Irã e Venezuela: ali não é encenação, estão matando mesmo Jesus

venezuelaEnquanto no Brasil a celeuma se levanta por causa de uma encenação carnavalesca desrespeitosa (que em regimes democráticos podem e devem ser denunciadas), em países como o Irã e a Venezuela, por exemplo, o Cristo morre de verdade, na pessoa de Seus filhos perseguidos.

Ester cresceu em uma família muçulmana, mas seu irmão ouviu de Jesus através de um comerciante vizinho e se converteu. Quando seu irmão compartilhou as boas-novas com Ester, ela decidiu entregar a vida a Jesus também. Mas no Irã é ilegal deixar de ser muçulmano para se tornar cristão, e no momento em que disse sim a Jesus, ela também disse sim a uma vida difícil e cheia de perseguição. Assim que se converteu, ela se juntou a uma pequena comunidade de cristãos clandestinos que iniciaram uma igreja. Por fim, Ester ajudou a discipular outras mulheres iranianas e trabalhou com crianças pequenas.

“Todo o tempo temos que ser secretos e devemos ter cuidado com a nossa fé”, diz ela. “Não podemos ir a uma igreja oficial, pois essas são destinadas a estrangeiros. Então nos reunimos em casas. Louvamos, adoramos cantando baixo para que os vizinhos não escutem nossa adoração ou saibam que ali funciona uma igreja doméstica.” O governo iraniano controla todas as facetas da vida pública – e todos os casamentos devem ser feitos sob a autoridade islâmica. Ester e seu futuro marido mantinham sua fé escondida do governo para que pudessem se casar. “É tão difícil. Portanto, devemos manter nossa fé escondida, ou mais problemas talvez surjam”, diz ela. Mais tarde eles tiveram um bebê, um menino.

No Irã é difícil manter sua fé escondida do governo por muito tempo. A polícia secreta frequentemente se infiltra em comunidades cristãs clandestinas, fingindo ser novos convertidos, participando das reuniões e depois prendendo congregações inteiras. Ela e o esposo estavam sempre pendendo entre a prisão e o exílio. Certa noite, enquanto a igreja de sua casa se reunia, a polícia invadiu a reunião secreta. “Naquela noite, o governo nos pegou”, diz Ester. “Eu e outra irmã não fomos para a cadeia, mas todas as pessoas que estavam conosco foram presas.”

A polícia deixou que Ester e outras mulheres cuidassem de seus filhos, mas as intimaram para um interrogatório no dia seguinte. Durante o interrogatório, a polícia secreta disse a ela e ao marido que tinham provas sobre suas atividades cristãs. “Tudo mudou em sua vida”, disse a polícia a Ester e seu marido. “Nós sabemos que você é cristão e tem atividades de igreja em sua casa.” Os interrogatórios duraram por mais de um mês. A polícia secreta vasculhou a casa deles e muitas vezes ameaçou o casal com o fato de que, se não rejeitassem o cristianismo, logo seriam presos e não veriam o filho novamente. O assédio foi incessante. Quando você se torna um cristão no Irã, as consequências se espalham para toda a sua família.

Então, as autoridades do país deram a Ester e ao marido a oportunidade de recomeçar. Durante o último interrogatório, eles entregaram a Ester um documento em que eles negariam a fé em Jesus. Era só assinar e as coisas voltariam a ser como eram. “Era uma experiência nova para mim. Mas se tiver de escolher, escolho Jesus.” Eles não assinaram os papéis.

Em determinadas situações, o governo iraniano faz vistas grossas em relação a alguns cidadãos que queiram deixar o país. “Aproveitamos essa situação e escapamos”, diz Ester. Com o pretexto de uma viagem turística a Istambul, ela e o filho saíram do país. O marido os encontrou uma semana depois. “Era ficar no Irã e ser presos ou viver livre em outro lugar. Escolhemos permanecer com nosso filho e criá-lo à luz do Evangelho.” Eles nunca mais voltaram. (Portas Abertas)

A vida na Venezuela também não está fácil, não apenas para os cristãos. Um grupo de pastores liderados pelas Igrejas Batistas da Venezuela se reuniu e publicou uma carta nas redes sociais. No documento, assinado pelos pastores Moisés Betancourt, Jesus Pinto e Elias Hernández, eles descrevem a situação caótica que a população tem vivido por conta das ameaças de Maduro. Como se não bastassem a violência e as mortes, as pessoas sofrem com a falta de comida e de remédios. Leia a carta na íntegra:

“Nós, pastores cristãos pela graça de Deus em Caracas, Venezuela, pedimos aos conservos em todo o mundo que sejam nossa voz diante do Pai e diante deste mundo. O que está acontecendo nessa nação não tem precedentes históricos. Na era moderna, apenas Adolf Hitler demonstrou tamanha crueldade; estamos diante de uma onda de atos violentos que têm atentado contra a vida dos venezuelanos, deixando um saldo de mortes, destruição, ódio e violência.

