Daniel: da leitura à compreensão

DanielEste texto é o primeiro de uma série de 13 que serão postados aqui semanalmente (juntamente com vídeos do canal Michelson Borges), relacionados com a Lição da Escola Sabatina do primeiro trimestre de 2020, abordando o livro bíblico de Daniel. Não se trata de “resumos” nem “esboços” da lição, mas perguntas que podem provocar reflexão e uma boa discussão entre os grupos de estudo que tratarão do conteúdo de cada semana. Isso tornará tais grupos mais interativos, dinâmicos e produtivos. Elas também servem para os estudantes individuais das Escrituras que queiram internalizar as lições bíblicas de maneira efetiva e duradoura. Como se perceberá nesta série, o ideal para se alcançar esses objetivos são as chamadas “perguntas abertas”, que geralmente começam com um “por que” ou um “como”, pois exigem o uso do raciocínio e do coração para formular uma resposta – ao contrário das limitadoras perguntas “fechadas”, que podem ser respondidas com uma só palavra ou um simples “sim” ou “não”.

Para que todos os integrantes dos grupos de discussão possam igualmente imergir no tema de cada semana, algumas perguntas exigem uma breve explicação prévia apenas para dar o contexto.

Perguntas da lição 1 de Daniel – Por uma Escola Sabatina mais interativa!

Compare Atos 8:30 (o “verso áureo” desta semana) com o que Jesus disse em Mateus 24:15 e Marcos 13:14. Por que é necessário entendermos as Escrituras Sagradas antes de tirarmos qualquer conclusão a partir delas? Por outro lado, por que é tão perigoso basear-se em compreensões e doutrinas equivocadas? O que está em jogo?

O que significa dizer que “Cristo é o centro das Escrituras”? Conforme Lucas 24:27, 44, quais passagens bíblicas Jesus pode ter usado para Se referir a Si mesmo? (Cf. Gn 3:15; Sl 22:1, 16-18; Is 53; etc.)

Ao se considerar apenas o livro de Daniel, que trechos específicos apontam a Jesus Cristo? (R.: Dentre outros textos, no capítulo 2 a “pedra” é um símbolo de Jesus [cf. Mt 16:18; Mc 12:10; 1Co 10:4; etc.]; no capítulo 3:25, quem anda dentro da fornalha ardente junto com os três fiéis rapazes é Jesus, o “Filho de Deus” [ou “dos deuses”, como pode ter dito o rei pagão]; em 7:13 Jesus é o “Filho do Homem”; em 9:25, 26, Jesus é o “Ungido” [que é Messias, em hebraico, e Cristo, em grego]; em 12:1 Jesus é Miguel [que significa “Quem é como Deus”]; etc.)

De que forma Jesus pode ser o centro da vida de uma pessoa? Quais são as evidências?

É muito importante conhecer o gênero literário de qualquer livro bíblico antes de interpretá-lo. Dentre os vários estilos literários dos livros da Bíblia, encontramos narrativa histórica, salmos, epístolas, profecias clássicas, profecias apocalípticas, etc. As profecias clássicas (ex.: Isaías, Jeremias, Ezequiel, Amós, etc.) geralmente: (1) tratam de eventos locais; (2) não usam muita linguagem simbólica; e (3) são em sua maior parte condicionais – ou seja, elas são cumpridas ou não em função da obediência do povo da aliança. Já no gênero profecias apocalípticas (como as de Daniel), as profecias geralmente: (1) tratam de eventos que envolvem toda a humanidade; (2) focam e enfatizam mais o tempo do fim; e (3) são incondicionais – ou seja, não dependem da obediência para se cumprirem; elas se cumprirão de qualquer jeito.

Em sua opinião, por que as profecias apocalípticas não dependem de nossa obediência para se cumprirem? O que seria de nossa esperança se as profecias dos últimos dias (apocalípticas) fossem condicionais?

Baseando-se na explicação acima, por que é importante conhecer o gênero literário de qualquer livro da Bíblia antes de interpretá-lo? Leia Daniel 8:5-10 e responda: Como seria se essa porção profética do livro de Daniel fosse lida de modo literal? (Veja a interpretação desse trecho dada a Daniel pelo próprio anjo em 8:20-22).

