Prendam Bernardinho, esse transfóbico!

1Era para ser tão-somente uma jogada de vôlei. Uma atleta recebe, outra levanta e um terceiro ataca a bola em direção à quadra adversária. Ao lado da quadra, o técnico da equipe reclama do ponto perdido e solta um palavrão depois de fazer uma constatação óbvia: trata-se de um homem jogando contra mulheres. Era para ser tão-somente um lance num jogo de quartas-de-final da Superliga Feminina de vôlei. Mas se transformou num maremoto identitário.

Tudo porque o jogador que finalizou o ataque se chama Tiffany. Ele é um homem biológico de ombros largos, quadril estreito, braços e pernas fortes e toda uma estrutura física moldada à base da testosterona que correu em suas veias depois da puberdade e antes de ela se submeter a uma cirurgia de mudança de sexo (ou ressignificação sexual, para os que falam a novilíngua) e ao tratamento hormonal exigido pelo Comitê Olímpico Internacional. Desde 2017, Tiffany defende o Sesi Bauru. Contra equipes formadas por mulheres biológicas, ele é consistentemente o maior pontuador e também o melhor jogador em quadra.

Ativistas trans ficaram furiosos porque Bernardinho simplesmente constatou algo que salta aos olhos de quem ainda consegue enxergar o mundo sem a lente contaminada da política identitária: a despeito do nome e dos órgãos sexuais novos, uma parcela de Tiffany, a física, a atlética, será para sempre Rodrigo.

Os ativistas recorreram às redes sociais, sempre elas, para atacar o treinador, usando para isso os lugares-comuns argumentativos de sempre. Ao usar a palavra “homem” para se referir a Tifanny, Bernardinho seria transfóbico, homofóbico, o pior ser humano do Universo, alguém a ser punido pela chibata invisível da opinião pública por não rezar pela cartilha do gênero neutro.

Se o egrégio Supremo Tribunal Federal retomar o julgamento que criminaliza o que um burocrata qualquer definirá como homofobia e decidir mesmo igualar comentários como o de Bernardinho (“é um homem!”) ao racismo, qualquer pessoa que ousar empregar o artigo masculino para se referir a Tiffany (ou o feminino para se referir a Tammy Gretchen) será não só alvo da rebelião dos trolls cheios de boas intenções, mas também correrá o risco de pagar multa, indenização por dano moral e até ser preso.

Sim, preso.

Pois que prendam Bernardinho, esse homem abjeto indignado com a injustiça de ver suas esforçadas atletas tendo de competir esportivamente contra um adversário em clara vantagem biológica!

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E, para aproveitar a viagem do camburão, prendam também a tenista Martina Navratilova, lésbica, que recentemente também foi excomungada pela comunidade LGBT por ter afirmado num artigo que homens que se identificam como trans e competem em esportes femininos são nada menos do que trapaceiros. Prendam-na por ter cometido o terrível crime de expressar sua opinião! Por ter causado um dano irreversível ao coração fragilíssimo desses homens fortes e suas raquetadas violentas.

No embalo punitivista daqueles que pretendem reparar o que não requer reparo, prendam também Jordan Peterson, o professor que se recusou a usar o pronome neutro para se referir a seus “alunxs”. Prendam o atendente de uma loja de conveniências que aparece num vídeo viral cometendo o delito grave, gravíssimo, imperdoável mesmo de se referir a um homem de saias como “senhor”.

Temeroso diante da reação da milícia virtual, Bernardinho acabou se desculpando. Disse que não queria ofender Tiffany, o que é evidente. Ninguém – ninguém! –, nem mesmo o explosivo Bernardinho, quer que trans, atletas ou não, sofram violência, sejam humilhados, ostracizados, demonizados, excluídos do bom convívio, presos, torturados, etc. Adiante, ele esclareceu que seu comentário (“é um homem!”) fazia referência “ao gesto técnico e ao controle físico que ela tem, comum aos jogadores do [vôlei] masculino e que a maior parte das jogadoras não tem”.

O que deixa claro que Bernardinho não entendeu algo que os ministros do Supremo parecem ter compreendido melhor: desculpas de nada servem se na frase seguinte o “criminoso” insiste em reiterar a realidade e em questionar a narrativa fantasiosa.

Trata-se, pois, de um crime com um sem-número de agravantes, sem qualquer possibilidade de perdão. Às favas todos os escrúpulos de consciência! Na tirania identitária, a única sentença aceitável é também aquela que exclui qualquer possibilidade de arrependimento. Cortem as cabeças, pois.

(Paulo Polzonoff, Gazeta do Povo)

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Anjos têm corpo físico?

anjos01É comum vermos entre cristãos uma ideia especulativa, sem apoio bíblico genuíno, de que anjos são seres desencarnados, imateriais, etéreos e regidos por leis físicas bastante diferentes das conhecidas. Há quem chegue a afirmar que eles podem inclusive alterar leis físicas. Isso tem a ver, por exemplo, com a ideia de que os seres espirituais mencionados na Bíblia são capazes de atravessar paredes, entrar no corpo das pessoas, viajar mais rápido do que a luz e violar leis físicas. Porém, quando estudamos a linguagem bíblica mais profundamente e comparamos o que a Bíblia diz com o que sabemos sobre Relatividade Geral e outros achados mais recentes, percebemos que essas ideias não passam de fantasias tradicionais sem fundamento bíblico e contrárias a consequência de fatos que conhecemos bem de perto em Física. Proponho aqui uma especulação alternativa, porém baseada em muitas evidências, umas poucas das quais mencionaremos de passagem.

Quando você está em um andar de um prédio, pode até estar exatamente nas mesmas coordenadas geográficas (longitude e latitude) de outra pessoa que se encontra em outro andar do mesmo prédio. Cada um de vocês é invisível para o outro. Nem por isso as pessoas ficam imaginando que seus vizinhos são seres etéreos e regidos por outras leis só porque não podem vê-los. As pessoas estão apenas em andares diferentes. Basta subir ou descer uma escada e todos podem se encontrar de vez em quando. O Universo também parece ter várias camadas (como diferentes andares de um prédio). O fato de anjos ficarem invisíveis para humanos não precisa ter nada a ver com a composição deles ou com as leis que os regem. Mas os humanos estão realmente limitados pelo pecado, de forma que estão presos em sua respectiva camada, no momento.

Leis físicas possuem características do que chamamos de equações diferenciais. Elas se caracterizam por tratar de uma infinidade de situações, podendo gerar comportamentos muito diferentes em cada caso. Uma flauta perfeita tem um som agradável, ao passo que uma flauta rachada tem um som feio. A lei que rege ambas é exatamente a mesma, a mesma equação diferencial, inclusive com os mesmos parâmetros. A diferença está no que chamamos de condições de contorno: de acordo com a equação que rege esse fenômeno, a rachadura em uma das flautas afeta o formato das ondas e as frequências sonoras permitidas pela lei. A diferença no resultado é bem evidente aos nossos ouvidos.

