O fim depende do começo

BibleExiste relação entre os primeiros e os últimos capítulos do Livro sagrado do cristianismo? As evidências bíblicas e científicas confirmam a literalidade da semana da criação?    

[Este artigo foi escrito por meus alunos de pós-graduação Márcio Tonetti, Reisner Martins, Sueli Ferreira de Oliveira, Ulisses Arruda e Valter Cândido. – MB]

A crença de que a semana da criação narrada no primeiro livro da Bíblia representaria um período de longas eras (ou de milhões de anos, segundo a cronologia evolucionista) se popularizou no meio cristão. Uma forte evidência disso é que já existem igrejas nos Estados Unidos que anualmente participam das comemorações do dia dedicado a Darwin (12 de fevereiro). Embora continuem atribuindo a Deus a origem da vida no planeta, os adeptos da evolução teísta não veem os “dias” descritos nos primeiros capítulos de Gênesis como períodos de 24 horas.

O geneticista norte-americano Francis Collins, que coordenou o Projeto Genoma por mais de uma década, está entre os representantes dessa vertente. No livro A Linguagem de Deus (Gente, 2007), embora ele busque apresentar diversas evidências no campo da bioquímica e da genética de que Deus foi o designer inteligente originador da vida, ao fim da obra o cientista expressa sua convicção no fato de que a criação teria acontecido no decorrer de longas eras.

O casamento entre a fé cristã e a evolução foi tema de uma reportagem publicada na edição de março de 2009 da revista Superinteressante. Nela, o jornalista Reinaldo José Lopes considerou que essa tendência reflete a tentativa de “sobrevivência” da Igreja diante da popularidade das ideias propagadas pelo naturalista britânico Charles Darwin. Ele comentou que, ao longo dos últimos 150 anos, “algumas das denominações cristãs mais antigas, como a Igreja Católica e a Igreja Anglicana, acabaram decidindo que não dava para brigar com as descobertas feitas pela biologia evolutiva e passaram a interpretar os relatos da Bíblia sobre a criação do mundo como textos poéticos e alegóricos”.

Lopes cita ainda que, em 2008, o Vaticano promoveu uma conferência para discutir o legado de Darwin, fazendo questão de lembrar que os livros do naturalista nunca foram oficialmente condenados pela igreja. Como lembra o autor, essa concepção continuou sendo defendida por João Paulo 2º que, em 1996, expressou que a teoria da evolução “é mais do que uma mera hipótese”, e, mais recentemente, foi reforçada pelo papa Francisco que considerou a história de Adão e Eva uma fábula.

No meio evangélico, o Gênesis é interpretado de diferentes maneiras. No livro He Spoke And It Was, que em breve deve ser publicado em português pela CPB, o teólogo Richard Davidson menciona que uma posição evangélica simbólica comum é a que é chamada por alguns de “teoria concordista ampla”, defendida por conciliadores liberais. Segundo essa concepção, os sete dias representam longos períodos, admitindo, assim, a evolução teísta.

No artigo “Dias literais ou períodos de tempo figurados?”, publicado na edição nº 53 da Revista Criacionista, Gerhard F. Hasel procurou mostrar alguns dos argumentos mais representativos a favor dessa ideia de longas eras. Para o erudito britânico John C. L. Gibson, por exemplo, “Gênesis 1 deve ser tomado como uma ‘metáfora’, ‘história’ ou ‘parábola’, e não como um registro direto dos acontecimentos da criação”. No entender de Gibson, “se entendermos ‘dia’ como equivalente a ‘época’ ou ‘era’, poderemos pôr a sequência da criação, apresentada no capítulo 1, em conexão com os relatos da moderna teoria da evolução, e assim caminhar um pouco no sentido da recuperação da reputação da Bíblia em nossa era científica” (The Daily Study Bible, v. 1, p. 56).

Hasel cita ainda que, em 1983, o comentarista alemão Hansjörg Bräumer afirmou: “O ‘dia’ da criação que é descrito como contendo ‘manhã e tarde’ (sic) não é uma unidade de tempo que possa ser determinada com um relógio. É um dia divino no qual mil anos são como o dia de ontem (Sl 90:4). O dia primeiro da criação é um dia divino. Não pode ser um dia terrestre, pois ainda está faltando a medida do tempo, o sol. Não ocasionará nenhum dano ao relato da criação, portanto, entendê-la dentro do ritmo de milhões de anos” (Das erst Buch Mose – Wuppertaler Studienbibel, p. 44).

