A mídia a serviço da desconstrução do casamento original

marie claireTrata-se de uma retroalimentação: a mídia surfa na onda e, por sua vez, ajuda a aumentar a força do tsunami. Em 2017, a boneca Barbie já havia aderido à campanha pró-“casamento” gay, ao aparecer vestida com o slogan que apoia esse tipo de união: “Love Wins” (como se quem discorda fosse um ogro sem sentimentos). Tempos depois, a revista Veja São Paulo estampou na capa um “trisal”, recentemente a Marie Claire publicou a chamada “Casais e trisais de namoradxs [argh!] espalham afeto com as peças-chave do inverno”, e as lojas Americanas divulgaram uma campanha de Dia dos Namorados com um “casal” gay. Obviamente que ninguém tem o direito de interferir nas escolhas dos outros nem na maneira como decidem viver, mas discordar não significa “fobia”. Defender o casamento original (o bíblico, que tem que ver com uma relação heteromonogâmica, ou seja: um homem e uma mulher unidos sob as bênçãos de Deus numa relação de fidelidade) não significa deixar de amar quem vive diferente, assim como defender a guarda do sábado, por exemplo, não implica desprezar quem guarda o domingo (menciono o sábado porque, assim como o casamento, ele vem lá do Éden).

A análise que segue é do meu amigo Marco Dourado:

“No início dos anos 1980, as escuderias de Fórmula 1 desenvolveram um tipo de motor dos mais inovadores: o turbo, retroalimentado pela passagem dos gases resultantes da queima da mistura ar/combustível, força até então desperdiçada. Aproveitando o exemplo, podemos identificar elementos de cooperação dinâmica entre mudanças culturais profundas e a propalação desse processo por meio da publicidade e da indústria de entretenimento:

– Brinquedos (Barbie ostentando o slogan de homonímia sutil misturado com vagueza intencional ‘Love Wins’).
– História em quadrinhos (Mônica adolescente exclamando ‘meu corpo, minhas regras!’).
– Periódicos de alcance nacional (encartes semanais das pós-modernas revistas Veja e Marie Claire apresentando positivamente a coabitação sexual de três pessoas).
– Cadeias do varejo tradicional, como as Lojas Americanas, utilizando temática homossexual em suas campanhas publicitária massivas, e por aí vai.

“Cada um desses exemplos mostra como é frágil e maleável a mente comum ante as inserções sutis de agentes de subversão, mal intencionados ou não.

“Evidentemente que não estamos questionando aqui as liberdades individuais privadas – desde que consensuais e sem danos a terceiros. A questão é como poderosos elementos do cotidiano banalizam o desvirtuamento e a desconstrução de marcos civilizacionais fundantes e mantenedores herdados das diversas sociedades ao longo da existência humana. A preservação de tais marcos muitas vezes se deu não apenas pelo apego às tradições religiosas, mas pela percepção experimental das trágicas consequências de sua violação.

“Sociedade poligâmicas, por exemplo, tendem a privilegiar os mais abastados em prejuízo de jovens machos que, privados da oportunidade de constituir família, competem violentamente entre si, acarretando a supervalorização da mulher apenas como objeto de prazer e procriação, e não como indivíduo dotado de dignidade intrínseca e direitos elementares. E mesmo na aglutinação forçada de diversos núcleos familiares de mães diferentes é natural a rivalidade e a competição dos meio-irmãos pela afeição e pelos recursos materiais do patriarca. Também os adultos, notadamente os homens, quando alijados de uma rotina sexual satisfatória, tendem a molestar os vulneráveis. Prostituição forçada, estupro, rapto, incesto, pederastia (alguns chamam de pedofilia), bestialismo e até a necroerastia acabam proliferando em sociedades nas quais a família tradicional não é protegida nem exaltada.

“Por fim, não há como não perceber que a flexibilização jurídica do conceito clássico de matrimônio (heterossexual, monogâmico e privilegiando a formação de famílias bem estruturadas com ambiente acolhedor e de proteção aos filhos) abre as porteiras para todo tipo de bizarrice e experimentalismo. Se o casamento nada mais é que aquilo que queremos que ele seja, então ele pode ser qualquer coisa. Transpostas as barreiras da heterossexualidade, não há mais lógica em reprimir as da cardinalidade (um para um, um para vários, vários para vários). Ambas violadas, caem as restrições de parentesco, pois tudo seria baseado em ‘afetividade’, e esse vago e sentimental conceito acabará por derrubar as regras de interdição a outras espécies (transespecismo). Finalmente, o laxismo, agora sem nenhuma rédea lógica ou moral, facultará o casamento entre seres vivos e não vivos – objetos e até cadáveres.

“Marcos, limites, regras, códigos, leis – quais forem os princípios de ordenação, são como jabutis nos galhos mais altos das árvores; não subiram sozinhos. Não estão lá por acaso nem servem para tiro ao alvo para engenheiros sociais.”

Pobre janela de Overton: nunca a deixam em paz…