No século 18, um estudioso chamado Pierre Louis Moreau de Maupertuis (1698-1759), ao comparar argumentos teístas e ateístas, concluiu que todos tendiam a se relativamente frágeis. Propôs um teste. Se, a partir de características do Deus da Bíblia for possível deduzir informações específicas, mensuráveis, precisas e exatas sobre o mundo físico, isso seria um poderoso argumento em favor da existência de Deus. E ele encontrou algo que foi uma das maiores descobertas científicas de todos os tempos: um princípio de otimização que ficou conhecido como “princípio da ação mínima”. Esse princípio decorre da perfeição e poder do Deus bíblico. Tudo o que Ele faz é perfeito, otimizado, inclusive as leis que regem tudo o que Ele cria. Isso pode ser expresso por uma fórmula bastante simples: δS=0. a partir disso, pesquisadores como Euler, Lagrange e Hamilton mostraram que é possível deduzir as equações das leis físicas básicas a partir deste princípio, que continua sendo usado até hoje para alavancar as pesquisas mais avançadas. Isso nos deu um conhecimento antes inimaginável sobre o funcionamento da realidade.

Note que esse princípio de otimização não se restringe à matéria, mas a tudo o que Deus cria ou faz. Aplica-se mesmo a milagres. Violar leis físicas é violar esse princípio e afastar-se da perfeição. Em outras palavras, violação da lei chama-se pecado, não milagre. Existem autores cristãos que tratam desse assunto de forma bastante interessante, como C. S. Lewis em seu livro Miracles.

Uma autora importante que também fala sobre o assunto é Ellen White. Ela menciona, por exemplo, em Thought from the Mount of Blessing, página 152, que as mesmas leis regem o mundo espiritual e o natural. Um ponto interessante é que ela não parecia conhecer o princípio da ação mínima, sua origem e consequências e mesmo assim afirmou isso. Também mencionou a condição atual de Satanás: “Sua constituição era ampla; mas a carne lhe pendia frouxamente nas mãos e no rosto.” História da Redenção, página 45. Interessante, essa cena de uma pessoa forte mas envelhecida, com a carne pendendo frouxamente dos ossos do rosto e das mãos. Ela também disse que ele temeu pela própria vida ao se ver envolto pela catástrofe do dilúvio.

Uma das consequências teológicas do conhecimento gerado pela princípio da ação mínima é de que o pecado não pode alterar leis. O que ele altera são condições locais que fazem com que as mesmas leis que regem tudo gerem resultados ruins.

Independentemente da composição dos anjos, para funcionar como seres eles precisam de partes que interagem entre si. Precisam ser capazes de processar informações, pensar, interagir com outros, etc. A Bíblia também nos ensina que eles interagem com a matéria, como se vê em diversas passagens. Para o leigo isso pode parecer pouco, mas tem consequências muito específicas até mesmo quanto à composição deles. Se cruzarmos essas informações com leis derivadas do princípio da ação mínima, isso nos habilita a descartar uma série de especulações, incluindo as crenças mais populares sobre anjos que mencionamos no início.

Os anjos existem no tempo, o que implica que existem no espaço-tempo (não existe tempo sem espaço, dada a natureza do tempo). Não é qualquer coisa que pode existir no espaço-tempo, pois as leis físicas só admitem um certo conjunto de possibilidades. E todas essas possibilidades têm a ver com tipos de partículas e suas interações. E como os anjos interagem com a matéria comum das formas descritas na Bíblia, isso limita ainda mais as possibilidades. Na verdade, isso implica que eles são feitos exatamente do mesmo tipo de matéria que nós, embora com sistema biológico diferente (assim como os animais terrestres são diferentes dos peixes, por exemplo). Aliás, é sábio da parte de Deus fazer as coisas assim, pois isso torna todos os Seus filhos que vivem no Universo compatíveis entre si até em termos de alimentação, árvore da vida, etc.

A linguagem bíblica, vista pelos olhos de uma cultura helenizada, induziu muitos a entenderem as afirmações bíblicas sobre corpo espiritual à moda grega. Como o leitor entende a seguinte passagem? “Assim também a ressurreição dentre os mortos. Semeia-se o corpo em corrupção; ressuscitará em incorrupção. Semeia-se em ignomínia, ressuscitará em glória. Semeia-se em fraqueza, ressuscitará com vigor. Semeia-se corpo natural, ressuscitará corpo espiritual. Se há corpo natural, há também corpo espiritual” (1 Coríntios 15:42, 43). Quando ressuscitarmos teremos corpos espirituais, correto? É o que a Bíblia diz. Mas o que é um corpo espiritual? Não feito de matéria? Vejamos um pouco mais do contexto, o assunto que está em discussão e as explicações que se seguem. Primeiro o contexto da discussão.

“Ora, se se prega que Cristo ressuscitou dentre os mortos, como dizem alguns dentre vós que não há ressurreição de mortos? E, se não há ressurreição de mortos, também Cristo não ressuscitou. E, se Cristo não ressuscitou, logo é vã a nossa pregação, e também é vã a vossa fé. E assim somos também considerados como falsas testemunhas de Deus, pois testificamos de Deus, que ressuscitou a Cristo, ao qual, porém, não ressuscitou, se, na verdade, os mortos não ressuscitam. Porque, se os mortos não ressuscitam, também Cristo não ressuscitou. E, se Cristo não ressuscitou, é vã a vossa fé, e ainda permaneceis nos vossos pecados. E também os que dormiram em Cristo estão perdidos” (1 Coríntios 15:12-18).

Note que Cristo morreu para pagar os pecados da humanidade. A morte, não a ressurreição dEle, pagou o preço do pecado. Com isso em mente, observe a ênfase dada pelo apóstolo ao ponto de que sem ressurreição não há salvação e que, sem ressurreição os mortos estariam perdidos, apesar de o preço de seu resgate já ter sido pago. Isso não teria sentido se os mortos estivessem vivos desencarnados, com corpos espirituais no sentido helenizado. Vejamos que outras coisas interessantes encontramos neste capítulo.

“Mas alguém dirá: Como ressuscitarão os mortos? E com que corpo virão? Insensato! o que tu semeias não é vivificado, se primeiro não morrer. E, quando semeias, não semeias o corpo que há de nascer, mas o simples grão, como de trigo, ou de outra qualquer semente. Mas Deus dá-lhe o corpo como quer, e a cada semente o seu próprio corpo. Nem toda a carne é uma mesma carne, mas uma é a carne dos homens, e outra a carne dos animais, e outra a dos peixes e outra a das aves. E há corpos celestes e corpos terrestres, mas uma é a glória dos celestes e outra a dos terrestres. Uma é a glória do sol, e outra a glória da lua, e outra a glória das estrelas; porque uma estrela difere em glória de outra estrela. Assim também a ressurreição dentre os mortos. Semeia-se o corpo em corrupção; ressuscitará em incorrupção” (1 Coríntios 15:35-42).

