A forma de pensar e os pontos em comum dos movimentos dissidentes

contraEmbora existam diversos movimentos antagônicos a Igreja Adventista do Sétimo Dia, com abordagem, pontos doutrinários ou ênfases diferentes, praticamente todos concordam em alguns pontos centrais. O presente artigo analisa criticamente a macroestrutura conceitual dos movimentos dissidentes brasileiros, enfocando cinco pontos. O movimento dissidente adventista brasileiro é relativamente novo e ganhou projeção com a popularização das redes sociais. É bastante heterogêneo em suas propostas e diverge em muitos aspectos. Entretanto, é possível observar alguns pontos em comum, que funcionam como fundamentos sobre onde constroem sua forma de pensar e agir contra a Igreja Remanescente. Conhecer essa macroestrutura tanto pode proteger os adventistas de perder a confiança na igreja e se desviar da sã doutrina (2 Timóteo 4:3), quanto pode alcançar pessoas que já se encontram em movimentos espúrios.

Desvios teológico-doutrinários

Os grupos dissidentes se desviaram do corpo doutrinário adventista, estabelecido progressivamente pelo exame minucioso das Escrituras, sob a guia do Espírito Santo e confirmado pelo Espírito de Profecia.[1] Alguns dissidentes são totalmente antagônicos em seus pontos de vista, enquanto outros são mais moderados ou não enfatizam abertamente sua discordância do pensamento oficial da igreja.

A Igreja Adventista do Sétimo Dia defende os princípios de sola, tota e prima Scriptura.[2] Ou seja, nossa regra de fé e prática é unicamente a Palavra de Deus. “Os adventistas do sétimo dia aceitam a Bíblia como seu único credo e mantêm certas crenças fundamentais como sendo o ensino das Escrituras Sagradas. Essas crenças […] constituem a compreensão e a expressão do ensino das Escrituras por parte da igreja.”[3]

Nossa estrutura teológica se divide em seis doutrinas básicas (Deus, ser humano, salvação, igreja, vida cristã e últimos eventos) e 28 crenças fundamentais,[4] que podem ser ampliadas ou revisadas em uma assembleia da Associação Geral.[5] Diferente da denominação, os dissidentes já ampliaram, reduziram ou revisaram as crenças fundamentais por conta própria, adotando conceitos estranhos à fé adventista. Às vezes, o problema não está na mudança, mas na ênfase exagerada em um ponto doutrinário.

Geralmente os principais desvios teológicos[6] são: a negação da doutrina da Trindade,[7] da personalidade e divindade do Espírito Santo;[8] a negação ou distorção do Dom de Profecia[9] e do sistema do dízimo;[10] a nova interpretação da crença do matrimônio e da família[11] e no remanescente e sua missão[12] e a negação ou reinterpretação do ministério de Cristo no Santuário Celestial.[13]

Os dissidentes também questionam a confiabilidade do texto bíblico,[14] ignoram a fórmula batismal,[15] dogmatizam a posição para oração,[16] distorcem o nome[17] e a natureza humana de Cristo,[18] o estilo de vida adventista, a reforma de saúde, as profecias e os eventos finais,[19] a administração e a missão da igreja, etc. Nos últimos anos o perfeccionismo[20] e sua relação com a natureza caída de Cristo e a teoria da última geração[21] têm sido muito explorados, assim como a questão insustentável do terraplanismo.[22]

Em alguns casos, os dissidentes assumem um posicionamento doutrinário diferente da denominação, enquanto em outros reinterpretam a crença ou enfatizam algum ponto específico, movendo os membros da segura plataforma da verdade ao negar ou ensinar doutrinas contrárias[23] à “verdade presente” (2Pd 1:12).

