Você precisa ver Daniel e Apocalipse

Daniel & RevelationDe acordo com David Ausubel (1918-2008), conhecido pela Teoria da Aprendizagem Significativa, quanto mais sabemos, mais temos desejo de buscar aprendizado, e quanto maior o domínio das informações da aprendizagem, maior o desejo de caminhar adiante. Ou seja, a aprendizagem precisa ser significativa. Significativo para mim sempre foi “ver” o que eu aprendia e o que eu ensinava. Exemplo: ao ensinar Gramática, partia do todo, como de uma poesia sobre primavera, e, pinçando frases como “O girassol volta-se para o Sol”, escolhia meu objeto: substantivos simples e compostos. Percebeu que na frase destacada temos o Sol nas duas categorias? De substantivo simples e composto!

Outro exemplo: para ensinar o conteúdo Bairro ou Comunidade, partia do globo, dividido em duas grandes partes: Mares e Continentes, fragmentando as partes até chegar ao meu centro de interesse: o Bairro ou a Comunidade. Metodologia partindo do todo para as partes.

Então fui ser professora de Ensino Religioso. A ideia continuava na minha cabeça: Haveria um método de Aprendizagem Significativa para as aulas? As profecias bíblicas, que sempre me fascinaram, por exemplo, estariam sobre alguma plataforma que nos permitisse vê-las do todo para as partes? Certo professor de Teologia costumava dizer que as doutrinas bíblicas orbitam o Santuário. De novo me perguntava se daria pra gente “ver” isso.

Algumas citações de Ellen White me inquietavam e pareciam confirmar minhas pressuposiões: “Os livros de Daniel e Apocalipse devem ser encadernados juntos” (Obreiros Evangélicos, p. 117). E outra: “O livro do Apocalipse, em conexão com o de Daniel, exige especial estudo. Todo professor temente a Deus considere da maneira mais clara compreender e apresentar o evangelho que nosso Salvador veio em pessoa tornar conhecido a Seu servo João (Educação, p. 191). Ela parecia dizer para mim que eu precisava “ver” os livros, do todo para as partes. E era isso mesmo! Fomos montando um grande quadro de palavras-chave retiradas dos vários capítulos de Daniel e Apocalipse, com colunas (na vertical) que podem ser divididas em 2, 5 ou 7 episódios,
em LINHAS (na horizontal). Cada palavra-chave, seguindo a sequência do texto bíblico e da História, formou aquele que intitulei “Quadro Mosaico”, porque foi mesmo como montar um grande quebra-cabeças.

Descobri que eu podia, sim, “ver” as profecias do todo para as partes. E isso tornava tudo muito significativo; e, sendo significativo, favorece a aprendizagem! Então, vamos olhar panoramicamente para o Quadro Mosaico e pinçar algumas informações? Observe que a última linha representa a volta de Jesus, que vamos chamar de Linha Tabernáculos. Note também que a linha 6 está em destaque, e vamos chamá-la Linha da Expiação. Então, vamos começar por ela, analisando um dos temas mais controversos do adventismo: o Juízo Investigativo Pré-Advento.