“Temos irmãos em nossas igrejas que estão morrendo por não terem remédios para o tratamento do câncer, pressão e diabetes. Os remédios, como antibióticos, até os mais básicos, como para gripe, são raros de se encontrar; é impossível para nós venezuelanos conseguirmos comprar algum alimento, visto que a inflação já chega a preços tão altos e desproporcionais que um alimento chega a aumentar 50% ao dia. Por isso a maioria das pessoas, sem ter outra alternativa, come lixo para conseguir matar a fome.

“A cada dia que passa o terror aumenta. O exército, que tinha que estar a nosso favor, foi vendido para o governo de Nicolas Maduro, e nós que somos mais velhos não temos mais forças para lutar, por isso recorremos aos irmãos do mundo inteiro para que orem por nós.

“Nossos jovens estão sendo mortos e a mídia daqui não nos informa do paradeiro daqueles que são perdidos, a população foi desarmada, nenhum cidadão tem uma arma em casa e ficamos inertes vendo nossos filhos arriscando a vida para atravessar a fronteira na esperança de sair deste inferno, lutando com pau, pedra e, às vezes, alguma corda, pois até as armas brancas foram de nós retiradas; muitos são executados, outros sofrem abusos e depois são mutilados. É uma vergonha para nós viver essa situação

“A perseguição, execução e outros tipos de tortura têm sido praticados com todos que se atrevem a falar desse regime comunista que roubou nosso futuro. Oscar Pérez era nossa esperança de dias melhores; ele se atreveu a lutar pelas injustiças sociais e foi morto em grande emboscada pelos policiais militares.

“Além dele, um grupo de apoio também foi exterminado, inclusive uma jovem que estava grávida de oito meses. Antes de ser degolada, eles arrancaram o bebê do ventre da jovem e em seguida o lançaram contra a parede; isso é parte da rotina daqueles que se arriscam a denunciar esse regime comunista. Conhecemos em João 8:44 quem está por trás disso, para que alguém possa fazer um ato tão abominável.

“Até o momento ainda não experimentamos perseguição religiosa, mas tudo leva a crer que em breve até isso nos será retirado, visto que um pastor nosso irmão conservo foi ameaçado pelos ‘coletivos’, como são chamados (homens do Maduro), que o proibiram de realizar o culto sob pena de ser executado.

“Esses grupos ‘criminosos’ gozam de liberdade de agir do modo e da maneira que quiserem, invadindo terras, executando proprietários, violentando as senhoras e praticando atos esses que não iremos descrever por serem abomináveis. Todos são homens do Maduro e cremos que alguns são do grupo da ‘esquerda’ no Brasil.

“Queremos deixar claro que sabemos das consequências em relatar para toda a igreja do mundo o que se passa aqui em nossa terra, inclusive seremos perseguidos, quem sabe torturados, mas é imperativo para nós nos colocarmos em pé e levantar a voz para que a unidade do corpo do senhor, sua igreja universal, conheça e possa orar unida pelos venezuelanos.

“Estamos a fazê-lo porque o nosso Senhor nos mostrou a importância que tem a vida humana para Jesus Cristo, que esteve disposto a morrer na cruz para resgatar a vida dos outros; por isso com temor e muita firmeza nos colocamos de pé e sabemos, quer sigamos com vida ou morramos, somos do senhor (Romanos 14:8).

“Acreditamos que o nosso Senhor Jesus está no controle, e seja qual for o rumo dessa carta, não iremos nos importar com o que sofra o nosso corpo, pois estamos mais do que convencidos de que nossas vidas e esta nação pertencem ao senhor Jesus!

“Pedimos a todos para que traduzam esta carta para que ela chegue a nível mundial. Sabemos que o Senhor Jesus nos alertou na sua Palavra que nos tempos finais aumentaria a perversidade, contudo, não esmorecemos porque o senhor está às portas! A glória seja ao Senhor por todo o século sem fim!

(Comunhão, com informações da agência EFE)