Cientistas espanhóis criam ser híbrido de humano e macaco

embriaoA equipe do pesquisador Juan Carlos Izpisúa conseguiu criar pela primeira vez uma quimera – um ser híbrido – entre humano e macaco num laboratório da China, dando um importante passo para seu objetivo final de transformar animais de outras espécies em fábricas de órgãos para transplantes, segundo confirma ao El País sua colaboradora Estrella Núñez, bióloga e vice-reitora de pesquisa da Universidade Católica de Murcia (UCAM). As quimeras, segundo a mitologia grega, eram monstros com ventre de cabra e cauda de dragão, capazes de cuspir fogo pelas ventas de sua cabeça de leão. As quimeras científicas são menos grotescas. O grupo de Izpisúa, distribuído entre o Instituto Salk dos EUA e a UCAM, modificou geneticamente os embriões de macaco para desativar genes essenciais na formação de seus órgãos. Em seguida, os cientistas injetaram células humanas capazes de gerar qualquer tipo de tecido. O resultado é uma quimera de macaco com células humanas, que não chegou a nascer, já que os pesquisadores interromperam a gestação. O experimento foi realizado na China para evitar obstáculos legais em outros países.

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A Inquisição e o atraso da imprensa no Brasil

inquisicao2O Observatório da Imprensa na TV exibiu [uma] série de três programas sobre os impactos da vinda da família Real para o Brasil, ocorrida em 1808. O foco do debate foi a conjuntura que levou o país a um atraso de mais de três séculos em relação ao início da impressão industrial de textos, datada de 1456, quando Johann Gutenberg confeccionou a Bíblia de Mogúncia. Outras colônias na América, como México e Peru, fundaram suas primeiras tipografias séculos antes do Brasil, que só decretou a implantação da Impressão Régia em 13 de maio de 1808. Participaram do programa Isabel Lustosa, historiadora da Casa de Rui Barbosa, no Rio de Janeiro, e o jornalista e escritor Laurentino Gomes, em São Paulo. (…)

O jornalista [Alberto Dines] comentou ainda o papel da Inquisição neste atraso [do começo da imprensa no Brasil]. Naquela época, explicou Dines, era preciso um licenciamento. O controle era exercido no início do processo pelo Santo Ofício da Igreja Católica. O órgão da igreja operava aqui através de comissários que davam informações à Coroa portuguesa e obedeciam às ordens de Lisboa. Já a coroa espanhola criou no Novo Mundo vários tribunais, descentralizando a fiscalização. A medida tornou possível execuções de condenados, mas contribuiu para que suas colônias pudessem fundar tipografias muito antes do Brasil (as primeiras impressões na América seguiram a seguinte ordem: Cidade do México, 1535; Lima, 1583; EUA, 1640; Bogotá, 1739; Santiago, 1748; Quito, 1760; Nova Orleans (Espanha), 1764; Buenos Aires, 1766; e Montevidéu, 1807).

Dines comentou que um estudo pouco conhecido aponta que a implantação da tipografia poderia ter sido antecipada em mais de 60 anos. Em 1749, Antônio Isidoro da Fonseca – que foi um dos doze tipógrafos mais importantes de Lisboa, tendo publicado a Biblioteca Lusitana, o primeiro compêndio das obras escritas em Portugal – tentou estabelecer uma tipografia no Rio de Janeiro. Após publicar alguns folhetos, foi surpreendido com uma intimação que o obrigou a fechar a gráfica porque contrariava às ordens de Lisboa. (…)

Dines perguntou a Laurentino Gomes como a corte [portuguesa] formou sua cultura se a impressão não era permitida no Brasil e, em Portugal, ainda era controlada. O autor de 1808 disse que a antiga metrópole era um dos países mais atrasados da Europa. O espírito aventureiro e de conquistas que havia marcado a época das navegações e das grandes descobertas havia desaparecido com o início do reinado de D. Maria I, extremamente ligada à Igreja Católica. Portugal foi o último país a abolir a Inquisição, havia um controle absoluto das ideias. (…)

Os prejuízos causados pela Inquisição no Brasil, para Alberto Dines, não podem ser medidos, são incalculáveis. Entre 1536, quando foi instalada na metrópole, até 1821, quando foi abolida pela Constituição de Portugal, esteve presente no Brasil através do controle de livros. As obras que vinham de Lisboa eram examinadas no cais. “Tudo isso tinha um ônus tremendo, as ideias não podiam circular”, avaliou. Os contrabandos e relatos de estrangeiros eram as alternativas encontradas pelos brasileiros para ter acesso à cultura e à informação livre.

