Pai de vítima consola mãe de sequestrador em delegacia

Sequestrador È morto por atirador de elite na Ponte Rio-NiterÛiTodos os dias, Paulo César Leal, de 54 anos, leva sua filha, a historiadora Raiane Leal, de 24, ao ponto de ônibus. Na manhã [de ontem] não foi diferente. Por volta das 4h40, Paulo acompanhou Raiane até ela entrar no ônibus da viação Galo Branco que faz a linha Alcântara x Estácio, mas poucos minutos depois recebeu a notícia de que ela era uma das 39 vítimas do sequestro ao ônibus, que parou na Ponte Rio-Niterói e durou mais de três horas. Num primeiro momento, Paulo pensou que pelo horário em que o sequestro foi noticiado, podia não ser o ônibus em que Raiane estava, mas a dificuldade em falar com a filha aumentou a preocupação. Paulo informou que acompanhou os desdobramentos pela televisão, e foi por onde também descobriu, ao mesmo tempo, que a filha era uma das vítimas e que havia sido liberada pelo sequestrador. “Senti uma aflição, uma coisa muito difícil. Tentei procurar me manter calmo, porque tenho minha outra filha e minha esposa. Eu tenho os problemas de coração, ela também. Tentei manter a calma, mas foi difícil.”

Outros reféns contam que o sequestrador Willian Augusto da Silva, de 24 anos, liberou primeiro os reféns que estavam passando mal com o cheiro do spray de tinta usado para bloquear a visão externa ao ônibus. Paulo não soube explicar se o mesmo aconteceu com Raiane, mas ficou aliviado em ter notícias da filha em pouco tempo. “Reconheci ela na hora em que saiu. No primeiro momento, a gente não quer acreditar. Mas a imagem passou mais uma vez e confirmei. Ainda não respirei, mas estou tentando”, contou Paulo na porta da Delegacia de Homicídios de Niterói, onde Raiane prestou depoimento.

Enquanto aguardava Raiane ser liberada pela Polícia Civil, Paulo socorreu a mãe do sequestrador Willian Augusto da Silva. A identidade da mulher será preservada. Ela chegou à unidade com o rosto coberto, e cerca de uma hora depois saiu à área externa. Inspetores da Polícia Civil afastaram a imprensa, pediram respeito à dor da mulher e explicaram que ela estava passando mal. Do portão, foi possível ver Paulo César consolando a mãe de Willian Augusto.

Ele explicou sua motivação: “Como ser humano, fui ajudar, porque naquele momento a dor é dos dois lados. Eu não tenho poder de julgar nem falar qualquer coisa que seja boa. Só falei para ela ter calma e confiar. O que eu vou dizer para ela, de conforto? Não tem o que dizer”, contou Paulo.

O pai de Raiane ainda contou que irá orar pelos familiares de Willian: “Infelizmente aconteceu isso com ele. Deus não quer isso para ninguém, mas naquele momento não tem o que fazer. A gente ora pelos familiares, pela mãe dele. Mas ainda bem que minha filha está bem”, finalizou

Willian foi socorrido ao Hospital Municipal Souza Aguiar por volta das 9h30 de [ontem]. Acompanhado de dois paramédicos, Willian estava numa maca, coberto por uma manta térmica e com um balão de ar. Segundo o sargento M. Pontes, o homem chegou vivo ao hospital, mas a Secretaria de Saúde confirmou a morte minutos depois.

(UOL Notícias)

Nota: Em meio a toda essa tragédia (que poderia ter sido muito maior, caso o sequestrador tivesse posto fogo no ônibus), é alentador ver atitudes de compaixão e misericórdia, como a manifestada pelo Sr. Paulo César Leal. Ele agiu como um verdadeiro cristão, enxergando por cima da cortina de medo e ódio o coração dilacerado de uma mãe. Nessas horas em que palavras são insuficientes, de fato, orar pelos que sofrem é um grande gesto de amor e humanidade. E que Jesus volte logo para nos tirar deste mundo sequestrado por Satanás! [MB]