Aos olhos de quem cria que tudo na terra é composto de quatro elementos (água, fogo, terra e ar) e tudo o que está nos céus (Sol, Lua, etc.) é feito de um quinto elemento, essa passagem parecia dizer claramente que a composição de quem ressuscita (e dos anjos, portanto, já que Cristo afirma que os ressurretos serão como os anjos) é completamente diferente do que existe no mundo natural. Hoje sabemos que não é o caso, que o Sol, a Lua e as estrelas são feitos do mesmo tipo de material do qual nossos corpos são feitos. Apenas muda a estrutura, as proporções na composição, o estado físico, etc. Apesar desses novos conhecimentos, permaneceu entre os cristãos a interpretação helenizada.

Há mais declarações interessantes neste capítulo.

“Semeia-se corpo natural, ressuscitará corpo espiritual. Se há corpo natural, há também corpo espiritual” (1 Coríntios 15:44). “E agora digo isto, irmãos: que a carne e o sangue não podem herdar o reino de Deus, nem a corrupção herdar a incorrupção” (verso 50).

Estas passagens parecem fechar a questão com chave de ouro. Porém, temos ainda mais comentários interessantes nesse capítulo.

“Eis aqui vos digo um mistério: Na verdade, nem todos dormiremos, mas todos seremos transformados; num momento, num abrir e fechar de olhos, ante a última trombeta; porque a trombeta soará, e os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados. Porque convém que isto que é corruptível se revista da incorruptibilidade, e que isto que é mortal se revista da imortalidade. E, quando isto que é corruptível se revestir da incorruptibilidade, e isto que é mortal se revestir da imortalidade, então cumprir-se-á a palavra que está escrita: Tragada foi a morte na vitória” (1 Coríntios 15:51-54).

Agora a situação ficou estranha para a interpretação espiritualista usual. O texto diz que seremos revestidos de incorruptibilidade, de imortalidade. Podemos entender isso como uma transformação que nos tornará imortais (exatamente como o verso 51 afirma), com ênfase a ter nossa estrutura atual realmente modificada e não substituída por algo.

Bem, se os que forem ressuscitados e os vivos transformados serão como os anjos (Lucas 20:36), então a natureza física dos anjos corresponde a nossa natureza atual, porém modificada para ser incorruptível. Porém, como vimos acima, “nem toda a carne é uma mesma carne, mas uma é a carne dos homens, e outra a carne dos animais, e outra a dos peixes e outra a das aves.” Note que todos esses exemplos são feitos exatamente do mesmo tipo de matéria e até das mesmas substâncias básicas. São apenas variantes de uma mesma base biológica. Da mesma forma, os corpos celestes e terrestres exemplificados são também feitos do mesmo tipo de matéria, alterando apenas pequenos detalhes do ponto de vista físico. Seguem exatamente as mesmas leis e são compostos pelos mesmos elementos.

Mas, se isso se aplica também a anjos, como explicar que eles podem entrar e sair de locais fechados, ficar invisíveis e “possuir” pessoas? Na verdade, os mesmos conhecimentos sobre Física que nos permitem descartar ideias que eram tradicionalmente aceitas mas que se mostraram incoerentes, também nos permitem conhecer inúmeras possibilidade nas quais essas coisas são possíveis mesmo que os anjos sejam feitos exatamente do mesmo tipo de matéria da qual nós somos feitos. O difícil, é colocar tudo em linguagem simples para quem não conhece certas áreas específicas da Física com certa profundidade.

Outro evento interessante é mencionado em Atos 12. Pedro estava preso, algemado a guardas em uma prisão romana. Se ele fugisse, os guardas poderiam ser executados. Um anjo aparece para ele, as algemas caem e ele sai da prisão sem impedimentos. Só pela manhã os guardas perceberam que ele havia sumido. Ninguém mais notou que a prisão se abriu durante a noite? Como as algemas caíram dos braços de Pedro? Elas tornaram-se imateriais ou Pedro tornou-se etéreo como o anjo? Conhecem-se alternativas possíveis pelas leis físicas conhecidas sem apelar-se para hipóteses mirabolantes que violam essas mesmas leis. E essas possibilidades envolvem topologia e geometria. Quem tem meios de passar de uma camada (3-brane) do universo para outra, poderia facilmente efetuar esse processo com Pedro.

Mas lembre-se de que o exemplo que dei foi de andares bidimensionais, por uma questão didática. Na realidade, estamos falando de “andares” tridimensionais. Do ponto de vista de quem pode passar de um para outro, do ponto de vista dos anjos, estamos ao alcance da mão. Não são andares bidimensionais empilhados verticalmente. Essa foi apenas uma forma didática de explicar um aspecto da coisa, mas essa analogia tem limitações que a geometria não tem.

Outro detalhe interessante: já foram feitos estudos envolvendo inclusive autópsias de médiuns pessoas suspeitas de possessão, etc. Havia danos no cerebelo dessas pessoas. Aparentemente, queimaduras de micro-ondas. As forças armadas norte-americanas têm feito experimentos com micro-ondas para transmitir sinais diretamente ao cérebro humano. Os que se submetem a experimentos têm relatado que ouvem clicks quando atingidos por pulsos eletromagnéticos devidamente calibrados. Em princípio, seria possível enviar sinais eletromagnéticos ao cerebelo (o cérebro funciona por eletromagnetismo, como qualquer outro sistema biológico) para controlar todos os movimentos de uma pessoa. Quando acessamos um computador remotamente, frequentemente dizemos que “entramos” nele. Não significa que estamos fisicamente dentro do computador, mas que o acessamos e temos pelo menos algum controle sobre ele. A possessão demoníaca pode ser entendida da mesma forma, sem apelar-se a especulações incompatíveis com o princípio da otimização.

Eduardo Lütz é bacharel em Física pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e mestre em Astrofísica Nuclear pela mesma universidade. Efetuou pesquisas em Física Hipernuclear (com híperons) na Universidade Friedrich-Alexander (Alemanha). Também é engenheiro de software para a Hewlett-Packard (HP), desenvolvendo tecnologias em Informática há décadas.

Pedido de ajuda de Moçambique

Através de comunicação com a Associação Geral foi feito um protocolo para que as doações para a reconstrução da Universidade Adventista de Moçambique (Beira) sejam contabilizadas e processadas pela Associação Geral, por meio do Departamento de Missão Global (Missão Adventista). Ajuda especial (em dinheiro) pode ser enviada por meio das seguintes opções:

1) Envio de cheque pessoal e/ou cheque da sua igreja para o escritório da “Missão Adventista”, lembrando de marcá-lo com a seguinte mensagem:

“Mozambique Adventist University Storm Relief – Cyclone IDAI.”