No encerramento do debate, Laurentino Gomes disse que o Brasil pode comemorar o aniversário em 1808, apesar de ter sido descoberto em 1500. Para ele, nenhum outro período na história do Brasil passou por transformações tão profundas. Deixou de ser uma sociedade atrasada, ignorante e proibida. Isabel Lustosa reafirmou que o cerceamento à informação foi extremamente prejudicial, mas que quando a impressão foi liberada foi fundamental para a formação de uma classe política.

(Lilia Diniz, Observatório da Imprensa)

Estudo do BID relaciona novelas a divórcios no Brasil

novelaUm estudo do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) sugere uma ligação entre as populares novelas da TV Globo e um aumento no número de divórcios no Brasil nas últimas décadas. Na pesquisa, foi feito um cruzamento de informações extraídas de censos nos anos 70, 80 e 90 e dados sobre a expansão do sinal da Globo – cujas novelas chegavam a 98% dos municípios do país na década de 90. Segundo os autores do estudo, Alberto Chong e Eliana La Ferrara, “a parcela de mulheres que se separaram ou se divorciaram aumenta significativamente depois que o sinal da Globo se torna disponível” nas cidades do país. Além disso, a pesquisa descobriu que esse efeito é mais forte em municípios menores, onde o sinal é captado por uma parcela mais alta da população local.

Os resultados sugerem que essas áreas apresentaram um aumento de 0,1 a 0,2 ponto percentual na porcentagem de mulheres de 15 a 49 anos que são divorciadas ou separadas. “O aumento é pequeno, mas estatisticamente significativo”, afirmou Chong.

Os pesquisadores vão além e dizem que o impacto é comparável ao de um aumento em seis vezes no nível de instrução de uma mulher. A porcentagem de mulheres divorciadas cresce com a escolaridade.

O enredo das novelas frequentemente inclui críticas a valores tradicionais e, desde os anos 60, uma porcentagem significativa das personagens femininas não reflete os papéis tradicionais de comportamento reservados às mulheres na sociedade.

Foram analisadas 115 novelas transmitidas pela Globo entre 1965 e 1999. Nelas, 62% das principais personagens femininas não tinham filhos e 26% eram infiéis a seus parceiros.

Nas últimas décadas, a taxa de divórcios aumentou muito no Brasil, apesar do estigma associado às separações. Isso, segundo os pesquisadores, torna o país um “caso interessante de estudo”.

Segundo dados divulgados pela ONU, os divórcios pularam de 3,3 para cada 100 casamentos em 1984 para 17,7 em 2002.

“A exposição a estilos de vida modernos mostrados na TV, a funções desempenhadas por mulheres emancipadas e a uma crítica aos valores tradicionais mostrou estar associada aos aumentos nas frações de mulheres separadas e divorciadas nas áreas municipais brasileiras”, diz a pesquisa.

(BBC Brasil)

Não vamos idolatrar pessoas; elas são falhas

tristeAo longo da história bíblica e do cristianismo houve grandes naufrágios espirituais e morais. Homens e mulheres de Deus sucumbiram às mais diversas tentações e deixaram um rastro de vergonha e dor. Com seus deslizes, mancharam o bom nome cristão e levaram outros à derrota ou à autojustificação. Louvado seja Deus pelo fato de Ele ser misericordioso e restaurador, mas, mesmo com o bálsamo do perdão, nem sempre é possível escapar das consequências de certas escolhas. Algumas dessas consequências nos acompanham por toda a vida.

Recentemente, o escritor evangélico Jushua Harris, autor do livro Eu Disse Adeus ao Namoro, declarou não mais ser cristão. Joshua e a esposa, Shannon, anunciaram a separação depois de 19 anos de casados. Harris era conhecido por seu conservadorismo, mas no ano passado escreveu um comunicado oficial pedindo perdão por seus livros conservadores e renunciou ao cargo de pastor principal da Covenant Life Church. Ele disse que lamenta e até se arrepende de suas posturas conservadoras, inclusive com relação ao homossexualismo.

Quando esses naufrágios acontecem, somos lembrados uma vez mais de que nosso olhar deve estar fixo unicamente nAquele que é perfeito: Jesus Cristo. Se um líder de igreja, um pastor, um administrador começa a negar tudo o que ensinou e pregou; começa e espalhar heresias e inverdades, isso não significa que o evangelho perdeu seu valou e seu poder. Significa apenas que não devemos ancorar nossa fé em seres humanos, nem promover o culto à personalidade. Em tempos de expansão da TV e das redes sociais, certas figuras podem se destacar e passar a ser tratadas até com certa idolatria. Isso não é correto. É preciso atentar para a mensagem, não para o mensageiro, e sempre agir com a atitude dos bereanos, que submetiam todos os ensinos à Palavra de Deus (Atos 17:11).

