Jornalismo ou telefone sem fio perverso?

fofocaPostei ontem a notícia de que o advogado adventista Maurício Carlos Braga foi chamado para assumir a função de secretário de Direitos Autorais do Ministério da Cidadania (confira). No texto, eu falei da moral ilibada e da competência do senhor Braga (pois o conheço pessoalmente), aspectos de sua pessoa e carreira ainda não mencionados pela imprensa e que certamente motivaram o convite para que ele assumisse a pasta, já que nunca esteve envolvido com política. O que o colunista Guilherme Amado, da revista Época (da Globo), fez foi destacar o fato de que Braga guarda o sábado e não trabalha depois das 18 horas de sexta-feira, tempo em que, segundo Amado, ele se dedicaria ao jejum.

O site Brasil Dois Pontos fez ainda pior: pegou a informação da Época, não apurou nem conferiu nada e adicionou “pimenta”: “Secretário adventista do sétimo dia tem seu motivo para não trabalhar às sextas depois das 18h: ordens superiores para jejuar.” Esse foi o título enviesado. Agora a nota: “É bom que o presidente Jair Bolsonaro saiba: não conte com o secretário de Direitos Autorais do Ministério da Cidadania, Maurício Carlos Braga, nem um minuto depois das 18h, às sextas-feiras. O motivo é religioso, o que deve servir. Adventista de [sic] sétimo dia, Braga entra em regime de jejum – do trabalho e de alimentos –, pontualmente no horário marcado. Na semana passada, conta o colunista Guilherme Amado, da revista Época, um subordinado precisou dele um pouco depois do horário e soube da regra. Religião acima de tudo!”

Cadê o bom e velho jornalismo? A regra agora é praticar o telefone sem fio e espalhar inverdades? Primeiro, adventistas (assim como judeus praticantes) não guardam o sábado “pontualmente” a partir da 18h de sexta-feira, mas, sim, depois do pôr do sol, conforme orienta a Bíblia (que certamente esses repórteres também desconhecem). Segundo, quem disse que adventistas jejuam todos os sábados, como a matéria dá a entender? Até podem fazer isso, se quiserem, mas não se trata de uma regra. Terceiro, para um adventista, religião (na verdade, Deus) está, sim, acima de tudo, mas, diferentemente do que alguns possam pensar, isso faz deles melhores cidadãos, pessoas leais à pátria, à família e ao semelhante. São atitudes naturais de um verdadeiro cristão. Portanto, o governo e os brasileiros podem esperar do Dr. Maurício uma postura ética, competente e muito trabalho sério, afinal, isso faz parte da história dele e da fé dele.

Apuração, meus amigos jornalistas, como a gente aprende na faculdade. [MB]