Tais desvios teológicos podem ser atribuídos a “uma hermenêutica peculiar”, distinta do método gramático-histórico, adotado pelos adventistas do sétimo dia.[24] Ellen White previu o surgimento de “homens com interpretações das Escrituras que para eles são verdade, mas que não o são. Deus nos deu a verdade para este tempo como um fundamento para nossa fé. Ele próprio nos ensinou o que é a verdade. Aparecerá um, e ainda outro, com nova iluminação, que contradiz aquela que foi dada por Deus sob a demonstração de Seu Santo Espírito.”[25]

Perda da confiança na organização

Os dissidentes perderam a confiança na Igreja Adventista do Sétimo como instituição. Eles declaram abertamente que já não acreditam na organização, pois ela “apostatou da verdade e é injusta”,[26] assumindo “uma atitude extremamente crítica e belicosa para com a igreja e sua liderança.”[27] Isso afeta os membros sinceros que podem deixar de apoiar a igreja; os apologetas evangélicos, que se aproveitam para justificar seus ataques; e os interessados na verdade, que podem se afastar. A imagem da igreja, por outra parte, é comprometida perante a opinião pública, gerando um desgaste desnecessário.

As razões para tal posição podem ser, para José Barbosa, algumas declarações reprovadoras de Ellen White e o mundanismo, a incredulidade e apostasia existentes na vida de pessoas dentro da igreja. Ao analisar as mais severas repreensões do Espírito de Profecia, o autor conclui que elas devem ser interpretadas em seu contexto histórico, e que as reprovações, por mais severas que sejam, não significam necessariamente rejeição, mas tentativas amorosas de correção.[28]

Sobre os problemas comportamentais dos membros (incluindo, às vezes, líderes), Barbosa lembra que “não desqualificam a igreja. Não são indício de que ela, como organização, traiu o legado divino”,[29] afinal de contas, Ellen White afirmou: “Por haver na igreja membros indignos, não tem o mundo o direito de duvidar da verdade do cristianismo, nem devem os cristãos desanimar por causa desses falsos irmãos […]. [Cristo] disse que até o fim do tempo haveria falsos irmãos na igreja.”[30]

Os dissidentes fazem uma dicotomia entre a igreja adventista espiritual e a igreja institucionalizada. Os verdadeiros adventistas, para eles, são parte da igreja espiritual, mas não da institucionalizada. Essa teoria não pode ser sustentada nem pela Bíblia nem pelo Espírito de Profecia.[31] Ellen White não faz distinção entre a igreja, sua organização e instituições.[32] Após instituir Sua igreja, Jesus a investiu de autoridade eclesiástica (Mt 16:18, 19).

Ellen White escreveu: “Buscamos o Senhor em oração fervorosa para que pudéssemos compreender Sua vontade; e Seu Espírito nos iluminou, mostrando-nos que deveria haver ordem e perfeita disciplina na igreja, e que era essencial a organização.”[33] Ela também deixa claro que “não podemos agora entrar para qualquer organização nova; pois isto significaria apostatar da verdade.”[34] Ela afirma ainda que a igreja “não deve ser desorganizada ou esfacelada em átomos independentes”, e que isso nunca ocorrerá.[35]

Suposto papel profético

Segundo Ted Wilson, presidente mundial da Igreja Adventista, “alguns grupos ou ministérios independentes, em diversas partes do mundo, parecem reclamar para si mesmos um papel profético ou corretivo que, às vezes, pode criar controvérsias que dividem congregações e a irmandade. Como igreja remanescente dos últimos dias, é muito importante olharmos a Cristo em busca de unidade em nossa comissão doutrinária, dada por Deus para Seu movimento profético, e voltada para a missão”.[36]

Um dos maiores equívocos dos movimentos dissidentes é a alegação de ter um papel profético, sem nenhum fundamento bíblico ou do Espírito de profecia. Tanto a Palavra de Deus (Ap 10:11; 12:17; 19:10) quanto os escritos de Ellen White deixam claro que Deus suscitou a Igreja Adventista do Sétimo Dia para uma missão especial nos últimos dias.[37]

Alguns adeptos e líderes dissidentes alegam haver recebido revelações divinas para justificar seu posicionamento. A ideia de ter uma função profética de correção da igreja oficial parece ser generalizada, enquanto o profetismo popular parece não ser aceito por todos os dissidentes. Entretanto, “a manifestação de pretensas revelações proféticas” em alguns círculos dissidentes já foi documentada.[38]

