Apocalipse: as sete últimas pragas

pragasAs sete últimas pragas relembram as pragas do Egito em alguns detalhes, mas são diferentes daquelas em seu propósito: as do Egito serviram como advertência, e por isso muitos egípcios se converteram ao Deus verdadeiro (Êx 9:20). As últimas, porém, acontecerão logo após o término do período de graça, quando não mais haverá conversões (Ap 16:9,11). Portanto, o propósito destas será punitivo ao permitir que os seres humanos colham os resultados de suas próprias escolhas.

Perguntas para discussão e aplicação

1. Leia Êxodo 7:13, 14; 12:12; 1 Samuel 6:6. Por que Deus enviou as dez pragas contra os egípcios? O que significa “endurecer o coração”, e como podemos nos proteger contra esse tipo de atitude? Por que Deus enviará pragas novamente no fim dos tempos? Em sua opinião, quais são as semelhanças e diferenças entre as dez pragas que caíram sobre o Egito e as sete que cairão sobre a Terra nos últimos dias?

2. Leia Apocalipse 7:1; 9:14, 15. Ao percebermos que o mundo está cada vez pior e que as pragas estão sendo adiadas, que lições podemos aprender sobre a misericórdia e a paciência de Deus? Sendo que Deus é amor, por que chegará o momento em que Ele finalmente permitirá que as pragas aconteçam (Gl 6:7)?

3. Veja quais serão as quatro primeiras pragas em Apocalipse 16:1-9. Considere também esta citação da lição de segunda-feira: as primeiras quatro pragas “não são universais; caso contrário, os habitantes da Terra seriam inteiramente exterminados” (Ellen White, O Grande Conflito, p. 628). Como esses quatro eventos poderão ser locais e ainda assim chamar a atenção do mundo inteiro? Como você imagina que será a reação das mídias e dos cientistas secularizados em resposta a esses fenômenos? Que tipo de pensamentos você terá quando vir essas coisas começando a acontecer?

4. Leia sobre a quinta praga em Apocalipse 16:10, 11. O que ou onde seria esse “trono da besta”? Em sua opinião, por que a espessa escuridão nesse local específico será definida como uma praga?

5. Leia Apocalipse 16:12. A sexta praga causa o secamento simbólico do Eufrates, rio sobre o qual estava “assentada” a Babilônia literal e sobre o qual também estará a Babilônia mística (Jr 51:13; Ap 17:1, 15). Ao considerarmos o significado de “águas” na profecia bíblica (Ap 17:15), o que significaria então o “secamento do rio Eufrates”? Por que a massiva retirada de apoio das nações ao falso sistema religioso será considerado como uma “praga”? De que forma esse evento “prepara o caminho” para a volta de Jesus?

6. Logo após o “secamento do Eufrates” (ou seja, após a desistência das multidões em apoiar a Babilônia mística), as forças do mal reagirão imediatamente com outras estratégias para enganar (veja 16:13, 14). Nessa reação desesperada, o que significa o fato de que os “espíritos imundos” saem justamente “da boca” dos agentes de Satanás? Leia 1 João 4:1. De que forma esses espíritos demoníacos conseguem enganar o mundo inteiro? (R.: por meio da boca, ou seja, com mentiras e doutrinas falsas, passando-se por Espírito de Deus.) Qual é a nossa única proteção para não sermos enganados também? (R.: o conhecimento das Escrituras.)

7. O “Armagedom”, em resumo, significa o monte Carmelo. Leia 1 Reis 18:19-21 e responda: Em que sentido a batalha religiosa ocorrida naquele monte é um tipo da última batalha da Terra entre os que servem a Deus e os que não O servem?

8. Leia sobre a sétima e última praga em Apocalipse 16:17-21. Afinal, o que é a sétima “praga”? (R.: são os eventos cataclísmicos da natureza resultantes da própria vinda de Jesus; cf. 2 Pd 3:10-12). Por que a volta de Jesus é considerada como uma “praga” para os ímpios? Como deve ser nossa vida hoje e cada dia para que a volta de Jesus não seja para nós uma “praga”, mas a concretização de uma bem-aventurada e desejada esperança?

Notas importantes

Um Deus que castiga? As pessoas que não conhecem o contexto do Grande Conflito entre o bem e o mal costumam questionar como um Deus de amor pode enviar pragas. Porém, o Deus de amor é também um Deus de justiça. As sete pragas são as consequências naturais das escolhas da humanidade que tem preferido uma vida sem Deus. Em Sua misericórdia, Deus tem segurado essas consequências por muito tempo (Ap 7:1). Chegará o momento, porém, em que Ele ordenará que esses “ventos” sejam soltos (9:13-15), e o mundo finalmente colherá os frutos do que tem plantado (Rm 1:26-28; Gl 5:19-21). Não se zomba de Deus para sempre (Gl 6:7). Esses “ventos” só serão “soltos” quando os servos de Deus estiverem selados (Ap 7:2, 3).

As pragas no Egito serviram como uma grande advertência, e por isso muitos egípcios se converteram (Êx 9:20; 12:38). As últimas pragas, porém, acontecerão quando o período de graça estiver encerrado e não houver mais arrependimento de pecados, mesmo durante o grande sofrimento causado por elas (Ap 16:9, 11, 21).