Em seu livro He Spoke And It Was, Richard Davidson também menciona que vários estudiosos evangélicos falam do relato de Gênesis sobre a criação em termos de dias “analógicos” ou “antropomórficos”. Essa compreensão parte do pressuposto de que “os dias são dias de trabalho de Deus, sua duração nem é especificada nem é importante, e nem tudo no relato precisa ser considerado historicamente sequencial”.

Além daqueles que veem o(s) relato(s) de Gênesis como poesia, metáfora ou parábola, outra corrente teórica apresentada por Richard Davidson é a visão “progressista-criacionista” que, embora considere os seis dias literais, entende que cada dia abre um novo período criativo de criação indeterminada. Porém, como lembra Davidson, “comum a todos esses pontos de vista não literais é a suposição de que o relato das origens de Gênesis não é um relato histórico literal e direto da criação material” (p. 20).

Cabe observar, entretanto, que a argumentação de que o primeiro livro da Bíblia tem um caráter alegórico ou figurativo é bem mais antiga do que se imagina. Alguns estudiosos sustentam que ela é muito anterior à publicação do livro A Origem das Espécies, de Charles Darwin. Segundo Hasel, Orígenes de Alexandria é considerado o primeiro a entender os “dias” da criação no sentido alegórico, e não literal. Posteriormente, Agostinho, o mais famoso dos pais da Igreja latinos, também corroborou esse pensamento, o que mostra que essas interpretações já começavam a surgir no período medieval.

Contudo, Gerhard F. Hasel observa que nem Agostinho nem Orígenes tinham em mente qualquer conceito evolucionista. “Eles consideravam os ‘dias’ da criação como não literais com base em algo distinto – era obrigação filosófica atribuir a Deus atividade criadora sem qualquer relação com o tempo humano. Como os ‘dias’ da criação se relacionam com Deus, argumentava-se que esses ‘dias’ tinham de ser representativos de noções filosóficas associadas a Deus, tomadas as suas respectivas perspectivas”, ele ressalta. Desse ponto de vista, como para os filósofos gregos Deus era atemporal, logo supunha-se que os dias da criação deveriam ser entendidos com base nessa lógica.

A influência exercida pela filosofia grega sobre a igreja, determinando interpretações figurativas do Gênesis, levanta um aspecto importante citado por Hasel: o de que “houve razões extra-bíblicas que levaram alguns intérpretes a se afastar do significado literal dos ‘dias’ da criação”.

Para Hasel, tal como ocorreu no passado, “existe hoje também outra influência extra-bíblica que induz os intérpretes a alterar o que parece ser o claro significado dos ‘dias’ da criação. É uma hipótese científica baseada num ponto de vista naturalístico, a moderna teoria da evolução, que tem impulsionado essa alteração”.

No entanto, para fugir de compreensões equivocadas, é preciso voltar à Bíblia e interpretá-la corretamente. Como lembra o autor do artigo publicado na Revista Criacionista, Martinho Lutero, considerado o pai da Reforma Protestante, consistentemente, defendeu a interpretação literal do relato da criação ao afirmar que “Moisés falou no sentido literal, e não alegórica ou figurativamente, isto é, que o mundo, com todas as suas criaturas, foi criado em seis dias, como se lê no texto”.

Sendo assim, quais as evidências bíblicas e científicas que confirmam a historicidade do primeiro livro da Bíblia? No livro Estudos sobre Criacionismo, o primeiro sobre o tema produzido pela Casa Publicadora Brasileira na década de 1950, Frank Lewis Marsh sustenta que “em qualquer lugar em que o registro bíblico é tão claramente expresso como em Gênesis 1, nenhum conflito existe entre as declarações da Escritura e os fatos científicos demonstrados” (p. 182).

