Os revolucionários sexuais entenderam errado a satisfação sexual

coupleUm dos mais extraordinários acontecimentos nos últimos 50 anos é o persistente compromisso de um segmento da elite acadêmica e cultural norte-americana em vender uma visão da vida americana que vem, vagarosa, mas persistentemente, se provando ser – na média – mais danosa para crianças e menos agradável para adultos, enquanto também persistentemente zombam (no pior caso) ou ignoram (no melhor caso) as escolhas da vida que levam – novamente na média – a uma maior prosperidade humana. Fiz essa pergunta antes, mas deixe-me fazê-la novamente: Quantos casais religiosos sexualmente vibrantes você tem visto nos programas ou filmes de televisão – mesmo nesta era de entretenimento fragmentado e direcionado? Agora, compare esse número (que é muito, muito próximo de zero) com o número de vezes que você tem visto a libertação da religião mostrada como a chave para a plenitude sexual.

Quantas vezes, no meio de celebrações de sexualidade nos campi universitários você ouve os palestrantes nas várias “semanas de sexo” dizerem algo como: “Se você realmente quer melhorar suas chances de aproveitar uma vida sexualmente satisfatória com um parceiro fiel, você deve procurar na igreja”? Ou quantos progressistas analíticos – as mesmas prováveis pessoas que apresentam tabelas e gráficos a respeito dos efeitos de políticas públicas ou que abordam as últimas novidades da ciência social sobre raça, gênero e identidade de gênero – irão se ater a tabelas como estas, do reséitado Instituto para Estudos da Família:

Porcentagem de maridos e esposas dos EUA (18-50 anos) que concordam plenamente: “Estou satisfeito(a) com meu relacionamento sexual com meu/minha parceiro(a)”

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1 – Casais seculares; 2 – Casais menos religiosos ou mistos; 3 – Casais altamente religiosos

Porcentagem de maridos e esposas dos EUA (18-50 anos) traídos durante o atual casamento

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1 – Casais seculares; 2 – Casais menos religiosos ou mistos; 3 – Casais altamente religiosos

Essas figuras representam a porção dos EUA de um extraordinário estudo da IFS [IEF, ou Instituto para Estudos da Família, em português] que tentou responder à questão: “É a fé uma força global para o bem ou para o mal na família?” O IFS examinou o relacionamento entre religião e fertilidade, violência doméstica, qualidade no relacionamento e infidelidade. Os achados foram fascinantes.

Os dados globais refletiram a realidade dos EUA. Casais altamente religiosos “desfrutam de relacionamentos de mais alta qualidade e de mais satisfação sexual” comparados com casais mistos ou inteiramente seculares. Além disso, no estudo global, a religião tem uma maior influência positiva na fertilidade. Casais religiosos têm “0,27 mais crianças do que aqueles que nunca, ou praticamente nunca, frequentaram [a igreja]”.

Infelizmente, no entanto, a prática religiosa foi “não protetiva contra violência doméstica”. Não houve diferença estatisticamente significativa no risco entre casais seculares e religiosos.

O estudo do IFS não somente explodiu estereótipos culturais progressistas de puritanos religiosos infelizes e sem sexo. Conservadores frequentemente pensam em feministas (especialmente feministas seculares) como bravas e sem alegria. Porém, o estudo indica o contrário. Houve uma “curva em forma de J na qualidade do relacionamento geral para mulheres”. Isso significa que mulheres em “relacionamentos progressistas e seculares desfrutam de altos níveis comparativos de qualidade no relacionamento”. Elas foram excedidas apenas por “mulheres em relacionamentos altamente religiosos, em especial tradicionalistas”.

Índice Acumulativo de ligação, compromisso, satisfação e estabilidade no relacionamento

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1 – Casais progressistas seculares; 2 – Casais tradicionais seculares; 3 – Casais progressistas menos religiosos ou mistos; 4 – Casais tradicionais menos religiosos ou mistos; 5 – Casais progressistas altamente religiosos; 6 – Casais tradicionais altamente religiosos

É importante considerar esses resultados em face de um recente e muito discutido artigo de Kate Julian descrevendo a chamada “recessão sexual” norte-americana. Em uma época em que nossa nação tem apagado tabus sexuais, eliminado restrições morais e se tornado “mais tolerante ao sexo em praticamente cada permutação”, jovens americanos estão tendo menos sexo. E uma das principais razões é o “declínio da formação de casais entre pessoas jovens”. Pessoas casadas fazem mais sexo do que solteiros, e ainda assim menos pessoas se casam, e aqueles que se casam “têm se casado mais tarde”.

O membro sênior do IFS Bradford Wilcox e o pesquisador do IFS Lyman Stone deram continuidade ao trabalho de Julian avaliando se a recessão sexual era relacionada ao declínio mensurável da felicidade nos jovens adultos americanos. Eles concluíram que “mudanças na frequência sexual podem ser responsáveis por cerca de um terço do declínio na felicidade desde 2012 e quase 100 por cento do declínio na felicidade desde 2014”.

Na última década temos visto significativo triunfalismo das forças da secularização americana e daqueles que há muito tempo buscaram questionar, sabotar ou mesmo demolir instituições tradicionais da vida americana. Casamentos reduzem. Comparecimento à igreja diminui. Mas o novo crescimento da prosperidade humana e da alegria pessoal se prova duvidoso.

Pais solteiros sofrem para criar os filhos e prover não apenas as oportunidades econômicas e educacionais de que eles necessitam, mas também o apoio emocional que eles requerem. Famílias fraturadas lutam com a crise do uso de drogas. Nossos políticos pós-religiosos são maldosos, causadores de divisão e viciosos. E agora vemos cada vez mais que a revolução sexual pode frequentemente trazer suas próprias marcas de infelicidade, incluindo – ironicamente – ausência de sexo.

Como alguém que passou a vida inteira em comunidades religiosas, sempre me rebelei contra os estereótipos culturais. Cresci em comunidades que muitas vezes lutavam com as mesmas doenças morais que afligiram o resto do mundo, mas sempre formaram sistemas e redes de encorajamento e apoio. Não cresci em volta de puritanos emocionalmente atrofiados. Não vivo em volta de tais pessoas agora.

Existem certamente pessoas que deixam comunidades religiosas por boas razões. Existem igrejas terríveis, e figuras religiosas abusivas, incluindo pais, maridos e pastores. Mas eu temo que em nossa cultura popular e em nossas escolas as anedotas superaram a informação, e dessa forma nossas elites culturais também por muitas vezes perderam o verdadeiro significado, a satisfação e o propósito virtuoso das famílias fiéis americanas.

A liberação sexual tem muitas vezes deixado de trazer sexo e liberação, e graças ao trabalho do IFS podemos responder às necessidades com dados reais. Você está procurando amor nesta vida? As portas da igreja estão sempre abertas. E apesar de que unir casais não seja seu propósito, a conexão com um santo Deus carrega em si a conexão com seu povo imperfeito, e nessas conexões você pode encontrar alegria extrema.

(David French, National Review; tradução de Leonardo Serafim)