Por que há tantos evangélicos hoje esperando os eventos finais acontecerem literalmente no Oriente Médio, mais especificamente em Israel? Como o conhecimento da diferença entre profecias clássicas e apocalípticas esclarece essa questão? (R.: Muitas religiões evangélicas interpretam as profecias clássicas a respeito da nação de Israel como se fossem profecias apocalípticas, que ainda irão acontecer para os judeus atuais. No entanto, por causa da desobediência de Israel no passado, e da condicionalidade daquelas profecias, elas não foram cumpridas para aquela nação e não serão jamais. Ver, por exemplo, Oseias 3:4, 5.)

Existem basicamente três tipos de interpretação de profecias apocalípticas: o preterismo, o futurismo e o historicismo. O preterismo, como o nome diz, crê que as profecias apocalípticas aconteceram no passado (pretérito) em relação a nós, pouco tempo após a visão do profeta. Uma versão mais cética dessa abordagem chega a ensinar que o “profeta”, na verdade, foi um tipo de historiador que apenas relatou em forma de símbolos tudo o que já havia acontecido antes dele. O futurismo, por outro lado, crê que tudo se cumprirá de uma só vez no futuro, nos últimos dias. Já o historicismo (nossa abordagem aqui) vê tudo se cumprindo ao longo da História, desde o tempo do profeta até a volta de Cristo. Considerando estas três abordagens proféticas, responda:

Conforme Daniel 9:25; Marcos 1:15; 13:14 e Mateus 24:15, qual dos três tipos de interpretação profética era utilizado por Jesus? O que isso nos ensina? Por que a abordagem historicista é a mais lógica?

Algumas das profecias de Daniel abrangem centenas, até milhares de anos (como é o caso dos 2.300 anos de Daniel 8:14). O que isso nos ensina sobre a “agenda” de Deus? E sobre paciência?

Como o conhecimento de que Deus conhece o futuro afeta o seu relacionamento com Ele?

(Natal Gardino é doutor em Ministério pela Andrews University e pastor distrital em Londrina, PR)

Piada com gay é homofobia; piada com Jesus gay é arte (mundo estranho)

portaO especial de Natal do Porta dos Fundos na Netflix deste ano já provocou abaixo-assinados, milhares de manifestações a favor e contra, e até um parecer do Ministério Público Federal do Rio de Janeiro. Só faltou mesmo ser engraçado, mas esta é outra história.

Não é a primeira vez que o próprio grupo Porta dos Fundos faz esquetes “zoando” figuras cristãs. Gregório Duvivier tuitou justificando seu ataque: “No dia em que o Brasil tiver uma bancada muçulmana no congresso, um aiatolá for dono de um canal de tv, o slogan do presidente for alá acima de todos, e pessoas berrarem nas ruas se eu conheço a palavra de Maomé, aí você me cobra algo sobre o islã.”

A publicação revela muito sobre a visão de mundo do suposto humorista. Ele genuinamente acha que o Brasil é o equivalente evangélico de nações como a Arábia Saudita ou Paquistão, onde a sharia é a lei. Gregório luta contra um fascismo imaginário, como costuma afirmar Guilherme Fiuza. Vive a denunciar censuras e uma ditadura que não existem. Agora, crê piamente que o Brasil é um Evangelistão, desprezando e fazendo troça dos símbolos cristãos, numa típica atitude de adolescente revoltado que tenta chocar o máximo possível para chamar atenção dos pais.

Mas o ataque encerra em si muito mais que piadas bobas e uma tentativa de provocar muito barulho. Em um artigo (exclusivo aqui no Brasil na Gazeta do Povo) tratando da realidade americana, o colunista Dennis Prager acertou em cheio o que também está se passando por aqui.

A esquerda vê no cristianismo seu principal inimigo ideológico e político. E está certa nisso. A única oposição organizada e de larga escala contra a esquerda vem da comunidade cristã tradicional – protestantes evangélicos, católicos tradicionais e mórmons fiéis [além de outros] – e de judeus ortodoxos”, escreve Prager.

É só lembrar como a ex-presidente Dilma Rousseff mudou sua percepção sobre o aborto. Em 2009 se disse favorável. A comunidade pró-vida, constituída por cristãos em sua maioria, chiou, com razão, e a então presidente mudou de ideia com medo de perder votos e apoio.