Os dissidentes exaltam seu papel profético decisivo para purificar a igreja, como se Deus os houvesse enviado para uma obra que somente o Espírito Santo pode fazer (Ez 37; Jo 16). Alguns dissidentes, para ser mais convincentes, mencionam que receberam algum sonho, visão, revelação, impressão ou ouviram vozes ou sons,[39] etc., que são a prova de sua mensagem. Nesse aspecto, é bom lembrar o que escreveu Alberto Timm:

“O mero recebimento de revelações proféticas, quer por sonhos ou por visões, não garante em si que o profeta seja verdadeiro. A Bíblia menciona que nos últimos dias surgiriam manifestações proféticas tanto verdadeiras (Jl 2:28-31) quanto falsas (Mt 24:24; cf. 1Jo 4:1). A expressão ‘falsos profetas’ (Mt 24:24) se refere, em sentido primário, a pessoas que recebem revelações sobrenaturais de origem satânica. Mas, em sentido secundário, ela pode ser aplicada também àqueles que distorcem a palavra profética registrada na Bíblia e nos escritos de Ellen G. White. Com essa atitude, eles colocam suas ideias pessoais acima das revelações divinas, o que não deixa de ser uma forma secundária de profetismo, que acaba neutralizando a própria palavra profética. Toda pretensa revelação profética, para ser verdadeira, deve estar em plena conformidade com os ensinos bíblicos. (ver Is 8:20; Mt 4:4;7:15-23; Gl 1:8,9).”[40]

Conceito de um novo remanescente[41]

Os dissidentes também creem em um novo conceito de Remanescente. Para eles a Igreja Adventista do Sétimo Dia apostatou, perdendo o favor divino e já não constitui o remanescente fiel do tempo do fim (Ap 12:17). Afirmam que ela se tornou Babilônia ou parte dela, por haver adotado doutrinas antibíblicas.[42] Isso originou os ministérios independentes, grupos de estudos separados, comunidades na internet, institutos e até algumas denominações religiosas que rivalizam com a Igreja Adventista.[43]

“Em surgindo quaisquer pessoas que pretendem possuir grande luz e não obstante advogando a demolição daquilo que o Senhor por Seus agentes humanos tem estado a edificar, acham-se eles muito enganados, e não trabalham em cooperação com Cristo. Aqueles que afirmam que as igrejas adventistas do sétimo dia constituem Babilônia, ou qualquer parte de Babilônia, deveriam antes ficar em cassa. Que ele se detenham e considerem qual é a mensagem que deve ser pregada presentemente. Em vez de trabalhar com meios divinos para preparar um povo que subsista no dia do Senhor, eles se puseram ao lado daquele que é um acusador dos irmãos, que os acusa dia e noite perante Deus. Agentes satânicos têm vindo das profundezas, inspirando os homens a unir-se numa confederação do mal, para perturbar e hostilizar o povo de Deus, causando-lhe grande aflição.”[44]

O pastor Amim Rodor escreveu um artigo que esclarece melhor esse assunto. Quando Israel falhou, “Deus suscitou a igreja cristã. Quando esta se tornou corrompida em doutrinas e práticas, Ele levantou os reformadores para se separarem e formarem o corpo protestante. Então, estes também falharam em avançar na luz que lhes foi concedida, e o Senhor suscitou o movimento adventista com uma missão especial para o fim da História. […] até aqui os fiéis saíram do remanescente apostatado para constituírem um novo remanescente.”[45]

O ciclo de chamado, apostasia e novo chamado não continua aberto indefinidamente, porque, no cenário do fim, é necessário uma nova dinâmica, para evitar que ocorresse constantemente sem qualquer resolução final. Além disso, Deus previu e fez provisão para o fracasso dos movimentos anteriores.[46]

Contudo, não existe qualquer provisão profética para um novo remanescente em substituição ao movimento adventista. Isso é evidente no Apocalipse (capítulos 3 e 12). Sete igrejas, e não mais, simbolizam a trajetória da igreja através da Era Cristã. Laodiceia, a igreja morna, o povo do juízo, com todos os seus defeitos e fraquezas, fecha o círculo.[47]

Alberto Timm usa a expressão “sacudidura inversa” para explicar esse novo conceito de remanescente.[48]

