O desbravador Samuel e o balão que viajou quase 20 km

balaoO 13 de março deste ano nunca mais será esquecido. Na trágica manhã daquele dia, dois terroristas invadiram a escola Raul Brasil, em Suzano, SP, e atiraram contra funcionários e adolescentes, levando à morte oito pessoas. Entre as vítimas estava Samuel Melquíades de Oliveira, de 16 anos. Adventista do sétimo dia e desbravador, Samuel honrou a lei do clube do qual fazia parte, que diz: “Pela graça de Deus, serei puro, bondoso e leal; guardarei a lei do desbravador, serei servo de Deus e amigo de todos.” Segundo testemunhas, Samuel morreu enquanto protegia colegas. De fato, ele honrou os ideais do Clube de Desbravadores, e mais do que isso, os de um verdadeiro cristão, afinal, “ninguém tem maior amor do que este, de dar alguém a sua vida pelos seus amigos” (João 15:13).

A vida do garoto foi uma bênção. Talentoso desenhista, ele usava o dom para ilustrar voluntariamente materiais da igreja, como a Lição da Escola Sabatina, com a intenção de motivar outras pessoas a estudar a Bíblia, que ele tão bem conhecia, pois os pais sempre fizeram o melhor para levá-lo para perto de Deus. Era querido dos amigos e disse a uma confidente que o desejo dele era o de sempre fazer as pessoas felizes. O pai diz que ele vivia isso intensamente.

A história de Samuel continua impressionando, mesmo depois da morte dele. No dia 17 de março, um domingo, para homenagear o garoto e as outras vítimas, os jogadores entraram na Arena Corinthians, na Zona Leste de São Paulo, com 22 balões pretos com os nomes dos assassinados. A multidão estava em silêncio quando os balões foram soltos ao vento. Um deles, com o nome do Samuel, viajou para um lugar diferente dos demais: a cidade de Suzano! Sim, o balão percorreu quase vinte quilômetros e foi parar no caminho do senhor Arlindo, de 62 anos, que no dia seguinte ao jogo fazia sua costumeira corrida matinal. Ao avistar o balão ao lado da calçada, ainda cheio e intacto, ele imediatamente o reconheceu do jogo que havia assistido no dia anterior. Arlindo apanhou o objeto, levou-o para casa e entrou no site do Corinthians a fim de compará-lo com os balões que apareciam nas fotos da homenagem. Aí teve certeza de que se tratava mesmo do balão da cerimônia.

samuelEmocionado, Arlindo descobriu o endereço dos pais de Samuel e levou o balão para eles. O pai de Samuel disse que a homenagem no estádio foi para todas as vítimas, mas que o balão que chegou até ele foi uma homenagem muito especial para a família. O goleiro do Oeste, time que jogou contra o Corinthians naquele dia, Matheus Cavichioli, foi o responsável por soltar o balão antes do jogo. Ele disse em entrevista: “Fui o escolhido naquele momento para estar com aquele balão. E o balão foi até lá. Quem sabe, por que não, acreditar que o balão voltou para casa?”

Na verdade, quem um dia estará na casa do Pai é o garoto Samuel. O nome dele, em hebraico, significa “seu nome é Deus”. E ele viveu como um verdadeiro servo dAquele a quem amava e servia. Samuel honrou o nome de seu Criador. Que sua vida e sua morte inspirem não apenas os colegas desbravadores, mas todos os cristãos que continuam na marcha rumo ao Céu. Que em breve possamos abraçar o bravo e amável Samuel, um verdadeiro servo de Deus e amigo de todos.

Michelson Borges

Clique aqui para assistir à reportagem da Globo.

samuel-ilustra
Um dos muitos desenhos feitos pelo Samuel