Talvez Gregório Duvivier não planeje os ataques de forma tão premeditada – até porque para isso seria necessário ter uma sólida formação intelectual. Mas, ao fazê-lo, segue à risca o roteiro pré-determinado de parte da esquerda que deseja impor sua agenda sem resistência.

Mais uma vez, recorro a Dennis Prager para revelar por que a esquerda desafia abertamente o cristianismo, mas ao mesmo tempo se cala sobre os excessos do mundo islâmico:

“A esquerda entende que quanto mais as pessoas acreditam no cristianismo (e no judaísmo), menor a chance de a esquerda ganhar o poder. A esquerda não se preocupa com o Islã, porque o percebe como um aliado em sua guerra contra a civilização ocidental e porque os esquerdistas não têm coragem de enfrentá-lo. Eles sabem que o confronto com os religiosos muçulmanos pode ser fatal, enquanto o confronto com cristão não implica riscos.”

De fato, nunca foi tão fácil calar os cristãos. No Brasil, os que ficaram indignados com o especial do Porta dos Fundos foram tachados de extremistas, radicais e fundamentalistas. Houve quem, apelando para a desonestidade intelectual, disse que o grupo estava sob censura – não se sabe de quem.

Leandro Ramos, um dos humoristas do programa igualmente sem-graça “Choque de Cultura”, mostrando um espírito de classe quase beirando o espírito de porco, também foi às redes sociais para manifestar sua preocupação com um Brasil supostamente tomado pelo extremismo religioso. “Se a gente não se organizar o Brasil vira um país evangélico-fundamentalista”, escreveu.

O Brasil não corre nenhum risco disso acontecer, mas expressar esse tipo de preocupação, citar o livro O Conto de Aia e dizer que o Brasil vive uma distopia pega bem em certos círculos (pseudo)intelectuais.

Você, leitor, conhece bem o tipinho: é o sujeito que precisa quebrar um tabu por dia — ou fingir que está quebrando. Eu até concordo que alguns realmente precisam ser quebrados. Que tal começar pelo tabu do humorista brasileiro que não faz rir?

(Jones Rossi, Gazeta do Povo)

Canal de divulgação científica cita livro A História da Vida

A menção é feita aos 7’30”, e o livro pode ser encontrado aqui.

Youtuber presbiteriano indica o livro O Poder da Esperança

Acesse www.opoderdaesperanca.com.br

Onze cristãos são decapitados na Nigéria

cristaos

O atentado foi reclamado pelo Boko Haram, autodeclarado braço do Estado Islâmico na região Norte da Nigéria

Na quinta-feira (26), o grupo extremista Província do Estado Islâmico na África Ocidental (ISWAP) divulgou um vídeo, no qual mostrou 11 reféns cristãos sendo mortos. As vítimas foram decapitadas pelos terroristas após terem pedido, em um vídeo anterior, que a Associação Cristã da Nigéria (CAN) negociasse sua libertação. Segundo o Estado Islâmico (EI), a ação fez parte de sua campanha, lançada no último domingo, para vingar as mortes do líder, Abu Bakr al-Baghdadi, e do porta-voz, ocorridas em outubro, na Síria. Desde então, vários ataques foram reivindicados pelo grupo extremista. A agência de notícias do Estado Islâmico divulgou um vídeo de 56 segundos mostrando os assassinatos brutais e reivindicando vingança por seu líder caído Abu Bakr al-Baghdadi. O vídeo mostrou homens de uniforme bege e máscaras atrás dos reféns, que estavam vendados. Um deles foi alvejado com um tiro e os outros foram decapitados. Tudo indica que o vídeo foi lançado em 26 de dezembro e analistas dizem que foi claramente cronometrado para coincidir com as celebrações de Natal.

Um pastor nigeriano que é parceiro da Portas Abertas, organização que apoia cristãos perseguidos no mundo, descreveu o ambiente atual na região norte como uma cultura de sobrevivência. “Você deita a cabeça à noite, sem saber se vai acordar”, diz ele. No entanto, mesmo durante a violência e a ameaça de futuros ataques do Estado Islâmico, a esperança em Cristo ainda está presente na igreja.