“Os movimentos dissidentes alegam que os adventistas genuínos devem se retirar da igreja para estabelecer ministérios de maior santidade. Em contraste, Ellen White afirma que, na sacudidura final, os verdadeiros adventistas permanecerão na igreja, enquanto os apóstatas se retirarão. Por tanto, a sacudidura purificará a igreja, evitando que ela perca sua identidade e que seja substituída por outro movimento.”[48]

Espírito crítico e ações independentes

Os dissidentes também demonstram forte espírito crítico e uma agenda de atividades independente da igreja. Os fariseus tinham um traço predominante: seu espírito crítico. Eles se tornaram especialistas em criticar, julgar e condenar deliberadamente aqueles que discordavam de seus pontos de vista (Mt 9:34;12:1-8; 15:1-20; 23:1-36; Lc 6:7; 11:37-44; 12:1; 15:1, 2; 16:14; 18:9-14; Jo 1:24, 25; 9:34). Jonas Arrais argumenta que os fanáticos geralmente seguem uma sequência: tentar fazer com que todos na igreja concordem com seus pontos de vista; condenar os que se recusam a aceitar sua linha de pensamento e então criticar a igreja e todo o movimento adventista.[49]

Ellen White nos exorta a ter cuidado com o espírito de crítica: “Tem havido alguns temperamentos peculiares, que desenvolvem ideias próprias pelas quais julgam os irmãos. E se alguém não estava exatamente em harmonia com eles, havia imediatamente perturbação no acampamento. Alguns têm coado um mosquito, e engolido um camelo” (Mt 23:24).

“Vi que alguns estão definhando espiritualmente. Têm vivido por algum tempo a observar se seus irmãos andam retamente – espreitando toda falta, para então os meter em dificuldades. E enquanto fazem isto, a mente não está em Deus, nem no Céu ou na verdade; mas simplesmente onde Satanás quer que esteja – nos outros. Seu coração é negligenciado; raramente essas pessoas veem ou sentem as próprias faltas, pois têm tido bastante que fazer em vigiar as faltas dos demais, sem sequer olhar para si mesmos, ou examinar o próprio coração. O vestido, o chapéu ou o avental lhes prendem a atenção. Precisam falar a este e àquele, e isto basta para os ocupar por semanas. Vi que toda a religião de alguns pobres corações consiste em observar a roupa e os atos dos outros, e em os criticar. A menos que se reformem, não haverá no Céu lugar para elas, pois achariam defeitos no próprio Senhor.”[50]

“Os críticos devem lembrar que as dificuldades entre pessoas devem ser tratadas na esfera individual (Mt 18:15-20), e, caso os membros tenham queixas contra a igreja, devem apresentá-las, no devido espírito, a quem de direito.”[51] Eles devem igualmente confiar que “Deus está à frente da obra, e Ele porá tudo em ordem. Se, na direção da obra, houver coisas que careçam de ajustamentos, Deus disso cuidará, e operará para corrigir todo erro.”[52] Denegrir pessoas e a igreja do Senhor, de forma pública, não é o caminho para ajudá-las.[53]

Infelizmente, os dissidentes realizam atividades, promovem eventos, desenvolvem projetos, publicam materiais, muitas vezes, sem a devida consulta, acompanhamento e/ou, quando necessário, autorização da igreja. Isso tem gerado vários problemas, tanto interna quanto externamente.

Um exemplo recente foi a publicação da polêmica Bíblia White,[54] que “não é produzida nem recomendada pela Igreja”, por vários motivos. Um deles é o uso de uma tradução (Almeida Antiga) com alteração de diversas passagens. Um exemplo é o texto de 1 João 5:18: “Enquanto versões bem aceitas, como a Almeida Revista e Atualizada, indicam que a pessoa nascida de Deus não vive pecando ou na prática do pecado, a chamada Bíblia White registra que a pessoa ‘não peca’, o que mostra uma tendência teológica perfeccionista contrária à mensagem do capítulo 1:8-10 da própria carta de João.”[55]

Segundo alguns dos organizadores do material, a única versão não adulterada das Escrituras é a chamada Bíblia White. Isso não representa o pensamento de Ellen G. White, nem da Igreja Adventista do Sétimo Dia em nível mundial. Por outro lado, há evidências quanto aos métodos equivocados utilizados por aqueles que produziram a obra e entenderam que tinham autorização e autoridade para modificar o sentido de diferentes trechos da Bíblia.[56]