Endereço: Global Mission – C/O: Mr. Jeff Scoggins General Conference – SDA Church 12501 Old Columbia Pike Silver Spring, MD 20904 USA

2) Doação direta online – siga as orientações abaixo: Acesse: https://gm.adventistmission.org/giving

Clique: Donate Preencha os campos com: “My donation is for *”: No menu, escolha: “Other – Put details in comments below””

E escreva mais abaixo (no Payment Information) em “Comments”: “Mozambique Adventist University Storm Relief – Cyclone IDAI.”

Não cuidar dos pobres é pecado

meninosO último texto em que usei a palavra “pecado” deu o que falar nas redes sociais. Talvez o problema esteja na compreensão do que seja pecado. Talvez esteja no fato de que as pessoas não querem ser incomodadas em sua “zona de conforto”, mesmo que saibam que alguma prática ou hábito vai contra as orientações de Deus. A Bíblia afirma que “pecado é transgressão da lei [anomia]” (1 João 3:4). Em outras palavras, qualquer coisa que não esteja em conformidade com a lei divina é uma violação dessa lei. Logo, consumir conscientemente produtos que façam mal à saúde, por exemplo, é violar as leis de saúde estabelecidas por Deus. Roubar, matar, adulterar e tomar o nome de Deus em vão são atitudes que violam a lei moral de Deus (Êxodo 20), logo, também são pecado. Em Romanos 2:12, o apóstolo Paulo diz que os que sem lei pecaram, sem lei serão julgados, e é lógico que seja assim, afinal, Deus não julgará alguém por aquilo que ele não conhecia ou não compreendia devidamente. O que não se pode dizer daqueles que conhecem bem a vontade do Criador e se opõem conscientemente a ela. Para esses, resta a advertência de Jesus em Lucas 12:47 e 48.

Na leitura do capítulo bíblico de hoje do projeto Reavivados por Sua Palavra (RPSP), Deus denuncia outra atitude pecaminosa: a falta de cuidado com os pobres. Em Deuteronômio 15:10 e 11, fica claro que é pecado inorar as necessidades dos desfavorecidos. O amor é a base da lei de Deus. Quando ignoramos as necessidades dos que sofrem, atentamos diretamente contra o âmago dos mandamentos divinos. O Senhor quer que exercitemos a solidariedade e promete, inclusive, nos abençoar ao fazer isso. Ele quer que sejamos Suas mãos neste mundo de miséria e que não fechemos os olhos e os ouvidos ao clamor do nosso semelhante.

Quando estudamos mais detidamente as orientações bíblicas no aspecto social, ficamos impressionados com a justiça divina e com os conceitos que antecedem em muito iniciativas humanas como as do socialismo, por exemplo. Vejamos:

  • No Antigo Testamento, o amor ao filho era tão grande que a esterilidade era considerada castigo de Deus. Não havia necessidade de proibição ao aborto.
  • No fim de 50 anos qualquer terreno vendido era devolvido ao seu proprietário anterior. Ricos não poderiam acumular terras e a repartição equitativa de terras era mantida no país.
  • Pobres tinham direito às espigas que sobravam das colheitas.
  • Era proibido cobrar juros em caso de empréstimo.
  • Os escravos não eram considerados mercadoria e, sim, pessoas criadas à imagem de Deus. A prática da escravidão foi abandonada aos poucos em Israel.
  • O sábado proporcionava a todos um dia de descanso.

Como se pode ver, ideologias como a marxista se apropriaram de conceitos muito mais antigos presentes na Bíblia Sagrada. Justiça social não é novidade, quando se estudam as Escrituras. O Novo Testamento também fala disso:

  • “O que oprime ao pobre insulta ao seu Criador; mas honra-O aquele que se compadece do necessitado” (Provérbios 14:31).
  • “Recomendando-nos somente que nos lembrássemos dos pobres; o que também procurei fazer com diligência” (Gálatas 2:10).
  • “A religião que Deus, o nosso Pai, aceita como pura e imaculada é esta: cuidar dos órfãos e das viúvas em suas dificuldades e não se deixar corromper pelo mundo” (Tiago 1:27, NVI).

Deus nos ajude a não pecar contra Ele, contra o próximo e contra nós mesmos. Vivamos uma vida de amor e fidelidade aos mandamentos do Criador.

Michelson Borges

Nota: Se você quiser receber pelo WhatsApp materiais devocionais relacionados com as leituras bíblicas diárias do RPSP, basta utilizar este link de acesso: https://chat.whatsapp.com/JBMwytAhzW5LfhDgQDuvcR

Apocalipse: “Faço novas todas as coisas”

nova jerusalemFinalmente, chegamos à conclusão do livro do Apocalipse: a Terra renovada ao seu status original sem a presença do pecado. Jesus é retratado como um grande conquistador, montado em um cavalo branco, assim também como o Seu exército de milhões de anjos que O seguem. O pecado e os pecadores impenitentes finalmente deixarão de existir. A Terra será renovada e será até mesmo melhor que no princípio, pois desta vez o próprio Deus habitará conosco ao transferir o próprio trono para a Terra (21:2, 3; 22:3).

Perguntas para discussão e aplicação

Compare Apocalipse 19:7, 8 com 7:13, 14; Isaías 61:10; 64:6. O que causa essa mudança de “vestes” espirituais ou de caráter? Apesar de não sermos salvos por nossas próprias obras, o que significam as “vestes de justiça” daqueles que serão salvos?

1. Apocalipse 19:11-16 retrata simbolicamente Jesus voltando com Seu exército de anjos, todos montados em “cavalos brancos”. Em sua opinião, qual é o significado dessa ilustração? O que significam os nomes de Jesus nesse texto para essa ocasião? O que significa a “espada” que sai de Sua boca (ver Efésios 6:16)? De acordo com 19:21, de que forma essa “espada” tem o poder de matar os homens?

2. Leia Apocalipse 14:19, 20 e 19:17-21, textos que tratam da ocasião da volta de Jesus. Por que esse evento tão aguardado pelos cristãos é retratado com imagens tão fortes quando se refere aos perdidos? Compare esse pensamento com Provérbios 8:35, 36; Ezequiel 33:11; João 3:16; Romanos 6:23 e responda: Por que o evangelho, ao fim, se resume em vida ou morte?

3. Note o que o texto diz sobre as aves em 19:17, 18, 21. Se essas palavras forem literais, isso significa que os animais continuarão vivos depois que os humanos ímpios morrerem e as aves se banquetearão com os seus cadáveres. Isso era considerado uma grande maldição na Antiguidade. Em sua opinião, por que os animais, diferentemente dos humanos impenitentes, não morrem diante da presença de Deus nessa ocasião?

