Transgênero fora do mundial feminino de handebol por veto das companheiras

1A jogadora australiana de handebol Hannah Mouncey, que em 2013 competiu na equipe masculina com o nome de Callum, denuncia veto das jogadoras. A federação está estudando o caso. Em janeiro de 2013, a equipe australiana de handebol foi “atropelada” pela Espanha numa derrota com contornos de humilhação e resultado final de 11-51. Na equipe estreava um novo goleador australiano, Callum Mouncey, uma fortaleza de 23 anos, 100 quilos, cabelo loiro e 1,90 metro, que nesse jogo se destacou marcando quatro gols pelos “aussies”. Mas ninguém podia imaginar a história por trás do jogador e, sobretudo, o que estava por vir: agora chamada Hannah Mouncey, ela [sic] é uma atleta transexual e pretendia disputar o Mundial feminino que começou no fim de semana passado no Japão, seis anos depois de competir na categoria masculina.

Ela [sic] estava convencida de que seria selecionada, mas no último minuto seu nome não surgiu na convocatória. Hannah quis saber por que e descobriu que as companheiras de equipe tinham vetado seu nome e rejeitam sua presença nos vestiários e chuveiros femininos. A história é contada na edição desta quinta-feira do jornal espanhol El País.

A Federação Australiana de Handebol nega que a discriminação sexual seja o motivo da exclusão de Hannah, mas um tribunal da federação está analisando o caso.

Vários comentaristas dizem que, na verdade, se a Austrália está competindo no Mundial, isso se deve aos gols de Hannah Mouncey – logo na estreia pela equipe feminina, na fase de acesso há um ano, ela marcou 23 gols em seis jogos, gols fundamentais para o apuramento. No entanto, ela confessa que sua integração no dia a dia da equipe foi difícil e cheia de atritos.

“Nunca me senti parte do grupo. Conversei com a treinadora muitas vezes e ela me dizia que era a melhor pivô da equipe”, revela Hannah citada pelo El País. Mas depois de ter visto seu nome na lista das 16 eleitas, vem agora acusar um grupo de jogadoras de boicotarem sua presença no Mundial.

“Parece que meia-dúzia de jogadoras reclamaram que não queriam que eu usasse os mesmos vestiários e chuveiros que elas”, denuncia Hannah Mouncey. “A razão oficial que deram para minha exclusão foi uma suposta má forma, mas a própria treinadora reconheceu que esse não era o motivo real”, diz Hannah, que continua a fazer tratamento hormonal devido à mudança de sexo. “Eu passei em todos os testes físicos.”

Embora a convivência com as colegas fosse complicada, em campo Hannah mostrava sua superioridade. “Em agosto, houve um jogo amigável e eu concordei com a treinadora em ficar fora da equipe porque estávamos preocupadas que as outras seleções pudessem protestar e complicar o apuramento para o Mundial. Mas até àquela altura eu fazia parte de todas as convocatórias”, esclarece a atleta [sic] que revelou nunca ter tido qualquer problema desse tipo no seu clube, o Melbourne.

A Federação australiana já veio dizer que a exclusão de Hannah Mouncey nada teve a ver com discriminação sexual. “Existe um comitê de seleção e posso confirmar, como presidente desse órgão, que essa alegada questão dos chuveiros não fez parte das discussões”, admitiu Bronwyn Thompson, secretário-geral da Federação, que recusa dar mais pormenores devido à “confidencialidade das reuniões”. Confirma, ainda assim, que o caso está sendo analisado por um tribunal da entidade, mas não deu mais informações.

“Escrevi um email à Hannah quando vi um tweet dela depois de a lista de jogadoras convocadas para o Mundial ter sido conhecida, mas ela não me respondeu. Ela podia ter feito uma reclamação e não o fez”, disse ainda o secretário-geral da Federação.

“Eu não sabia que podia apelar”, reconhece a jogadora [sic]. “Mas para quê? Quem quer fazer parte de uma equipe que não te aceita como és?”, pergunta a atleta.

2Hannah Mouncey, agora com 30 anos [e na foto ao lado como era há alguns anos], admite que demorou muito tempo para aceitar que era diferente dos outros. “Tinha medo. Admiro muito os jovens que não se importam com o que as pessoas pensam deles”, diz na sua entrevista ao jornal El País.

Ela [sic] só deu o grande passo quando já tinha 24 anos. “Comecei o tratamento hormonal em 2015, quando voltei do torneio masculino pré-olímpico no Catar. E, honestamente, eu não deveria ter ido, não estava bem mentalmente “, confessa agora.

Por causa da medicação, a jogadora [sic] esteve sem competir durante um ano. Mas depois dessa paralisação e sob tratamento de estrogênio, ele pôde voltar à competição, mas agora pela equipe de sexo feminino. “Como perdi testosterona, estou mais lenta, menos resistente e tenho menos força nas pernas”, diz.

Mas isso não a [sic] impediu de estrear pela seleção nacional na qualificação para o Mundial, há um ano. Faria depois mais seis jogos e 23 gols e todos achavam que iria ao Mundial do Japão, mas acabou por ficar em terra à última hora. Agora, sobram-lhe perguntas para as quais não tem resposta.

(JN)

Nota: Vire o mundo ao contrário. Depois queixe-se de quem insiste em mantê-lo direito.

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