O pastor Marco, outro parceiro da Portas Abertas em campo na Nigéria, está ajudando a reconstruir uma igreja e restaurar uma vila que foi atacada pelo Boko Haram. Suas palavras para a igreja são inspiradoras e encorajadoras – lembrando que viver é Cristo e morrer é ganho.

A Portas Abertas faz parceria com a igreja local para fortalecer, apoiar e equipar os cristãos perseguidos no norte da Nigéria. O país ocupa o 12° lugar na Lista Mundial da Perseguição 2019, que classifica os 50 países que mais perseguem cristãos no mundo.

Nota: Oremos pela igreja perseguida e por nossos irmãos que têm sido mortos pelo simples fato de declarar a fé em Jesus. Lembremo-nos deles todas as vezes que sentirmos preguiça de ir à igreja, falta de entusiasmo missionário e apatia espiritual, que se manifesta na “falta de tempo” para ler a Bíblia e orar. Agradeçamos a Deus a liberdade religiosa de que desfrutamos em nosso país e não nos esqueçamos, também, de que isso está com os dias contados. Aproveitemos cada minuto que temos para nos achegar a Deus e cumprir nossa missão. [MB]

Repúdio: ataque ao prédio da produtora do grupo humorístico Porta dos Fundos

portaNa terça-feira, véspera de Natal, dois coquetéis molotov foram lançados dentro do prédio da produtora do grupo humorístico Porta do Fundos, no bairro Humaitá, no Rio de Janeiro. Graças à reação de um segurança que estava no local, as chamas não se transformaram em incêndio. Imagens das câmeras de segurança mostram que ao menos três pessoas participaram do ataque. “Não vão nos calar! Nunca! É preciso estar atento e forte”, disse o ator Fábio Porchat, um dos integrantes do Porta dos Fundos, logo após a notícia vir a público. A polícia descartou atentado terrorista, e um grupo fanático autointitulado Ação Integralista Brasileira assumiu o ataque. Também conhecidos como camisas verdes, os integralistas são contra o comunismo e a esquerda, mas também discordam do liberalismo econômico defendido pela direita.

A suspeita é de que o ataque tenha sido motivado pelas produções em que o grupo Porta dos Fundos faz humor debochando da fé cristã, como no mais recente filme divulgado justamente na época do Natal, intitulado “A Primeira Tentação de Cristo”, no qual o Salvador é apresentado como um personagem gay, envolvido em orgias e que se recusa a pregar o evangelho. Muitos textos e vídeos foram divulgados com críticas às blasfêmias do grupo, que também já apresentou “Jesus” em situação pornográfica (confira), mas até aí tudo mais ou menos bem. Fazem parte da democracia as ações e reações, inclusive via Justiça. Fazem parte da democracia as discussões sobre liberdade de expressão, respeito e liberdade religiosa. O que não se pode tolerar é o fator violência, como aconteceu no atentado promovido por radicais islâmicos à redação da revista francesa Charlie Hebdo, em 2015 (veja aqui e aqui), e como aconteceu recentemente no Rio de Janeiro.

Antes de tomar conhecimento do ataque à produtora do Porta dos Fundos, eu compartilhei em meu Facebook o seguinte texto, de José Luiz dos Santos:

“Genial não é quem choca, não é quem agride com sua pseudoarte. Genial é quem surpreende e acolhe. Há 20 anos chegava aos cinemas o filme ‘O Auto da Compadecida’, baseado na obra do mestre Ariano Suassuna. O filme trazia um Jesus negro, uma Maria idosa, uma estória de adultério, um trambiqueiro, um mentiroso, um monte de cangaceiros, um padre e um bispo bem interessados em dinheiro. Mas sabe de uma coisa? Foi escrito por um gênio! Foi escrito sem agredir, com doçura e delicadeza. Com respeito e bondade. Em nada ofendeu os católicos, evangélicos ou qualquer outra vertente do cristianismo. Não levantou bandeiras, mas foi a obra mais inclusiva que o Brasil já teve, colocando um negro sentado no trono de Cristo. Não, nós cristãos não nos doemos com tudo. Não venha dizer que nós não temos senso de humor ou somos racistas por estar revoltados com a afronta do Porta dos Fundos. Ninguém, nunca, jamais, em tempo algum cogitou processar Ariano Suassuna por conta da obra dele [nem teria por que]. Arte é arte, afronta é afronta. Vamos tratar cada coisa conforme a sua natureza. Artista é artista. Canalha é canalha. Tenho dito!”