4. Depois da volta de Jesus os salvos passarão mil anos no Céu com Jesus e com todos os salvos ressuscitados e trasladados de todas as épocas. Leia sobre a situação do planeta Terra nesse período em Apocalipse 20:1-3 e Jeremias 4:23-26. Só depois desses mil anos os ímpios finalmente deixarão de existir. Em que sentido Satanás estará “preso” durante esses mil anos? Por que Deus não o destrói de uma só vez na ocasião de Sua vinda em vez de esperar esse longo período? Leia Mateus 19:28; 1 Coríntios 6:2, 3; Apocalipse 20:4-6 e responda: Qual o propósito dos mil anos antes da eliminação final e total do mal?

5. De acordo com Apocalipse 20:7-9, o que acontecerá após o período do milênio? Por que tem que ser assim? O que isso nos diz sobre a gravidade do pecado? Como seria o Universo se o pecado não fosse jamais erradicado?

6, Compare Isaías 65:17; 66:22; 2 Pedro 3:13 e Apocalipse 21:1. Por que precisamos de um “novo céu” e uma “nova Terra”? De que forma o pecado estragou o nosso céu atmosférico e a Terra? Por que Jesus Se preocupa até com o nosso futuro habitat? E por que Ele mesmo vai morar conosco dessa vez?

7. Leia Apocalipse 21:21-22:5. Imagine a cidade santa inteirinha descendo de algum lugar do vasto espaço sideral, com o trono de Deus no meio dela! Isso significa que essa cidade será a capital do Universo! Significa que Deus morará conosco! Significa que este planetinha, daí em diante, passará a ser o “Céu”, porque o Céu é onde está o trono de Deus! O que isso tudo diz ao seu coração? Como esses fatos maravilhosos o estimulam a ser fiel até o fim?

Este é o fim do nosso estudo sobre o livro do Apocalipse. Mas devemos continuar estudando sempre. Como este estudo impressionou você? O que mais lhe impactou? Quanto você realmente gostaria de passar pelas provas finais e estar entre os salvos? Como esse desejo deve se refletir em sua vida diária?

Natal Gardino é doutor em Ministério pela Andrews University e pastor distrital em Jardim Iguaçu, Maringá, PR

O dia em que juntaram o Tinder com a IASD

tinderNestes tempos bicudos de pós-modernidade, “AAA” já não mais significa Associação dos Alcoólicos Anônimos. Simplesmente junta a trinca Ávido + Acumulador + Agressivo (primado Yuppie – “YUP” quer dizer “Young Urban Professional”) com as bases existenciais da eterna adolescência mental: Autocomplacência + Autocondescendência + Autoindulgência. O Estado da Arte dessa danação se manifestou através do aplicativo Tinder: um algoritmo de checklist sobre desejos e idiossincrasias que ajuda a reunir pessoas superficialmente compatíveis a fim de conduzi-las para uma experiência de cruzo (“transar” já se tornou um termo hipossuficiente).

Quem leu o terceiro capítulo da segunda carta de Paulo a Timóteo não se surpreenderia se surgisse (se é que já não existe) um equivalente para o Tinder em questões de escolhas denominacionais (Pimper?). Ali o AAA poderia se cadastrar e preencher uma longa lista de preferências pessoais, depois escolher entre acionar a busca pelo “match” enquanto passeia pelas ruas ou acionar uma opção de interação com o Uber, que lhe oferecesse os templos mais próximos e convenientes.

O problema mais grave é quando essa mania de customizar opções invade aos poucos a nossa querida IASD e começa a criar tendências, embriões do sectarismo e da celeuma. E então toda unidade almejada por Jesus e batalhada diuturnamente pelo Santo Espírito vira somente uma recordação dos tempos de nossos pioneiros.

Adoração não é liturgia. É um estilo de vida fundado na revelação divina que terá consequências tanto no cumprimento da missão quanto no próprio processo individual de salvação. Fazer ou deixar de fazer isso ou aquilo nada tem a ver com meu coraçãozinho de Nadabe e Abiú (“Ãin… é que eu tenho personalidade forte!”). Nem com presunções supostamente perfeccionistas. É uma questão de bom senso e vergonha na cara. Pra quem duvida, basta combinar Juízes 21:25 (“Naqueles dias cada um fazia o que parecia bem aos seus olhos”) com Provérbios 16:25 (“Há caminho que parece direito ao homem, mas o seu fim são os caminhos da morte”).

Traduzindo: pra meio entendedor, boa palavra basta – quem quer procura um jeito, até mesmo a “comunhão com Deus”; quem não quer inventa desculpa. Não troquemos a Ellen pela Jênifer.

Marco Dourado

“Pois virá o tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, sentindo coceira nos ouvidos, segundo os seus próprios desejos juntarão mestres para si mesmos. Eles se recusarão a dar ouvidos à verdade, voltando-se para os mitos.” 2 Timóteo 4:3, 4

Testemunho de conversão de ex-prostitutas

“Deus amou o mundo de tal maneira que deu o Seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.” João 3:16

Saiba por que tomar café é pecado

cafeO jornalista brasileiro Andrei Netto, 42 anos, que vive e trabalha em Paris, começou a ter insônia por volta dos 36 anos. Como cobriu guerras e vivenciou experiências violentas ao longo de sua carreira, inicialmente atribuiu o sintoma a algum tipo de estresse pós-traumático e chegou a buscar terapia. “Ficava acordado, não conseguia dormir e tinha que levantar e fazer outra coisa. Esse problema do sono veio acompanhado de uma certa angústia e de uma dificuldade para respirar”, conta. Há cerca de dois anos, conversando sobre o assunto com sua sobrinha, a solução ao problema surgiu de maneira inesperada. “Ao me ver fazendo café, perguntou: Você já pensou em parar de tomar café? Pensei: é isso.” O jornalista passou a testar sua tolerância à bebida, tomando dia sim, dia não, ou intercalando com intervalos maiores, para ver se seus sintomas melhoravam.

“Toda vez que eu voltava a tomar regularmente, por três ou quatro dias seguidos, os efeitos reapareciam”, conta. O repórter decidiu então cortar o café e notou que seu sono e sua respiração voltaram ao normal. A angústia também desapareceu. “Por algum motivo, que desconheço, o café causava um certo grau de intoxicação”, deduziu.

Levamos o caso do jornalista a Xavier Laqueille, chefe do setor de Psiquiatria do hospital Sainte Anne, um dos mais renomados da capital francesa, especializado em dependência química. Ele confirmou a impressão do repórter: Andrei foi provavelmente vítima de uma intoxicação por café, um estimulante desaconselhado para quem tem sensibilidade à substância, geralmente perfis ansiosos. “Os efeitos do café são muito mais longos do que pensamos e, além disso, cumulativos. Quando tomamos café, podemos ter sintomas de ansiedade ou insônia até 15 horas depois”, explica. “Não é um problema grave, mas quando existe essa complicação, é bem desagradável, e é preciso lembrar do café e seus efeitos”, afirma.