Um dos fatos que devem ser levados em conta é que, conforme Richard Davidson, o gênero literário de Gênesis 1-11 aponta para a natureza histórica literal do relato da criação (He Spoke And It Was, p. 20). Também na obra Genesis 1:1-11:26, Kenneth Mathews (1996, p. 109) desenvolve essa ideia mostrando que tanto o gênero “parábola”, uma ilustração tirada da experiência diária, quanto o gênero “visão” se encaixam no texto bíblico, pelo fato de não conter o típico preâmbulo e outros elementos que acompanham as visões bíblicas.

Desconstruindo o argumento daqueles que, com base em paralelos do antigo Oriente Próximo, veem o relato bíblico das origens como uma narrativa mitológica, Richard Davidson sustenta: “A realidade é que o relato de Gênesis contrasta fortemente com outros relatos do antigo Oriente Próximo e egípcios, de forma que existe uma pretensa polêmica ou discussão contra esses mitos” (p. 8). Uma das diferenças é que, nessas culturas, as divindades sempre criam a partir da matéria pré-existente. Nas cosmologias egípcias, por exemplo, “tudo está contido dentro do Mônode inerte, até mesmo o Deus criador” (p. 2).

Em contrapartida, em toda a Bíblia (a começar pelo primeiro verso de Gênesis), o verbo especial para “criar” (bara) só tem Deus como sujeito. “Isso está na língua hebraica – ninguém-pode-bara ou ‘criar’, a não ser Deus. Só Deus é o Criador, e ninguém mais pode partilhar essa atividade especial. O verbo bara nunca é empregado para a matéria ou material a partir do qual Deus cria; ele contém, juntamente com a ênfase da frase ‘no princípio’, a ideia de criação a partir do nada (ex nihilo creatio)” (p. 2).

John Sailhamer, outro estudioso do assunto, também concluiu na obra Genesis Unbound: A Provocative New Look at the Creation Account (1996, p. 244) que existem grandes diferenças literárias entre o estilo dos mitos do antigo Oriente Próximo e as narrativas bíblicas da criação em Gênesis 1 e 2. Um exemplo disso é que, se, de um lado, todas as narrativas mitológicas da época foram escritas em poesia, de outro, o relato bíblico da criação foi registrado em prosa.

Assim, na ótica desses autores, não há qualquer pista de literatura metafórica ou meta-histórica no Gênesis. Ao contrário disso, se percebe que intencionalmente a estrutura literária desse livro da Bíblia como um todo assume a natureza literal das narrativas da criação.

Cabe ainda mencionar que todo o livro de Gênesis está estruturado segundo a palavra hebraica toledot (gerações, história), repetida treze vezes ao longo das diversas seções do livro. Em outros trechos da Bíblia, esse termo é usado no registro das genealogias, marcando a contagem precisa do tempo.

Outra forte evidência de que Moisés estava se referindo a dias de 24 horas é o uso da palavra hebraica yom (dia). As ocorrências desse termo na conclusão de cada um dos seis dias da criação de Gênesis 1 estão todas conectadas a um numeral ordinal (“primeiro dia”, “segundo dia”, “terceiro dia”, etc.). Uma comparação com as ocorrências do termo em outros lugares da Escritura (359 vezes) revela que tal uso sempre é feito com dias literais.

No livro Estudos Sobre Criacionismo (CPB), um clássico da literatura criacionista que ainda permanece bastante relevante na época atual, Frank Lewis Marsh acrescenta que a ideia de que yom (dia) significa um período de tempo maior do que 24 horas não encontra comprovante nos dicionários hebraicos de renome. “A interpretação de yom como aeon, fonte favorita para os harmonizadores de ciência e revelação, é oposta ao claro sentido da passagem e não tem justificação no uso hebraico” (p. 12).

Além disso, a frase “tarde e manhã”, que aparece na conclusão de cada um dos seis dias de criação, define claramente a natureza dos dias da criação como dias literais de 24 horas. Ressalte-se também que as referências à “tarde e manhã” juntas em outros pontos além de Gênesis 1, invariavelmente, nas 57 vezes em que aparecem no Antigo Testamento, indicam um dia solar literal. Marsh argumenta que o fato de cada dia mencionado no relato bíblico ser composto por um período de luz e de trevas “está em perfeita conformidade com o método do registro de tempo no período mosaico” (p. 179).