Repito: esse texto foi compartilhado antes que eu tivesse tomado conhecimento do ataque no Rio de Janeiro, e continua sendo uma boa comparação e uma breve análise interessante sobre os limites do humor; sobre a arte e o deboche puro e simples (até o humorista Renato Aragão, o Didi, chamou atenção para isso). Mas também repito: violência nunca pode ser justificada. O verdadeiro cristão jamais reagiria à afronta lançando coquetéis molotov nos outros. O verdadeiro cristão sofre, fica indignado e até se revolta, mas foi ensinado pelo Mestre a dar a outra face – e exatamente por isso frequentemente é alvo de escárnio.

Não se podem tolerar incendiários, nem homicidas esfaqueadores de políticos, nem qualquer outro tipo de pessoa que se vale da violência como “recurso”.

Uma das muitas reações ao post no Facebook foi a do meu amigo presbiteriano Otávio Cardoso Filho. Ele escreveu o seguinte: “Não gostou do episódio, não assiste e entrega pra Deus. A vingança é dEle (Romanos 12:19). […] Há muitos e muitos sinais que apontam para a volta de Cristo em breve. Dentre eles, apontaria o esfriamento no amor de muitos. […] Onde [estão] os mesmos cristãos quando ‘pastores’ pedem dinheiro, vendendo a fé para andarem de jatinho? […]”

Concordo com o que Otávio diz sobre o esfriamento do amor, inclusive o de humoristas que desrespeitam o sentimento religioso de milhões de pessoas; e o esfriamento do amor de gente que reage a isso com fogo. A punição com fogo, no fim do milênio bíblico, é prerrogativa divina; o “ato estranho” (Isaías 28:21) de um Deus que, antes da sentença, oferecerá inúmeras oportunidades de arrependimento. Justamente por isso oro pelos humoristas e pelos agressores.

Otávio fala também da omissão de alguns cristãos. Não sei quanto a esses omissos, mas eu já critiquei pastores que viajam de jatinho particular (veja aqui) e a nefasta “teologia” da prosperidade (veja aqui). Mercadores da fé, falsos profetas e escarnecedores (2 Pedro 3:3) se unem aos corações de pedra para compor o cenário profético que antecede a volta de Jesus.

Concluo com as palavras de Fábio Porchat: “Não vão nos calar! Nunca! É preciso estar atento e forte.” Sim, não podemos nos calar. Mas que nossas palavras, ainda que firmes, sejam sempre temperadas com amor, respeito e bom senso. No entanto, se for para usá-las para magoar e desrespeitar, o silêncio será será sempre uma boa opção.

Michelson Borges

Unboxing no canal Sistemático. O que havia no pacote?

Mensagem de Natal dos astronautas

Pecado contra o Espírito Santo

Quando juvenil e adolescente, eu ouvia pregadores falar acerca do pecado contra o Espírito Santo. Eles repetiam as palavras de Cristo enfatizando que todos os pecados teriam perdão, menos o pecado contra o Espírito Santo. Aquilo me consumia… Eu ficava realmente preocupado: “Será que eu já pequei contra o Espírito Santo? Será que ainda existe salvação para mim? Como saber se pequei ou não contra o Espírito Santo?” Essas perguntas estavam sempre voltando à minha mente.

O tempo passou e eu obtive maior aprofundamento nesse assunto. Se o pecado é contra o Espírito Santo, antes de saber como esse pecado se configura, é necessário saber quem é o Espírito Santo e qual o trabalho dEle, sua obra; assim, é possível saber como se pode ofendê-Lo a tal ponto de não mais receber o perdão.

A Bíblia diz que a obra do Espírito Santo é nos convencer do “do pecado, da justiça e do juízo” (João 16:8). É Ele o responsável por aquele incômodo mental quando se faz algo errado; é Ele quem fala à mente dizendo: “Este é o caminho, andai por ele” (Isaías 30:21). O Espírito Santo trabalha em nosso coração com o objetivo de nos fazer aceitar a Cristo e rejeitar o pecado. Ele nos conduz ao nosso Salvador e “intercede por nós com gemidos inexprimíveis” (Romanos 8:26).