O excesso da cafeina, diz, pode gerar também ataques de pânico, vertigens, diarreia e vontade frequente de urinar. “Habitualmente, quanto temos problemas induzidos por substâncias, existe uma sensibilização: quer dizer, podemos ter diferentes sensações com doses cada vez menores. É preciso prudência”, declara. O psiquiatra também lembra que, quando a pessoa interrompe o consumo e volta a tomar café, uma pequena xícara já é suficiente para provocar o reaparecimento dos sintomas.

A pesquisadora Julie Carrier é diretora científica da rede canadense sobre o sono e o ritmo biológico, da Universidade de Montreal. Estudos realizados em seu laboratório mostraram que o café afeta o sono, mesmo consumido em pequena quantidade. “As pessoas de um modo geral sabem que a cafeína pode gerar dificuldades para dormir ou fazê-las acordar à noite, mas poucas têm noção de que a substância diminui o chamado sono lento e profundo”, diz.

Essa fase, conhecida como REM, abreviação de “rapid eyes movement”, é essencial para o repouso e para a cognição. Os olhos se mexem, a atividade cerebral é intensa e os músculos ficam paralisados. É nesse momento da noite que sonhamos. Privar-se do chamado sono paradoxal aumenta o risco de ter doenças como o mal de Parkinson ou o Mal de Alzheimer, por exemplo, além de outros problemas de saúde.

Segundo a pesquisadora, mesmo entre as pessoas que se consideram “resistentes” ao café, há mudanças na estrutura do sono. A especialista e sua equipe estudaram os efeitos da cafeina no cérebro de adultos de mais de 40 anos – a partir da meia-idade, a qualidade do sono profundo tende a diminuir naturalmente. Os 75 participantes da pesquisa consumiam diariamente de dois a três cafés. O resultado mostrou que, independentemente da sensibilidade individual, o café atrapalhava a chamada “arquitetura cerebral do sono profundo”. “A questão real, penso eu, é: Por que precisamos consumir a cafeína? Deveríamos ser capazes de ter um nível de atenção e vigilância sem precisar de café para nos mantermos acordados”, afirma a pesquisadora, lembrando que, se for por uma questão de gosto, “existem ótimos descafeinados”. […]

(G1 Notícias)

Nota: No século 19, em conformidade com as pesquisas recentes, Ellen White escreveu: “Chá [estimulante], café e fumo são todos estimulantes, e contêm venenos. São não somente desnecessários, mas nocivos, e devem ser rejeitados, caso queiramos acrescentar ao conhecimento, temperança. […] Doenças de toda espécie e tipo têm sido trazidas sobre os seres humanos pelo uso de chá e café e os narcóticos, ópio e fumo. Essas condescendências prejudiciais devem ser renunciadas, não apenas uma, mas todas; pois todas são danosas e destruidoras das capacidades físicas, mentais e morais, devendo, do ponto de vista da saúde, ser abandonadas. […] O café é uma satisfação nociva. Estimula temporariamente o cérebro a uma ação desnecessária, mas o efeito posterior é exaustão, prostração, paralisia das capacidades mentais, morais e físicas. A mente fica enfraquecida, e a menos que, mediante esforço determinado seja o hábito vencido, a atividade do cérebro é permanentemente diminuída (Conselhos Sobre o Regime Alimentar, p. 419, 420).

“Quanto ao chá [estimulante], ao café, fumo e bebidas alcoólicas, a única atitude segura é não tocar, não provar, não manusear. A tendência do chá, café e bebidas semelhantes é no mesmo sentido que as bebidas alcoólicas e o fumo, e em alguns casos o hábito é tão difícil de vencer como é para um bêbado o abandonar os intoxicantes” (Ciência do Bom Viver, p. 335).

Por isso, “tomar chá [estimulante] e café é pecado, condescendência prejudicial, que, como outros males, causa dano à alma. Esses diletos ídolos criam excitação, ação mórbida do sistema nervoso; e depois que a influência imediata do estimulante passa, deixa abaixo do normal, na mesma proporção em que suas propriedades estimulantes elevaram acima do normal” (Conselhos Sobre o Regime Alimentar, p. 366).

Há pessoas que tentam racionalizar e relativizar o assunto. São livres para fazer isso e para comer e beber o que quiser, mas devem saber que não contam com o respaldo nem da ciência, nem da Revelação. Tudo o que prejudica nossa saúde física e mental atenta contra o “templo do Espírito Santo”, nosso corpo. Com o cérebro prejudicado, fica mais difícil ter pensamentos claros, resistir às tentações e ter comunhão com Deus. É matar-se aos poucos, e matar é pecado. A reforma de saúde é um assunto sério e importante, muitas vezes negligenciado por uns e exagerado e “fanatizado” por outros. Ambos os grupos atrapalham a obra que Deus deseja operar entre o Seu povo. Uns tratam o assunto com indiferença e até gracejos, dando a impressão de que seria algo irrelevante; outros fazem disso sua bandeira principal e apontam o dedo para quem não vive segundo sua ótica. Criam aversão a uma mensagem que deveria ser uma bênção. Portanto, ore a Deus e estude. Tome suas decisões com sabedoria, bom senso, tranquilidade e não force ninguém a fazer o mesmo. Você será grandemente abençoado se colocar em prática os chamados “oito remédios naturais”, e seu testemunho amoroso levará muitas pessoas a também pensar no assunto. Deus nos ajude a obedecer Suas instruções. É para o nosso bem e dos que nos rodeiam. [MB]

Cuidado! Somos todos viciados em distração

smartphoneCerta noite, no começo do último verão, eu abri um livro e me flagrei relendo o mesmo parágrafo de novo e de novo, uma meia dúzia de vezes, até me dar conta de que não adiantava continuar. Eu estava simplesmente incapaz de me concentrar o suficiente. Fiquei horrorizado. Ao longo de toda a minha vida, ler sempre foi uma fonte profunda e consistente de prazer, aprendizado e consolação. Agora os livros que eu comprava com regularidade tinham começado a se empilhar na minha mesinha de cabeceira e me encaravam com um olhar silencioso de reprovação. Eu vinha passando tempo demais online, em vez de ler, verificando o número de visualizações do site da minha empresa, comprando mais meias coloridas na Gilt e na Rue La La, por mais que eu já tivesse mais meias do que precisava. […]

No trabalho, eu olhava o e-mail com mais frequência do que eu admitia e passei tempo demais procurando ansiosamente por informações novas sobre a campanha presidencial, por mais que fosse demorar ainda mais um ano até virem as eleições. “A internet é feita para ser um sistema de interrupção, uma máquina configurada para dividir as nossas atenções”, explica Nicholas Carr em seu livro A Geração Superficial: O que a internet está fazendo com os nossos cérebros. “Aceitamos de bom grado a perda de concentração e foco, a divisão de nossa atenção e a fragmentação de nossos pensamentos, em troca de recebermos uma fortuna de informações interessantes ou, pelo menos, capazes de nos distrair.”

