Apocalipse: o povo de Deus selado

seloO capítulo 7 do Apocalipse é um parêntese entre o sexto e o sétimo selos. Seu objetivo é responder à pergunta feita pelos perdidos diante da manifestação de Jesus em Sua vinda: “Quem pode suportar”? A resposta é: os 144 mil, um número simbólico que representa aqueles que passarão pelas provas finais da história da Terra e estarão de pé diante da glória de Jesus.

Perguntas para discussão e aplicação

1. Leia Apocalipse 7:2 e 3 e compare com Efésios 4:30. Em que sentido o Espírito Santo nos “sela” para o dia da redenção? De que modo a guarda do sábado se tornará uma evidência do selo do Espírito Santo? (ver Ez 20:12, 20; Hb 4:9, 10; etc.)

2. O que significa “entristecer” o Espírito Santo? Por outro lado, como podemos “alegrá-Lo”?

3. De acordo com Apocalipse 7:1-4, 14; 14:4, 5, quem são os 144 mil e quais são as suas características mais notáveis? À luz de Apocalipse 17:5, em que sentido os 144 mil não se contaminaram com “mulheres”?

4. Leia Apocalipse 7:4. Que evidências você pode citar de que os 144 mil “selados” não representam um número literal?

5. Por que Deus vai permitir que os 144 mil passem por um tempo de grande tribulação antes da vinda de Jesus? (1Pd 4:12-14)

6. Em sua concepção, como é o dia a dia de uma pessoa “lavada pelo sangue” de Jesus e “selada” pelo Espírito Santo? Como são os pensamentos, relacionamentos, as atividades de trabalho, o lazer, etc. de uma pessoa assim? Em que essa pessoa é diferente das outras que não foram “lavadas no sangue” de Jesus e não têm o selo de Deus? Como se alcança esse estado para fazer parte dos 144 mil?

Notas sobre os 144 mil

Há muita discussão sobre quem são precisamente os 144 mil. Basicamente, são os salvos que estarão vivos no fechamento da história da Terra. Eles se manterão fiéis durante o tempo da grande tribulação, mesmo sob intensa perseguição, e não experimentarão a morte, pois serão glorificados por ocasião da volta de Jesus.

Contudo, além desses, há também um grupo especial que possivelmente fará parte dos 144 mil. São os que morreram tendo fé na vinda de Jesus após terem passado pela grande decepção em 1844, os quais ressuscitarão para vê-Lo voltar. Em 1850, ao escrever para um cristão cuja esposa havia falecido, Ellen White disse: “Vi que ela estava selada, e à voz de Deus ressurgiria e se ergueria sobre a Terra, e estaria com os 144.000” (2ME, 263). Porém, ao mesmo tempo, não podemos especular muito sobre o assunto além do que está revelado. Em outro texto, registrado 64 anos depois, White diz: “Não tenho luz sobre o assunto [sobre quem constitui precisamente os 144 mil]” (3ME, 51).

Uma coisa pode ser afirmada com certeza sobre os 144 mil: não se trata de um número literal. A maior evidência disso é o fato de que eles teriam que ser só judeus, sendo precisamente 12 mil de cada uma das 12 tribos, as quais não mais existem há muito tempo. E mesmo que existissem, seria complicado definir quais seriam as 12 tribos, pois várias listas divergem entre si – por exemplo, umas não incluem Levi para inserir os dois irmãos Efraim e Manassés no lugar de seu pai José. A lista do Apocalipse não menciona o nome de Dã, e Efraim é substituído por José. O que temos que lembrar aqui é que no Novo Testamento a igreja é o novo Israel (ver Gálatas 3:7, 9, 29).

Além de tudo isso, o número preciso (12 mil de cada tribo) não faria jus à salvação baseada no livre-arbítrio, mas em uma escolha arbitrária por parte de Deus.

Assim, vemos que o significado desse número está no valor simbólico do número 12 (em referência aos 12 filhos de Jacó, às 12 tribos e aos 12 apóstolos) para representar o povo de Deus. Por isso são 12 tribos vezes 12 mil de cada, resultando em 144 mil.

Natal Gardino é doutor em Ministério pela Andrews University e pastor distrital em Jardim Iguaçu, Maringá, PR

Anúncios