O apóstolo Paulo é claro quando diz que “aquele que julga estar firme, cuide-se para que não caia!” (1 Coríntios 10:12). A firmeza do cristão não vem dele, vem da Rocha. Devemos sempre desconfiar de nós mesmos e confiar unicamente em Jesus.

Ellen White escreveu que “muitas estrelas que temos admirado por seu brilho tornar-se-ão trevas” (Profetas e Reis, p. 188), e que “nas cenas finais da história terrestre, homens a quem Ele honrou grandemente seguirão o exemplo do antigo Israel. […] O afastamento dos grandes princípios que Cristo estabeleceu em Seus ensinos, a elaboração de projetos humanos, usando as Escrituras para justificar a errônea maneira de proceder sob a perversa influência de Lúcifer, confirmarão os homens no engano, e a verdade de que necessitam para serem livrados de práticas incorretas se escoa da alma como água de um recipiente que vaza” (Manuscript Releases, v. 13, p. 379, 381). “Muitos demonstrarão que não são um com Cristo, que não estão mortos para o mundo, para que possam viver com Ele; e as apostasias de homens que ocuparam posições de responsabilidade serão frequentes” (Review and Herald, 11 de setembro de 1888).

Apostasia de homens que ocuparam posições de responsabilidade… Se você for um fã dessas pessoas em detrimento da mensagem que elas anunciam, poderá confundir a mensagem com a pessoa e acatar inadvertidamente tudo o que seu ídolo disser.

Fomos devidamente advertidos, portanto, fiquemos atentos. Oremos pelos homens e pelas mulheres que ocupam cargos de responsabilidade; oremos para que nós nunca nos esqueçamos de que podemos ser um testemunho para o bem ou para o mal; e sobretudo olhemos sempre para Jesus, “o autor e consumador da nossa fé” (Hebreus 12:2).

Somos ovelhas de Jesus, não rebanho de seres humanos falhos. É verdade que Ele usa poderosamente homens e mulheres que se colocam sob Sua direção e se submetem à Sua vontade, mas a mão que move o leme é a Dele.

Concluo este texto com uma reflexão que recebi por e-mail:

“Igreja não tem palco, tem altar: no palco há performance, no altar há sacrifício.
“Igreja não tem show, tem culto: no show há exibição, no culto há rendição.
“Igreja não tem estrelas, tem servos: estrelas aparecem, servos obedecem.
“Igreja não tem fãs, tem discípulos: fãs aplaudem e bajulam, discípulos aprendem e seguem.
“Igreja não tem artistas, tem ministros: artistas atuam, ministros servem.
“Igreja não tem plateia, tem adoradores: plateia assiste e reage, adoradores prostram-se e entregam-se.
“Quando a igreja passa a ter palco, show, estrelas, fãs, artistas e plateia, faz jus à citação de Warren W. Wiersbe, em seu livro Crise de Integridade: ‘A igreja é semelhante à arca de Noé. Se não fosse o juízo de Deus para os que estão fora, seria impossível suportar o mau cheiro dos que estão dentro.’ Mas quando a igreja opta pela trilha do altar, do culto, dos servos, dos discípulos, dos ministros e dos adoradores, encontra sua identidade resumida nas palavras de Paulo: ‘família de Deus, que é a igreja do Deus vivo, a qual é a coluna e o alicerce da verdade’ (1 Timóteo 3:15, NTLH).”

Michelson Borges

Entre desenhos animados e sessões mediúnicas

leaoNa semana passada fomos invadidos pelos apelos da mídia referentes ao remake em computação gráfica ultrarrealística de “O Rei Leão”, sucesso da Disney de 1994, que angariou na época quase 1 bilhão de dólares e definiu o renascimento daquele estúdio para filmes de animação. Aproveitando o sucesso, vários produtos estão sendo lançados, ensejando o interesse do público no assunto. Parques temáticos, promoções em lanchonetes de fast-food e desenhos derivados – chamados de spin-offs – são idealizados para incrementar os lucros do estúdio de animação.

