Auxiliar para o estudo da Lição da Escola Sabatina: o segundo dízimo

dízimoA Lição da Escola Sabatina do dia 10 de julho (quarta-feira) trata do tema do segundo dízimo. Um dos pontos principais a serem respondidos é o seguinte: De acordo com o livro de Deuteronômio, o dízimo poderia ser usado pelo adorador para ajudar os pobres, as viúvas e outras pessoas? Para responder a essa questão, temos que ter em mente que a palavra “dízimo”, no Antigo Testamento, refere-se a três devoluções distintas em seu uso e aplicação. Havia então três dízimos no Antigo Testamento:

1. O dízimo do rei ou imposto real. Surge por volta do ano 1000 a.C., com o início da monarquia, e desaparece quando a monarquia acaba. Ver 1 Samuel 8:11, 14-17.

2. O dízimo da família e para os pobres, também conhecido como “segundo dízimo”. Oferta para caridade. Surge por volta de 1400 a.C., com a entrada dos israelitas em Canaã. Dependia do ciclo sabático de sete anos que iniciou em Canaã, e também das regras do tabernáculo e da lei cerimonial. Termina quando cessa esse sistema teocrático. Ver Deuteronômio 12:17-21; 14:22-29 e 26:12-14. É sobre esse dízimo que trata a Lição da Escola Sabatina.

3. O dízimo mais antigo ou do sacerdócio. Diferente dos outros, porque era todo do levita, integralmente entregue na Casa do Tesouro e seu uso era exclusivo para o ministério levítico (ver Números 18: 21-24; Malaquias 3:8-10). Não se podia reter, trocar ou vender (ver Levítico 27:31-33). Seu começo não tem registro. A primeira vez que aparece é por volta de 1900 a.C., com Abraão. Portanto, tem sua origem antes dos levitas e da lei cerimonial. Não termina com a teocracia nem com a lei cerimonial, porque exista antes e se destina a manter ministros exclusivos para Deus. É esse dízimo que 500 anos antes de Israel entrar em Canaã foi dado a Melquisedeque, e que Hebreus diz ser um tipo ou figura de Jesus. O dizimo de Abraão foi dado Àquele que vive, uma referência a Jesus (ver Hebreus 7:8). Esse é o dízimo que dura enquanto o ministério de Cristo durar na Terra.

Embora com o mesmo nome, os três dízimos tinham diferenças:

1. Origem (datas diferentes).

2. Destino (um todo para o imposto do rei, outro todo para a família e para os pobres, e o terceiro era todo para a casa do tesouro).

3. Natureza (governamental, caritativa, ministerial).

4. Aplicação (despesas governamentais, despesas com a peregrinação da família para as festas religiosas e para caridade, e o último era exclusivo para o ministério).

Portanto, são completamente distintos entre si.

A passagem usada na lição é Deuteronômio 14:22-29 e trata do dízimo da família, usado para ajudar os pobres. Nenhuma parte era entregue na Casa do Tesouro. Era todo consumido pelo adorador e por seus convidados.

As citações abaixo, de Ellen White, confirmam esse entendimento:

“A fim de promover a reunião do povo para serviço religioso, bem como para se fazerem provisões aos pobres, exigia-se um segundo dízimo de todo o lucro. Com relação ao primeiro dízimo, declarou o Senhor: ‘Aos filhos de Levi tenho dado todos os dízimos em Israel’ (Números 18:21). Mas em relação ao segundo Ele ordenou: ‘Perante o Senhor teu Deus, no lugar que escolher para ali fazer habitar o Seu nome, comerás os dízimos do teu grão, do teu mosto, e do teu azeite, e os primogênitos das tuas vacas e das tuas ovelhas; para que aprendas a temer ao Senhor teu Deus todos os dias’ (Deuteronômio 14:23, 29; 16:11-14). Este dízimo, ou o seu equivalente em dinheiro, deviam por dois anos trazer ao lugar em que estava estabelecido o santuário. Depois de apresentarem uma oferta de agradecimento a Deus, e uma especificada porção ao sacerdote, os ofertantes deviam fazer uso do que restava para uma festa religiosa, da qual deviam participar os levitas, os estrangeiros, os órfãos e as viúvas. Em cada terceiro ano, entretanto, este segundo dízimo devia ser usado em casa, hospedando os levitas e os pobres, conforme Moisés dissera: ‘Para que comam dentro das tuas portas, e se fartem’ (Deuteronômio 26:12). Este dízimo proveria um fundo para fins de caridade e hospitalidade” (Patriarcas e Profetas, p. 530).

“A consagração a Deus de um décimo de toda a renda, quer fosse dos pomares quer dos campos, dos rebanhos ou do trabalho mental e manual; a dedicação de um segundo dízimo para o auxílio dos pobres e outros fins beneficentes, tendia a conservar vívida diante do povo a verdade de que Deus é o possuidor de todas as coisas, e a oportunidade deles para serem portadores de Suas bênçãos. Era um ensino adaptado a extirpar toda a estreiteza egoísta, e cultivar largueza e nobreza de caráter” (Educação, p. 44).

(Conteúdo extraído do livro Perguntas Sobre o Dízimo, do pastor Demóstenes Neves Silva)