Um vício é a atração implacável a uma substância ou atividade, que se torna tão compulsiva que acaba interferindo com a vida cotidiana. Indo por essa definição, quase todo mundo que conheço tem algum grau de vício na internet. Pode-se dizer até que ela já substituiu o trabalho como o vício mais socialmente aceito hoje.

Segundo uma pesquisa recente, o empregado médio num escritório gasta cerca de seis horas por dia só com e-mail. Essa estatística não inclui o tempo online gasto com compras, buscas ou acompanhando redes sociais.

A fome do cérebro por novidades, estimulação constante e gratificação instantânea cria algo chamado de “ciclo da compulsão”. Como ratos de laboratório ou viciados em drogas, precisamos de doses cada vez mais fortes para obter o mesmo efeito. O problema é que nós humanos temos um reservatório bastante limitado de força de vontade e disciplina. Nossa chance de sucesso é muito maior se tentarmos mudar um comportamento só por vez, idealmente no mesmo horário todos os dias, de modo que ele se torne rotina, exigindo cada vez menos energia para manter.

O acesso infinito a novas informações também sobrecarrega com facilidade nossa memória de trabalho. Quando atingimos a sobrecarga cognitiva, nossa capacidade de transferir o aprendizado para a memória de longo prazo se deteriora significativamente. É como se o cérebro tivesse se tornado um copo cheio d’água e qualquer gota a mais o fizesse transbordar.

Faz muito tempo que estou ciente disso. Comecei a escrever sobre o assunto há mais de 20 anos já. Todos os dias explico isso para os meus clientes, só que eu mesmo nunca acreditei de verdade que uma coisa dessas pudesse valer para mim. A negação é a primeira defesa do viciado. Nenhum obstáculo para a recuperação é maior do que a capacidade infinita de racionalizarmos nossos comportamentos compulsivos. Após anos sentindo que eu estava me virando razoavelmente bem, no último inverno acabei caindo num período intenso de viagens enquanto tentava, ao mesmo tempo, gerenciar uma empresa de consultoria em crescimento. No começo do verão, de repente me dei conta de que eu não estava me virando tão bem assim, e tampouco me sentia bem com isso.

Além de passar muito tempo na internet e sentir minha atenção se dispersar, eu também não estava me alimentando direito. Eu bebia refrigerante diet em excesso e com muita frequência tomava um drinque a mais por noite. Também tinha parado de me exercitar diariamente, como tinha sido o meu costume a vida inteira.

Em resposta, criei um plano cuja ambição beirava o irracional. Durante os 30 dias que se seguiram, tentei corrigir esses comportamentos e muitos outros, tudo de uma vez. Era um surto de grandiosidade, o exato oposto do que recomendo para os meus clientes todos os dias. Mas eu tinha racionalizado que ninguém tem um maior comprometimento com o autoaperfeiçoamento do que eu. Esses comportamentos estão todos interligados. “Eu consigo”, eu pensava.

Pude obter algum sucesso naqueles 30 dias. Apesar das tentações, consegui parar totalmente de beber refrigerante diet e álcool (três meses depois, eu continuo sem beber refrigerante). Também abri mão de açúcar e carboidratos como macarrão e batata. Voltei a me exercitar com regularidade. Foi com um único comportamento que fracassei por completo: reduzir meu tempo na internet. Meu compromisso inicial era o de impor limites à minha vida online. Decidi que só iria olhar o e-mail três vezes por dia: quando acordasse, na hora do almoço e antes de ir para casa no fim do dia. No primeiro dia, aguentei firme até a metade da manhã, então entrei em crise. Eu era como um viciado em doces trabalhando numa confeitaria, tentando resistir à vontade de comer um cupcake.

O que derrotou a minha força de vontade naquela primeira manhã foi a sensação de que eu tinha a completa necessidade de mandar algum e-mail para alguém sobre um assunto urgente. Eu dizia a mim mesmo que, se eu só redigisse o e-mail e apertasse “enviar” rapidinho, isso não contaria como entrar na internet. O que não levei em consideração foi o fato de que novos e-mails chegavam na minha caixa de entrada enquanto eu escrevia. Nenhum deles precisava de resposta urgente, mas, mesmo assim, para mim era impossível resistir à tentação de dar uma espiadinha na primeira mensagem que tivesse algo interessante no assunto. Depois a segunda. E a terceira.

Em questão de momentos, eu estava de volta ao mesmo ciclo vicioso. No dia seguinte, desisti de tentar reduzir meu tempo online. Em vez disso, me concentrei na tarefa mais simples de resistir ao refrigerante diet, ao álcool e ao açúcar. Mesmo assim, eu estava determinado a tentar de novo o meu desafio com a internet. Várias semanas depois do fim do meu experimento de 30 dias, saí de casa para passar um mês de férias. Era uma oportunidade para concentrar a minha limitada força de vontade num único objetivo: me libertar da internet, numa tentativa de recuperar o controle sobre a minha atenção.

Eu já tinha dado o primeiro passo para a minha recuperação: admitir minha incapacidade de me desconectar. Agora era a hora da desintoxicação. O segundo passo tradicional – a crença de que só um poder superior poderia me ajudar a recuperar a sanidade – eu interpretei de um modo mais secular. O poder superior se tornou a minha filha, de 30 anos, que desconectou o meu celular e notebook do e-mail e da internet. Livre do fardo do conhecimento técnico, eu não fazia ideia de como proceder para reconectar qualquer um dos dois.

De fato, eu me sinto mais controlado agora. Minha atenção está mais dirigida e menos automática. Quando fico online, tento resistir à vontade de navegar até dizer chega. Sempre que possível, tento perguntar a mim mesmo: “É isso mesmo que eu queria estar fazendo?” Se a resposta for negativa, a minha segunda pergunta é: “O que eu poderia estar fazendo que eu acho que seria mais produtivo, mais satisfatório ou mais relaxante?”

Acabei deixando uma só brecha para contato, que foi a mensagem de texto. Em retrospecto, era como se eu estivesse agarrado a um bote salva-vidas digital. Pouquíssimas pessoas na minha vida se comunicam comigo por mensagem de texto. Como estava de férias, na maior parte essas pessoas eram familiares, e as mensagens só continham informações sobre onde nos encontraríamos em vários pontos ao longo do dia.

Nos primeiros dias, eu de fato sofri com a crise de abstinência, o pior sendo a vontade de abrir o Google para sanar alguma dúvida qualquer que surgisse. Mas, a cada dia que se passava offline, eu me sentia mais relaxado, menos ansioso, mais concentrado e com menos fome de estímulos breves e instantâneas. O que aconteceu com o meu cérebro é exatamente o que eu esperava que fosse acontecer: ele começou a sossegar.