Em que consiste então o pecado contra o Espírito Santo? O que seria esse pecado tão terrível? A rejeição firme contínua aos diversos apelos feitos pelo Espírito Santo a ponto de as impressões mentais pelas quais Ele é responsável serem completamente extintas e o ser humano ficar entregue à sua maldade e à disposição do mal. É um nível tão distante que se torna impossível ao Espírito de Deus ter qualquer acesso à mente do que rejeita, tornando impossível sua salvação.

Então, se você em algum momento pensou: “Será que já pequei contra o Espírito Santo? Será que estou perdido?”, eu lhe respondo: Não! Essa não é a preocupação de quem pecou contra o Espírito Santo. Quem já cometeu esse pecado não está preocupado se pecou ou não; está tão distante de Deus que essa não é mais uma preocupação.

É claro que você não deve brincar com a salvação, afinal, não é só o pecado contra o Espírito Santo que tirará as pessoas do Céu. Há muitos que ficam confortados sabendo que não pecaram contra o Espírito Santo e, em lugar de buscar um verdadeiro arrependimento e mudança de vida, continuam na prática pecaminosa, tranquilos, porque imaginam que, como não cometeram o pecado contra o Espírito Santo, está tudo bem. Assim, caminham enfraquecendo as impressões do Espírito em sua mente e, mesmo não tendo cometido o pecado contra o Espírito Santo, correm sério risco de morrer nessa condição ou ser pegos de surpresa com a volta de Cristo e estar completamente perdidos. Muitos perdidos não estarão nessa condição porque cometeram o pecado contra Espírito Santo, mas por pecados simples, os quais não foram confessados.

Que o Senhor Deus lhe ajude a ser obediente à voz do Seu Espírito e confirme o desejo em seu coração de se afastar cada vez mais do pecado.

O verdadeiro sentido do Natal

jesus“‘Aproxima-se o Natal’, é a frase que soa através do mundo, de Norte a Sul, de Leste a Oeste. Para os jovens, para as crianças, e mesmo para os de mais idade, esse é um período de alegria geral, de grande contentamento. Mas o que é o Natal, que assim exige tão grande atenção? […] O dia 25 de dezembro é supostamente o dia do nascimento de Jesus Cristo, e sua comemoração tem se tornado costumeira e popular. Porém, não há certeza de que se esteja celebrando o verdadeiro dia do nascimento de nosso Salvador. A história não nos dá certeza absoluta disso. A Bíblia não nos informa a data precisa. Se o Senhor tivesse considerado esse conhecimento essencial para nossa salvação, teria Se pronunciado através de Seus profetas e apóstolos, para que pudéssemos saber tudo a respeito do assunto. Mas o silêncio da Bíblia sobre esse ponto nos mostra que ele nos foi ocultado por razões sábias.

“Em Sua sabedoria, o Senhor ocultou o lugar onde sepultou Moisés. Deus o sepultou, o ressuscitou e o levou para o Céu. Esse procedimento tinha o objetivo de prevenir a idolatria. Aquele contra quem os israelitas haviam se rebelado quando estava ativo, que haviam provocado quase além dos limites da resistência humana, era quase adorado como Deus depois de separado deles pela morte.

“Pela mesma razão é que Ele ocultou o dia preciso do nascimento de Cristo, para que o dia não recebesse a honra que deve ser dada a Cristo como Salvador do mundo. Ele é quem deve ser recebido, em quem se deve crer e confiar como Aquele que pode salvar perfeitamente todos os que vão a Ele. A adoração deve ser prestada a Jesus como o Filho do infinito Deus” (Review and Herald, 9 de dezembro de 1884).

O dia não deve ser passado por alto

“Sendo que o dia 25 de dezembro é lembrado em comemoração ao nascimento de Cristo, e sendo que as crianças têm aprendido por palavras e exemplo que esse é um dia de alegria e contentamento, será difícil passar por alto esse período sem lhe dar alguma atenção. Ele pode ser utilizado para um bom propósito.

“As crianças devem ser tratadas com muito cuidado. Não devem ser deixadas no Natal a buscar seus próprios divertimentos em prazeres vãos, em diversões que prejudicarão a espiritualidade. Os pais podem controlar essa questão voltando a mente e as ofertas dos filhos para Deus e a salvação de pessoas.

