Apocalipse: juízo sobre Babilônia

ap 17Os capítulo 17 do Apocalipse apresenta as características de Babilônia, um falso sistema religioso que surgirá no fim dos tempos para enganar as pessoas. Esse sistema é representado “assentado sobre a besta”, que é o sistema romano político e religioso (Dn 7:7, 19-26; Ap 13:1-8; 17:3). Os capítulos 18 e 19 apontam para a destruição de Babilônia e sua condenação. Mas antes que isso aconteça o próprio Deus clama ao Seu povo que saia de lá enquanto há tempo (Ap 18:1-4).

Perguntas para discussão e aplicação  

1. Conforme 2 Coríntios 11:2, qual é o significado de “mulher” em profecias simbólicas? Sendo assim, qual é o significado da “mulher pura” do capítulo 12 do Apocalipse e da “prostituta” do capítulo 17? Quais são as semelhanças e diferenças entre elas? Pense no fato de que a “prostituta” já foi “pura”. O que isso deve nos ensinar ao refletirmos sobre “Babilônia”?

2. Leia a descrição da prostituta Babilônia em Apocalipse 17:4-6 e compare com Êxodo 28:4-6 e Jeremias 4:30. O que significam as vestes usadas por ela? (R.: ela se veste como uma prostituta [daquela época] e ao mesmo tempo emprega os mesmos tecidos e cores das vestes do sumo sacerdote levítico! Ou seja, apesar de haver se prostituído doutrinariamente, ela faz uma contrafação do sacerdócio de Cristo no santuário celestial, O qual era representado pelo sumo sacerdote no santuário terrestre.)

3. Procurando ao máximo não magoar, insultar ou afastar as pessoas, qual é a melhor maneira de lhes comunicar a verdade bíblica de que a igreja, quando se tornou romana, se corrompeu definitivamente? De acordo com Apocalipse 17:5, quem serão nessa ocasião as outras “prostitutas da terra”, que terão Babilônia como “mãe”? Em sua opinião, por que Deus usa essas ilustrações tão “pesadas” ao considerar a infidelidade doutrinária e espiritual?

4. Leia Apocalipse 17:1, 2; 18:3. De que forma Babilônia “embebeda” a todas as nações com o seu “vinho”? (R.: com doutrinas falsas que enganam e tranquilizam as pessoas a respeito de seus deveres morais para com Deus e o próximo.)

5. Compare a “besta do mar” (Ap 13:1) com a “besta” em que a prostituta Babilônia está montada (Ap 17:3). O que significa o fato de que Babilônia, esse falso sistema religioso futuro, estará “montada” sobre o sistema romano papal?

6. Compare a segunda mensagem angélica em Apocalipse 14:8 (que a igreja remanescente já está pregando há muitos anos) com a mensagem do “Anjo” em 18:2, 3. (Detalhe: esse “anjo” simbólico é o próprio Espírito Santo de Deus na ocasião da “chuva serôdia”, pois nenhuma criatura poderia iluminar a Terra toda com sua glória, como é dito em 18:1.) Por que a segunda mensagem angélica, que já estamos pregando, será repetida (ou reforçada) pelo Espírito Santo nos últimos tempos?

7. Por que Deus clamará ao “Seu povo” para sair de Babilônia? Qual é o grande perigo da ideia que diz que “todos os caminhos levam a Deus”?

8. Apocalipse 19:1-9 demonstra que muitas pessoas atenderão ao convite de Deus para sair de Babilônia e serão salvas. E nós poderemos ser os instrumentos usados pelo Espírito Santo para apelar a essas pessoas! Como deve ser a nossa vida hoje, para que possamos ser usados por Deus nos dias finais ao convidar Seu povo a sair de Babilônia?

9. Ao sabermos que há “povo de Deus” ainda em Babilônia, como deve ser o nosso relacionamento com as pessoas de outras denominações religiosas? Quais são as evidências de que somos, efetivamente, “povo de Deus”?

Notas importantes

A mulher de Apocalipse 17. Este símbolo representa um sistema religioso corrompido por ser baseado em um cristianismo romanizado e que tem influência para que o mundo inteiro seja intoxicado com o vinho de suas doutrinas. Além disso, ela também é chamada de “cidade” em Apocalipse 17:15. Isso significa que, ao mesmo tempo em que ela é um sistema religioso cristão (“mulher”), é também um poder político governamental (“cidade”). Como já vimos aqui, o nome Babilônia era um codinome usado pelos cristãos para se referir a Roma sem levantar suspeitas dos romanos (1Pe 5:13).

A “besta escarlate” sobre a qual a prostituta Babilônia está assentada (17:3). Esta besta tem características muito parecidas com a “besta que saiu do mar” (13:1). Já vimos aqui que esta besta é a mesma quarta besta de Daniel 7, que representa Roma, tanto em sua fase pagã quanto papal. O fato de a mulher estar “montada” nesse sistema pode indicar tanto que ela o “dirige” quanto também que ela é “carregada” ou “conduzida” por ele – o que parece ser o mais provável (Ap 17:7).

