Daniel: da leitura à compreensão

DanielEste texto é o primeiro de uma série de 13 que serão postados aqui semanalmente (juntamente com vídeos do canal Michelson Borges), relacionados com a Lição da Escola Sabatina do primeiro trimestre de 2020, abordando o livro bíblico de Daniel. Não se trata de “resumos” nem “esboços” da lição, mas perguntas que podem provocar reflexão e uma boa discussão entre os grupos de estudo que tratarão do conteúdo de cada semana. Isso tornará tais grupos mais interativos, dinâmicos e produtivos. Elas também servem para os estudantes individuais das Escrituras que queiram internalizar as lições bíblicas de maneira efetiva e duradoura. Como se perceberá nesta série, o ideal para se alcançar esses objetivos são as chamadas “perguntas abertas”, que geralmente começam com um “por que” ou um “como”, pois exigem o uso do raciocínio e do coração para formular uma resposta – ao contrário das limitadoras perguntas “fechadas”, que podem ser respondidas com uma só palavra ou um simples “sim” ou “não”.

Para que todos os integrantes dos grupos de discussão possam igualmente imergir no tema de cada semana, algumas perguntas exigem uma breve explicação prévia apenas para dar o contexto.

Perguntas da lição 1 de Daniel – Por uma Escola Sabatina mais interativa!

Compare Atos 8:30 (o “verso áureo” desta semana) com o que Jesus disse em Mateus 24:15 e Marcos 13:14. Por que é necessário entendermos as Escrituras Sagradas antes de tirarmos qualquer conclusão a partir delas? Por outro lado, por que é tão perigoso basear-se em compreensões e doutrinas equivocadas? O que está em jogo?

O que significa dizer que “Cristo é o centro das Escrituras”? Conforme Lucas 24:27, 44, quais passagens bíblicas Jesus pode ter usado para Se referir a Si mesmo? (Cf. Gn 3:15; Sl 22:1, 16-18; Is 53; etc.)

Ao se considerar apenas o livro de Daniel, que trechos específicos apontam a Jesus Cristo? (R.: Dentre outros textos, no capítulo 2 a “pedra” é um símbolo de Jesus [cf. Mt 16:18; Mc 12:10; 1Co 10:4; etc.]; no capítulo 3:25, quem anda dentro da fornalha ardente junto com os três fiéis rapazes é Jesus, o “Filho de Deus” [ou “dos deuses”, como pode ter dito o rei pagão]; em 7:13 Jesus é o “Filho do Homem”; em 9:25, 26, Jesus é o “Ungido” [que é Messias, em hebraico, e Cristo, em grego]; em 12:1 Jesus é Miguel [que significa “Quem é como Deus”]; etc.)

De que forma Jesus pode ser o centro da vida de uma pessoa? Quais são as evidências?

É muito importante conhecer o gênero literário de qualquer livro bíblico antes de interpretá-lo. Dentre os vários estilos literários dos livros da Bíblia, encontramos narrativa histórica, salmos, epístolas, profecias clássicas, profecias apocalípticas, etc. As profecias clássicas (ex.: Isaías, Jeremias, Ezequiel, Amós, etc.) geralmente: (1) tratam de eventos locais; (2) não usam muita linguagem simbólica; e (3) são em sua maior parte condicionais – ou seja, elas são cumpridas ou não em função da obediência do povo da aliança. Já no gênero profecias apocalípticas (como as de Daniel), as profecias geralmente: (1) tratam de eventos que envolvem toda a humanidade; (2) focam e enfatizam mais o tempo do fim; e (3) são incondicionais – ou seja, não dependem da obediência para se cumprirem; elas se cumprirão de qualquer jeito.

Em sua opinião, por que as profecias apocalípticas não dependem de nossa obediência para se cumprirem? O que seria de nossa esperança se as profecias dos últimos dias (apocalípticas) fossem condicionais?

Baseando-se na explicação acima, por que é importante conhecer o gênero literário de qualquer livro da Bíblia antes de interpretá-lo? Leia Daniel 8:5-10 e responda: Como seria se essa porção profética do livro de Daniel fosse lida de modo literal? (Veja a interpretação desse trecho dada a Daniel pelo próprio anjo em 8:20-22).

Por que há tantos evangélicos hoje esperando os eventos finais acontecerem literalmente no Oriente Médio, mais especificamente em Israel? Como o conhecimento da diferença entre profecias clássicas e apocalípticas esclarece essa questão? (R.: Muitas religiões evangélicas interpretam as profecias clássicas a respeito da nação de Israel como se fossem profecias apocalípticas, que ainda irão acontecer para os judeus atuais. No entanto, por causa da desobediência de Israel no passado, e da condicionalidade daquelas profecias, elas não foram cumpridas para aquela nação e não serão jamais. Ver, por exemplo, Oseias 3:4, 5.)

Existem basicamente três tipos de interpretação de profecias apocalípticas: o preterismo, o futurismo e o historicismo. O preterismo, como o nome diz, crê que as profecias apocalípticas aconteceram no passado (pretérito) em relação a nós, pouco tempo após a visão do profeta. Uma versão mais cética dessa abordagem chega a ensinar que o “profeta”, na verdade, foi um tipo de historiador que apenas relatou em forma de símbolos tudo o que já havia acontecido antes dele. O futurismo, por outro lado, crê que tudo se cumprirá de uma só vez no futuro, nos últimos dias. Já o historicismo (nossa abordagem aqui) vê tudo se cumprindo ao longo da História, desde o tempo do profeta até a volta de Cristo. Considerando estas três abordagens proféticas, responda:

Conforme Daniel 9:25; Marcos 1:15; 13:14 e Mateus 24:15, qual dos três tipos de interpretação profética era utilizado por Jesus? O que isso nos ensina? Por que a abordagem historicista é a mais lógica?

Algumas das profecias de Daniel abrangem centenas, até milhares de anos (como é o caso dos 2.300 anos de Daniel 8:14). O que isso nos ensina sobre a “agenda” de Deus? E sobre paciência?

Como o conhecimento de que Deus conhece o futuro afeta o seu relacionamento com Ele?

(Natal Gardino é doutor em Ministério pela Andrews University e pastor distrital em Londrina, PR)