“O desejo de divertimentos não deve ser contido e arbitrariamente sufocado, mas guiado e dirigido por meio de paciente esforço da parte dos pais. O desejo de dar presentes deve ser bem conduzido para levar bênçãos ao próximo graças à manutenção do dinheiro na grande e ampla obra para a qual Cristo veio ao mundo. Altruísmo e espírito de sacrifício marcaram Sua conduta. Que isso também caracterize os que afirmam amar a Jesus, porque nEle está centralizada nossa esperança de vida eterna” (Review and Herald, 9 de dezembro de 1884).

Presentes como sinal de afeição

“As festas estão chegando rapidamente com sua troca de presentes. Jovens e idosos estão analisando intensamente o que poderão dar a seus amigos como sinal de afetuosa lembrança. É agradável receber um presente, mesmo simples, daqueles a quem amamos. É uma afirmação de que não fomos esquecidos, e parece ligar-nos a eles mais intimamente. […]

“É certo concedermos a outros demonstrações de amor e carinho, se, ao fazer isso, não nos esquecemos de Deus, nosso melhor Amigo. Devemos dar nossos presentes de tal maneira que sejam um real benefício ao que recebe. Eu recomendaria determinados livros que fossem um auxílio na compreensão da Palavra de Deus ou que aumentem nosso amor por seus ensinos. Obtenham algo para ser lido durante esses longos serões de inverno” (Review and Herald, 26 de dezembro de 1882).

Livros como presentes

“Há muitos que não têm livros e publicações sobre a verdade bíblica para nossos dias. Aqui está um grande campo onde o dinheiro pode ser investido com segurança. Há muitas crianças que podem ser abençoadas com a leitura. Os livros The Sunshine Series, Golden Grains Series, Poems, Sabbath Readings, etc. são preciosos e podem ser introduzidos seguramente em cada família. As pequenas quantias gastas em doces e brinquedos sem valor podem ser acumuladas e com isso comprar esses volumes. […]

“Os que desejarem dar presentes caros a seus filhos, netos e sobrinhos, procurem para eles os livros mencionados. Para os jovens, The Life of Joseph Bates é um tesouro; também os três volumes de Spirit of Prophecy. Esses volumes podem ser levados a cada família na Terra. Deus está dando a luz do Céu, e nenhuma família deve ficar sem ela. Que os seus presentes possam espalhar raios de luz sobre o caminho que conduz ao Céu” (Review and Herald, 11 de dezembro de 1879).

Jesus não deve ser esquecido

“Irmãos e irmãs, enquanto vocês planejam dar presentes uns aos outros, desejo lembrar-lhes de nosso Amigo celestial, para que não passem por alto a vontade dEle. Cristo Se agradará se mostrarmos que não O esquecemos. Jesus, o Príncipe da vida, deu tudo para nos trazer a salvação. […] Ele sofreu mesmo até a morte, para que nos pudesse dar a vida eterna.

“É por meio de Cristo que recebemos todas as bênçãos. […] Não deve nosso Benfeitor celestial participar das provas de nossa gratidão e amor? Venham, irmãos e irmãs, venham com seus filhos, com bebês em seus braços, e tragam ofertas a Deus, segundo suas possibilidades. Cantem ao Senhor em seu coração, e esteja em seus lábios o louvor divino” (Review and Herald, 26 de dezembro de 1882).

Natal: momento para honrar a Deus

“Pelo mundo, os feriados são passados em frivolidades e extravagância, gula e ostentação. […] Milhares de dólares serão gastos de modo pior do que se fossem jogados fora, no próximo Natal e Ano Novo, em excessos desnecessários. Mas temos o privilégio de nos afastar dos costumes e práticas desta época corrompida. Em vez de gastar meios meramente na satisfação do apetite, ou com ornamentos desnecessários ou artigos de vestuário, podemos tornar as festividades vindouras uma ocasião para honrar e glorificar a Deus” (Review and Herald, 11 de dezembro de 1879).