A chamada Bíblia White demonstra essa falta de cuidado na anotação dos textos bíblicos a partir de citações de Ellen G. White. Os editores selecionaram citações dela sem levar em conta o contexto. Também não consideraram outros textos da autora que dão uma perspectiva mais completa do tema abordado. Títulos foram inseridos na publicação para direcionar a interpretação dos textos de acordo com a posição dos produtores do material. Isso expõe desnecessariamente a Igreja Adventista do Sétimo Dia, intensifica o espírito de crítica e produz divisão.[57]

A Igreja nunca foi procurada para dialogar sobre a produção de uma Bíblia com comentários de Ellen White. Além disso, a Casa Publicadora Brasileira “é a única autorizada pelos depositários legais dos escritos de Ellen G. White a traduzir seus escritos para a língua portuguesa no país. […] Portanto, terceiros não possuem autorização para realizar traduções”.[58]

Um desses movimentos, que tem revelado espírito crítico e de insubordinação à igreja como instituição, em um de seus encontros chegou a promover “uma cerimônia religiosa de casamento de simpatizantes não oficiada por um pastor o ordenado”.[59]

Embora a Igreja Adventista exerça sua missão geralmente por meio de uma estrutura organizada de igrejas, campos, instituições, ministérios e departamentos, recebe o auxílio de ministérios de apoio que realizam tarefas e proveem recursos de que a igreja não dispõe.[60] Entretanto, todos os grupos que desejam apoiá-la devem trabalhar em harmonia com as normas, a agenda e a liderança da denominação, para evitar o enfraquecimento da unidade do corpo de Cristo. Por essa razão, a Divisão Sul-Americana tomou um voto a respeito:

“Não recomendarmos as atividades de qualquer ministério, grupo ou pessoa que se sente na liberdade de (1) difamar a igreja de forma pública ou privada; ou (2) promover teorias doutrinárias em desacordo com as 28 Crenças Fundamentais da IASD, tais como o antitrinitarianismo e a negação da personalidade do Espírito Santo, o perfeccionismo e a teoria de que Cristo veio com uma natureza humana moral e espiritualmente caída, questionamentos ao dom profético de Ellen G. White, especulações escatológicas, desequilíbrio na área da saúde, etc.; ou (3) aceitar dízimos; ou (4) exercer suas atividades sem o apoio da liderança da respectiva organização responsável por aquele território (União de igrejas/Associação/Missão local). Diante dos prejuízos que podem ocasionar à unidade da igreja e ao cumprimento de sua missão, nenhuma pessoa ou ministério com alguma dessas características deve ser convidado a participar em atividades da igreja. Reconhecemos, porém, a importante contribuição de pessoas e grupos que investem seu tempo e recursos pessoais no desenvolvimento de planos e estratégias de apoio à igreja no cumprimento de sua missão. O espírito de colaboração e apoio dessas pessoas e grupos têm sido fundamentais à proclamação do ‘evangelho eterno’ a todo mundo (Apocalipse 14:6).”[61]

Conclusão

Além de discordar seriamente da teologia adventista do sétimo dia, desconfiar de sua organização, alegar exercer um papel profético (“endossado”, às vezes, por supostas revelações), os dissidentes brasileiros também se consideram um novo e mais puro remanescente, demonstrando um espírito crítico e tendo agenda independente da igreja. Essa estrutura conceitual parece revelar sua linha de pensamento e atuação.

