A identidade do adventismo

Logo IASD oficialTermos seculares e humanistas, por mais legitimados e usados que possam ser, nem sempre estão de acordo com a compreensão bíblica. Por isso, é necessário refletir nisto: “Tenho sido bíblico em todos os meus ensinos, em meus projetos, minhas atividades? Ou tenho propagado ideias seculares, humanistas, porque elas encantam mais as pessoas?” Não devemos esconder nossa identidade nem disfarça-lá com um discurso e uma postura determinados pelo grupo ou pela pessoa a quem queremos evangelizar. Por isso, quando dialogarmos com os que não têm simpatia pela religião institucionalizada, devemos ter respeito, sim, mas temos que conversar como remanescentes. Quando dialogarmos com universitários inteligentes e engajados, façamos isso como remanescentes. Quando dialogarmos com empresários e pessoas de negócios, respeitemos, mas façamos isso com linguagem de remanescentes. O nosso discurso deve ser de remanescente. A nossa postura deve ser de remanescente. O nosso estilo de vida deve ser de remanescente. O nosso sermão deve ser de remanescente. O nosso louvor deve ser de remanescente.

Nesse sentido, tenho uma preocupação, que é o surgimento de grupos, movimentos, comunidades ou igrejas adotando elementos seculares como ferramenta de evangelismo. Vejo que surgem grupos na Igreja Adventista que querem um tratamento diferente, sob o argumento de que querem alcançar grupos diferentes, e propõem estratégias tão diferentes que não se configuram mais como adventistas, e muito menos como remanescentes.

Muitos desses grupos se especializaram tanto em falar aos pós-modernos, por exemplo, que no final acabam sendo pós-modernos. Dias atrás assisti a um culto pela internet, um culto de domingo de uma comunidade adventista dessas que pretendem alcançar pessoas pós-modernas. Fiquei estupefato! O sermão era pós-moderno, o pregador era pós-moderno, a liturgia era pós-moderna, o ambiente era pós-moderno, a calça rasgada… tudo era pós-moderno. Um barril de 200 litros de gasolina foi pintado transformado em púlpito.

Será que realmente precisamos de igrejas diferentes para grupos específicos? Ou será que o que precisamos, na verdade, é revitalizar a igreja normal para que alcance, acolha, receba e evangelize os pós-modernos?

Será que o grande evangelista Paulo ainda serve de referência? Que eu saiba, ele não criou uma igreja específica para grupos diferenciados. Ele, sim, preparou a igreja “normal” para evangelizar os diferentes.

Assim, sugiro que reflitamos nisto: Meu discurso e prática me caracterizam claramente como sendo do povo remanescente? Ou sou influenciado pelo secularismo, tanto no discurso quanto na prática?

Atentemos para cinco preocupações:

1) LEITURA: A preocupação de que livros seculares e evangélicos tenham se tornado fundamento da teologia.

2) PÚLPITO: A preocupação grande com o empobrecimento do púlpito (pregação) adventista.

3) VOCÁBULOS: Uso de termos seculares, humanistas, para expressar atividades e conceitos supostamente bíblicos.

4) VERDADE: Supervalorização de diversas fontes para a comunicação da verdade.

5) ECLESIOLOGIA: Preocupação com o surgimento de grupos, movimentos, comunidades ou igrejas adotando elementos seculares como ferramenta de evangelismo.

Amigos queridos, vocês são líderes. Vocês são formadores de opinião. Gostaria de desafiá-los como líderes: coloquemos o melhor do nosso intelecto, o melhor do nosso esforço e o melhor da nossa influência para resgatar e fortalecer a identidade do remanescente. Como igreja, temos uma responsabilidade, mas como indivíduos também temos uma responsabilidade.

Os membros da nossa igreja precisam ver claramente a identidade do remanescente; os que não são membros da igreja também precisam ver claramente a identidade do remanescente.

Fortalecer a identidade da igreja é, antes de tudo, um dever de cada adventista; mas é um imperativo aos líderes. E lembrem-se de que retroceder é um elemento essencial para avançar. Isso tem que ver com a nossa identidade. A identidade da igreja não é responsabilidade da instituição. É responsabilidade sua e minha.

(Trecho de um sermão do pastor Adolfo Suarez dirigido a pastores e líderes da IASD; ele é reitor do Seminário Adventista Latino-Americano de Teologia)

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