Os dez chifres de Apocalipse 17:12-14, 16, 17. Esta figura ainda não é bem clara em seus detalhes para os intérpretes do Apocalipse. Pode ser uma referência aos dez reinos divididos da Europa (representados por “dez dedos” em Daniel 2 e por “dez chifres” em Daniel 7:7, 8), os quais tentarão novamente se unir no futuro para a batalha do Armagedom. De acordo com Daniel, Jesus voltará “nos dias destes reis” (2:44). Como o papado saiu de um dos dez reinos/chifres da Europa medieval (7:8), talvez essa seja uma indicação de que as nações da Europa terão grande influência no futuro ao apoiar novamente um sistema papal renovado. Porém, essa atividade não durará muito tempo, pois logo esses mesmos poderes governamentais se voltarão contra o próprio sistema que apoiavam (17:16). Pode ser que essa retirada estratégica das dez nações seja o que provoque o simbólico “secamento do Eufrates” (Ap 16:12).

Os sete montes e o “oitavo rei” (Ap 17:9-11). Esta é uma das passagens mais polêmicas do Apocalipse. Há muitas teorias especulativas e sensacionalistas que consideram os sete montes como sete papas (e em cada nova interpretação, cada novo papa é sempre “o último” ou o “penúltimo”). Porém, as profecias simbólicas a respeito de “reis” não se referem a indivíduos, mas a sistemas de governo (Dn 7:17). Portanto, não podemos considerar sete pessoas individuais (sete papas) como sendo os sete “reis” de Apocalipse 17. Se considerarmos essa profecia a partir da perspectiva temporal do profeta e dos grandes sistemas de governo que oprimiram sucessivamente o povo de Deus temos o seguinte:

“As sete cabeças são sete montes, nos quais a mulher está sentada. São também sete reis [ou, reinos; cf. Daniel 7:17], dos quais caíram cinco [Egito, Assíria, Babilônia, Medo-Pérsia e Grécia], um existe [este era o período da Roma pagã, sob a qual João vivia ao receber a visão], e o outro ainda não chegou; e quando chegar, tem de durar pouco [ou seja, o período de Roma cristã, que surgiria poucos séculos após esta visão]. E a besta que era, e não é, também é ele, o oitavo rei, e procede dos sete, e caminha para a destruição” [esta é uma referência ao período em que Roma papal foi “ferida de morte” em 1798, e ficou um longo tempo sem expressão mundial até quando ela retomar novamente o poder com vigor redobrado]. Quando chegar, tem que durar “pouco” (Ap 17:10). A palavra “pouco” vem do grego oligos. Apesar dos quase dois mil anos desde que surgiu o sistema de governo opressor de Roma cristã, o tempo é “pouco” se for comparado com a eternidade ou com a história deste mundo. Essa é a mesma palavra usada em Apocalipse 12:12 ao dizer que Satanás, ao ser expulso definitivamente do Céu por ocasião da morte de Cristo, ficou irado “sabendo que pouco [oligos] tempo lhe resta” – e já se passaram quase dois mil anos desde esse evento também. No entanto, em Apocalipse 20:3, a palavra é diferente ao se referir ao “pouco” tempo que restará a Satanás logo após o fim do milênio: mikros. Em outras palavras, esse tempo final será “micro” perto dos dois mil anos que eram “pouco” [oligos] em relação à eternidade.

A destruição de Babilônia em Apocalipse 18 e 19. O quadro representado nesses capítulos é baseado em várias passagens do Antigo Testamento que profetizaram a destruição da antiga Babilônia literal (por exemplo, Isaías 13 e 47; Jeremias 50 e 51). Portanto, esse falso sistema religioso que se formará no futuro já tem sua ruína anunciada por Deus, a qual será tão certa quanto foi a da Babilônia da antiguidade.

O “Anjo” que ilumina a terra toda com Sua glória (Ap 18:1). Esta é uma figura para representar o Espírito Santo em Sua grande manifestação de poder conhecida como a “chuva serôdia” (Os 6:3; Tg 5:7). Como já visto aqui, a palavra traduzida como “anjo” na Bíblia também pode ser vertida como “mensageiro”. Ela é usada nesse sentido para seres humanos (Mt 11:10; Lc 7:24; 9:52; Fp 2:25; Tg 2:25, etc.); foi usada para Jesus (Gn 16:7, 9, 10, 11; 21:17; 22:11, 15; 31:11-13; Êx 3:2-6; Jz 2:1-4; 6:11-23; 13:3-22; Zc 3:1-4); e é usada também para representar o Espírito Santo como o grande mensageiro do Céu. Ele mesmo ajudará o povo de Deus a concluir a proclamação do Evangelho (Fp 1:6). No contexto do fim, contudo, a nota tônica para despertar as pessoas será: “Caiu Babilônia” – o mesmo tema da segunda mensagem angélica que a igreja remanescente tem pregado há tantos anos (Ap 14:8). Nessa ocasião da chuva serôdia, o Espírito Santo irá “amplificar” o poder dessa mesma mensagem, fazendo-a soar através de Seus servos “com potente voz” (18:2). Somente então a mensagem alcançará toda a Terra, a qual será dessa forma iluminada com a Sua glória, e então virá o fim (Mt 24:14).

Natal Gardino é doutor em Ministério pela Andrews University e pastor distrital em Jardim Iguaçu, Maringá, PR

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