Embora todos os membros tenham direitos iguais dentro da igreja, nenhum membro, individualmente ou em grupo, deve iniciar um movimento, formar uma organização ou buscar motivar adeptos a fim de alcançar qualquer objetivo, ou para o ensino de qualquer doutrina ou mensagem que não esteja em harmonia com os objetivos e ensinamentos religiosos fundamentais da igreja. Tal curso de coisas resultaria no desenvolvimento de um espírito de divisão, na fragmentação do bom testemunho da igreja, e, portanto, no impedimento do desempenho de suas obrigações para com o Senhor e com o mundo.[62]

(Ribamar Diniz é pastor, escritor e editor. Atualmente é mestrando em Teologia pelo SALT/FADBA, membro da Sociedade Criacionista Brasileira e pastor distrital na Missão Pará-Amapá; seus artigos podem ser lidos em http://bo.academia.edu/RibamarDiniz)

Referências:

  1. Ver George R. Knight, Em busca de identidade: o desenvolvimento das doutrinas Adventistas do Sétimo Dia. Trad. José Barbosa da Silva (Tatuí, SP: CPB, 2005).
  2. Raoul Dederen, Ed. Tratado de teologia Adventista do Sétimo Dia (Tatuí, SP: CPB, 2011), 70-71.
  3. Manual da Igreja Adventista do Sétimo Dia (Tatuí, SP: CPB, 2016), 166.
  4. Ver Nisto cremos; Tratado de teologia adventista do sétimo dia, v. 9, Raoul Dederen, ed., (Tatuí, SP: CPB, 2015) e Questões sobre doutrina: o clássico mais polêmico do adventismo, George R. Knight, edição anotada, 1ª ed. (Tatuí, SP: CPB, 2008).
  5. Manual da Igreja Adventista do Sétimo Dia, 166.
  6. O site adventistas.com reúne as principais posições doutrinárias dos grupos dissidentes brasileiros, além de listá-los (acesso: 12 de agosto de 2019).
  7. A divindade, e a maravilhosa conexão entre o céu e a terra, chamada Espírito Santo (Contenda, PR: Ministério 4 Anjos, 2003, compilado e organizado por Jairo Pablo Alves de Carvalho. Ricardo Nicotra, Eu e o Pai somos um, 2ª ed. (São Paulo: Ministério Bíblico Cristão, 2004); Marcos Avellar, Manual Bíblico Unitariano (Natal, Rio Grande do Norte: Impressão Gráfica, 2019). A visão adventista sobre a Trindade e a resposta a tais alegações pode ser encontrada em Woodrow Whidden, Jerry Moon e John W. Reeve, A Trindade: Como entender os mistérios da pessoa de Deus na Bíblia e na história do cristianismo, 2ª ed. (Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2015); Milton L. Torres, Tentaram a Deus no seu coração: A controvérsia antitrinitariana (Belo Horizonte: GEANB, 2011). Alberto Timm escreveu resenhas críticas sobre os dois primeiros livros citados, na Revista Parousia, ano 5, nº 1 (1º semestre de 2006), 79-100 e Revista Parousia, ano 4, nº 2 (1º semestre de 2006).
  8. Ver Roberto Biagini, Apostila “100 perguntas às perguntas que não mais clamam”, http://www.iasdemfoco.net/2008/100_Respostas_Sobre_a_Trindade.pdf (acesso: 20 de agosto de 2019); Reinaldo W. Siqueira, Alberto R. Timm, orgs. Pneumatologia: Pessoa e obra do Espírito Santo, Artigos teológicos apresentados no IX Simpósio Bíblico-Teológico Sul-Americano, 1ª ed. (Engenheiro Coelho, SP: UNASPRESS, 2017).
  9. Ver Herbert E. Douglass, Mensageira do Senhor: O ministério profético de Ellen White (Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2000); Artur L. White, Ellen White: Mulher de visão (Tatuí, São Paulo: CPB, 2015); Denis Fortin e Jerry Moon, eds., Enciclopédia Ellen G. White (Tatuí, SP: CPB, 2018).
  10. Ver Rodrigo Follis, org. Santo ao Senhor: Princípios de adoração financeira, 3ª ed. (Engenheiro Coelho, SP: UNASPRESS, 2017).