Eu havia trazido comigo, nessas férias, mais de uma dúzia de livros, de tamanhos e níveis de dificuldade variados. Comecei com não-ficção breve, depois passei para a não-ficção longa, conforme fui me sentindo mais calmo e mais concentrado. […] Na medida em que as semanas foram passando, consegui abrir mão da minha necessidade de fatos como fonte de gratificação. Em vez disso, passei então para os romances. […]

Estou de volta ao trabalho agora, e, por isso, é claro, de volta à internet. Não é como se fosse possível abrir mão da internet, e ela ainda vai consumir muito da minha atenção. Meu objetivo no momento é encontrar o melhor equilíbrio possível entre o meu tempo online e offline.

Também faço questão agora de incluir atividades mais envolventes no meu dia a dia. Sobretudo, eu continuei minhas leituras, não só porque amo ler, mas também como parte da minha prática para melhorar a atenção. Outra coisa foi que eu mantive ainda meu ritual antigo de decidir na noite anterior qual será a coisa mais importante que devo fazer no dia seguinte. Seja o que for, ela acaba sendo a minha primeira atividade de trabalho, à qual dedico de 60 a 90 minutos ininterruptos de concentração. Depois, faço um intervalo de 10 a 15 minutos para a mente sossegar e recobrar as energias.

Se tiver mais trabalho ao longo do dia que exija concentração ininterrupta, eu saio completamente da internet durante períodos determinados, repetindo o meu ritual matutino. De noite, quando vou para o quarto, quase sempre deixo meus aparelhos digitais no andar de baixo.

Por fim, agora eu me sinto comprometido a tirar pelo menos um período de férias digitais por ano. Tenho o privilégio raro de poder tirar várias semanas de folga por vez, mas aprendi que até uma única semana offline já é capaz de ter profundos efeitos restauradores.

Por vezes, eu me flagro revendo mentalmente uma imagem assombrosa do meu último dia de férias. Eu estava sentado num restaurante com a família quando um homem com uns 40 e poucos anos chegou e sentou com a filha, que devia ter uns 4 ou 5 anos e era uma graça. Assim que o homem chegou, ele concentrou sua atenção quase de imediato no celular. Enquanto isso, sua filha era um redemoinho de energia e inquietude, subindo no assento, andando em cima da mesa, acenando e fazendo careta para chamar a atenção do pai. Exceto por brevíssimos momentos, porém, ela não conseguiu chamar sua atenção e acabou desistindo depois de um tempo, com tristeza. O silêncio era ensurdecedor.

(Gazeta do Povo)

Nota: Talvez, nestes tempos de imersão digital que rouba nossa atenção e nosso tempo para o que realmente vale a pena, um dos textos bíblicos mais oportunos seja este: “Aquietai-vos, e sabei que eu sou Deus” (Salmo 46:10). Que tal praticar o hábito de se desconectar de quando em quando para se relacionar, ler bons livros, meditar e estudar a Bíblia? Se não criarmos esses hábitos, pior do que o que aconteceu com o autor do texto acima, não perderemos apenas a capacidade de concentração, perderemos nossa espiritualidade e nossa comunhão com Deus. Pense nisso. [MB]

O desbravador Samuel e o balão que viajou quase 20 km

balaoO 13 de março deste ano nunca mais será esquecido. Na trágica manhã daquele dia, dois terroristas invadiram a escola Raul Brasil, em Suzano, SP, e atiraram contra funcionários e adolescentes, levando à morte oito pessoas. Entre as vítimas estava Samuel Melquíades de Oliveira, de 16 anos. Adventista do sétimo dia e desbravador, Samuel honrou a lei do clube do qual fazia parte, que diz: “Pela graça de Deus, serei puro, bondoso e leal; guardarei a lei do desbravador, serei servo de Deus e amigo de todos.” Segundo testemunhas, Samuel morreu enquanto protegia colegas. De fato, ele honrou os ideais do Clube de Desbravadores, e mais do que isso, os de um verdadeiro cristão, afinal, “ninguém tem maior amor do que este, de dar alguém a sua vida pelos seus amigos” (João 15:13).

A vida do garoto foi uma bênção. Talentoso desenhista, ele usava o dom para ilustrar voluntariamente materiais da igreja, como a Lição da Escola Sabatina, com a intenção de motivar outras pessoas a estudar a Bíblia, que ele tão bem conhecia, pois os pais sempre fizeram o melhor para levá-lo para perto de Deus. Era querido dos amigos e disse a uma confidente que o desejo dele era o de sempre fazer as pessoas felizes. O pai diz que ele vivia isso intensamente.

A história de Samuel continua impressionando, mesmo depois da morte dele. No dia 17 de março, um domingo, para homenagear o garoto e as outras vítimas, os jogadores entraram na Arena Corinthians, na Zona Leste de São Paulo, com 22 balões pretos com os nomes dos assassinados. A multidão estava em silêncio quando os balões foram soltos ao vento. Um deles, com o nome do Samuel, viajou para um lugar diferente dos demais: a cidade de Suzano! Sim, o balão percorreu quase vinte quilômetros e foi parar no caminho do senhor Arlindo, de 62 anos, que no dia seguinte ao jogo fazia sua costumeira corrida matinal. Ao avistar o balão ao lado da calçada, ainda cheio e intacto, ele imediatamente o reconheceu do jogo que havia assistido no dia anterior. Arlindo apanhou o objeto, levou-o para casa e entrou no site do Corinthians a fim de compará-lo com os balões que apareciam nas fotos da homenagem. Aí teve certeza de que se tratava mesmo do balão da cerimônia.

samuelEmocionado, Arlindo descobriu o endereço dos pais de Samuel e levou o balão para eles. O pai de Samuel disse que a homenagem no estádio foi para todas as vítimas, mas que o balão que chegou até ele foi uma homenagem muito especial para a família. O goleiro do Oeste, time que jogou contra o Corinthians naquele dia, Matheus Cavichioli, foi o responsável por soltar o balão antes do jogo. Ele disse em entrevista: “Fui o escolhido naquele momento para estar com aquele balão. E o balão foi até lá. Quem sabe, por que não, acreditar que o balão voltou para casa?”

Na verdade, quem um dia estará na casa do Pai é o garoto Samuel. O nome dele, em hebraico, significa “seu nome é Deus”. E ele viveu como um verdadeiro servo dAquele a quem amava e servia. Samuel honrou o nome de seu Criador. Que sua vida e sua morte inspirem não apenas os colegas desbravadores, mas todos os cristãos que continuam na marcha rumo ao Céu. Que em breve possamos abraçar o bravo e amável Samuel, um verdadeiro servo de Deus e amigo de todos.

Michelson Borges

Clique aqui para assistir à reportagem da Globo.

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Um dos muitos desenhos feitos pelo Samuel