“Cristo deve ser o objetivo supremo; mas, da maneira em que o Natal tem sido comemorado, a glória é desviada dEle para o ser humano mortal, cujo caráter pecaminoso e defeituoso tornou necessário que Ele viesse ao nosso mundo. Jesus, a Majestade celestial, o nobre Rei do Céu, pôs de lado Sua realeza, deixou Seu trono de glória, Sua alta posição, e veio ao nosso mundo para trazer o auxílio divino ao ser humano caído, debilitado na capacidade moral e corrompido pelo pecado. […]

“Os pais devem falar sobre esses assuntos aos seus filhos e instruí-los sobre seus deveres para com Deus; não suas obrigações de uns para com os outros, de exaltarem-se e glorificarem-se uns aos outros por presentes” (Review and Herald, 9 de dezembro de 1884).

Levar os filhos a desenvolverem o altruísmo

“Há algo que pode ser planejado com gosto e muito menos gastos do que os desnecessários presentes tantas vezes oferecidos a nossos filhos e parentes, e ainda assim mostrar cortesia e levar felicidade ao lar.

“Vocês podem ensinar uma lição a seus filhos enquanto lhes explicam a razão por que fizeram uma mudança no valor dos presentes deles. Digam que vocês percebem que têm até então pensado mais no prazer deles do que na glória de Deus. Digam-lhes que têm pensado mais em seu próprio prazer e satisfação deles e em se manter em harmonia com os costumes e tradições do mundo, em dar presentes aos que não necessitam deles, do que em ajudar no progresso da missão dada por Deus.

“Como os magos do passado, vocês podem oferecer a Deus seus melhores presentes e mostrar por suas ofertas a Ele que apreciam o Presente dado por Ele a um mundo pecaminoso. Levem os pensamentos de seus filhos ao longo de um caminho novo, altruísta, motivando-os a apresentar ofertas a Deus pela dádiva de Seu único Filho” (Review and Herald, 13 de novembro de 1894).

Devemos armar uma árvore de Natal?

“Deus Se alegraria muito se, no Natal, cada igreja tivesse uma árvore de Natal sobre a qual pendurar ofertas, grandes e pequenas, para esses locais de adoração. Têm chegado a nós cartas com a pergunta: ‘Devemos ter árvores de Natal? Não seria isso imitar o mundo?’ Respondemos: Vocês podem fazer isso à semelhança do mundo, se escolherem isso. Mas podem fazê-lo de modo muito diferente. Não é pecado selecionar um pinheiro e pô-lo em nossas igrejas, mas o pecado está no motivo que induz à ação e no uso que é feito dos presentes postos na árvore.

“A árvore pode ser tão alta e seus ramos tão vastos quanto a ocasião exigir. Mas os galhos dela devem estar carregados com o fruto de ouro e prata da bondade de vocês, e apresentem isso a Deus como seu presente de Natal. Que suas doações sejam santificadas pela oração” (Review and Herald, 11 de dezembro de 1879).

“As festividades de Natal e Ano-Novo podem e devem ser celebradas em favor dos necessitados. Deus é glorificado quando ajudamos os necessitados que têm família grande para sustentar” (Manuscrito 13, 1896).

Árvore de Natal com ofertas missionárias

“Os pais não devem pensar que uma árvore de Natal posta na igreja para alegrar os alunos da Escola Sabatina seja pecado, pois pode ela ser uma grande bênção. Falem às crianças sobre bondade e generosidade. O mero divertimento não deve ser o objetivo dessas reuniões. Embora possa haver alguns que transformarão essas reuniões em momentos de frivolidade, e cuja mente ainda não foi tocada por Deus, para outros essas reuniões trarão grande bem.

“Tenho certeza de que pode haver substitutos sadios para muitas reuniões que, de outra forma, seriam impróprias” (Review and Herald, 9 de dezembro de 1884).

Providenciar recreação sadia

“Levantem-se, meus irmãos e irmãs cristãos, busquem conhecer a vontade do Senhor, procurem tratar desse assunto de tal maneira que não seja árido e desinteressante, mas repleto de inocente prazer que tenha a aprovação do Céu. Eu sei que os mais pobres aceitarão essas sugestões. Os mais ricos também devem mostrar interesse e apresentar seus donativos e ofertas proporcionalmente aos meios que Deus lhes concedeu. Que se registre nos livros do Céu um Natal como jamais houve, por causa dos donativos que forem dados para o sustento da obra de Deus e o restabelecimento de Seu reino” (Review and Herald, 9 de dezembro de 1884).

(Ellen G. White, O Lar Adventista, p. 477-483; linguagem atualizada por Matheus Cardoso)