Outro ponto a ser considerado é a correlação entre a semana de trabalho da humanidade com a semana de trabalho da divindade. Em Êxodo 20:8, no mandamento do sábado, há uma explícita comparação entre os seis dias da semana de trabalho da humanidade e a semana de seis dias da criação divina. Posteriormente, o sábado a ser observado pelos seres humanos a cada semana é igualado ao primeiro sábado após a semana da criação. Assim, o divino Legislador inequivocamente interpreta a primeira semana como literal, composta de sete dias consecutivos e contíguos de 24 horas literais.

É pertinente também fazer referência ao endosso feito por Jesus e por todos os escritores do Novo Testamento. Cristo e esses autores recorrem a Gênesis 1-11, tendo como pressuposto que essa é uma história literal e confiável. Todos os capítulos de Gênesis 1-11 são referidos em alguma parte do Novo Testamento. O próprio Jesus recorreu a Gênesis 1, 2, 3, 4, 5, 6 e 7.

Em diversas passagens do Novo Testamento, implícita e/ou explicitamente há menção do livro de Gênesis. Em seu artigo “A Criação no Novo Testamento”, publicado no periódico Ciências das Origens, de maio de 2005, o Dr. Ekkerhardt Mueller menciona algumas dessas passagens: “As palavras de Jesus tal como estão registradas nos quatro evangelhos canônicos contêm dez referências à criação. Jesus não somente fez referência a Gênesis 1 e 2. Em Seus discursos também encontramos pessoas – Abel (Mateus 22:35) e Noé (Mateus 24:37-39; Lucas 17:26-27) – e acontecimentos – o dilúvio (Mateus 24:39) – que ocorrem em Gênesis 3-11. Quando lemos essas breves passagens, obtemos a clara impressão de que, segundo Jesus, Noé e Abel não foram figuras mitológicas, mas verdadeiras pessoas humanas, que Gênesis 3-11 é uma narrativa histórica que não deve ser entendida simbolicamente, e que o dilúvio foi um evento global que realmente ocorreu (Gênesis 6:8). Portanto, é de se esperar que Jesus utilizasse o mesmo enfoque sobre a interpretação bíblica quando se referiu à criação. E isso é exatamente o que encontramos nos evangelhos.”

Somado a tudo isso, Frank Lewis Marsh acrescenta em seu livro outras duas boas razões para concluirmos que os dias da semana da criação foram literais. Como explicar, por exemplo, pela ótica da evolução teísta, a relação das plantas com o período escuro? “No terceiro dia todas as espécies de plantas apareceram, as que produziam flores e sementes, bem como as formas mais simples. Evidentemente, se este ‘dia’ fosse um período de tempo geológico, todas as plantas teriam perecido durante esses milhões de anos de escuridão, antes que a luz do quarto dia iluminasse o mundo” (Estudos Sobre Criacionismo, p. 179, 180).

Raciocínio semelhante se aplica à dependência entre plantas e animais. Conforme o primeiro capítulo de Gênesis, as plantas foram criadas no terceiro dia, porém nenhum animal veio à existência antes do quinto dia. Uma vez que a dependência entre plantas e animais é um fato muito evidente no mundo dos seres vivos, seria ilógico imaginar que longas eras separam esses dois momentos da criação. “Para ilustrar, só em matéria de polinização, multidões de plantas não se reproduziriam sem a colaboração dos insetos. Contudo, o registro declara que as plantas com semente se reproduziam desde o princípio. Isso não podia ser assim se os insetos não tivessem aparecido senão 20 ou 40 milhões de anos mais tarde, como sucederia se os dias fossem períodos geológicos” (p. 180).

A criação literal e a teologia bíblica

A negação da crença na criação em seis dias de 24 horas contraria o caráter de Deus. “Que tipo de Deus teria criado a vida por meio da morte e de extinções ao longo de milhões de anos? Certamente, não o Deus que percebe quando uma ave cai no chão”, questiona o ex-evolucionista Michelson Borges, jornalista e mestre em Teologia que hoje defende a visão criacionista.

Para ele, endossar esse “método” implica negar o fato de que, segundo a Bíblia, a morte entrou no mundo por causa do pecado (Rm 5:12; 6:23). Na ótica do evolucionismo teísta, no entanto, a morte é o meio para que ocorra o progresso das criaturas.