  11. Ver Ribamar Diniz, “Diferencias doctrinales entre los adventistas y los reformistas”, Revista Doxa, año 2, nº 1, Ribamar Diniz, ed. (2012), 87-107.
  12. Ver Hans K. LaRondelle, “Remanescente e mensagens dos três anjos”, em Tratado de teologia adventista do sétimo dia, 964-1002; “O Remanescente e sua missão”, em Nisto Cremos, 180-197; Ángel Manuel Rodríguez, org. Teologia do Remanescente: uma perspectiva eclesiológica adventista (Tatuí, SP: CPB, 2012).
  13. William H. Shea: Estudos selecionados em interpretação profética, 3ª ed. (Engenheiro Coelho, SP: UNASPRESS, 2016).
  14. Alberto R. Timm, Hermenêutica antitrinitariana moderna: análise metodológica, Revista Parousia, 1º semestre de 2006 (Engenheiro Coelho, São Paulo: UNASPRESS), 12.
  15. Ver Christian A. Zaldúa, “Batismo em nome da Trindade”, Revista Ministério, julho-agosto de 2007, 17-19.
  16. Muitos dissidentes assumem a posição que a oração só pode ser realizada ajoelhada. A resposta a tais alegação aparece em Félix Rios, Posição, Linguagem e Comportamento Próprios da Oração Pública”, disponível em http://www.centrowhite.org.br/pesquisa/artigos/posicao-linguagem-e-comportamento-proprios-da-oracao-publica/ (Acesso: 25 de agosto de 2019).
  17. Silva, Demóstenes Neves da Silva, Yehoshua: perguntas e respostas sobre o significado e a origem do nome de Jesus uma abordagem histórica e bíblica (Cachoeira, BA : CePLIB, 2008); Reinaldo H. Siqueira ¿Era su nombre Yehôshua?, Asuntos contemporãneos en la teología adventista, 2ª ed. Revisada y actualizada, Alberto R. Timm, compilador. 62-69.
  18. Ver Woodrow W. Whidden, Ellen White e a Humanidade de Cristo (Tatuí, São Paulo: CPB, 2004).
  19. A visão adventista sobre a escatologia adventista e a resposta a tais alegações aparece em Alberto R. Timm, Amim A. Rodor e Vanderlei Dorneles, orgs., O futuro: a visão adventista dos últimos acontecimentos. Artigos teológicos apresentados no V Simpósio Bíblico-Teológico Sul-Americano em Homensang a Hans K. LaRondelle (Engenheiro Coelho, São Paulo: Unaspress, 2004).
  20. A visão adventista sobre a perfeição cristã e a resposta a tais alegações aparece em Amim Rodor, ed., Revista Parousia, Ano 7, Nº 2. 2ª Semestre de 2008 (Engenheiro Coelho, São Paulo: UNASPRESS, 2008) e Amim Rodor, ed., Revista Parousia, Ano 7, Nº 1. 1ª Semestre de 2008 (Engenheiro Coelho, São Paulo: UNASPRESS, 2008).
  21. Essa teoria é apresentada no penúltimo capítulo de livro de M. L. Andreasen, O Ritual do santuário, 2ª ed. (Santo André, São Paulo: Casa Publicadora Brasileira, 1948).
  22. Eduardo F. Lutz (físico), Ajuda a um Terraplanista. Disponível em http://michelson.bibliacs.com/terraplanista.pdf (Acesso: 12 de agosto de 2019).
  23. Essa é uma razão para disciplina de membros no Manual da Igreja Adventista do Sétimo Dia, 64.
  24. Alberto R. Timm, Hermenêutica antitrinitariana moderna: análise metodológica, Revista Parousia, 1º Semestre de 2006 (Engenheiro Coelho, São Paulo: UNASPRESS), 02.
  25. Ellen G. White, O outro poder: conselhos aos escritores e editores. Trad. Davidson Deana (Tatuí, São Paulo: Casa Publicadora Brasileira, 2010), 22.
  26. Alberto R. Timm, Revista Adventista (Brasil), maio de 2011, 15-16.
  27. Revista Adventista (Brasil), maio de 2011,15.
  28. José Barbosa, “Deixou a Igreja Adventista do Sétimo Dia de ser a igreja de Deus?” Revista Adventista (Brasil), dezembro de 2003, 9-11.
  29. Idem.