  1. A Expiação ou Julgamento Pré-Advento está na coluna de Daniel 7. Lemos ali que os impérios do Leão (Babilônia), do Urso (Medo-Pérsia), do Leopardo (Grécia), do Terrível e Espantoso (Roma) e do Chifre Pequeno (Roma Papal) iriam passar; e a História confirma cada uma das datas. Em seguida, veja na Bíblia que a cena mudou. Deus mostra para Daniel uma cena de julgamento: “E foram postos uns tronos […] e se abriram os livros” (Ap 7:9, 10). Encerrando a sequência, lemos que “os santos do Altíssimo receberão o reino” (Dn 7:18). Olhe novamente a coluna de Daniel 7. Há um julgamento pré-advento, quando aparecem tronos e livros abertos na sala do tribunal. Em seguida, na sétima linha, a volta de Jesus. Isso até criança entende, porque pode “ver”!
  1. Leia toda a coluna de Daniel 8. Esse capítulo também é desafiador. A sequência é: Carneiro, Bode, Ventos, Chifre Pequeno e 2.300 Tardes e Manhãs. Veja na linha 4 que Ferro, Terrível e Espantoso e Ventos representam a mesma coisa: Roma. Sim! “Ventos” é um lugar, um ponto cardeal. Significa dizer que em algum lugar da terra ou de um dos pontos cardeais saiu um Chifre Pequeno. Olhe a linha 5. O Chifre Pequeno aparece em Daniel 7 e 8. Ambos aparecem na linha 5, depois de Roma, porque o Chifre Pequeno sai de Roma e não da Grécia.
  1. Vamos procurar a China nesse Quadro Mosaico? Olhe a coluna de Daniel 7. Assim como passou Babilônia em 539, Medo-Pérsia em 331, Grécia em 168, passou Roma Ocidental em 476 d.C., Roma Papal em 1798, vai passar a China também! Porque a China cresce, sim, como império emergente, mas ela não ocupa espaço nas profecias; então, em algum momento, vai passar. Digo isso porque algo semelhante já aconteceu. Cruze a linha 6 com a coluna das Trombetas. Encontrou o Islamismo? Pois bem. Deus nos avisou, por meio das profecias, sobre a duração e o declínio do Império Otomano. Surgiu como fumaça que escurece o sol e o ar (Ap 9:2); e como gafanhotos e escorpiões (Ap 9:3) atormentando os homens por “cinco meses” (Ap 9:10), ou 150 anos. Mas seu declínio ocorreria em “a hora, o dia, o mês, o ano” (Ap 9:15), precisamente. Bem, a História nos diz que Otman (1259-1326) declarou-se sultão em 1299 e seu territótio passou a ser reconhecido como Império Otomano (Maometano). Por 150 anos cresceu fazendo sombra para o Império Romano Oriental. Mas o tempo do império estava profetizado e seria por exatos “a hora” ou 15 dias; “o dia” ou 1 ano; “o mês” ou 30 anos; “o ano” ou 360 anos; que totaliza 391 anos finais. Somando 150 anos da quinta Trombeta com 391 anos da sexta Trombeta, partindo de 1299, chegamos a 1840. E você sabia que nessa data aí o império se desfez como fumaça? Assim como começou, declinou. Feito fumaça! Voltando à China, não é possível saber o que ocorrerá nos próximos anos, mas ela não aparece na profecia, e, portanto, também passará. Não acha interessante? E tem mais.
  1. Veja no Quadro Mosaico a coluna de Daniel 7 e 12. Na sexta LINHA de Daniel 7, o Filho do homem assentou-Se no tribunal e abriram-se os livros (olhe o quadro da direita). O juízo começou depois das 2.300 tardes e manhãs. E na coluna de Daniel 12 você encontra Miguel, que breve Se levantará, porque o juízo vai terminar, e
    acontecerá o fechamento da porta da graça, o tempo de angústia, a ressurreição que é simultânea à volta de Jesus.
  1. Observe toda a linha 6. Ela representa a sexta festa israelita: a Expiação, que era a festa da purificação do Santuário israelita, o dia do Juízo. No Quadro Mosaico, a Expiação aparece antes de Tabernáculos. Já vimos isso. Agora vamos montar um texto com as palavras-chave da linha 6 (em Daniel): a linha 6 é do julgamento pré-advento, que começou no fim das 2.300 tardes e manhãs; que iniciou com as 70 semanas e terminará quando Miguel Se levanta.. Agora vamos montar um texto com as palavras-chave da linha 6 (em Apocalipse): Filadélfia é a sexta igreja, para quem Deus disse “Eu te amo”; eles viram os sinais no Sol, na Lua e nas estrelas, que caíram na Nova Inglaterra (EUA); eles profetizaram o fim do Império Otomano, que emergiu em seus dias; eles profetizaram a ascensão dos EUA como o império emergente – o império representado pela sexta cabeça de Apocalipse 17.

