Hb 12:24). É como quando dizemos que o leite ou suco derramado sobre a mesa “pede” por limpeza. O quinto selo faz referência ao período em que houve tantos mortos por causa do Evangelho, que pairava no ar um “clamor” por justiça, assim como foi com o sangue de Abel.

3. Em terceiro lugar, o texto faz referência, também, a Levítico 4:7, onde é dito que o sangue dos sacrifícios oferecidos no santuário terrestre era derramado à base do altar de holocaustos (ou de sacrifícios). Esse altar não corresponde a nada no Céu, pois ele prefigurava o evento que se deu na cruz do Calvário, na Terra. Portanto, não há nenhum “altar de sacrifícios” no Céu com “almas” por baixo dele. No Apocalipse se faz menção a apenas outro altar no Céu: o de “incenso”, que representa as orações dos santos vivos (Sl 141:2; Ap 5:8; 8:3). No altar do incenso terrestre era colocado um pouco de sangue por cima, para validar o incenso, mas nunca por baixo. Assim, o sangue dos mártires (que representa suas “almas” ou “vidas”, conforme Levítico 17:11, 14) foi derramado na Terra, à base do “altar da cruz”, onde o verdadeiro sacrifício foi morto. No quinto selo Jesus promete que será feita justiça a esse clamor dos mártires, e que a recompensa deles (vestes brancas) é certa no dia da ressurreição.

Períodos referentes aos sete selos

Primeiro selo: primeiro século – mensagem do Evangelho puro.

Segundo selo: Aproximadamente 100-313 d.C. – era de perseguição contra a Igreja.

Terceiro selo: 313-538 d.C. – transigência religiosa com Roma até a “oficialização” do cristianismo.

Quarto selo: 538-1517 d.C. – período de domínio de Roma papal.

Quinto selo: 1517-1755 d.C. – desde a Reforma até o terremoto de Lisboa (primeiro sinal do sexto selo).

Sexto selo: 1755 d.C. até a volta de Jesus – os fenômenos relatados no sexto selo ocorreram exatamente na ordem descrita. Só falta Jesus aparecer no Céu para completar esse período.

Sétimo selo: “Silêncio no Céu” – período em que o Céu estará “vazio” durante a volta de Jesus, pois todos os anjos estarão com Ele em Sua missão de resgate na Terra.

Sobre os eventos que marcam o início do sexto selo (Ap 6:12, 13)

1o/11/1755 – Terremoto de Lisboa.

19/5/1780 – O misterioso dia escuro, conhecido como “The Dark Day”, que não foi causado por um eclipse, e no qual ainda a Lua apareceu vermelha à noite.

13/11/1833 – Fantástica chuva de “estrelas” cadentes (meteoros).

Natal Gardino é doutor em Ministério pela Andrews University e pastor distrital em Jardim Iguaçu, Maringá, PR