  30. Ellen G. White, Parábolas de Jesus, 15ª ed., Trad. S. Júlio Schwantes (Tatuí, São Paulo: Casa Publicadora Brasileira, 2013), 72-73.
  31. Veja por exemplo Manual da Igreja, 26-32 e Gerald Klingbeil, Martin G. Klingbeil, Miguel Ángel, eds. Pensar la iglesia hoy: hacia una eclesiología adventista. Estudos teológicos presentados durante el IV Simposio Bíblico-Teológico Sudamericana em honor a Raoul Dederen, 1ª ed. (Libertador San Martín (Entre Ríos): Editorial Universidad Adventista del Plata, 2002), 189-198.
  32. Igreja remanescente, 22-23.
  33. Idem, 22.
  34. Ibidem, 68.
  35. Ibidem, 60-61.
  36. Ted N.C. Wilson “Unidos em Cristo”, Revista Adventista (Brasil), maio de 2011, 15-16.
  37. White, Eventos finais, capítulo 4 “A igreja de Deus nos últimos dias”, 30-32.
  38. Timm, Hermenêutica antitrinitariana moderna, 11.
  39. Veja um exemplo recente em https://www.youtube.com/watch?v=YcZpSw4FNZg (Acesso: 16 de agosto de 2019).
  40. Timm, Hermenêutica antitrinitariana moderna, 11.
  41. Veja as referências da nota 17.
  42. “A IASD não é Babilônia, nem filha dela. É irmã!” (Acesso: 19 de agosto de 2019).
  43. Adventistas Históricos, Adventistas Históricos de Bagé, RS, Adventistas Históricos de Itaúna, MG, Adventistas Históricos no Facebook, Ao Deus Único, Convenção dos Cristãos Bereanos, ICBA – Igreja Cristã Bíblica Adventista, Igreja Adventista da Nova Aliança, Localizar Comunidades Adventistas Livres, Mensagem Atual — Tatuí, SP. Ministério 4 Anjos, Ministério Adventista Bereano, Religião Pura.
  44. Review and Herald, 29 de agosto e 5 de setembro de 1893. Reimpresso em Testemunhos para Ministros, 41-47.
  45. Amim Rodor, “Um novo remanescente?”, Revista Adventista, novembro de 2003, 8-10.
  46. Revista Adventista, novembro de 2003, 9.
  47. Idem.
  48. Timm, Hermenêutica antitrinitariana moderna, 13.
  49. Revista del Anciano, octubre-diciembre de 2011, 34.
  50. Jonas Arrais, Uma igreja positiva em um mundo negativo: como desenvolver e aperfeiçoar a liderança em cada experiência de sua igreja (Silver Spring, Maryland: publicado por Ministerial Association Resource Center General Conference of Seventh-day Adventsts, 2008), 91.
  51. Idem, 144-145.
  52. Manual da igreja, 63.
  53. Review and Herald, 20 de setembro de 1892.
  54. Ver Desejado de todas as nações, 441. Review and Herald, 5 de setembro de 1893.
  55. Davi Boechat, “A polêmica ‘Bíblia White’” https://michelsonborges.wordpress.com/2019/04/11/a-polemica-biblia-white/ (Acesso: 19 de agosto de 2019). Ver ainda Michelson Borges, “Quem pode eticamente publicar livros de Ellen White” https://michelsonborges.wordpress.com/2019/05/08/quem-pode-eticamente-publicar-livros-de-ellen-white/ (Acesso: 20 de agosto de 2019).
  56. “Esclarecimentos sobre a Bíblia White”, https://noticias.adventistas.org/pt/notas-oficiais/esclarecimentos-sobre-a-biblia-white/ (Acesso: 19 de agosto de 2019).
  57. Ibidem.
  58. Idem.
  59. Idem.
  60. UCB (União Central Brasileira) – VOTO DE DESAPROVAÇÃO AOS LÍDERES E SIMPATIZANTES DO CONGRESSO MV (Missionários Voluntários).
  61. Documento “A Igreja Adventista do Sétimo Dia e algumas organizações particulares”, Divisão Norte americana.
  62. Voto 2010-117: “Unidade de Doutrina e Missão”, http://www.centrowhite.org.br/perguntas/perguntas-e-respostas-biblicas/misterios-independentes/ (Acesso: 19 de agosto de 2019).
  63. Manual da igreja, 61. A “adesão ou participação em movimento ou organização separatista ou desleal” é uma das razões para disciplina de membros. Manual da Igreja, 64.