A linha 6 nos diz muita coisa! Percebe que as profecias de Daniel e Apocalipse parecem ter sido escritas especialmente para a humanidade que vive hoje? Vou tentar ser mais clara: a linha 6 parte da Expiação, e Jesus cumpre o antítipo da Expiação hoje, no Santuário Celestial, desde 1844, quando Miguel Se assentou e abriram-se os livros (1844); no fim das 2.300 tardes e manhãs, período que começa com as 70 semanas e se encerrará com o conflito entre Norte e Sul; profecias pregadas pelos mileritas de Filadélfia, amados por Deus, grupo da Nova Inglaterra que pregou sobre os sinais do fim, que profetizou o declínio dos Otomanos e os EUA na profecia. Que maravilha! Faço parte desse grupo! Essa mensagem é da minha igreja! Sinto-me segura!

Em tempos difíceis como os de hoje, em que a religião sofre combates seríssimos, fazendo parecer que todos os caminhos levam a Deus e que verdade absoluta não existe, lembro-me das palavras de Jesus nos aconselhando a estudar as profecias porque Ele abençoa “aqueles que leem e aqueles que ouvem as palavras da profecia” (Ap 1:3). A linha 6 quase me permite ouvir a voz de Deus falando poderosamente: “Creia em Mim, filho. Você está seguro! Creia nas profecias e prosperará” (2Cr 20:20). Então, decido descansar nEle e prosseguir para frente e para o Alto.

Isso é tão empolgante que muitas palavras-chave me vêm à mente agora, e preciso compartilhar algumas com você, leitor. Lembro-me da palavra “Eufrates”, que aparece na sexta Trombeta e na sexta Praga. Interessante que ela não aparece no texto de Daniel, mas a seca do Eufrates na história de Daniel é imprescindível para clarear a compreensão sobre as duas secas do Eufrates no Apocalipse. Agora procure Antíoco Epifânio. Não está no texto, mas está na História. Sabe o conflito Norte e Sul antes de Cristo? Ele está situado ali. Foi um dos antíocos politeístas que desejaram eliminar a fé monotesita na Palestina; mas Deus o repreendeu por meio de Judas Macabeus. E a palavra-chave “Armagedom”? Veja onde ela está localizada no Quadro Mosaico. Isso nos diz que é algo envolvendo nossos dias, porque está na sexta linha, que está depois das seis últimas Pragas, depois das ações do falso profeta e logo antes da volta de Jesus. O último ato na velha Terra. E na coluna de Daniel 11 podemos posicionar várias personalidades, como Constantino, a rainha Ester, Cleópatra e Jesus. Sim, Jesus está posicionado na quarta linha de Daniel 11. Podemos vê-Lo na abertura do Apocalipse, no meio dos sete candeeiros, apresentando-Se como o “Primogênito dos mortos” (Ap 1:5). E podemos vê-Lo no fim do Apocalipse, apresentando-Se como “o Tabernáculo de Deus com os homens” (Ap 21:3). Enquanto Primogênito dos mortos, Ele é o Cordeiro morto e aponta para a Páscoa já cumprida. Enquanto Tabernáculo de Deus, aponta para o evento que aguardamos após a Expiação: Tabernáculos! Então, sim: “Haverá novo céu e nova terra, pois o primeiro céu e a primeira terra passaram” (Ap 21:1).

Consegui motivar você a conhecer mais as profecias? Vale a pena! Está escrito que, “quando os livros de Daniel e Apocalipse forem bem compreendidos, terão os crentes uma experiência religiosa inteiramente diferente. Ser-lhes-ão dados tais vislumbres das portas abertas do Céu que o coração e a mente se impressionarão com o caráter que todos devem desenvolver a fim de alcançar a bem-aventurança que deve ser a recompensa dos puros de coração” (Testemunhos para Ministros, p. 114).

(Myrtes Ribeiro é mestre em Teologia pelo Unasp-EC e mestre em Ciências da Religião pela Mackenzie-SP)

Conheça o livro Daniel e Apocalipse à Luz do Santuário (myrtes.ribeiro@unasp.com)