Desde o anúncio do novo “O Rei Leão”, já vinham sendo lançados alguns produtos, e alguns deles se tornaram mais evidentes durante a semana passada. Chamou a atenção a série intitulada “A Guarda do Leão”, exibida na plataforma digital Netflix e canais a cabo, pela sua premissa, em que mensagens de conteúdo não cristão são passadas às crianças.

A ideia básica é que Kion, filho mais novo de Simba, se torna detentor do “rugido do Leão”, uma capacidade na qual ele incorpora o rugido dos reis ancestrais do reino da pedra, juntamente com um forte vento. No céu, junto com essa incorporação, aparecem nas nuvens a imagem de quatro leões. Logicamente que o desenho é entremeado de mensagens positivas de inclusão e amizade. Ele escolhe cinco amigos para recompor a Guarda do Leão, que não são mais leões. Já no segundo episódio Kion fala com seu avô, Mufasa, ao mesmo estilo visto no Rei Leão, e tudo continua. Entretanto, a questão se torna muito aberta na segunda temporada. Ushari, uma serpente, convence as hienas de que elas precisam convocar o espírito de Scar, o leão morto no fim de “O Rei Leão” (pelas próprias hienas). E, assim, com uma trama que envolve médiuns (é deixado bem claro que Rafiki, o mandril que parece ser um ancião/conselheiro do reino é, na verdade, um médium, assim como sua aprendiz Maniki – que podem evocar espíritos dos bons e dos maus, finalmente Scar emerge, não dos céus, mas da lava da terra.

São inegáveis as semelhanças com outras histórias, desta vez de caráter bíblico. A serpente, Satanás, foi o primeiro a promover a mentira da imortalidade da alma (Gênesis 3:4). E a cena da invocação de Scar lembra de maneira muito próxima o relato da invocação da Pitonisa de Endor, em que um falso espírito aparentando ser Samuel, saindo da terra foi falar com Saul.

Talvez o pior de tudo nesse contexto é a reação de alguns cristãos, incluindo líderes religiosos, a toda a história expressa em “O Rei Leão”. Análises entusiasmadas, querendo tirar lições morais ou até fazendo paralelos entre os personagens do filme e a Bíblia e o plano da Redenção. Alguns comparam Mufasa a Jesus, Rafiki a um cristão inspirado, Scar ao diabo, e assim por diante. Tudo isto com a chancela subjacente ao filme, como uma fonte aprovada e instrutiva para todos. O que devemos levar em conta é que qualquer história deve ser analisada com base na sua premissa ou mitologia. Ou, em última análise, dentro do contexto da mensagem que os autores licenciados gostariam de passar. Neste caso, o que temos claro é que, embora o Rei Leão tenha realmente lições morais, elas são dadas dentro de um meio espiritualista, em que os espíritos podem ser os “guias” para os vivos ou, no caso de “A Guarda do Leão”, espíritos inferiores podem ser antagonistas. E esse relato, da maneira como é passado, se adequa perfeitamente à ideologia espírita.

Mas não conseguimos diferenciar uma coisa de outra? Ou pode ser possível apreciar “O Rei Leão” sem ser afetado pelos pontos negativos?

Entendo que temos o livre arbítrio. Mas, ao mesmo tempo, cada “recomendação” expõe todo pacote dessa mitologia aos espectadores mais incautos, que são crianças e adolescentes. Ou alguém acha que o juvenil que vir o filme sendo recomendado por religiosos ou pelos pais não achará automaticamente recomendada a mesma série de desenhos da mesma produtora em outras plataformas?

Nesses momentos, como pai, só posso apelar que devemos manter cuidado com aquilo que permitimos que entre em nossas casas. Analisar o que eles veem previamente, ou pelo menos ao lado deles. E pedir orientação de Deus para servir o melhor aos nossos filhos.

(Everton Padilha Gomes é médico e doutor em cardiologia pela USP)

O dia em que o marxismo cultural serviu para algo de bom

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A Ariane (de vestido verde), na época das eleições presidenciais, estava pesquisando sobre marxismo cultural e encontrou uma palestra minha, em meu canal no YouTube. Gostou, começou a assistir a outros conteúdos e se interessou pela mensagem adventista. Ela mora em uma cidade vizinha, mas ontem estava em Tatuí e resolveu visitar a Igreja Adventista do Sétimo Dia das Mangueiras. Quem estava pregando lá? Sim, eu! A moça de casaco branco, a Fabiana, é adventista, mora na mesma cidade da Ariane e vai começar um estudo bíblico com ela. Os caminhos de Deus são impressionantes! E foi a primeira vez que vi o marxismo cultural servir para algo bom. [MB]

Spoiler da Lição: O clamor dos profetas