O dia em que juntaram o Tinder com a IASD

tinderNestes tempos bicudos de pós-modernidade, “AAA” já não mais significa Associação dos Alcoólicos Anônimos. Simplesmente junta a trinca Ávido + Acumulador + Agressivo (primado Yuppie – “YUP” quer dizer “Young Urban Professional”) com as bases existenciais da eterna adolescência mental: Autocomplacência + Autocondescendência + Autoindulgência. O Estado da Arte dessa danação se manifestou através do aplicativo Tinder: um algoritmo de checklist sobre desejos e idiossincrasias que ajuda a reunir pessoas superficialmente compatíveis a fim de conduzi-las para uma experiência de cruzo (“transar” já se tornou um termo hipossuficiente).

Quem leu o terceiro capítulo da segunda carta de Paulo a Timóteo não se surpreenderia se surgisse (se é que já não existe) um equivalente para o Tinder em questões de escolhas denominacionais (Pimper?). Ali o AAA poderia se cadastrar e preencher uma longa lista de preferências pessoais, depois escolher entre acionar a busca pelo “match” enquanto passeia pelas ruas ou acionar uma opção de interação com o Uber, que lhe oferecesse os templos mais próximos e convenientes.

O problema mais grave é quando essa mania de customizar opções invade aos poucos a nossa querida IASD e começa a criar tendências, embriões do sectarismo e da celeuma. E então toda unidade almejada por Jesus e batalhada diuturnamente pelo Santo Espírito vira somente uma recordação dos tempos de nossos pioneiros.

Adoração não é liturgia. É um estilo de vida fundado na revelação divina que terá consequências tanto no cumprimento da missão quanto no próprio processo individual de salvação. Fazer ou deixar de fazer isso ou aquilo nada tem a ver com meu coraçãozinho de Nadabe e Abiú (“Ãin… é que eu tenho personalidade forte!”). Nem com presunções supostamente perfeccionistas. É uma questão de bom senso e vergonha na cara. Pra quem duvida, basta combinar Juízes 21:25 (“Naqueles dias cada um fazia o que parecia bem aos seus olhos”) com Provérbios 16:25 (“Há caminho que parece direito ao homem, mas o seu fim são os caminhos da morte”).

Traduzindo: pra meio entendedor, boa palavra basta – quem quer procura um jeito, até mesmo a “comunhão com Deus”; quem não quer inventa desculpa. Não troquemos a Ellen pela Jênifer.

Marco Dourado

“Pois virá o tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, sentindo coceira nos ouvidos, segundo os seus próprios desejos juntarão mestres para si mesmos. Eles se recusarão a dar ouvidos à verdade, voltando-se para os mitos.” 2 Timóteo 4:3, 4