O “secamento do rio Eufrates” (Ap 16:12), causado pela sexta praga, é uma referência ao que aconteceu no ano 539/538 a.C., quando Ciro e seu exército invadiram Babilônia pelo leito do rio e libertaram o povo de Deus. Os babilônios se sentiam seguros dentro de sua cidade fortemente murada e com as águas fortes do rio Eufrates passando pelo meio da cidade. Por isso é dito em Jeremias que Babilônia estava “assentada” sobre muitas águas (51:13). Usando pás em vez de armas, milhares de soldados cavaram um desvio para o rio Eufrates por fora, o qual “secou” em seu percurso através de Babilônia, e o exército de Ciro pôde invadir a cidade tranquilamente pelo leito vazio do rio. Essa estratégia incrível havia sido profetizada muito antes (Is 44:27, 28; Jr 50:35-38; 51:36, 37).

Da mesma forma que a Babilônia literal estava “assentada sobre muitas águas” (Jr 51:13), assim também é representada a Babilônia simbólica (Ap 17:1, 15). O profeta nos dá uma chave para a correta interpretação ao informar que as “águas onde se assenta a prostituta [Babilônia] são povos, multidões, nações e línguas” (17:15). Esses são os povos e as nações que sustentarão esse falso sistema religioso dando-lhe todo o apoio e credibilidade. Portanto, o “secar” das “águas” significa uma retirada repentina e em massa de todo o suporte dessas nações para esse sistema. Não sabemos como isso acontecerá, mas essa será uma indicação clara de que o caminho para a volta de Jesus estará aberto e que isso ocorrerá muito em breve (Ap 16:12).

“Os reis que vêm do Oriente” (16:12). Essa é mais uma referência à vitória de Ciro sobre Babilônia após o “secamento” do rio Eufrates. Ciro foi um “tipo” de Jesus. Ciro veio pelo Oriente, o lado do nascimento do Sol (Is 41:2, 25; 46:11). Jesus é retratado como tendo vindo do Oriente (Lc 1:78), e assim também será em Sua segunda vinda (Mt 24:27), assim como a “estrela da manhã” (Ap 22:16).

“Reis.” Um detalhe intrigante ao ser mencionada a volta de Jesus é o plural “reis” em vez de “rei”. É possível que essa seja uma referência a Jesus Cristo e aos Seus santos anjos, considerando o caráter real deles. É possível também que o plural seja uma indicação de que o próprio Deus Pai aparecerá no céu junto com Jesus Cristo em Sua vinda, conforme as seguintes passagens parecem sugerir: Mateus 26:64; Lucas 9:26; Tito 2:13; Apocalipse 6:16, 17. Estando preparados ou não, só saberemos como será quando esse grande dia chegar.

Três espíritos imundos semelhantes a rãs (16:13). Ao perceber a perda de apoio popular e civil (o “secamento do rio”), Satanás faz com que três espíritos imundos “semelhantes a rãs” saiam a enganar o mundo. A figura das rãs traz algumas lições importantes. Uma delas é que o último milagre que pôde ser imitado pelos magos do Egito foi o das rãs (Êx 8:6, 7). A Bíblia também nos adverte que, apesar de parecerem inofensivas, as rãs quase destruíram o Egito (Sl 78:45). Além disso, é importante lembrar que o meio letal pelo qual a rã ataca a sua presa é por meio da língua. Sabemos que a melhor arma usada pelo inimigo de Deus é a mentira e o engano; é por isso que os espíritos imundos simbolicamente saem da boca dos agentes de Satanás (16:13). Assim, para combater a influência da mensagem verdadeira que estará sendo pregada pelos três anjos (Ap 14:6-12), os três espíritos imundos pregam um falso evangelho. E ambos os “evangelhos” serão pregados no mundo inteiro (Ap 14:6; 16:14). Mas a essa altura da História, quando os livros do tribunal celestial tiverem sido fechados, cada pessoa já terá escolhido a quem seguir.

“Local que em hebraico se chama Armagedom” (Ap 16:16). No texto original, o nome é Harmagedom, mas em português se convencionou escrevê-lo sem o “H”. Não existe um lugar chamado (H)Armagedom. A dica de que se trata de um nome hebraico é muito importante para que ninguém desenvolva suas próprias ideias a respeito desse símbolo. Se é um nome hebraico, então significa “monte de Megido” (Har = “monte”; Magedon = Megido [na forma transliterada do hebraico ao grego]). A cidade de Megido é reconhecida por se tratar de um lugar onde grandes batalhas importantes foram travadas e decididas (Jz 5:19-21; 2Rs 9:27; 2Rs 23:29, 30; provavelmente também Zc 12:11 e 1Sm 31:1-7). Porém, Megido é uma planície e não um “monte”. Contudo, há um único monte na região de Megido, e ele é reconhecido por outra batalha muito especial que ocorreu ali: o Monte Carmelo. Acabe e Jezabel convocaram todo o povo para esse monte a fim de ver quem era o Deus verdadeiro (1Rs 18:19-21, 38, 39). Naquela ocasião os falsos profetas não puderam fazer descer fogo do Céu, mas as artimanhas do mal têm sido aprimoradas para o grande engano final (Ap 13:13). Portanto, o Armagedom (ou Harmagedom) não se trata de um local literal, mas de um evento que ocorrerá imediatamente antes da volta de Jesus: uma grande convocação de fidelidade de abrangência mundial que causará uma polarização final entre os que servem a Deus fielmente e os que O rejeitam.

Natal Gardino é doutor em Ministério pela Andrews University e pastor distrital em Jardim Iguaçu, Maringá, PR

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