Borges, que é autor dos livros A História da Vida e Por Que Creio, lembra também que tal crença tira de vista a doutrina da salvação. Afinal, “se a humanidade tem evoluído durante milhões de anos e está sempre evoluindo, por que precisamos de um Salvador?” E mais: a própria promessa feita em Gênesis 3:15, considerada a primeira profecia messiânica das Escrituras, deixa de fazer sentido.

Do mesmo modo, outras verdades bíblicas são seriamente comprometidas, como a guarda do sábado (o sétimo dia), as bases do matrimônio (a definição do que é o casamento passa a ser definida pela cultura), a remissão da humanidade (remir de quê?), a necessidade de salvação, a ideia de um juízo e, finalmente, a esperança na segunda vinda de Cristo. Todas essas doutrinas dependem da interpretação literal das origens. Sem isso, elas podem parecer vulneráveis e pôr em risco a confiabilidade de todo o conteúdo das Escrituras Sagradas e até mesmo a onipotência de Deus. Por que seria necessário tornar “humanamente” viável ou compreensível a criação? Quem teria interesse nisso? Por que não podemos absorver como isso aconteceu, então não pode ter de fato acontecido? “Eu Te louvarei, porque de um modo assombrosoe tão maravilhoso fui feito; maravilhosas são as Tuas obras, e a minha alma o sabe muito bem” (Sl 139:14).

Ao mostrar quão problemática é a tentativa de misturar a visão evolucionista com o criacionismo bíblico, Richard Davidson ressalta: “No fluxo canônico geral das Escrituras, por causa da ligação inseparável entre a origem (Gn 1-3) e o fim dos tempos (Ap 20-22), sem um começo literal, não há um fim literal” (p. 19). Ou seja, se o início da história da humanidade é apresentado na Bíblia de maneira alegórica, de igual forma seria seu fim, o que significaria que a volta de Cristo não se daria como nós, adventistas, acreditamos e pregamos.

As três mensagens angélicas de Apocalipse 14:6-12 são o fundamento dessa igreja. A primeira delas, trata da pregação do evangelho eterno, que nos convida a adorar “Aquele que fez os céus, a terra, o mar e as fontes das águas” (Ap 14:7). No limiar da história da humanidade, o povo é convocado a se lembrar do Deus Criador. Essa convocação é uma clara defesa ao efervescente crescimento de teorias que anulam ou minimizam a atuação de uma mente inteligente por trás da formação do mundo.

A Igreja Adventista tem sido reconhecida como uma das guardiãs dessa verdade bíblica. Eduardo R. da Cruz, que não professa essa fé, em seu livro Teologia e Ciências Naturais, afirma que “uma das denominações mais importantes no desenvolvimento do criacionismo foi (e ainda é) a Igreja Adventista do Sétimo Dia. […] Enfatizando a leitura literal da Bíblia (base para sua afirmação de que o sábado seria o verdadeiro dia de repouso ordenado por Deus). Ellen White e outros fundadores afirmaram que o mundo teria sido criado em seis dias literais”.

Embora, como observou Reinaldo José Lopes na revista Superinteressante, alguns grupos, como as denominações evangélicas surgidas do século 19 em diante, tenham insistido “na verdade literal das Escrituras Sagradas, considerando-as fontes confiáveis não só para temas espirituais mas também científicos”, hoje são raras as denominações que ainda defendem esse ponto de vista. Como adventistas, somos praticamente uma voz isolada nesse universo de teologias controvertidas, cada vez mais diluídas no naturalismo filosófico. E não devemos perder de vista nossa missão de anunciar ao mundo o iminente retorno daquele que fez o céu, a terra e as fontes das águas.

Como aconselhou Gleason Archer, professor na Universidade Harvard que é considerado uma autoridade entre os eruditos do Antigo Testamento, ao teólogo adventista Richard Davidson após ter participado de um Encontro Anual da Sociedade Evangélica: “Vocês adventistas do sétimo dia são a única denominação que corajosa e oficialmente afirma as verdades bíblicas da origem da Terra. Por favor, não abandonem seu forte posicionamento em favor da semana da criação em sete dias literais e de um dilúvio global.” Assim faremos!